thumb|Este recife de corais na Área Protegida das Ilhas Phoenix fornece hábitat para inúmeras espécies marinhas thumb|Poucas criaturas fazem das plataformas de gelo da Antártida seu hábitat, mas a água sob o gelo pode fornecer hábitat para diversas espécies. Animais como os pinguins se adaptaram para viver em condições muito frias thumb| Íbex em hábitat alpino

Em ecologia, habitat ou hábitat refere-se ao conjunto de recursos, fatores bióticos que estão presentes em uma área, como para apoiar a sobrevivência e reprodução de uma espécie específica. O hábitat de uma espécie pode ser visto como a manifestação física de seu nicho ecológico. Assim, "hábitat" é um termo específico da espécie, fundamentalmente diferente de conceitos como ambiente ou conjuntos de vegetação, para os quais o termo "tipo de hábitat" é mais apropriado.

Os fatores físicos podem incluir (por exemplo): solo, umidade, faixa de temperatura e intensidade de luz. Os fatores bióticos incluem a disponibilidade de alimentos e a presença ou ausência de predadores. Cada espécie tem requisitos de hábitat específicos, espécies generalistas de hábitat são capazes de prosperar em uma ampla gama de condições ambientais, enquanto espécies especialistas em habitat requerem um conjunto muito limitado de fatores para sobreviver. O hábitat de uma espécie não é necessariamente encontrado em uma área geográfica, pode ser o interior de um caule, um tronco podre, uma rocha ou um aglomerado de musgo; um organismo parasita tem como hábitat o corpo de seu hospedeiro, parte do corpo do hospedeiro (como o trato digestivo) ou uma única célula dentro do corpo do hospedeiro.For example:

Os tipos de hábitat são categorizações ambientais de diferentes ambientes com base nas características de uma determinada área geográfica, particularmente vegetação e clima. Assim, os tipos de hábitat não se referem a uma única espécie, mas a múltiplas espécies que vivem na mesma área. Por exemplo, os tipos de hábitat terrestre incluem floresta, estepe, pastagem, semiárido ou deserto. Os tipos de hábitat de água doce incluem pântanos, riachos, rios, lagos e lagoas; os tipos de hábitat marinho incluem pântanos salgados, a costa, a zona entremarés, estuários, recifes, baías, mar aberto, fundo do mar, águas profundas e respiradouros submarinos.

Os tipos de hábitat podem mudar ao longo do tempo. As causas da mudança podem incluir um evento violento (como a erupção de um vulcão, um terremoto, um tsunâmi, um incêndio florestal ou uma mudança nas correntes oceânicas); ou a mudança pode ocorrer mais gradualmente ao longo de milênios com alterações no clima, à medida que as camadas de gelo e as geleiras avançam e recuam, e à medida que diferentes padrões climáticos trazem mudanças de precipitação e radiação solar. Outras mudanças vêm como resultado direto de atividades humanas, como o desmatamento, a aração de pastagens antigas, o desvio e represamento de rios, a drenagem de pântanos e a dragagem do fundo do mar. A introdução de espécies exóticas pode ter um efeito devastador na vida selvagem nativa — por meio do aumento da predação, da competição por recursos ou da introdução de pragas e doenças às quais as espécies indígenas não têm imunidade.

Definição e etimologia A palavra "hábitat" está em uso desde cerca de 1755 e deriva do latim habitāre, habitar, de habēre, ter ou manter. Hábitat pode ser definido como o ambiente natural de um organismo, o tipo de lugar em que é natural que ele viva e cresça. É semelhante em significado a um biótopo; uma área de condições ambientais uniformes associadas a uma comunidade particular de plantas e animais.

Exemplos de habitat e nicho ecológico A girafa e a zebra dividem um mesmo habitat: as savanas africanas. No entanto, enquanto as zebras se alimentam de ervas rasteiras, as girafas comem as folhas presentes no alto das árvores. Em um mesmo habitat, portanto, podemos notar duas espécies que exploram os recursos naturais de maneiras diferentes.

O papagaio-da-cara-roxa é uma espécie encontrada exclusivamente na Mata Atlântica. Sendo assim, a floresta é o seu habitat. Já no que diz respeito ao seu nicho ecológico, o papagaio-da-cara-roxa tem o hábito de ser extremamente ativo pela manhã, descansando durante a tarde e voltando à atividade durante noite. Ele se alimenta de flores, frutos e folhas e constantemente é encontrado em par com outro animal da mesma espécie.

Outro exemplo diz respeito à tartaruga-verde. Ela vive em águas calmas e costeiras, ou seja, com bastante vegetação nativa (habitat). Porém, no que se refere aos seus hábitos (nicho ecológico), ela é onívora quando filhote e, à medida em que cresce, se torna herbívora. Além disso, seus ovos são botados quase que exclusivamente em ilhas oceânicas.

thumb|Recife de coral na Área Protegida das Ilhas Fénix, um rico habitat para a vida marinha

Tipos de habitat miniaturadaimagem|Lago Maipo com ambiente montanhoso caracterizado por seu frio e neve, um habitat extremo para diversas espécies que o colonizam

Terrestre Os ambientes terrestres são muitos e alguns exemplos são: cavernas, florestas, campos, rochas, montanhas, vales e ambientes subterrâneos. Ao contrário do que muitos pensam, as florestas não são apenas um conjunto de árvores. As florestas são a casa de 80% da biodiversidade terrestre. As florestas podem assumir muitas formas, sendo algumas delas: florestas temperadas, tropicais e semitropicais. Podem ser classificadas, principalmente, por floresta ombrófila densa (mata muito densa e de difícil passagem), floresta ombrófila aberta (mata menos densa), floresta estacional sempre-verde (possui árvores com folhas verdes o ano inteiro) e florestas estacional decidual (possui árvores com folhas que envelhecem, ficam amareladas e caem). Indo mais afundo ainda, as florestas tropicais possuem uma grande diversidade de plantas e animais característicos, como o jacarandá-do-cerrado e o ipê amarelo que são árvores típicas do cerrado.

Marinho Os habitats marinhos fazem parte de um grande número de ecossistemas e são basicamente divididos em ambientes de água doce e ambientes marinhos. Alguns exemplos de habitats de água doce são: lagos, cachoeiras, poços, rios, ribeirões, barragens e pântanos. Entre os ambientes de água salgada temos: zonas entremarés, recifes, região bentônica, cavernas marinhas, zonas de águas profundas, zonas de águas rasas e baías, além de bancos de areia e lodaçais. Os corais são ecossistemas extraordinários ricos em relações bióticas e abióticas. Em 2014, pesquisadores de diversas universidades participando da ONG Greenpeace encontraram um gigantesco recife de corais na região onde desemboca o Rio Amazonas. A região recebe 200 mil m3 de água doce por segundo atingindo uma extensão de até 400 km, rica em sedimentos e de aparência barrenta com baixíssima penetração solar. "Ele é composto predominantemente por algas calcárias, mas também é construído por corais (principalmente Madracis decactis) e recoberto por esponjas, corais-negros (de esqueleto preto, que vivem em águas profundas) e corais-moles (sem esqueleto calcário), sendo habitado por peixes e diversos outros grupos típicos de ambientes recifais, como caranguejos e estrelas do mar", conta o biólogo Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coordenador do grupo de pesquisadores a bordo do Esperanza, expedição que hoje estuda quais os impactos que este recife pode receber por estar em uma área de interesse petrolífero para uma empresa francesa da região.

Transição As praias estão situadas na fronteira dos dois maiores ambientes do planeta: o continente e o oceano. É um habitat de transição o qual sofre influência tanto do continente quanto do oceano. Mesmo o visitante mais desatento percebe que a praia é transiente, um dia está muito larga e outro muito curta ou sua inclinação varia ao longo dos dias da semana. A transição e a influência de tantos ambientes levam a uma rica diversidade de espécies de animais, plantas e outros microrganismos. A distribuição da fauna de praia ocorre de acordo com a capacidade de cada espécie em se adaptar a permanência fora da água, ou seja, ao ressecamento. Este padrão de zonação pode ser determinado por diferentes fatores durante as marés baixas, principalmente o tempo de exposição ao ar, às temperaturas mais elevadas no período diurno, à redução de nutrientes e às baixas taxas de oxigênio dissolvido. A rica diversidade de estruturas de calcário e sílica de protozoários e moluscos fornece um ambiente de proteção para muitas larvas, ovos e até mesmo adultos de diversas espécies.

Urbano O ambiente urbano também possui muitos habitats, ao contrário do que muitos pensam. Diversos animais, como muitos mosquitos e pernilongos, animais domésticos, e parasitos que possuem seu habitat dentro de um organismo ou uma célula. Além disso, plantas como cactos doméstico, tuias, rosas, palmeiras, coqueiros e lírios possuem jardins, casas e praças como seu habitat. A transição de animais ou plantas vindos de ambientes não-urbanos para os ambientes urbanos é cada vez mais comum. Um claro exemplo disso é a transição de muitas espécies de passarinhos que deixam o campo por diversos motivos e vão para a cidade onde a comida é fartamente distribuída pelos humanos e é fácil encontrar praças - o que está cada vez deixando de ser realidade nos ambientes naturais desses animais pela alta taxa de desmatamento e pela toxicidade alimentar gerada devido ao uso de agrotóxicos nas plantações. Cientistas da Universidade de Illinois Urbana-Champaign publicaram um estudo no qual catalogaram 66 espécies de passarinhos das quais 40 das que se adaptaram ao ambiente urbano teve um aumento populacional significativo. Enquanto nas outras 26, os resultados mostram um declínio populacional.

Habitats extremos thumb|Poucas criaturas fazem das prateleiras de gelo da Antártica seu habitat.

miniaturadaimagem|Os cactos constituem a paisagem da restinga, sendo uma espécie de planta adaptada a habitats extremos caracterizados por longas secas e sol em abundância.

Os habitats extremos são aqueles quase inóspitos, os quais abrigam os seres mais intrépidos do planeta. Viver nesses locais não é tarefa fácil, sendo assim, organismos que costumam viver em ambientes moderados (mesofílicos) com temperaturas amenas, muito dificilmente conseguem se adaptar a essas regiões. Sendo assim, a maioria das espécies que vivem em locais extremos, são de microrganismos, uma vez que podem suportar tanto temperaturas congelantes quanto escaldantes, e algumas delas conseguem até mesmo sobreviver sem a presença de oxigênio (microrganismos anaeróbios). Os seres que vivem nesses habitats comumente são chamados de extremófilos, e, como o próprio nome sugere, qualquer alteração de clima ou pluviosidade pode fazer com que o funcionamento do organismo desses seres não seja mais o mesmo, podendo levar até mesmo a morte. Por outro lado, alguns organismos conseguem sobreviver a esses ambientes através da redução de seu metabolismo, até que aquele volte a ser favorável para sua sobrevivência, como é o caso de esporos de algumas espécies bacterianas e dos Tardigrados. Habitats extremos podem variar do fundo do oceano até o topo de montanhas, já que a sobrevivência nesses locais é dificultada pela pressão, temperatura, disponibilidade de O2, e muitos outros fatores. Por mais que alguns seres humanos, como mergulhadores e alpinistas, consigam explorar essas regiões, o risco é alto, devido ao fato do nosso corpo não estar preparado para aguentar as condições desses locais.

Topos de montanha