O SMS Thüringen foi um navio couraçado operado pela Marinha Imperial Alemã e a terceira embarcação da Classe Helgoland depois do e e seguido pelo . Sua construção começou em novembro de 1908 nos estaleiros da AG Weser em Bremen, sendo lançado ao mar em novembro de 1909 e comissionado em julho de 1911. O projeto do Thüringen e seus irmãos representava uma melhora considerável em relação à anterior Classe Nassau em termos de armamento e propulsão. O navio tinha uma bateria principal composta por doze canhões de 305 milímetros montados em seis torres de artilharia duplas dispostas em um incomum arranjo hexagonal, deslocamento de mais de 24 mil toneladas e uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora).

O Thüringen foi comissionado na Frota de Alto-Mar e em tempos de paz seu serviço consistiu principalmente de rotinas de exercícios individuais ou junto com o resto da força alemã. O navio participou de todas as grandes operações navais alemães na Primeira Guerra Mundial no Mar do Norte, incluindo a Batalha da Jutlândia em 1916. Também teve algumas ações no Mar Báltico contra a Marinha Imperial Russa, principalmente no Golfo de Riga em 1915. O couraçado não participou de mais nenhuma grande operação depois da Jutlândia e acabou por ser entregue aos Aliados ao final da guerra após o afundamento da frota alemã em Scapa Flow. Ele foi transferido para Marinha Nacional Francesa e feito navio alvo de testes, afundando perto de Gâvres em 1923 e sendo parcialmente desmontado até 1933.

Características

esquerda|thumb|300px|O Thüringen usava o mesmo arranjo hexagonal da bateria principal empregado anteriormente nos couraçados da predecessora Classe Nassau. O SMS Thüringen tinha 167,2 metros de comprimento, boca de 28,5 metros e calado de 8,94 metros. Seu deslocamento totalmente carregado chegava em 24,7 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quinze caldeiras a carvão que alimentavam três motores de tripla expansão com quatro cilindros, que por sua vez impulsionavam três hélices quádruplas de 5,1 metros de diâmetro. A potência gerada pelas máquinas era de 28 mil cavalos-vapor (20,9 mil quilowatts), o que lhe permitia alcançar uma velocidade de 21,2 nós (39,3 quilômetros por hora). O Thüringen transportava até 3,2 mil toneladas de carvão, o que lhe dava um alcance de 5 500 milhas náuticas (10 190 quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). As caldeiras foram modificadas em 1915 para borrifarem combustível sobre o carvão; a embarcação podia transportar até 197 toneladas de óleo combustível. Sua tripulação era formada por 42 oficiais e 1071 marinheiros.

A bateria principal do Thüringen consistia de doze canhões SK L/50 de 305 milímetros. Estes eram montados em seis torres de artilharia arranjados em uma incomum configuração hexagonal: uma na proa, uma na popa e duas de cada lado. Seus armamentos secundários eram compostos por catorze canhões SK L/45 de 150 milímetros montadas em casamatas e catorze canhões SK L/45 de 88 milímetros, também em casamatas. Duas de suas armas de 88 milímetros foram substituídas em 1914 por canhões antiaéreos também de 88 milímetros. Além disso, havia seis tubos de torpedos de quinhentos milímetros instalados abaixo da linha d'água; um na proa, outro na popa e dois em cada lateral. O cinturão de blindagem tinha entre oitenta milímetros de espessura nas extremidades e trezentos na área central do navio, enquanto atrás do cinturão ficava uma antepara de torpedo de trinta milímetros de espessura. O convés era protegido por uma blindagem que ia desde 55 a oitenta milímetros de espessura. A torre de comando dianteira era protegida por um teto de duzentos milímetros e laterais de quatrocentos, já a torre traseira tinha uma proteção de cinquenta milímetros no teto e duzentos nas laterais. As torres de artilharia possuíam tetos de cem milímetros e laterais de trezentos, e as casamatas tinham 170 milímetros mais escudos de oitenta milímetros.

História O Thüringen foi encomendado pela Marinha Imperial Alemã sob o nome provisório de Ersatz Beowulf, como um substituto para o antigo navio de defesa de costa SMS Beowulf. O contrato para a construção foi entregue para a AG Weser de Bremen, ocorrendo sob o número 166. O batimento de quilha aconteceu no dia 2 de novembro de 1908 e foi lançado um ano depois em 27 de novembro de 1909. Ele foi batizado pela duquesa Adelaide de Saxe-Altemburgo, enquanto Guilherme Ernesto, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach, realizou um discurso. Os trabalhos de equipagem, que incluíam a finalização da superestrutura e instalação dos armamentos, duraram até junho de 1911. Seis barcas de pontão foram amarradas no couraçado a fim de reduzir seu calado para que ele pudesse ser rebocado pelo rio Weser até o Mar do Norte. A embarcação, nomeada em homenagem a região da Turíngia, foi comissionada na Frota de Alto-Mar em 1º de junho de 1911, pouco menos de três anos depois do início das obras.

O navio realizou seus testes marítimos logo em seguida e eles foram completados em 10 de setembro. O Thüringen foi designado nove dias depois para a I Esquadra de Batalha, juntando-se a seus irmãos. Ele então conduziu exercícios de treinamento individuais que foram sucedidos por treinamentos junto com toda a I Esquadra e por fim manobras da frota em novembro. O cruzeiro anual de verão normalmente ia até a Noruega, porém em 1911 foi interrompido pela Crise de Agadir, assim o cruzeiro só chegou no Mar Báltico. O couraçado e o resto da frota entraram pelos dois anos seguidos em um padrão de exercícios individuais, divisionais e em frota.

A Marinha Imperial fez seu último cruzeiro de verão completo em tempos de paz em julho de 1913, realizando exercícios perto de Skagen na Dinamarca e então seguido para os fiordes noruegueses em 25 de julho. O cruzeiro anual para a Noruega de 1914 começou em 14 de julho. Entretanto, a frota começou a voltar para a Alemanha já no dia seguinte como resultado do ultimato da Áustria-Hungria para a Sérvia. Todos os navios reuniram-se perto do Cabo Skadenes no dia 27 antes de voltarem para o porto, onde permaneceram em estado de alerta. A guerra entre os dois países começou em 28 de julho e em apenas uma semana todas as grandes potências europeias também entraram no conflito, iniciando a Primeira Guerra Mundial. O Thüringen e o resto da I Esquadra voltaram para Wilhelmshaven no dia 29.

Primeira Guerra Ações iniciais O navio esteve presente durante a primeira incursão da frota alemã para o Mar do Norte, ocorrida entre 2 e 3 de novembro de 1914. Não foram encontradas forças britânicas durante a operação. Uma segunda incursão aconteceu em 15 e 16 de dezembro. Esta ação foi o começo de uma estratégia adotada pelo almirante Friedrich von Ingenohl, o comandante da Frota de Alto-Mar. Ele tinha a intenção de usar os cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento do contra-almirante Franz Hipper para atacar cidades costeiras do Reino Unido a fim de atrair partes da Grande Frota, a principal força naval britânica, para uma emboscada onde pudessem ser destruídas pelos alemães. A frota deixou o porto no dia 15 para atacar as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby. À noite, a força alemã de oito couraçados pré-dreadnought e seis couraçados modernos, incluindo o Thüringen e seus três irmãos, chegaram a estar a dez milhas náuticas (dezenove quilômetros) de distância de um esquadra britânica destacada de apenas seis couraçados. Entretanto, ataques entre contratorpedeiros e barcos torpedeiros em meio a escuridão convenceram Ingenohl que ele estava enfrentando toda a frota britânica. Ele estava sob ordens do imperador Guilherme II de não arriscar seus navios desnecessariamente e assim recuou de volta para a Alemanha.

A Batalha do Banco de Dogger ocorreu em 24 de janeiro de 1915, quando a 1ª e 2ª Esquadras de Cruzadores de Batalha do vice-almirante sir David Beatty emboscaram a I Esquadra de Reconhecimento. O Thüringen e o resto da I Esquadra de Batalha partiram às 12h33min para auxiliar os cruzadores de batalha alemães, acompanhados dos pré-dreadnoughts da II Esquadra. Entretanto, foi tarde de mais e eles não conseguiram encontrar os navios britânicos. A frota retornou para a Rada de Schillig fora de Wilhelmshaven às 19h05min. Nesse meio tempo, a força britânica concentrou seus tiros no cruzador blindado e ele afundou, enquanto o foi seriamente danificado por um incêndio no depósito de munições. O imperador removeu Ingenohl de seu posto em 2 de fevereiro e o substituiu pelo almirante Hugo von Pohl.

Os oito navios da I Esquadra foram para o Mar Báltico em 22 de fevereiro de 1915 para treinarem até 13 de março. Eles participaram de uma série de incursões para o Mar do Norte depois de retornarem que transcorreram sem incidentes, nos dias 29 e 30 de março, 17 e 18 de abril, 17 e 18 de maio e em 29 e 30 de maio. O Thüringen e o resto da frota depois permaneceram no porto até 4 de agosto, quando a I Esquadra foi enviada de volta para o Báltico para outra rodada de treinamentos. A esquadra então foi colocada junto com uma força naval em uma tentativa de tomar o Golfo de Riga das forças da Marinha Imperial Russa. A força incluía os oito couraçados da I Esquadra, os cruzadores de batalha Seydlitz, e , vários cruzadores rápidos, 32 barcos torpedeiros e treze caça-minas. O plano era para que caminhos fossem criados através dos campos minados inimigos para que a presença naval russa pudesse assim ser eliminada. Os alemães então criariam campos minados próprios para impedir que os inimigos entrassem no golfo. Os couraçados e foram destacados em 16 de agosto com o objetivo de escoltar os caça-minas e destruir o couraçado pré-dreadnought russo , porém fracassaram em sua missão. Os campos minados russos foram liberados depois de três dias e a flotilha entrou no golfo no dia 19, porém submarinos inimigos na área fizeram os alemães recuarem logo no dia seguinte. A I Esquadra retornou para Wilhelmshaven em 26 de agosto.

A Frota de Alto-Mar realizou entre 23 e 24 de outubro sua última grande operação sob o comando de Pohl, porém terminou sem confronto com forças britânicas. Pohl estava doente de câncer no fígado e foi substituído em janeiro de 1916 pelo vice-almirante Reinhard Scheer. Este propôs uma política mais agressiva pensada para forçar um confronto com a Grande Frota britânica; ele recebeu aprovação do imperador no mês seguinte. A primeira operação de Scheer foi uma varredura do Mar do Norte de 5 a 7 de março, seguida por outras duas entre 21 e 22 e de 25 até 26 de março. O Thüringen apoiou um ataque à costa britânica em 24 de abril realizado pela força de cruzadores de batalha. Estes partiram da Angra de Jade às 10h55min e o resto da Frota de Alto-Mar seguiu às 13h40min. O Seydlitz bateu em uma mina no caminho e precisou recuar. Os outros cruzadores de batalha bombardearam a cidade de Lowestoft, porém encontraram a Força de Harwich de cruzadores de batalha britânicos enquanto aproximavam-se de Yarmouth. As embarcações enfrentaram-se brevemente até os britânicos recuarem. Relatos de submarinos inimigos fizeram o I Grupo de Reconhecimento recuar. Scheer nesse momento fora informado que a Grande Frota tinha deixado sua base em Scapa Flow na Escócia, assim deu ordem para seus navios voltarem para águas alemãs.

Jutlândia

thumb|upright=1.4|Mapa mostrando os principais movimentos da Batalha da Jutlândia. Os alemães são mostrados em vermelho enquanto os britânicos em azul.