Jaime Artur da Costa Pinto (em grafia antiga Jayme Arthur da Costa Pinto) (Lisboa, 27 de Setembro de 1845 - Lisboa, 10 de Janeiro/10 de Junho/12 de Setembro de 1909) foi um notável político, filantropo, empresário agrícola, jornalista e académico português da fase final da Monarquia.

Biografia Filiação Filho de Carlos José Serrão da Costa Pinto e de sua mulher (Lisboa, Conceição, 23 de Fevereiro de 1832) Gertrudes Quirina da Cunha Barroso Alves, foi baptizado na Igreja de São Nicolau, em Lisboa, a 6 de Abril de 1846, tendo como Padrinho a António Moreira Marques e Madrinha Nossa Senhora.

Foro na Casa Real Abastado e amigo da Família Real, foi Moço Fidalgo da Casa Real por Alvará de D. Luís I de Portugal de 20 de Outubro de 1868.Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Luís I, Livro 18, Fólio 135v

Política Na política, esteve ligado ao Partido Regenerador, embora a sua fortuna pessoal lhe permitisse a independência das posições políticas. Era um grande influente eleitoral na Margem Sul do Rio Tejo.

Deputado Deputado do Reino de Portugal em várias Legislaturas pelo Partido Regenerador, chegou, pela primeira vez, à Câmara dos Deputados eleito em 1878 pelo Círculo Eleitoral Uninominal de Almada, sendo, depois, reeleito por este círculo em 1881, 1884, 1889 e 1890, de que prestou juramento, respectivamente, a 23 de Janeiro de 1879, 20 de Janeiro de 1882, 27 de Dezembro de 1884, a 15 de Janeiro de 1890 e a 3 de Maio de 1890, e pelos Círculos Eleitorais Uninominais de Setúbal em 1892, de que prestou juramento a 25 de Fevereiro de 1893, de Mafra em 1894, de que prestou juramento a 17 de Outubro de 1894, e de Lisboa em 1895 e 1900, de que prestou juramento a 8 de Janeiro de 1896 e a 10 de Janeiro de 1901, respectivamente, e, ainda, pelo Círculo Eleitoral Plurinominal de Lisboa Ocidental em 1901 e 1904, de que prestou juramento a 8 de Janeiro de 1902 e a 24 de Outubro de 1904. Algumas fontes adicionam ainda os Círculos do Barreiro, do Seixal, de Sesimbra e de Cascais.

Teve intensa participação nos trabalhos parlamentares. Integrou diversas Comissões Parlamentares, nomeadamente a de Agricultura, de 1882 a 1886, em 1891, 1893, 1894, 1897, 1902 e 1904, mas também as de Petições, em 1879 e 1897, a Administrativa, em 1886, 1897, 1902 e 1904, a de Administração Pública de 1890 a 1894, em 1896, em 1897 e de 1902 a 1904, de Verificação de Poderes em 1894, de Comércio e Artes em 1894, Diplomática em 1894, de Legislação Criminal em 1894, de Redacção do "Diário da Câmara dos Deputados" em 1897, de Pescarias em 1897, de Revisão do Recenseamento Eleitoral em 1901, de Fazenda em 1901, de Orçamento de 1902 a 1904, de Estatística em 1902 e 1904, e, ainda, a Especial para dar Parecer sobre o projecto das pautas, em 1902, e a de Inquérito sobre o imposto do sal, em 1885.

No hemiciclo não se destacou em discursos sobre temas de política geral, ou no debate de questões ideológicas, antes assumiu uma postura pragmática, marcada pelo empenho na solução dos problemas que, no imediato, afectavam as populações, distinguindo-se em debates de questões de assistência. Jaime Artur da Costa Pinto fazia mesmo questão em se afirmar representante das classes pobres e defensor de medidas de combate à miséria popular. Com esse objectivo, sustentou o fim do imposto do pescado e do imposto do sal, em várias intervenções produzidas entre 1879 e 1885, bem como o apoio aos pescadores da Margem Sul do Rio Tejo, que, no Inverno, viviam com grandes privações, a 7 de Fevereiro de 1879, e o auxílio às vítimas da explosão da fábrica de dinamite na Trafaria, a 7 de Julho de 1882. Outro dos vectores da sua acção parlamentar residiu no interesse pelos progressos da Agricultura e pelo desembaraçar das peias que dificultavam a vida comercial. Assim, propôs a venda de terrenos incultos nas mãos do Estado a 7 de Abril de 1879 e a 3 de Fevereiro de 1882, a redução de direitos aduaneiros sobre a importação de produtos de consumo a 8 de Março de 1882, o alargamento da utilização de adubos químicos na agricultura a 22 de Fevereiro de 1884 e a 23 de Março de 1885, a dedução das taxas alfandegárias nos impostos sobre o fabrico de manteiga nacional a 7 de Julho de 1890, e mostrou-se em desacordo com a proposta de pauta relativa aos contadores de água , que iria lesar gravemente a indústria nacional, nomeadamente o Capitalista Ferreira Pinto Basto, que tinha fábrica com 300 operários, a 24 de Fevereiro de 1892. Um terceiro tema recorrente nas intervenções de Jaime Artur da Costa Pinto é o das condições de navegação, segurança e rendibilidade da Margem do Tejo. Nesse sentido, propôs a inscrição de verbas no Orçamento do Estado para a aquisição duma bomba flutuante que servisse o Porto de Lisboa a 20 de Abril de 1883, apresentou um requerimento para se atender às condições precárias em que se encontrava o Cais de Cacilhas a 4 de Junho de 1890, lamentou a venda para a Grã-Bretanha e Irlanda do único rebocador capaz de enfrentar períodos de tempestade a 1 de Abril de 1892, entregou uma nota de interpelação que, entre outros assuntos, se referia ao assoreamento da Doca de Porto Brandão a 18 de Janeiro de 1897, teceu fortes críticas aos serviços da Alfândega de Lisboa, que acusou de encarecerem e dificultarem o desembarque de sementes e outros produtos destinados aos trabalhos agrícolas a 27 e 29 de Janeiro de 1897, alertou para o assoreamento do Rio Tejo junto à muralha marginal, impeditiva da atracagem de vapores a 11 de Março de 1901, e, acima de tudo, sempre se bateu pela eficaz instalação do Instituto de Socorros a Náufragos, tendo mesmo conseguido que se constituísse uma Comissão Parlamentar para acompanhar a legislação e os serviços prestados nesta área. Enquanto conhecedor privilegiado dos problemas e anseios dos Municípios de Almada e Cascais, proferiu, igualmente, diversas intervenções em prol dos interesses dessas localidades. Destaque para as sessões de 26 de Fevereiro de 1892, onde defendeu a construção duma corredoura para a fácil utilização do melhor navio salva-vidas do País, que se encontrava em Cascais, e de 27 de Março de 1901, na qual defendeu a necessidade duma orientação definida para as obras na região de Lisboa, em particular a transferência do Arsenal da Marinha para a Margem Sul do Rio Tejo, e a ligação ferroviária Barreiro-Cacilhas, com ramais para Azeitão e Sesimbra, por forma a conseguir, como em Londres, um efectivo e harmonioso desenvolvimento de ambas as margens do Rio. Em matérias politicamente mais sensíveis, registam-se as intervenções de Jaime Artur da Costa Pinto no debate sobre a Lei Eleitoral de 1884, no qual se manifestou contra os Artigos referentes às execuções fiscais passíveis de influenciar o voto dos eleitores, a 15 e 21 de Março de 1884, o alerta para os problemas resultantes da crise de trabalho em 1892, que poderiam agravar a questão operária e prejudicar a tranquilidade pública, a 18 de Março de 1892, a réplica a um discurso de Eduardo Augusto da Rocha Abreu, a quem disse que só por figura de retórica podia exclamar que queria a revolução, quando o País o que carece é de ordem, justiça recta e boa administração, a 1 de Abril de 1892, a aceitação da legitimidade do mandato de Deputado do 1.º Conde de Burnay, Henrique Burnay, assunto em que se declarou à vontade, por ter inviabilizado a candidatura daquele poderoso Capitalista pelo Círculo de Sintra, a 7 de Junho de 1893, e, finalmente, a proposta de construção de novos Liceus Centrais em Lisboa, sem elevados custos de construção, e seguindo o modelo da Alemanha: umas casas de tijolo e ferro, arejadas e cheias de luz, a 17 de Janeiro de 1902. Torna-se evidente que, mesmo nestes temas de política geral, esteve presente um espírito pragmático que, sem grandes rasgos oratórios, teve como preocupações dominantes os interesses da região e os problemas sociais.</ref>

Chegou a ser nomeado Conselheiro de S.M.F. o Rei D. Carlos I.

Agricultura Desenvolveu inúmeras actividades ligadas à promoção da Agricultura. Foi um dos Directores da Exposição Agrícola de 1884, que se realizou na Tapada da Ajuda, e um dos que mais contribuíram para o seu êxito brilhante, e Membro e Director da Secção Agrícola da Exposição Industrial de 1888, que se efectuou na Avenida da Liberdade, Secretário da Real Associação Promotora da Agricultura Portuguesa, Editor duma publicação agrícola, redigida e dirigida pelo Conselheiro João de Andrade Corvo, fundador, em Lisboa, a Empresa Industrial e Comercial Agrícola, para a venda de maquinismos, máquinas agrícolas e adubos, da qual foi Proprietário, e fundador, da colecção Biblioteca de Agricultura e Ciências. Outras iniciativas lhe foram devidas, tanto para beneficência como em defesa da Agricultura, fundou a Companhia Promotora da Agricultura Portuguesa, era amigo pessoal de L. Mendonça e Costa, e foi primeiro Proprietário e Director da "Gazeta dos Caminhos de Ferro", tendo escrito também para outros jornais.

Deputado pelo Círculo de Almada Foi Deputado pelo Círculo de Almada, e não presidente da Câmara Municipal, como referem algumas publicações, onde conseguiu a secagem e extinção do grande pântano da Trafaria e a fixação das dunas,com a plantação de pinhais e a arborização em pinheiros e eucaliptos numa área de 1500 hectares para prender as dunas ou areias moventes da Caparica, vale da Trafaria e pântano do Juncal da Costa, para, por este meio, terminar com a vasta extensão pantanosa que rodeava a povoação, provocando frequentemente epidemias e paludismo.

Esta obra começou pela abertura da vala da Costa em data de 10 de janeiro de 1883; e depois dada a «necessidade do dessecamento do pântano da Costa, n’aquelle concelho, e da arborisação dos areaes da Trafaria e Costa da Caparica, para os fins de remover as causas da insalubridade d’aquella região, e do crear ali uma extensa mata para protecção das margens do rio e barra, e para impedir o augmento dos assoriamentos», pela aquisição dos terrenos de areais e matas maninhas que a Câmara Municipal de Almada possuía na Trafaria e Costa pela Fazenda Pública, através do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, em acto acordado em 10 de Fevereiro de 1883, no qual o Ministério estava representado pelo seu ministro, o Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro, e a Câmara Municipal de Almada pelo seu presidente, o sr. Domingos Afonso Jr., conhecido proprietário nos concelhos de Almada e Seixal, e comerciante de vinhos a granel, que tinha nos seus armazéns da Arealva; assistindo também a este acto, além do Conselheiro de Estado João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Mártens, procurador geral da coroa e fazenda, os srs. Jayme Arthur da Costa Pinto, deputado da nação, e Bento Fortunato de Moura Coutinho de Almeida de Eça, tenente coronel de engenheiros ao serviço deste ministério e que, como já foi referido, foi encarregue inicialmente desta obra.

A obra que ajudou a fixar as areias, melhorando a estabilidade do cordão dunar e garantido assim melhores condições, quer para a fixação das populações na localidade, quer para o aproveitamento agrícola das terras interiores da Costa, servidas depois por uma vala de 8 km que ajudou a escoar as águas paradas, que frequentemente aqui se fixavam. A vala que foi construída em 1884 já sob a direcção do Engenheiro João Maria de Magalhães, e foi depois construída uma estrada florestal, obra conseguida e inaugurada pelo então Deputado eleito pelo Círculo Eleitoral de Almada, Jaime Artur da Costa Pinto, futuro presidente da Câmara Municipal de Cascais, em 13 de Junho de 1899.