220px|miniaturadaimagem|Marilyn em sua performance histórica.

Happy Birthday, Mr. President (Feliz Aniversário, Sr. Presidente) é como ficou conhecida a performance da atriz Marilyn Monroe da canção Parabéns a Você, ocorrida na noite do sábado 19 de maio de 1962, numa festa em homenagem ao presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, e de arrecadação de fundos para o Partido Democrata no Madison Square Garden em Nova York, gerando imagens ao mesmo tempo sexy e escatológicas: ela morreria cerca de três meses depois, e JFK em menos de um ano e meio. Kennedy somente completaria 45 anos dali a dez dias, em 29 de maio.

A performance (que nos últimos cinquenta anos tem sido analisada, celebrada e parodiada) foi transmitida pela televisão para 40 milhões de americanos, e acabou por alimentar boatos de que a grande estrela do cinema tinha um romance secreto com o presidente. É considerada a mais famosa apresentação desta canção, e o vestido que usou se tornou o mais caro do mundo.

Antes da festa 300px|miniaturadaimagem|Anotação de Marilyn na agenda Marilyn era amiga do casal Peter Lawford, ator, e Patricia Kennedy Lawford (Pat, irmã do presidente) e foi por intermédio desta que ela recebeu o convite para cantar na festa em homenagem ao presidente, formulado por ninguém menos do que a esposa dele, Jackie. Quando recebeu o convite para ir a Nova York, muitas pessoas questionaram que ela abandonava as filmagens de Something's Got to Give (que restou inacabado e já enfrentava problemas com a instabilidade da saúde da estrela). Mort Viner, empresário de Dean Martin, chegou a questionar o ator, que contracenava com ela nas filmagens, de que a ida de Marilyn a Nova York mostraria que ela não tinha tanto compromisso com o trabalho, ao que o ator teria replicado: "Hei, você não pode culpá-la, Mort. Olha, se Jackie Kennedy me pedisse para cruzar o país e cantar parabéns para ela, eu teria ido."

miniaturadaimagem|esquerda|Marilyn na gravação de Something's Got to Give: ela surpreendeu deixando as filmagens para ir à festa. A stand-in de Marilyn, Evelyn Moriarty, relembra que todos no estúdio ficaram chocados com a decisão dela: "Foi muito surpreendente. Todos nós só pensamos que as coisas não poderiam ficar piores. Tudo era muito imprevisível, terrível. Mas ela obteve permissão, mesmo que ficasse longe de tudo."

Apesar de todos os problemas, Marilyn deixou Los Angeles rumo a Nova York, no dia 17 de maio. Ela declarou, então, à imprensa: "Avisei o estúdio há seis semanas que estava indo. Considero uma honra comparecer perante o Presidente dos Estados Unidos". Os executivos da 20th Century Fox não queriam que ela viajasse, e a demitiram por conta da indisciplina, mas depois voltaram a contratá-la para terminar o filme (o que, com a morte da atriz, não se concretizou).

Rumores de um romance entre Marilyn e os irmãos Kennedy - Bobby e John - nunca restaram comprovados, mas além da amizade com Pat, é certo que ambos os irmãos eram muito importantes para ela; pesquisas mais recentes dão conta de que Marilyn estava em conflito e sua decisão não foi tão fácil quanto aparentava; ela então se aconselhou com sua amiga Pat K. Lawford, que foi clara respondendo que ela seria uma tola se fosse a Nova York - algo que não deve ter sido fácil para Pat, já que ao ser honesta com a amiga contrariava os interesses do irmão presidente - mas Marilyn certamente achou que, indo à festa, demonstraria aos Kennedy que se sacrificava por eles - afinal, colocava sua carreira em risco para ser solidária ao presidente.

Em documentário de 2014 feito por Daphne Barak foi exibida a agenda de Marilyn, que era datilografada por sua secretária, onde se lê uma rara anotação manuscrita feita por ela, ao lado do compromisso no dia da festa: “For Birthday Ball” e, na data de retorno, ela deixou uma dúvida: “May 20th? May 21st?” – o que revelaria uma expectativa de que pudesse passar algum tempo com o presidente.

Marilyn gastara cinco mil dólares comprando cinco ingressos para a festa (cada um valia U$ 1,000.00); isto lhe daria direito a participar de uma ceia privada com o presidente depois do evento, e também revelava o quão insegura ela era dos próprios encantos.

Marilyn em Nova York miniaturadaimagem|Marilyn e o Presidente, em foto anterior à festa: a performance alimentou os boatos de um romance.

Em Nova York Marilyn ficava na casa que fora dela quando estava casada com Arthur Miller e onde tinha um pequeno piano branco, que usou para ensaiar a apresentação o que fez durante horas, só parando para que Nicky, seu cabeleireiro, a penteasse, e a maquiadora Marie Irvine lhe retocasse; seu voo de Los Angeles havia atrasado e ela não dormira, de forma que quando os maquiadores chegaram pela manhã ela demorou uma hora para abrir a porta, pois estava dormindo por conta do cansaço – o que voltou a fazer em seguida, até o meio-dia.

Logo depois que a atriz saiu rumo ao Madison Square Garden, a maquiadora notou que Marilyn esquecera os brincos; mesmo sabendo que ela não era afeita a usar joias, os brincos complementavam o visual da noite; Marie então tomou um táxi e foi ao Madison, onde convenceu a segurança a permitir-lhe entrar para entregar o acessório e, lá dentro, notou que vários artistas (como Harry Belafonte) esperavam juntos pela hora de se apresentarem, e apenas Marilyn possuía um camarim próprio.

A atriz tinha especial predileção pela cidade, onde morara enquanto casada com Miller (19561961), havendo numa entrevista ao programa de Dave Garroway na emissora de rádio NBC declarado que gostaria de passar os últimos anos de sua vida no Brooklyn; em Nova York Marilyn chegou a montar uma empresa de produção (de breve existência) e chegou a ser aluna de Lee Strasberg; ali também protagonizara dois de seus momentos mais emblemáticos: a cena no metrô em Manhattan, de 1955, e a "bela serenata loira" ao presidente, de 1962.

JFK em Nova York miniaturadaimagem|esquerda|JFK discursa, no Madison. Kennedy foi para Nova York um dia antes da festa, na sexta-feira, onde realizou às 18 h uma reunião com a família, que incluiu seu irmão Bobby, então o procurador-geral; o presidente visitaria ainda seu pai no sábado, o ex-embaixador Joseph P. Kennedy, de 73 anos, que estava em tratamento no Institute for Physical Medicine and Rehabilitation após o derrame que sofrera e o deixara paralisado: a visita começou às 11:30 h, e o presidente cumprimentou vários dos deficientes ali internados, bem como a equipe médica que tratava de seu pai (o velho Kennedy assistiria à festa pela televisão, em seu quarto hospitalar).

Kennedy chegou ao Madison às 21:10 para a recepção, ocupando uma posição especial junto a outros notáveis que incluíam o vice-presidente Lyndon Johnson, o prefeito Wagner e sua esposa, Arthur B. Krim e esposa (ele presidente da United Artists) e James A. Farley, entre outros; antes ele havia participado de um jantar com 400 líderes democratas, no restaurante "Four Seasons", na Park Avenue.

Depois da festa ele foi para a recepção oferecida por Krim aos figurões da política e do meio artístico, sendo no caminho saudado por cerca de dez mil pessoas que foram às ruas para vê-lo; foi ainda a um evento de construção de casas populares que também reunira 15 mil pessoas, chegando quando discursava o governador Rockefeller, republicano, que teve de interromper sua fala pois a multidão começou a cantar parabéns ao presidente.

A festa miniaturadaimagem|JFK e o gigantesco bolo de aniversário. A festa de aniversário fora um pretexto para o Partido Democrata arrecadar fundos e quitar as dívidas da campanha presidencial de Kennedy. A produção do espetáculo ficou a cargo do compositor e arranjador Richard Adler, que acabou realizando um espetáculo extravagante e inesquecível.

As dívidas da campanha presidencial de 1960 levaram a Casa Branca a organizar o evento convidando diversas celebridades. Além de Marilyn, última a aparecer, se apresentaram também naquela noite Ella Fitzgerald, Maria Callas, Jack Benny e Peggy Lee, entre outros. Foram vendidos 400 dos ingressos da parte superior ao preço de 1.000,00 dólares cada, e com as cerca de 15 mil pessoas presentes estimou-se que a festa tenha arrecadado um milhão de dólares.

A multidão comparecera à festa de gala no Madison Square Garden em plena primavera novaiorquina quando Marilyn, então com 35 anos de idade, ficou sob os holofotes em um palco escuro, usando um vestido que de tão apertado parecia ter sido costurado sobre seu corpo. Ela causara impacto desde sua chegada, acompanhada pelo ex-sogro Isidore Miller.

Após a apresentação da atriz, Kennedy subiu ao palco e agradeceu, dizendo: "Obrigado a você. Eu agora posso me aposentar da política, depois de ter o 'Feliz Aniversário' cantado para mim de uma forma tão doce, saudável."

Marilyn, que fora acompanhada pelo ex-sogro, no momento em que finalmente falou ao presidente proximamente esqueceu-se até mesmo de cumprimentá-lo e foi logo apresentando Isidore Miller: "Quero que Vossa Excelência conheça meu sogro", esquecendo-se também que não havia mais este laço familiar: Isidore, três meses depois, pareceu aos jornalistas aquele que mais sentira a morte da atriz, e havia tentado falar com ela no dia em que morreu, sem sucesso.

Em seguida Marilyn, Kennedy e muitas outras pessoas participaram de uma festa em casa de um executivo do cinema; aquela noite marcou o último encontro público dos dois. A atriz Susan Strasberg, biógrafa do então vice-presidente Lyndon Johnson (cuja esposa também não acompanhara o marido), contou que ele havia enfiado a mão sob a saia de Marilyn, nesta festa posterior, tentando fazê-la sentar-se no seu colo - mas os biógrafos da atriz registram que ninguém a apalpou naquela noite.

A ausência de Jacqueline Kennedy miniaturadaimagem|esquerda|Jackie com os filhos e sua paixão: cavalos (1962). Muitos autores registraram que Jackie evitava festas com a presença de Marilyn de propósito, para evitar encontrá-la; um detalhe que eles ignoram é o fato de que não era, de fato, aniversário do presidente, mas uma antecipação.

A família tinha alugado uma fazenda de 400 acres chamada "Glen Ora", em Middleburg (Virgínia), conhecida por ser própria para caça à raposa. Ali depois compraram uma área de 39 acres, chamada "Wexford", em que construíram uma casa, onde a primeira dama praticava esse esporte e exercitava a equitação e sua paixão por cavalos.

No dia da festa, Jackie tinha participado de um show equestre no Horse Show Loudoun Hunt, onde montou no cavalo "Minbrene" que era de sua propriedade junto à Srª Paul Fout, e participou de várias competições. Alguns, então, disseram que ela fora ao evento equestre apenas para relaxar sobre o caso amoroso entre o marido e Marilyn o que seria falso, pois se ela tinha total afinidade com cavalos, o mesmo não se dava com os eventos políticos, que desprezava.

A performance miniaturadaimagem|Marilyn entrega o casaco a Peter Lawford, cunhado do Presidente. Na festa Marilyn foi apresentada por Peter Lawford como "a atrasada Marilyn Monroe", fazendo piada com o fato de que a atriz era famosa por nunca chegar na hora para os compromissos. Embora ela houvesse chegado cedo, a atriz Joan Copeland, irmã mais nova de Henry Miller e ex-cunhada de Marilyn, que também estava lá, contou mais tarde que ela se perdera ao procurar a saída correta entre o camarim e o palco, e correu de um lado para o outro o que a deixara ofegante e a fizera se atrasar quando foi anunciada.