miniatura|Cartaz de 2012 das IDF, afirmando que 400 foguetes disparados de Gaza atingiram território israelense nos últimos três dias. "Isso tem que parar", está escrito em vermelho. Hasbará ( hasbará, "explicação") designa o esforço israelense de relações públicas para difundir, no exterior, informações positivas ou propaganda do Estado de Israel e suas ações. The word 'hasbara' means, literally, 'explanation.'" Fein, Leonard. Spinning Out Of Control , The Forward, 19 de julho de 2002. O termo é usado pelo governo israelense e seus apoiadores para descrever iniciativas que consistem em explicar as políticas governamentais e promover Israel, contrapondo-se à mídia desfavorável e ao que consideram como uma campanha de deslegitimização de Israel no mundo. Hasbara significa "explicação" e é também um eufemismo para simples propaganda.Propaganda and mass persuasion: a historical encyclopedia, 1500 to the present. Por Nicholas John Cull, David Holbrook Culbert, David Welch, ABC-Clio (2003), ISBN 1-57607-820-5, p. 191"Israel admits it has an image problem", The National, 16 de março de 2010
A hasbará dispõe de infraestrutura própria no governo de Israel, com sede no gabinete do Primeiro-Ministro e unidades nos ministérios da Defesa de Israel, das Relações Exteriores, do Turismo e na Agência Judaica para Israel. A Hasbará nacional mantém contato permanente com indivíduos e organizações pró-israelenses de todo o mundo, coordenando-os para promover os objetivos e as atitudes do Estado de Israel.
A hasbará é também apoiada por organizações sionistas e outras instituições israelenses. Existe um número significativo de websites de hasbará na Internet. Em 2009, durante o bombardeio da faixa de Gaza, o Ministério das Relações Exteriores israelense organizou voluntários para que escrevessem comentários favoráveis a Israel nos sites de notícias. Em julho de 2009, foi anunciado que o Ministério das Relações Exteriores teria recrutado pessoas para uma "guerra pela internet", com o objetivo de espalhar uma mensagem favorável a Israel em vários websites, ao custo de 600.000 shekels (cerca de 150.000 dólares).Ynet news, 10 de julho de 2009, CounterPunch, 21 de julho de 2009,
Definição Embora hasbará signifique literalmente "explicação", seu alcance semântico no uso atual é debatido. Gideon Meir argumentou que não existe uma tradução "real e precisa" da palavra hasbará em inglês ou em qualquer outro idioma, e a definiu como diplomacia pública, uma ação empreendida por governos ao redor do mundo, dada a crescente importância do que o professor de Harvard, Joseph Nye, chamou de soft power. Gary Rosenblatt a descreve como "advocacia". Os indivíduos que se dedicam a essa prática são chamados de hasbaristas.Aouragh, Miriyam. "Hasbara 2.0: Israel’s Public Diplomacy in the Digital Age." Middle East Critique (2016): 1-27.
A hasbará tem sido descrita como "propaganda pró-Israel"Guttman, Nathan. "Dancing the Hasbara", Moment, agosto de 2006. e como "o novo termo acessível para propaganda israelense", mas, enquanto "a propaganda se esforça para destacar os aspectos positivos de um lado de um conflito, a hasbará busca explicar as ações, sejam elas justificadas ou não".
A historiadora Giora Goodman considera essencialmente a “hasbará” como “propaganda”, explicando que:
O termo "propaganda" adquiriu uma conotação pejorativa durante a primeira metade do século XX. Como resultado, os propagandistas britânicos e americanos passaram a usar "informação" para descrever seu trabalho, e a palavra hasbará, de sonoridade positiva, era geralmente preferida em hebraico. "Propaganda", ta'amula em hebraico, é um termo geralmente reservado para as ações dos oponentes, mas tem sido frequentemente usado pelo movimento sionista para descrever seus esforços para influenciar o público em geral.
Histórico Século XX As primeiras menções ao termo hasbará na mídia impressa convencional de língua inglesa,Baseado em uma pesquisa no nexislexis pelo termo "hasbara" em "Major U.S. and World Publications" disponíveis eletronicamente, entre 1º de janeiro de 1940 e 1º de janeiro de 1987. datam do final da década de 1970 e o descrevem como "construção de imagem no exterior". Segundo o The Washington Post, essa atividade "é chamada de hasbará quando seu propósito é reformular a opinião pública no exterior". No início da década de 1980, a hasbará era chamada de "campanha de relações públicas". A revista Newsweek a descreveu como "explicação". Em 1986, o The New York Times noticiou um programa para "comunicar objetivos de defesa" que havia começado no final da década de 1970. Carl Spielvogel, presidente da Backer & Spielvogel, foi a Israel para aconselhar o governo sobre essa necessidade de comunicação. Em 1984, nasceu o "Projeto Hasbará", cujo objetivo era "treinar funcionários diplomáticos em comunicação e inseri-los em empresas americanas".
O livro de Shmuel Katz, Battleground: Fact and Fantasy in Palestine, publicado em 1973, foi descrito como "um livro de referência enciclopédico para aqueles envolvidos no esforço de hasbará (relações públicas) de Israel". Em 1977, o primeiro-ministro Menachem Begin nomeou Katz como "Conselheiro do Primeiro-Ministro para Assuntos Externos".O site em inglês do Knesset afirma que Katz foi "Conselheiro do Primeiro-Ministro para Política de Informação, 1977-1978". O site em hebraico diz: "יועץ ראש-הממשלה להסברת חוץ".
Em maio de 1992, o Jerusalem Post noticiou que os líderes judeus americanos mal reagiram à notícia de que o Departamento de Hasbará do Ministério das Relações Exteriores seria eliminado. Malcolm Hoenlein observou que já se falava há tempos em racionalizar as funções de hasbará do ministério, fundindo as atribuições do Departamento de Hasbará com as do Departamento de Imprensa. Segundo Abe Foxman, a disseminação da hasbará sempre foi responsabilidade de todos os funcionários do Ministério das Relações Exteriores, especialmente daqueles que trabalham no exterior, e que funcionários dos departamentos de hasbará seriam alocados nos departamentos de imprensa das embaixadas israelenses."American Jews quiet over publicity reform", The Jerusalem Post, 4 de maio de 1992
Século XXI miniatura|Exemplo de um estande da hasbará. Em 2001, Shmuel Katz publicou uma retrospectiva dos esforços de hasbará de Israel e argumentou que a hasbará "deve ser abordada não de forma aleatória e pontual, mas por um departamento governamental permanente e autônomo". Sharon intensificou os esforços de hasbará, mas não criou um ministério de nível ministerial para esse fim.
Ainda em 2001, o Ministério das Relações Exteriores de Israel esteve entre os patrocinadores das atividades do Programa de Bolsas Hasbará da Aish HaTorah. A Agência Judaica para Israel, por meio do Departamento de Educação Judaico-Sionista, mantém uma campanha chamada Hasbara, Israeli Advocacy, Your Guide to the Middle East Conflict ("Hasbará, Defesa de Israel, Seu Guia para o Conflito no Oriente Médio"). Em maio de 2007, a Hasbara Fellowships declarou que "a Wikipédia não é uma fonte objetiva, mas sim uma enciclopédia online que qualquer pessoa pode editar. O resultado é um site amplamente controlado por 'intelectuais' que buscam reescrever a história do conflito árabe-israelense. Esses autores reescreveram sistematicamente, porém discretamente, trechos importantes de milhares de artigos da Wikipédia para retratar Israel de forma negativa. Você tem a oportunidade de impedir essa tendência perigosa! Se você estiver interessado em se juntar a uma equipe de wikipedistas para garantir que Israel seja apresentado de forma justa e precisa, entre em contato com [nosso] editor". Uma campanha de advocacy semelhante contra a Wikipédia, foi lançada posteriormente pelo Committee for Accuracy in Middle East Reporting in America (CAMERA, "Comitê para a Precisão no Jornalismo sobre o Oriente Médio na América"), em maio de 2008; cinco editores envolvidos na campanha foram punidos pelos administradores da Wikipédia, que escreveram que a natureza aberta da Wikipédia "é fundamentalmente incompatível com a criação de um grupo privado para coordenar secretamente a edição".
Em 2002, o Tribunal de Contas de Israel publicou um relatório crítico sobre os esforços de relações públicas no país. "Foram apontadas a falta de um conceito geral de relações públicas e de um objetivo estratégico, bem como a falta de coordenação entre as diversas organizações. Os níveis de financiamento são modestos; o Ministério das Relações Exteriores gastou aproximadamente US$ 8,6 milhões nessas iniciativas em 2002, e a assessoria de imprensa do governo recebeu um orçamento de US$ 100.000".
Em 2008, Yarden Vatikay foi nomeado para coordenar a política de mídia interna e externa de Israel.
Em 2009, o Ministério das Relações Exteriores de Israel organizou voluntários para adicionar comentários pró-Israel a sites de notícias. Em julho de 2009, foi anunciado que o Ministério das Relações Exteriores de Israel iria montar uma equipe de "guerra cibernética" para disseminar mensagens pró-Israel em diversos sites, com financiamento de 600.000 shekels (cerca de US$ 150.000).
Um relatório de 2010 produzido para o governo israelense pelo Instituto Reut e citado pelo jornal Haaretz exemplifica a visão comum em Israel de que os esforços de hasbará são necessários para responder ao que descreve como uma ampla "rede de deslegitimação" de ativistas anti-Israel. Como afirmou o Haaretz, "Os ativistas da rede — 'deslegitimadores', como os denomina o relatório — são relativamente marginais: jovens, anarquistas, migrantes e ativistas políticos radicais". O jornal também cita o relatório, afirmando que essa rede promove atividades pró-Palestina na Europa como algo "na moda", e pede que ela seja monitorada pelos serviços de inteligência israelenses e que o gabinete trate a rede como uma ameaça estratégica. Ele conclui que Israel não estava preparado para lidar com a ameaça representada por essa rede e que contramedidas mais enérgicas devem ser tomadas para combatê-la.
Neil Lazarus afirma que o que ele chama de low budget, grassroots Hasbara 2.0 ("Hasbará 2.0 de baixo orçamento e com participação popular") atingiu a maturidade e elogia sites que monitoram o que os apoiadores consideram viés anti-Israel na mídia e promovem campanhas de e-mail em nome de Israel. Ela observa que "a hasbará israelense parece estar se tornando mais dinâmica, à medida que a diáspora assume a responsabilidade" e que "escolas diurnas e programas da MASA também foram recrutados para essa tarefa".
Orçamento de "hasbará" quintuplicado Em abril de 2026, o perceptível aumento das críticas pelas contínuas violações da lei internacional praticadas por Israel, obrigou o governo Netanyahu a anunciar um substancial aumento no orçamento de "hasbará", o qual passou para US$ 730 milhões de dólares (em 2025, o valor havia sido de US$ 150 milhões). Conforme informou o The Times of Israel:
Ainda pior: a própria palavra "hasbará" tornou-se "uma expressão depreciativa para a defesa de Israel, indicando o quão amplamente conhecidos se tornaram os árduos esforços de Israel" para melhorar sua imagem perante o público externo. Contudo, especialistas ouvidos pelo jornal, duvidavam que mesmo esse dispendioso esforço de relações públicas fosse surtir o efeito desejado.
Métodos miniatura|Pôster original do filme "Testemunhando o Massacre de 7 de Outubro", produzido pela unidade de relações públicas das Forças de Defesa de Israel.