O Comando da Área Noroeste foi um de vários comandos geográficos criados pela Real Força Aérea Australiana durante a Segunda Guerra Mundial. A sua esfera de operações durante a guerra incluía o Território do Norte, porções adjacentes de Queensland e da Austrália Ocidental, e as Índias Orientais Holandesas. O comando foi formado em Janeiro de 1942 após a eclosão da Guerra do Pacífico, a partir da parte ocidental do Comando da Área do Norte, que cobria todo o norte da Austrália e Papua. Com quartel-general em Darwin, o Comando da Área Noroeste foi inicialmente responsável pela defesa aérea, reconhecimento aéreo, protecção das rotas marítimas dentro dos seus limites e mais tarde por realizar missões de ataques contra embarcações e bases japonesas.
Na história oficial da RAAF no teatro do Pacífico, George Odgers descreveu a Campanha do Comando da Área Noroeste como "quase inteiramente uma guerra aérea, com ataque e contra-ataque". A partir de 1943 o seu papel tornou-se cada vez mais ofensivo por natureza, isto à medida que os Aliados começaram a avançar na Nova Guiné e nas Índias Orientais Holandesas. Os seus aviões de combate variavam de caças monomotores a bombardeiros pesados, e eram pilotados por esquadrões australianos, britânicos, americanos e holandeses. O Comando da Área Noroeste continuou a operar após o fim da guerra, mas os seus activos materiais e humanos foram muito reduzidos. Em Fevereiro de 1954 as suas responsabilidades foram incorporadas pelos três novos comandos funcionais da RAAF: Home (operacional), Treino e Manutenção. O quartel-general do comando foi dissolvido no ano seguinte.
História Segunda Guerra Mundial Formação alt=Map of Australia showing state borders, with RAAF area command boundaries superimposed|esquerda|miniaturadaimagem| Comando de Área da RAAF em Dezembro de 1941 O Comando da Área Noroeste foi formado na Base aérea de Darwin, no Território do Norte, a 15 de Janeiro de 1942, assumindo a porção ocidental do que era antes o Comando da Área do Norte; este havia sido estabelecido no dia 8 de Maio de 1941 como um dos vários comandos geográficos criados pela Real Força Aérea Australiana, e cobria a parte norte de Nova Gales do Sul, Queensland, o Território do Norte e Papua. A missão dos comandos era a de realizar a defesa aérea na sua área de responsabilidade, para além de ter que proteger a orla costeira e realizar reconhecimento aéreo. Cada comando era chefiado por um Air Officer Commanding (AOC) responsável pela administração e pela operações das bases aéreas e das unidades dentro das fronteiras da sua área.
A eclosão da Guerra do Pacífico em Dezembro de 1941 foi o catalisador para a divisão do Comando da Área do Norte em Comando da Área Noroeste (NWA) e Comando da Área Nordeste da RAAF (NEA), sendo que cada um deles ficaria responsável por se defender de ameaças diferentes, no norte da Austrália e na Nova Guiné, respectivamente. O AOC inaugural do NWA foi o comodoro Douglas Wilson. O seu oficial sénior do estado-maior era o capitão de grupo Frederick Scherger. O seu quartel-general contava com 137 elementos, incluindo 24 oficiais.
No dia 15 de Janeiro de 1942 o comando supremo aliado para o Sudeste Asiático e o Sudoeste do Pacífico, o Comando Americano-Britânico-Holandês-Australiano (ABDACOM), foi formado com quartel-general em Bandung, em Java. Cinco dias depois, o Gabinete de Guerra Australiano transferiu oficialmente o controlo operacional do norte da Austrália entre Onslow na Austrália Ocidental e a borda sudeste do Golfo de Carpentária para o ABDACOM. A área de Darwin tornou-se um sub-comando aéreo aliado conhecido como AUSGROUP, sob a componente aérea do ABDACOM, a ABDAIR. Na sequência de relatórios de 27 de Janeiro, de que a formidável frota de porta-aviões combinados japoneses havia entrado no Mar das Flores, Wilson ordenou a dispersão dos activos na Base aérea de Darwin. Equipamentos e funcionários de reparação e manutenção foram transferidos para Daly Waters, quase 480 quilómetros mais ao sul, mas quando Wilson também ordenou que cinco aviões de instrução armados e obsoletos CAC Wirraway se mudassem para Daly Waters, a sua ordem foi anulada pelo vice-chefe do estado-maior aéreo, o vice-marechal do ar William Bostock. No início de Fevereiro de 1942 o comodoro George Jones, que logo seria nomeado chefe do estado-maior da força aérea, inspeccionou o Comando da Área Noroeste e ficou a par da falta de moral e de capacidade de serviço das suas unidades de combate, os esquadrões n.º 2, 12 e 13.
1942 – 1943: ataques e contra-ataques A 19 de Fevereiro de 1942 a força de aeronaves do NWA incluía dezassete bombardeiros leves Lockheed Hudson dos esquadrões n.º 2 e 13 baseados em Darwin e Daly Waters, quatorze aviões Wirraway do Esquadrão N.º 12 baseado em Darwin e Batchelor, e dez caças Kittyhawk das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos (USAAF) que transitavam por Darwin para Java. Metade dos Hudson estavam sem tripulação, cinco dos Wirraway estavam fora de serviço e os pilotos dos Kittyhawk eram considerados inexperientes. Wilson estava a participar em reuniões no quartel-general do ABDACOM em Java, e Scherger ficou a servir como AOC. Pouco antes das 10 da manhã Darwin sofreu o seu primeiro ataque aéreo pelos japoneses - uma força de 188 aeronaves bombardearam o porto e a cidade. Um novo ataque de 54 bombardeiros, dirigido principalmente ao aeródromo da RAAF, ocorreu por volta do meio-dia. Os ataques de 19 de Fevereiro destruíram infraestruturas civis e militares, vinte e três aeronaves e dez navios, e matou cerca de 250 pessoas; 278 elementos da RAAF abandonaram Darwin num êxodo que ficou conhecido como "Adelaide River Stakes". "Houve", nas palavras de Scherger, "um pânico terrível e muitos homens simplesmente desapareceram". Os Kittyhawk e os artilheiros antiaéreos foram creditados com o abate de cinco aeronaves japonesas e provavelmente destruíram outras cinco. alt=Long shot of mushroom cloud from an explosion, and black billowing smoke from nearby fire, with ship in foreground.|esquerda|miniaturadaimagem| Explosão de um tanque de armazenamento de combustível durante o primeiro ataque aéreo em Darwin, a 19 de Fevereiro de 1942 Na sequência do ataque o quartel-general do NWA mudou-se para um acampamento no mato ao sul da base aérea da RAAF, e a liderança sénior foi alterada. Wilson e Scherger foram dispensados, este último apesar de elogiado pela comissão de inquérito do governo federal pelas suas acções durante o ataque. O ABDACOM foi dissolvido a 25 de Fevereiro, após o colapso da resistência aliada na Malásia e nas Índias Orientais Holandesas. O comodoro Frank Bladin assumiu como AOC do NWA no dia 25 de Março, sendo os seus objectivos iniciais restaurar a moral e lidar com a ameaça de uma invasão iminente, tarefas complicadas devido ao sistema de comunicações, transporte e de alerta precários. Prosseguindo para instigar um treino de combate mais intenso e construir novos aeródromos satélites com os quais poderia dispersar as suas forças, Bladin tornou-se, nas palavras do historiador da força aérea Alan Stephens, "o excepcional comandante de Comando da RAAF na guerra", e o primeiro australiano no teatro do Pacífico a ser condecorado pelos americanos quando foi premiado com a Estrela de Prata por bravura depois de liderar pessoalmente um ataque com bombardeiros B-17 da USAAF em Celebes, nas Índias Orientais Holandesas. Apesar da óbvia vulnerabilidade do norte da Austrália em atacar, o NWA estava sem uma guarnição de interceptores até à chegada, em Março e Abril, de três esquadrões de caças Kittyhawk da USAAF que compunham o 49.º Grupo de Perseguição (imediatamente renomeado como Grupo de Caça N.º 49) sob o comando do coronel Paul Wurtsmith. A área de Darwin sofreria sessenta e quatro ataques aéreos entre Fevereiro de 1942 e Novembro de 1943.
A partir de 20 de Abril de 1942 a autoridade operacional sobre toda a infraestrutura de combate da RAAF, incluindo os Comandos de Área, foi investida no recém-criado quartel-general das Forças Aéreas Aliadas sob o comando da Área do Sudoeste do Pacífico (SWPA). Em Agosto os limites do NWA foram ajustados: além de cobrir o Território do Norte, o comando assumiu a responsabilidade pela porção da Austrália Ocidental ao norte de uma linha traçada a sudeste de Yampi Sound até à fronteira do Território do Norte, e parte de Queensland adjacente ao Planalto Barkly. O Grupo de Caça N.º 49 realizou as suas missões finais em Agosto e foi transferido para a Nova Guiné no mês seguinte, tendo reivindicado a destruição de 79 aeronaves japonesas pela perda de 21 caças Kittyhawk. Os dois esquadrões Hudson do NWA tinham, entretanto, realizado missões de bombardeamento sem escolta contra bases e navios japoneses nos mares de Timor e Arafura, e em apoio à força Sparrow em Timor. Três esquadrões de caças da RAAF — os esquadrões n.º 76 e 77 equipados com Kittyhawk, e o Esquadrão N.º 31 equipado com caças-bombardeiros Bristol Beaufighter — chegaram em Setembro e Outubro. Setembro viu também a formação do Comando da RAAF sob Bostock, com o objectivo de supervisionar a maioria das unidades aéreas australianas na SWPA. Bostock exerceu o controlo geral das operações aéreas através dos comandos, embora o quartel-general da RAAF continuasse a deter autoridade administrativa sobre as unidades australianas. A missão de Bladin era defender o Território do Norte, a costa norte da Austrália Ocidental e o Estreito de Torres, protegendo o flanco das ofensivas do general Douglas MacArthur na Nova Guiné. Já Bostock deveria coordenar as operações quando envolvessem mais do que um Comando de Área, por exemplo, quando os esquadrões de caças do NWA e da NEA fossem obrigados a repelir um grande ataque. alt=Two men in light-coloured military uniforms, one wearing a pith helmet|direita|miniaturadaimagem| Comodoro Bladin (à direita) como AOC do NWA, com um oficial holandês, em 1943 Em Dezembro de 1942 as unidades aéreas do NWA incluíam seis esquadrões da RAAF equipados principalmente os bombardeiros de mergulho Kittyhawk, Beaufighter, Hudson e Vultee Vengeance, bem como a Unidade de Reconhecimento Fotográfico N.º 1, que operou aeronaves Wirraway, Brewster Buffalo, P-38 Lightning e P-43 Lancer, e operou fora da área de Darwin (como o Esquadrão N.º 87 a partir de Setembro de 1944) durante o resto da guerra. Essas unidades foram rapidamente reforçadas por um esquadrão de bombardeiros médios australiano-holandeses B-25 Mitchell e bombardeiros pesados B-24 Liberator da USAAF, com os quais o NWA foi capaz de realizar ataques mais pesados contra as forças japonesas ao norte da Austrália. Também em Dezembro o Esquadrão N.º 34, que havia sido formado sob o controlo do NWA em Darwin quatro dias após o primeiro ataque aéreo, transferiu as suas aeronaves para a recém-formada Unidade de Comunicações N.º 6, que permaneceu no Território do Norte até ser extinta logo a seguir ao fim das hostilidades. A 14 de Dezembro a Asa N.º 44 foi formada sob o NWA, em Adelaide River; era responsável pelas estações de radar que forneciam aviso prévio de ataques japoneses. A asa coordenou a defesa aérea na região em conjunto com o Sector de Caça N.º 5.