O Esporte Clube Ypiranga é um clube de futebol brasileiro sediado na cidade de Salvador, no estado da Bahia, fundado em 17 de abril de 1904. Suas cores são o amarelo e o preto. Manda seus jogos no Estádio Deputado Galdino Leite, mais conhecido como Vila Canária, com capacidade para cinco mil espectadores, e no Estádio Roberto Santos, conhecido popularmente como Pituaçu, que tem capacidade para 32.157 espectadores.
É um clube de muita tradição na Bahia, sendo até hoje o terceiro maior campeão do Campeonato Baiano atrás apenas do Vitória e Bahia.
O Ypiranga já teve diversas partidas históricas, porém, algo que poucos sabem é que ele já jogou contra a Seleção Brasileira, isso aconteceu em seu aniversário no dia 7 de setembro de 1934 no Campo da Graça. Depois do Brasil ser eliminado pela Espanha, o Brasil fez diversos amistosos no nordeste, um deles foi contra o Ypiranga, o clube perdeu por uma goleada de 5x1 com gols de Waldemar de Brito, Carvalho Leite, Leônidas da Silva, Martim Silveira e Patesko, enquanto o único gol do Ypiranga foi feito por Ferreira.
Uma de suas torcedoras mais conhecidas em todo o Brasil pela sua ajuda os mais carentes em toda Salvador era Irmã Dulce.
História miniaturadaimagem|254x254px|Alfredo Dias, o fundador e idealizador do Esporte Clube Ypiranga, sendo o primeiro presidente do clube. miniaturadaimagem|240x240px|Hermínio Rios, Teodoro Costa e Francisco Xavier, os primeiros dirigentes do Ypiranga. miniaturadaimagem|240x240px|Primeiro time do Ypiranga, fotografia registrada em 1906.
O início Rapazes operários, reunidos na Loja n° 3 ao Beco da Baleia, na rua da Faísca, distrito da Vitória, fundaram o Sport Club 7 de Setembro em 17 de abril de 1904, com as cores sendo o preto e o branco. Os fundadores foram: Frutouso Cipriano de Almeida, Salvador Chaves, Raimundo dos Santos Camacho, João Pinheiro, Álvaro Pinheiro, Manoel Henrique de Sousa, José Arouca, Cecílio Meneses e Alfredo Dias. Após tomarem outras resoluções, dentre as quais a de adquirir uma bola de couro usada, elegeram a primeira diretoria, cabendo a presidência ao senhor Alfredo Dias e os dirigentes Hermínio Rios, Teodoro Costa e Francisco Xavier. Em amistosos contra outros times modestos da cidade, o 7 de Setembro conquistou algumas vitórias, porém, por motivos desconhecidos, o clube desapareceu.
Em 7 de setembro de 1906, por proposta de Salvador Chaves, é aprovada a mudança do nome do clube para Sport Club Ypiranga, escolhido de forma emblemática, fruto do momento conjuntural de construção da identidade nacional. A mudança surtiu algum efeito nos sócios, que voltaram, com relativa frequência, a realizar partidas nos campos da cidade. No início do século XX, jovens e humildes trabalhadores excluídos da sociedade por fatores étnicos, sociais e econômicos passaram a jogar pelo clube. Mesmo com dificuldades encontradas desde a fundação, o Ypiranga sempre se mostrou forte. miniaturadaimagem|220x220px|Fotografia da década de 70, elenco do Ypiranga no Campeonato Baiano. O fato do Ypiranga ser reorganizado duas vezes aponta para a dificuldade dos sócios em mantê-lo. Mesmo que o futebol fosse uma atividade passível de adaptações, manter a parte administrativa poderia ser custosa para sujeitos que, a princípio, mal tinham condições que comprar uma bola nova. O próprio Ypiranga, quando respondia pelo nome de 7 de Setembro, treinava num terreno baldio ao lado do Beco da Baleia e, de vez em quando, nos terrenos da Companhia de Carruagens da Bahia, com bolas de meia e papo de boi, pois não havia recursos para comprar material esportivo na época.
A sorte do Ypiranga mudaria definitivamente quando, em 10 de fevereiro de 1914, o mesmo grupo que fundou o 7 de Setembro e depois o transformou em Sport Club Ypiranga reúne-se mais uma vez no mesmo local e resolve pela terceira vez reviver o Ypiranga. Resolve-se convidar para presidente do clube o doutor Augusto Maia Bittencourt, ex-presidente da Liga Bahiana de Sports Terrestres e do Sport Club Vitória. O nome do doutor seria ideal para as pretensões do Ypiranga. Conhecedor do esporte, Augusto Maia tinha condições de organizar a parte administrativa do clube, otimizar custos, entre outros. Uma das primeiras ações do novo presidente, por exemplo, foi pedir a mudança das cores do clube de verde e amarelo para preto e amarelo, alegando que tinha em seu poder lindas camisas de seda com linhas verticais naquelas cores que, como medida de economia, poderiam ser aproveitadas.
Entre 1914 e 1922, Augusto Maia levou o Ypiranga a um nível jamais imaginado entre os seus fundadores numa gestão impecável. As previsões de que o clube cresceria com a sua presidência foram confirmadas quando no mesmo ano se filiou à Liga Brasileira de Sports Terrestres, que substituíra a Liga Bahiana de Sports Terrestres em 1913, vencendo a temporada de 1917 e 1918. Em um relatório da gestão, entre 1920 e 1921, é possível encontrar alguns dados da sensível evolução do aurinegro. Em relação aos associados, Augusto Maia lembrou em seu relatório que tinha o prazer de registrar o grande número de sócios admitidos naquela administração que, na defesa dos ideais do clube, veio constituir a inexpugnável baluarte que representava.
No que tange à parte financeira do clube, o presidente relatou que os dados fornecidos pela tesouraria eram, por si só, animadores e bem revelavam o critério que caracterizam aquela administração, convindo notar-se que a receita elevara-se de cinco mil réis e a despesa foi apenas de dois mil. Naquele ano, o Ypiranga, de sociedade com o Clube Yankee, alugou ao senhor Juvenal Oliveira um terreno à Rua do Prado, no Rio Vermelho, pela quantia de oitenta mil réis mensais, para a construção de um campo de esporte com arquibancadas, garagem, cerca de arame etc. para os treinos e torneios internos. Por fim, diante do seu prestígio, o Ypiranga recebeu diversos prêmios e mimos, entre eles oito taças de admiradores, jornais e casas comerciais. Se o relatório daquele ano já mostrava os auspícios do clube, no último ano de gestão de Augusto Maia, os avanços continuaram.
Transcrevendo as palavras do presidente, Aroldo Maia, o sobrinho do Dr. Maia, informou que: "Deixo o clube em ótimas condições. Assim é que deixo na Caixa Econômica do Estado em caderneta N° 60688: a quantia de dois mil, novecentos e setenta e quatro réis e quarenta e oito centavos, em depósito na Liga Bahiana novecentos e trinta e quatro réis e quarenta e cinco centavos, e saldo em caixa duzentos e dez réis e setenta centavos; valor de prêmios conquistados em oito mil, setecentos e dez réis, e em patrimônio treze mil, oitocentos e oito réis e quarenta e cinco centavos, que pode ser considerado excelente. O quadro social era de 253 sócios, um dos maiores dos clubes filiados". miniaturadaimagem|220x220px|Jogadores do Ypiranga em uma fotografia do ano de 1952 alt=|miniaturadaimagem|Time do Ypiranga campeão do Campeonato Baiano de 1939. O Esporte Clube Ypiranga é a síntese da união dos pobres da cidade, que queriam se integrar construindo um tempo novo, rompendo com privilégios das elites enraizadas pelo escravismo do antigo regime imperial. O Ypiranga não é o time que apenas permitia que negros e pobres figurassem no seu elenco, de maneira oportunista e utilitária. Ele foi fundado e dirigido por esses segmentos, seus torcedores eram os excluídos sociais e quem se identificava com esses. Os primeiro uniformes do clube era camisa verde, calção branco, depois trocado por camisa toda preta, calção branco. O uniforme listrado passou a ser utilizado em 1911. Depois, a camisa amarela entrou no guarda roupa. A partir de então o Esporte Clube Ypiranga figurou com destaque no futebol baiano, ganhando 10 títulos estaduais (sete de forma invicta), assim como também 10 vezes ficou como segundo colocado. Já na Segunda Divisão estadual, o clube detém 2 títulos, um conquistado em 1983 e outro em 1990 (de forma invicta). A categoria Juvenil do Ypiranga também conquistou diversos títulos ao longo dos anos.
Caso Popó miniaturadaimagem|209x209px|Popó, apelidado de “O Terrível” pela sua fama de atacante matador, é considerado o maior ídolo do Ypiranga. A história começou por uma declaração do Popó, alegando que, em 1922, não jogaria por outro clube a não ser o São Bento. Tal afirmação foi motivada pela não concretização da sua transferência para o Ypiranga. Buscando esclarecimentos sobre a situação, o Diário de Notícias obteve uma entrevista com o doutor Maia, que disse que “a diretoria do Ypiranga sempre foi contrária à entrada de Popó para o nosso quadro principal.” Mas, por conta de dois sócios importantes que desejavam a ida dele ao Ypiranga, Maia consentiu em aceitá-lo. O motivo para que o mandatário a princípio fosse contrário à transferência do jogador era que “além do mesmo não me inspirar confiança, é jogador profissional, o que não admito em meu clube. Só me servem jogadores que não sejam, repito-lhe, profissionais.” Pelas informações da entrevista, este problema foi resolvido quando, nas palavras do presidente, “alguém cá de casa prontificou-se a dar-lhe um bom emprego, convencendo-me, afinal, de que consentisse na entrada dele para o clube.” O Diário de Notícias então perguntou se a transferência parecia acertada, pois Popó declarou que ficaria no São Bento. O doutor Maia, então, mostrou uma carta redigida pelo jogador na qual pedia seiscentos mil réis, o que para o presidente comprovava que o jogador era profissional. Por não ter atendido às exigências de Popó, a transferência foi cancelada. O jornal finalizou afirmando que as suas páginas estavam abertas para que o jogador se defendesse das acusações, o que foi feito no dia seguinte.
Na sua defesa, Popó disse que foram os dirigentes do Ypiranga que, desde o ano passado, lhe procuravam oferecendo vantagens para jogar no aurinegro. Segundo Popó, “chegaram os muitos dignos representantes do Ypiranga a me dizer que se eu precisasse de alguma coisa, que dissesse. Sempre respondi que nada queria, nem de nada, felizmente, necessitava.” Mesmo declinando os convites, os dirigentes do clube insistiam na transferência de Popó. Enfim, para o jogador, “profissional queriam que eu fosse o doutor Maia e o Ypiranga, pois o doutor Pery me ofereceu cinquenta mil réis, que eu recusei altivamente.” Popó se referia a outro dirigente, provavelmente um dos sócios que mais desejavam a sua ida para o clube. Na empreitada de se defender, Popó ainda contou com a ajuda de outro "sport-man". João Santos Ataíde foi ao Diário de Notícias no intuito de publicar uma carta que buscava esclarecer para as rodas esportivas o que se passava no caso. Para Ataíde, o que ocorria era um injusto ataque do presidente ao jogador. Não foi Popó que ofereceu os seus serviços para o Ypiranga, como afirmava o doutor Maia. Pelo contrário, o presidente ofereceu vantagens para Popó e este em carta lida por Athaíde pedia seiscentos mil réis para ingressar na representação amarela e negra. De acordo com a carta publicada no Diário de Notícias:
miniaturadaimagem|Uma manchete da Semana Esportiva sobre o caso doutor Maia vs Popó. Ataíde ainda finalizou lembrando que "se o doutor Maia deseja sanear o esporte, comece a cortar jogadores seus como: Péricles, Dois Lados e outros. A melhor justiça começa por casa. Se essa questão do profissionalismo for levada ao plenário da Liga, sofrerá muito mais o Sport Club Ypiranga do que o pequeno e cantado Popó."