Campina é um tipo de bioma terrestre formado por campos completamente despidos de árvores (campos limpos ou desarborizados), que ocorre em várias regiões do Brasil.Sampaio, A. J. (1938). Fitografia do Brasil. 2a. ed. rev. e aum. São Paulo: Ed. Nacional. 334 p. Cf. p. 53, 177, 181. link, link. (Brasiliana, v. 35) [1a. ed., 1934; 3a. ed., 1945.] A campina pode ocorrer tanto em condições naturais, como artificiais, provocadas pelo homem. Distingue-se da savana, que são campos arborizados.
Terminologia O sentido do termo apresenta diferenças entre os autores.WALTER, B. M. T. (2006). Fitofisionomias do bioma Cerrado: síntese terminológica e relações florísticas. Tese de Doutorado, Universidade de Brasília, .
Martius (1824), na região amazônica, já citava a distinção entre "mato virgem" (florestas), "gabós" (igapós) e "campinas".Martius, C. F. P. von. (1824). Die Physiognomie des Pflanzenreiches in Brasilien. Eine Rede, gelesen in der am 14. Febr. 1824 gehaltnen Sitzung der Königlichen Bayerischen Akademie der Wissenschaften. München, Lindauer, Brasiliana, Google. [Tradução: "A fisionomia do reino vegetal no Brasil", por E. Niemeyer e C. Stellfeld. Arquivos do Museu Paranaense, v. 3, p. 239-271, 1943, pdf, Google; Boletim Geografico, v. 8, n. 95, p. 1294-1311, 1951, pdf, Google.] [Cf. p. 1299.]
Gonzaga de Campos (1912, 1926) definiu as campinas como áreas com predominância de gramíneas e plantas herbáceas, sem adapatações ao xerofitismo. Logo, o termo é usado no sentido de campos de várzea ou inundação, ocorrendo na Amazônia, Pantanal, Vale do Paraíba, Alto Tietê, e diversas outras regiões.Gonzaga de Campos, L.F. (1912). Mappa florestal. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio; Serviço Geológico e Mineralógico; Typ. da Directoria do Serviço de Estatistica, 1912. link. [Acompanha um mapa: Mattas e Campos no Brasil, 1911, link.] [2a ed., 1926, link.]
Sampaio (1938) distinguiu as campinas e as campinaranas (chamando estas de "campinas falsas", por terem árvores).
Dücke e Black (1954) usaram o termo campina para as clareiras de gramíneas na Amazônia (com flora pertencente às caatingas amazônicas). Distinguiram também os campos de várzea e campos firmes (com flora do Cerrado) e as campinaranas (definidas como transição entre as florestas e os campos e campinas).Dücke, A.; Black, O. A. (1954). Notas sobre a fitogeografia da Amazônia Brasileira. Bol. Técn. IAN, Belém, 29: 1-62. . Da mesma maneira, Veiga (1977) define a campinarana como transição entre campina e savana..
O IBGE (2012) usa o termo "campina" para os campos do Brasil Meridional, desencorajando seu uso como sinônimo para as campinaranas amazônicas.IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/vegetacao/manual_vegetacao.shtm>.
Bibliografia Guimarães, F. S., & Bueno, G. T. (2016). As campinas e campinaranas amazônicas/The amazonian campinas and campinaranas. Caderno de Geografia, 26(45): 113-133, .
Categoria:Biomas terrestres