O Boeing 737 MAX é uma aeronave de fuselagem estreita, bimotora e turbofan desenvolvida e produzida pela Boeing como a quarta geração da família 737, sendo o sucessor do Boeing 737 Next Generation. Ele é baseado no projeto do 737 anterior, com os motores mais eficientes CFM International LEAP-1B, melhorias aerodinâmicas (incluindo winglets de ponta dupla) e modificações na fuselagem.

Essa série do 737 foi publicamente anunciada em 30 de agosto de 2011. O primeiro 737 MAX, chamado de The Spirit of Renton, efetuou seu primeiro voo em 29 de janeiro de 2016. A série 737 MAX recebeu a certificação da FAA em 8 de março de 2017. A primeira entrega foi um MAX 8 em 6 de maio de 2017, para a Malindo Air, que colocou a aeronave em serviço em 22 de maio de 2017.

A série 737 MAX tem sido oferecida em quatro variantes, tipicamente oferecendo de 138 a 204 assentos numa configuração típica de duas classes e um alcance de 3,215 a 3,825 milhas náuticas (5,954 a 7,084 km). O 737 MAX 7, MAX 8 (incluindo a versão de 200 assentos, o MAX 200) e MAX 9 destinam-se a substituir o 737-700, -800 e -900, respectivamente. Um comprimento adicional é oferecido com o mais esticado 737 MAX 10. Até dezembro de 2019, o Boeing 737 MAX recebeu 4,932 pedidos firmes e entregou 387 aeronaves.

Já foi vendido para: Gol Linhas Aéreas, Aerolíneas Argentinas, American Airlines, United Airlines, LOT Polish Airlines, TUI Fly, Air Canada, AeroMexico, Southwest, WestJet, Iceland Air, Air China, entre vários outros.

Após dois acidentes fatais com a aeronave MAX 8, em outubro de 2018 e em março de 2019, agências regulatórias ao redor do mundo suspenderam a operação dessa série até segunda ordem. Em 19 de março de 2019, o Departamento dos Transportes dos Estados Unidos solicitou uma audição no processo regulatório que levou à certificação da aeronave em 2017. A Boeing implementou mudanças no sistema de controle de voo e treinamento de pilotos para esta aeronave e espera que ela volte a voar no meio de 2020. A Boeing suspendeu a produção desta série em janeiro de 2020, com aproximadamente 400 aeronaves MAX aguardando para serem entregues e retomou a produção em maio de 2020, com uma velocidade de produção menor. Entre 29 de junho e 1 de julho de 2020, a FAA e a Boeing conduziram uma série de voos de recertificação. Diversas tarefas ainda precisariam ser efetuadas antes da aeronave ser liberada para voar novamente.

Em 18 de novembro de 2020, a aeronave foi autorizada pela Federal Aviation Administration (FAA) a ser usada, devido à entrega do relatório de segurança da Boeing. Em 25 de novembro de 2020 a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) autorizou a circulação dela. Mas só em 9 de dezembro de 2020 foi realizado o primeiro voo mundial desde os acidentes, pela GOL Linhas Aéreas. https://economia.uol.com.br/todos-a-bordo/2020/12/09/boeing-737-max-o-que-mudou.htm

Em 8 de janeiro de 2021, a Boeing foi multada em US$ 2,5 bilhões (US$ 500 milhões de indenização para as vítimas, US$ 1,7 bilhão de indenização para as companhias aéreas e US$ 243,6 milhões de multa) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por conspiração e fraude ao não fornecer todas as informações sobre a aprovação da FAA do 737-8 MAX. A empresa teria mentido para a Administração Federal de Aviação (FAA), a agência regulatória do país, antes e depois dos acidentes fatais envolvendo a linha de aeronaves em 2018 e 2019. https://tecnoblog.net/400042/boeing-paga-us-25-bilhoes-por-ocultar-falhas-do-737-max/

Segundo o funcionário do Departamento de Justiça dos EUA David Burns, "Os funcionários da Boeing preferiram os lucros, ocultando informações importantes sobre o uso de suas aeronaves 737 MAX da FAA (autoridade de aviação dos Estados Unidos) e tentando encobrir sua fraude".

Em nota a imprensa, a fabricante confessou que 2 funcionários fraudaram e enganaram o grupo para obter "lucros", afirmou que contribuirá com todas as investigações atuais e futuras e se comprometeu a informar as autoridades sobre qualquer exemplo ou suspeita de fraudes cometida por um de seus funcionários. https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/01/07/boeing-e-acusada-de-fraude-e-pagara-us-25-bilhoes-por-acidentes-com-o-737-max.ghtml Em 14 de outubro de 2021, o ex-piloto da empresa Mark Folkner foi condenado pela justiça dos EUA por fraudar documentos sobre falhas de equipamentos nos modelos 737 MAX 8; ele era investigado havia mais de 1 ano. https://www.reuters.com/business/aerospace-defense/ex-boeing-737-max-chief-technical-pilot-indicted-fraud-us-justice-dept-2021-10-14/

Em 6 de janeiro de 2024, a FAA suspendeu a circulação e a fabricação da linha 737 MAX 9 da Boeing após a saída de emergência de um voo da Alaska Airlines ter se soltado no trajeto. https://www.aeroflap.com.br/faa-suspende-boeing-737-max-9/?fbclid=IwAR1beizg00wJKVxhdLc9R_08r1LxAmfALkS60Greqpq9XzUUKc0Qgbmi_m0 O veículo foi entregue à empresa em novembro de 2023, ou seja, totalmente novo. https://aeroin.net/aviao-boeing-737-max-perde-parte-da-fuselagem-em-voo-e-obriga-retorno-em-emergencia-em-meio-a-tensao/?fbclid=IwAR0DkLxgqk5EvZZSz0h0yGaQ6GEYCo1aIuTgBS64Y-tuRXoa-wpn4WMMAPM_aem_AYCxsghaZ5kXefrXCOMfyI2Ky2e_VmkNl4tjnVRd1D6D8mUGHVgcfgGmyOwdQShFYno&amp A empresa decidiu suspender todos os 65 veículos 737 MAX 9 até a FAA concluir as investigações sobre a causa do gravíssimo incidente. https://aeroin.net/alaska-airlines-suspende-toda-a-frota-de-65-boeing-737-max-9-apos-aviao-perder-a-porta-em-voo/?amp&fbclid=IwAR1bQzxab6eTa0DdHH-XUrJg-IWC5Czo5e_0TP7zkAc_h8mFkYgxCxHpG1g Ed Clarke, responsável do programa dos aviões 737 MAX havia 3 anos e trabalhava na Boeing havia 18, é demitido pela entidade devido ao incidente referido anteriormente. Em 7 de agosto, a presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), Jennifer Homendy, disse que o incidente com o Boeing 737 MAX 9 da Alaska Airlines, em que uma porta ejetou durante um voo em janeiro daquele ano, era totalmente evitável e a falha que causou o incidente deveria ter sido detectada pela Boeing anos antes.

Desenvolvimento

Contexto Em 2006, a Boeing começou a considerar a substituição do 737 com um projeto "começado do zero", que poderia seguir o Boeing 787 Dreamliner. Em junho de 2010, a decisão dessa substituição foi adiada para 2011.

Em 1 de dezembro de 2010, a Airbus, competidora da Boeing, lançou a família Airbus A320neo para melhorar o consumo de combustível e eficiência de operação com novos motores: o CFM International LEAP e o Pratt & Whitney PW1000G. Em fevereiro de 2011, o CEO da Boeing, Jim McNerney, manteve o "faremos uma aeronave nova". Na conferência ISTAT de março de 2011, o presidente da Boeing, James Albaugh, não estava certo sobre a remotorização do 737, tal como o CFO da Boeing, James A. Bell, havia dito na conferência JP Morgan Aviation, Transportation and Defense, naquele mesmo mês. O A320neo recebeu 667 compromissos em junho de 2011 no Paris Air Show, referentes a uma reserva de 1,029 unidades até seu lançamento, marcando um recorde de pedidos para uma nova aeronave de transporte aéreo comercial.

Em 20 de julho de 2011, a American Airlines anunciou um pedido de 460 jatos de fuselagem estreita, incluindo 130 A320ceos e 130 A320neos, e mostrou interesse em pedir 100 737s remotorizados com o CFM LEAP, aguardando a confirmação da Boeing. Esse pedido quebrou o monopólio da Boeing com a American Airlines e forçou a Boeing a remotorizar o 737. Como essa venda incluiu uma cláusula de cliente mais favorecido, a Airbus tem que reembolsar qualquer diferença para a American Airlines se ela vender aeronaves para outra empresa aérea com um preço menor, para que a fabricante europeia não consiga fornecer um preço competitivo à competidora United Airlines, deixando-a presa à frota de aeronaves da Boeing.

Lançamento do programa esquerda|miniaturadaimagem|Projeto do 737 MAX 9 na ILA Berlin, em 2012 Em 30 de agosto de 2011, o conselho administrativo da Boeing aprovou o lançamento do 737 remotorizado, esperando um consumo de combustível 4% menor do que o do A320neo. Estudos para uma redução adicional de arrasto foram realizados em 2011, incluindo uma revisão no cone de cauda, uma nacele com fluxo laminar natural e fluxo laminar híbrido no estabilizador vertical. A Boeing abandonou o desenvolvimento de um novo design. A Boeing esperava que o 737 MAX atingisse ou excedesse o alcance do Airbus A320neo. A configuração mais detalhada do 737 MAX foi programada para 2013.

Em março de 2010, o custo estimado para remotorizar o 737, de acordo com o vice-presidente de estratégia de negócios e marketing da Boeing, Mike Bair, seria de US$ 2-3 bilhões, incluindo o desenvolvimento do motor CFM. Durante a chamada dos rendimentos da Boeing no segundo quarto (Q2) de 2011, o então CFO James Bell disse que o custo de desenvolvimento da fuselagem seria somente 10-15% do custo do novo programa, estimado naquele momento de US$10-12 bilhões. A Bernstein Research previu em janeiro de 2012 que esse custo seria o dobro do Airbus A320neo.

O consumo de combustível é 14% menor em relação ao 737NG. Em novembro de 2014, o CEO da Boeing, Jim McNerney, disse que o 737 seria substituido por uma nova aeronave em 2030, levemente maior e com novos motores, mas mantendo sua configuração geral, provavelmente uma aeronave feita de materiais compostos.

Produção miniaturadaimagem|Lançamento do 737 MAX em dezembro de 2015 com o primeiro 737 MAX 8 Em 13 de agosto de 2015, a primeira fuselagem de um 737 MAX foi montada na Spirit Aerosystems, em Wichita, Kansas, para uma aeronave de teste que eventualmente seria entregue no lançamento da cliente Southwest Airlines. Em 8 de dezembro de 2015, o primeiro 737 MAX - um MAX 8 nomeado Spirit of Renton - foi lançado na Boeing Renton Factory.

Como a GKN não poderia produzir rápido o bastante a estrutura de titânio no formato de favo de mel da paredes internas dos reversores de empuxo, a Boeing modificou para uma parte produzida de material composto pela Spirit para entregar 47 MAXs por mês em 2017. A Spirit forneceu 69% da estrutura do 737, incluindo a fuselagem, o reversor de empuxo, os cones e naceles dos motores e o bordo de ataque das asas.

Uma nova linha de montagem de longarinas com máquinas de perfuração robóticas deveria aumentar o rendimento em 33%. A linha de produção de montagem de painel automatizada da Electroimpact aumentou a montagem do conjunto de aba inferior da asa em 35%. A boeing planejou aumentar a produção mensal de seu 737 MAX de 42 aeronaves em 2017 para 57 aeronaves em 2019.

O aumento nessas taxas sobrecarregou a produção e, em agosto de 2018, mais de 40 aeronaves não finalizadas estavam estacionadas em Renton, aguardando peças ou instalação de motores, já que os motores CFM e fuselagens da Spirit tiveram atraso na entrega. Após o número de aeronaves estacionadas atingir o pico de 53 no começo de setembro, a Boeing reduziu esse número para 9 no mês seguinte, já que as entregas aumentaram de 29 para 61 em julho e 48 em agosto.

Em colaboração com a China Commercial Aircraft, a Boeing construiu uma fábrica de montagem e entrega de 737 MAX em Zhoushan, China. Essa fábrica inicialmente lida apenas com a montagem do interior, mas subsequentemente irá se expandir à pintura externa. A primeira aeronave desta fábrica foi entregue em 15 de dezembro de 2018 para a Air China.

Teste de voo e certificação