thumb|Exemplo de vermidepurador doméstico para tratamento dos efluentes de 1 habitante.

thumb|Perfil de um vermidepurador Vermidepuração (também denominada de vermifiltração) é um processo biológico de tratamento de águas residuais domésticas, urbanas, agrícolas ou de agroindústrias.Sinha R. K., Bharambe, G., Chaudhari, U. 2008. Sewage treatment by vermifiltration with synchronous treatment of sludge by earthworms: a low-cost sustainable technology over conventional systems with potential for decentralization, The Environmentalist 28, 409–420. Neste processo, recorrem-se às mesmas espécies de minhocas utilizadas na vermicompostagem nos climas temperados, pelo que o conceito da vermidepuração resulta da fusão da vermicompostagem e dos leitos percoladores utilizados para nas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

As águas residuais (ou efluentes líquidos) domésticos/urbanos apresentam elevada carga orgânica, azoto amoniacal e organismos patogénicos, sendo estes os principais parâmetros que obrigam à existência de um tratamento adequado com vista, não apenas a reduzir o seu potencial poluente. A água residual deve ser normalmente precedida de um tratamento primário - a nível doméstico uma fossa sética e a nível industrial, um tanque Imhoff, de modo a serem removidos alguns sólidos sedimentáveis que poderão colmatar a unidade de vermidepuração - o tratamento secundário. Este tratamento realiza-se num reator biológico denominado vermidepurador ou vermifiltro. Nele as minhocas digerem os sólidos retidos à superfície do filtro, convertendo-os em excrementos, aumentando com isso a permeabilidade geral do filtro.

A nível dos efluentes domésticos e urbanos, a eficiência de remoção de matéria orgânica e de destruição de organismos patogénicos (coliformes fecais) e ovos de parasitas intestinais é bastante mais elevada comparativamente a outros métodos de tratamento biológico. No que concerne aos parâmetros relativos à legislação nacional, registam-se eficiências de remoção de mais de 90% para a Carência Bioquímica de Oxigénio (CBO5 em mg L-1), mais de 85% para a Carência Química de Oxigénio (CQO em mg L-1) e mais de 98% para os Sólidos Suspensos Totais (SST em em mg L-1). Coliformes fecais e ovos de parasitas (normalmente ascaris lumbricoides) são reduzidos para valores superiores a 6 unidades logarítmicas (Log10) e para zero (N.º L-1) respetivamente. Estes valores conferem potencial para o efluente tratado para ser reutilizado para fertirrega a nível agrícola, sem ocorrência de riscos para a Ambiente e Saúde Pública.

Da natureza do filtro, assim dependerá o comportamento do processo na remoção de nutrientes (azoto e fósforo totais). Do ponto de vista da reutilização do efluente, importa que a nitrificação ocorra e que o teor de ortofosfatos seja apreciável pelo que, nos casos em que a reutilização do efluente não seja viável para fins agrícolas (ou em descargas de efluente em zonas sensíveis), devem ser estudadas alternativas à serradura para constituição do filtro, para que o N e P totais sejam removidos para teores condizentes com a legislação nacional.

Os materiais que constituem o interior de um vermidepuração (de cima para baixo) são: serradura (onde se encontram as minhocas), serradura inerte (geralmente plástico reciclado usado) e resíduos de cerâmica não contaminados. À serradura e minhocas é dado o nome de filtro orgânico e à serradura inerte e resíduos de cerâmica é dado o nome de filtro inerte. Numa perspetiva de sustentabilidade, é de todo o sentido recorrer a materiais usados e/ou reciclados, como sejam a serradura inerte e os resíduos de cerâmica.

Alterar o paradigma com que as águas residuais são vistas, é um dos objetivos da vermidepuração. De facto, a vermidepuração permite que o tratamento dos efluentes seja visto não como uma rejeição (no solo ou no meio hídrico) mas sim como uma valorização/reutilização.

Categoria:Biologia