Exército Branco () ou Guarda Branca () foi o nome dado ao braço militar do Movimento Branco, durante a Guerra Civil Russa. Era formado por forças nacionalistas e contrarrevolucionárias russas, tinha representação de organizações anti-comunistas, conservadores e, em alguns casos, pró-czaristas,os defensores da antiga República Russa, mencheviques, socialistas revolucionários além de outras facções, que, após a Revolução de Outubro, lutaram contra o Exército Vermelho dos bolcheviques na Rússia.
As outra forças envolvidas na guerra civil foram o anarquista Exército Insurgente Makhnovista (Exército Negro),Anarchists Never Surrender: Essays, Polemics, and Correspondence on Anarchism, 1908–1938. Autor: Victor Serge. PM Press, 2015, pág. 223, ISBN 9781629630533 Adicionado em 30/12/2015. o nacionalista Exército VerdeLenin and the Russian Revolution. Autor: Steve Phillips. Heinemann, 2000, pág. 56, ISBN 9780435327194 Adicionado em 30/12/2015. e o separatista Exército Azul polonês.<ref name = "Eichenberg">Julia Eichenberg (2010).The Dark Side of Independence: Paramilitary Violence in Ireland and Poland after the First World War Contemporary European history, 19, pp.231-248, Cambridge University Press</ref>
Estrutura thumb|150px|esquerda|"Por que você ainda não está no exército?" Cartaz de propaganda do Exército de Voluntários durante a guerra civil. thumb|250px|esquerda|"Restauração de uma Rússia forte, unida e indivisível e, a criação de uma assembleia popular, baseada no sufrágio universal." Propaganda de 1919. thumb|direita|120px|Estandarte do "batalhão da morte" durante a I Guerra Mundial. O Exército de Voluntários no sul da Rússia, tornou-se o mais proeminente e a maior das várias forças brancas.Trótsky Y El Trotskysmo Original. la Persecución Del Fundamentalismo Estalinista. Universidad de La Sabana, 2010, pág. 102, , ISBN 9789583508028 Adicionado em 30/12/2015. Começando como uma pequena e bem organizada força militar em Janeiro de 1918, o Exército Voluntário logo cresceu. Os cossacos de Kuban juntaram-se ao Exército Branco, e o recrutamento de camponeses e cossacos começou. No final de Fevereiro de 1918, 4000 soldados sob o comando do general Aleksei Kaledin foram forçados a recuar a partir de Rostov do Don devido ao avanço do Exército Vermelho. Na que ficou conhecida como "Marcha de gelo", eles viajaram para Kuban, a fim de unir-se com o cossacos (a maioria dos quais não apoiavam o Exército de Voluntários). Em Março, 3 000 homens sob o comando do general Victor Pokrovsky juntaram-se ao exército voluntário, aumentando sua participação para 6 000, e em Junho, para 9 000. Em 1919, os cossacos do Don uniram-se ao exército que começou a recrutar camponeses ucranianos. Naquele ano, entre Maio e Outubro, o Exército Voluntário cresceu de para 150 000 soldados e teve mais adesão que o seu inimigo Exército Vermelho.Kenez, Peter, 1977, págs. 18-22. Adicionado em 30/12/2015. O Exército Branco foi composto por anti-bolcheviques, como cossacos, nobres e camponeses, como conscritos e como voluntários.
O movimento Branco possuía várias forças navais, que foram também baseadas em rios. Especialmente a Frota de Wrangel,Where the Iron Crosses Grow: The Crimea 1941–44. Autor: Robert Forczyk. Osprey Publishing, 2014, pág. 23, ISBN 9781782009764 Adicionado em 30/12/2015. última remanescente da Marinha Imperial Russa no Mar Negro.
A força aérea branca incluía a S.B.A.C. (Slavo-British Aviation Corps).The Aeroplane, Volume 17,Parte 1. Temple Press, 1919. Página 19: "The RAF in Russia." 2 de Julho de 1919. Adicionado em 30/12/2015. O ás da aviação russo Alexander Kazakov serviu naquela unidade.
Os líderes e primeiros membros do Movimento Branco vieram principalmente das fileiras dos oficiais militares. Muitos vieram de fora da nobreza, como generais Mikhail Alekseyev e Anton Denikin (oriundos de famílias de servos) The Career of a Tsarist Officer: Memoirs, 1872-1916. Autor: Anton I. Denikin. U of Minnesota Press, 1975, pág. 03, ISBN 9780816657407 Adicionado em 30/12/2015 e Lavr Kornilov (cossaco).
Os generais brancos nunca controlaram a administração Kenez, Peter, 1977, pág. 65. Adicionado em 30/12/2015 que muitas vezes empregava "funcionários pré-revolucionários" ou "oficiais militares com inclinações monarquistas" para administrar as regiões controladas pelos Brancos.White Administration and White Terror (The Denikin Period). Autor: Viktor G. Bortnevski. Russian Review, Vol. 52, Nº 3, Julho de 1993, págs. 354–366, Adicionado em 30/12/2015. Frequentemente, os exércitos brancos agiam desordenadamente, de forma da ilegal (ver: Terror Branco) e o sentimento de antissemitismo levou seus integrantes a promoverem progroms contra os judeus.Facing History - LOS PROTOCOLOS Y EL EJÉRCITO BLANCO. Acessado em 30/12/2015. Além disso, os "territórios brancos" tiveram várias moedas diferentes e com taxas de câmbio instáveis. A moeda chefe, o Rublo de Exército Voluntário, não tinha lastro em ouro.Kenez, Peter, 1977, págs. 94–95. Adicionado em 30/12/2015
Colaboração estrangeira
Em vários momentos os aliados ocidentais da Tríplice Entente e forças de intervenção estrangeiras proporcionaram importante assistência ao Exército Branco. Isto levou alguns a vê-lo como representante dos interesses da potências rivais, o que a propaganda comunista aproveitou plenamente, divulgando que os oficiais "brancos" apenas obedeciam ordens da França e Reino Unido contrariando os interesses da Rússia.
No campo de batalha, o Exército Branco contou, ocasionalmente, com o auxílio de forças japonesas, britânicas, canadenses, estadunidenses, entre outras. Entre Março e Abril de 1918, criou-se um corpo expedicionário para intervir na Sibéria Oriental. No oriente, o Exército Branco dependia completamente do Império do Japão que tinha grande interesse econômico na Sibéria.
Teatro de operações
Os brancos e os vermelhos lutaram na Guerra Civil Russa de Novembro 1917 até 1921, e batalhas isoladas continuaram acontecendo no Extremo Oriente até 1923. O Exército Branco, auxiliado pelas forças aliadas (Tríplice Entente) de países como Japão, Reino Unido, França, Itália, Estados Unidos e (às vezes) as forças de potências centrais como a Alemanha e Áustria-Hungria, lutou na Sibéria, Ucrânia e Crimeia. Eles foram derrotados pelo Exército Vermelho devido à desunião militar e ideológica, bem como a determinação e crescente unidade do Exército Vermelho e os esforços consideráveis do Exército Makhnovista.
O Exército Branco operou em três frentes principais:
Frente Sul
A atividade dos brancos no sul teve início em 15 de Novembro de 1917 (calendário gregoriano) sob comando do general Mikhail Alekseyev (1857-1918). Em Dezembro de 1917, o general Lavr Kornilov assumiu o comando militar do recém-formado Exército de Voluntários até sua morte em Abril de 1918, depois que o general Anton Denikin assumiu, tornando-se chefe do Forças Armadas do Sul da Rússia em Janeiro de 1919.
A Frente do sul caracterizou-se por operações de enorme escala e mostrou ser a ameaça mais perigosa para o governo bolchevique. Inicialmente, dependia inteiramente voluntários russos, principalmente cossacos (entre os primeiros a se oporem ao governo bolchevique). Em 23 de Junho de 1918 o Exército de Voluntários (8 000-9 000 homens) iniciou a sua chamada Segundo Campanha de Kuban com o apoio de Piotr Krasnov. Em Setembro, o Exército de Voluntários era composto de 30 000 a 35 000 membros, graças à mobilização dos cossacos de Kuban que reuniram-se no Cáucaso do Norte. Assim, o Exército de Voluntários tomou o nome do Exército Voluntário do Cáucaso. Em 23 Janeiro de 1919 o Exército de Voluntários sob Denikin derrotou o 11º exército soviético e, em seguida, capturou a região do Norte do Cáucaso. Depois de capturar Donbass, Tsaritsin (Volgogrado) e Kharkov em Junho, as forças de Denikin aproximaram-se de Moscou em 3 de Julho de 1919. Planos previam que 400 000 combatentes sob o comando do general Vladimir May-Mayevsky atacariam cidade.
No entanto, uma investida do Exército Makhnovista atrapalhou os planos de Denikin; suas tropas foram derrotado por uma frota de 5 a 15 mil guerrilheiros na região de Peregonovka, aldeia próxima a Uman, cidade situada no sul da Ucrânia, abrindo espaço para uma contra-investida liderada por Nestor Makhno, que tomaria as cidades de Alexandrovsk, Ekaterinoslav, Goulai-Polé, Krivói-Rog, Nikopol, Melitopol, Mariopol, Berdiansk, Sinelnikov, Volnovaka e Pavlogrado. A investida makhnovista alcançou por fim a Bacia do Donets, onde se localizavam os depósitos de suprimentos do Exército Branco, forçando suas tropas a recuar.
Após o fracasso do ataque do general Denikin a Moscou, em 26 e 27 de Março de 1920, os remanescentes do Exército de Voluntários evacuaram de Novorossiysk para a Crimeia, após a retirada Denikin renunciou ao posto de comandante chefe e foi substituído por Pyotr Wrangel. Frente Norte/Noroeste
Chefiada pelo Nikolai Yudenich, Yevgeny Miller e Anatoly Lieven, as forças brancas no Norte demonstraram menor cooperação com o Exército do Sul do general Denikin. O Exército do nordeste aliado com tropas da Estônia, e de Lieven com a Nobreza do Báltico. Aventureiros liderados por Pavel Bermondt-Avalov e Stanisław Bulak-Bałachowicz tiveram também um papel. A ação mais notável nesta frente, a "Operação Espada Branca" (Guerra de Independência da Estônia), tentou um avanço sem sucesso para a capital russa de Petrogrado no Outono de 1919.
Frente Oriental (Sibéria)
thumb|200px|direita|"Paz e Liberdade na Rússia Soviética." Propaganda do Exército Branco que mostra o criador do Exército Vermelho, Leon Trotsky, como um gigantesco demônio usando um medalhão com pentagrama. Soldados chineses (abaixo, com uniformes azuis e dourados, usando tranças) numerosos no Exército Vermelho, executando um prisioneiro e amontoando ossos humanos (ver: Terror Vermelho).
A Frente Oriental começou na primavera de 1918, como um movimento secreto entre oficiais do exército e forças socialistas moderadas. Nessa frente, eles lançaram um ataque em colaboração com as Legião Checoslovaca (então retida na Sibéria pelo governo bolchevique, que a impedia de deixar a Rússia) e com os japoneses, que também intervieram para ajudar os brancos no leste (ver: Intervenção na Sibéria). O almirante Aleksandr Kolchak chefiou o exército contrarrevolucionário oriental e um governo provisório russo; apesar de algum sucesso significativo em 1919, eles foram derrotados e forçados a voltar ao extremo leste da Rússia, onde continuaram lutando até Outubro de 1922.
thumb|150px|esquerda|Distrito de Ayano-Maysky localizado no Krai de Khabarovsk: ultimo foco de resistência do Exército Branco.
Um pequeno grupo de soldados brancos lutaram sob o comando do autoproclamado "general" Grigory Semyonov, formando bandos que dedicavam-se a pilhagem. O barão Roman Ungern von Sternberg seguiu com suas forças para a Mongólia (ver: Ocupação da Mongólia), onde estabeleceu um regime pró-russo, ao custo de pesadas baixas. Mas, não conseguiu conduzir ou uma cooperação eficaz entre seus corpos, enquanto o Exército Vermelho gradualmente obteve vantagem e assumiu o poder na Mongólia.
Quando os japoneses se retiraram, o exército soviético da República do Extremo Oriente retomou o território. A Guerra Civil foi declarada oficialmente terminada, embora Anatoly Pepelyayev ainda controlasse o distrito de Ayano-Maysky naquele momento. A Revolta Yakut de Pepelyayev, terminada em 16 de Junho de 1923, representou a última ação militar na Rússia por um Exército Branco. Ela terminou com a derrota final do último enclave anticomunista no país, e sinalizou o fim de todas as hostilidades militares associados à Guerra Civil Russa.
Pós guerra
thumb|200px|direita|Frota de Wrangel, evacuando o Exército Branco da Crimeia para a Turquia (14 de Novembro de 1920).
thumb|200px|direita|Templo Blagoveshchensky, igreja ortodoxa russa em Harbin.