Públio Décio Mus (m. 295 a.C.; ) foi um político da gente Décia da República Romana, eleito cônsul por quatro vezes, em 312, 308, 297 e 295 a.C. com Marco Valério Máximo Corrino e Quinto Fábio Máximo Ruliano nas três vezes seguintes. Foi também censor em 304 a.C..

Sua família era famosa por se sacrificar nos campos de batalha (devotio), como foi o caso de seu pai, Públio Décio Mus, cônsul em 340 a.C., e seu filho, Públio Décio Mus, cônsul em 279 a.C..

Primeiro consulado (312 a.C.) Públio Décio foi eleito em 312 a.C. com Marco Valério Máximo Corrino. Quando recomeçou a guerra contra os samnitas, permaneceu em Roma por causa de uma enfermidade e Marco Valério foi enviado para combatê-los. Logo depois, os etruscos se aliaram aos samnitas e o Senado ordenou que Mus nomeasse um ditador e o escolhido foi Caio Sulpício Longo.Lívio, Ab Urbe condita IX, 29. Por outro lado, Aurélio Vítor afirma que Mus obteve um triunfo sobre os samnitas no seu primeiro consulado e dedicou a Ceres o butim conquistado em combate.Aurélio Vítor, De viris illustribus Romae 27.

Segundo consulado (308 a.C.) No ano seguinte, foi reeleito, desta vez com Quinto Fábio Máximo Ruliano.Lívio, Ab Urbe condita IX, 40. Fábio conduziu a campanha militar contra os samnitas enquanto Décio lutou contra os etruscos. Com seu exército, Décio arrasou a Etrúria, obrigou Tarquínia a fornecer suprimentos para seus exércitos e a aceitar uma trégua de quarenta anos. Tomou algumas fortalezas dos volsínios e obrigou os etruscos a pagarem o salário dos soldados romanos daquele ano.Lívio, Ab Urbe condita IX, 41.

Período intermediário (307–296 a.C.) Em 306 a.C., Públio Décio foi escolhido como mestre da cavalaria (magister equitum) pelo ditador "comitiorum habendorum causa" (com poderes limitados) Públio Cornélio Cipião Barbato, nomeado para realizar as eleições consulares por que os cônsules estavam fora da cidade lutando contra os samnitas. Em 304 a.C., Públio Décio e Quinto Fábio foram eleitos censoresLívio, Ab Urbe condita X, 24. e os dois promoveram uma importante reforma das leis romanas limitando os "libertos" às quatro tribos da cidade.

Em 300 a.C., dedicou-se à causa da abertura do pontificado aos plebeus através da Lei Ogúlnia, lutando contra Ápio Cláudio Cego. Acabou sendo um dos primeiros quatro plebeus, assim como Caio Márcio Rutilo Censorino, Marco Lívio Denter e Públio Semprônio Sofo a assumir a função, até então restrita aos patrícios.Lívio, Ab Urbe condita X, 6-9.

Terceiro consulado (297 a.C.) e proconsulado (296 a.C.)

No início do século III a.C., em 297 a.C., foi eleito pela terceira vez, novamente com Quinto Fábio Máximo Ruliano. Fábio e Décio levaram seus exércitos para Sâmnio seguindo por dois caminhos distintos: Fábio atravessou o território de Sora e Décio, o dos sidicínios. O exército de Décio derrotou um exército de apúlios perto de Malevento,Lívio, Ab Urbe condita X, 15. evitando que eles se aliassem aos samnitas que foram derrotados por Quinto Fábio na Batalha de Tiferno.Lívio, Ab Urbe condita X, 14.

Depois desta vitória, os dois exércitos romanos saquearam Sâmnio sem encontrarem nenhuma resistência e o exército de Fábio conquistou ainda a cidade de Cimetra.

No ano seguinte, 296 a.C., com poderes proconsulares, enquanto os dois cônsules, Lúcio Volúmnio Flama Violente e Ápio Cláudio Cego, enfrentavam um exército reunido de samnitas e etruscos,Lívio, Ab Urbe condita X, 16. Décio, aproveitando o fato de que a maior parte do exército samnita seguiu para a Etrúria para conseguir o apoio dos etruscos, atacou Sâmnio, conseguindo um enorme butim e conquistando as cidades de Murgância, Romuleia e Ferentino.Lívio, Ab Urbe condita X, 17. Finalmente, já no final do mandato proconsular, interceptou, juntamente com Quinto Fábio, um exército samnita que estava arrasando o território dos viscínios, derrotando-os numa batalha campal.Lívio, Ab Urbe condita X, 20.

Quarto consulado (295 a.C.)

Em 295 a.C., Décio Mus foi eleito pela quarta e última vez, novamente com Quinto Fábio Máximo Ruliano,Lívio, Ab Urbe condita X, 24. mas, apesar do perfeito acordo entre os dois nas vezes anteriores, desta vez acabaram discordando sobre a forma de conduzir as operações na Etrúria. Depois de uma consulta ao Senado e ao povo romano, o comando foi entregue Fábio:

Quinto Fábio logo seguiu para a Etrúria, liberou Ápio Cláudio de seu comando e enviou-o de volta alegando que ele era um comandante que nada fazia por permitir que seus homens sentassem o dia todo no acampamento sem sequer exercitá-los com marchas para patrulhas e treino. Graças a Cláudio, Máximo foi logo reconvocado por causa de sua conduta na campanha etrusca e receber novas ordens. Lúcio Cornélio Cipião Barbato é nomeado por ele propretor da Legio II, estacionada temporariamente em Clúsio e segue para Roma. Este litígio, a retirada de Ápio Cláudio da condução da guerra para ser nomeado pretor são, provavelmente, evidências da forte luta política pela qual passava Roma.Lívio|Ab Urbe condita X, 21, 22, 24.

Inicialmente, as forças de Décio Mus permaneceram em Sâmnio, mas os eventos na Etrúria obrigaram que ambos os exércitos fossem reunidos para enfrentar o inimigo. Quando os exércitos se encontraram na Batalha de Sentino, Públio Décio comandava a ala esquerda das forças romanas. Enfrentados por gauleses, suas forças começaram a recuar. Por causa da confusão criada por isto e temendo ser cercado pelos samnitas, o cônsul recitou o complexo ritual da devotio e correu para o meio do combate com o objetivo de ser morto. A batalha terminou com a vitória dos romanos e seus aliados picenos. Por sua vitória em Sentino, Fábio recebeu mais um triunfo:Fastos CapitolinosLívio, Ab Urbe condita X, 25-29.

Crítica histórica O famosíssimo episódio de "devotio" fez com que, com o tempo, o mesmo gesto fosse atribuído também ao seu pai e ao seu filho, homônimos. Seu pai, Públio Décio Mus, morreu na Batalha do Vesúvio (340 a.C.), na Segunda Guerra Latina, enquanto seu filho, Públio Décio Mus, foi derrotado por Pirro na Batalha de Ásculo (Ascoli Satriano) em 279 a.C..

Alguns historiadores modernos defendem que o única "devotio" real foi o ocorrida na Batalha de Ásculo enquanto que a narrada também pelo historiador romano Lívio durante a Terceira Guerra Samnita seria uma versão reelaborada com elementos lendários.Enciclopedia storica "I propilei", 1967, vol.4 pag 85

Ver também

Bibliografia

Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século IV a.C. Categoria:Romanos antigos do século III a.C. Categoria:Nascidos no século IV a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Terceira Guerra Samnita Categoria:Mestres da cavalaria da República Romana Categoria:Censores da República Romana Categoria:Décios Categoria:Procônsules romanos Categoria:Pontífices da Roma Antiga Categoria:Romanos antigos mortos em combate Categoria:Guerras romano-latinas Categoria:Segunda Guerra Samnita Categoria:Cônsules romanos que morreram no ano do consulado Categoria:Conquista romana da Gália Cisalpina