A Crise em Burundi foi uma série de transtornos políticos, militares e sociais que acontecem nesta nação africana. Começou em 25 de abril de 2015 quando o partido que ocupava o governo, o Conselho Nacional para a Defesa da Democracia – Forças de Defesa da Democracia (CNDD-FDD), anunciou que o presidente do país, Pierre Nkurunziza (no cargo desde 2005), concorreria a um terceiro mandato em 2015. A oposição iniciou então uma série de protestos afirmando que as ações do presidente eram inconstitucionais.
As demonstrações de oposição ao presidente Nkurunziza se espalharam pela capital, Bujumbura, e duraram pelo menos três semanas. Neste meio tempo, a Suprema Corte do país aprovou o direito de Nkurunziza a concorrer a um terceiro mandato, apesar de pelo menos um juiz ter fugido para o exterior afirmando ter recebido ameaças de morte por parte de oficiais do governo. Os protestos da oposição ganharam então mais intensidade, fechando as redes de comunicação do país, as universidades e prédios públicos. O governo passou então a chamar os manifestantes de "terroristas" e a repressão ficou mais violenta. Para escapar da violência política crescente, milhares de pessoas começaram um êxodo do país. Centenas de opositores também foram detidos e muita gente morreu.
Em 13 de maio de 2015 deu-se o início de uma tentativa de golpe de Estado, liderada pelo major-general Godefroid Niyombare, enquanto o presidente Nkurunziza estava na Tanzânia atendendo a uma reunião de emergência sobre o estado do seu país. No dia seguinte a situação já teria se acalmado, com tropas do governo retomando o controle da capital e prendendo os líderes golpistas. A violência política, contudo, começou a ganhar mais intensidade."Army General in Burundi Says President Is Ousted". Associated Press, 13 de maio de 2015.
De acordo com o Banco Mundial, Burundi é um dos países mais miseráveis da África, com 66,9% da população vivendo abaixo da linha da pobreza."Burundi - Data - The World Bank". Página acessada em 17 de dezembro de 2015. Corrupção e má gestão por parte do poder público também são comuns. A recente crise afetou a já enfraquecida economia e somada a tensões étnicas acabou atraindo as atenções da mídia internacional e de outros países e organizações, como a ONU."Crise no Burundi pode tomar dimensão étnica, avalia alto comissário". Página acessada em 17 de dezembro de 2015. A União Africana pediu para o país adiar as eleições, que foram marcadas para julho de 2015. Uganda e África do Sul fizeram pedidos similares, mas o governo burundiano se recusou e Nkurunziza ganhou o pleito, apesar de denúncias de irregularidades e repressão política.
O resultado das eleições presidenciais de julho de 2015 em Burundi irritou a oposição e também uma enorme parcela da população. A instabilidade política e social tomaram conta do país, com violentos confrontos entre forças leais ao presidente e manifestantes anti-Nkurunziza. Tensões sectárias também estavam crescendo, alimentando ainda mais a crise."Death toll from day of clashes in Burundi capital rises to nearly 90". Página acessada em 17 de dezembro de 2015.
No começo de janeiro de 2016, mais de 439 pessoas já haviam morrido nos distúrbios que atingiram o país e outros 240 000 fugiram para buscar refúgio no exterior.
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