A Pastoral da Juventude Estudantil (PJE) é um organismo da Igreja Católica.

No Brasil, compõe a Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude (CEPJ) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, juntamente com as outras Pastorais de Juventude (PJ, PJMP e PJR). A nível latino-americano, compõe o Departamento de Família, Vida e Juventude do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM).

Afirma-se que a PJE é herdeira da Juventude Estudantil Católica (JEC), organização esta proveniente da Ação Católica Especializada (ACE). A JEC protagonizou assembleias, encontros, congressos, por todo o Brasil que serviu de sustentação para a juventude estudantil católica brasileira e suas ações embasadas na metodologia VER-JULGAR-AGIR com os valores evangélicos e exemplos da pessoa de Jesus Cristo. Estas atividades realizaram-se durante os anos de sua fundação em meados dos anos 50 do século XX até quase os anos 70 do mesmo século. Há relatórios de atividades da Juventude Estudantil Católica no Brasil em meados de 1935 a partir de participantes num grupo feminino. Muitas ações políticas da JEC foram emparceiradas com a UBES, inclusive com composição de jovens estudantes católicos da JEC nas diretorias da UBES da época. A JEC ainda é articulada até hoje em países que compõe o CELAM. A PJE permeia apoiando atividades com jovens estudantes de diversas congregações religiosas que possuem colégios e ou instituições educacionais e algum trabalho pastoral com os estudantes. Desta maneira esses jovens estudantes das congregações podem, em contrapartida, fortalecer a estrutura e a participação da Pastoral da Juventude Estudantil no Brasil e pelos estados.

Meios de ação

A juventude não se satisfaz com a normalidade. Ela quer estar em constante movimento. Há uma disposição intrínseca para buscar o novo, porém, sabemos que as estruturas educacionais dominantes acabam por "apagar" a chama que existe nos estudantes. A PJE compreende que é preciso manter a chama acesa para que sejamos agentes de transformação.

É nessa perspectiva que a PJE acredita que "a fé sem obras é morta" (Tg 2, 17). A prática acontece no nosso meio específico, que é o estudantil. Diante de todos os sinais de morte não podemos nos omitir, não podemos deixar de "ir ao mundo e anunciar a Boa Nova".

Ao falar do "agir" da PJE, delimitamos, inicialmente, alguns espaços de atuação, falamos da política educacional e estudantil, e descrevemos nossa maneira de nos organizarmos.

A PJE se faz presente nas escolas, públicas, privadas e confessionais, manifestando-se de diversas formas, seja por meio dos grupos de jovens, seja por meio das demais associações estudantis. É importante saber que a PJE possui uma mística e uma espiritualidade próprias, assim como uma metodologia bem definida, cujos elementos jamais podem ser confundidos com carismas, que apenas as congregações religiosas possuem. E é por isso também que não podemos ser confundidos com os grêmios ou grupos de voluntariado, propriamente ditos.

História

Início: a Pastoral Secundarista A Pastoral da Juventude Estudantil, bem como as demais Pastorais da Juventude do Brasil, é fruto da Ação Católica (AC) – movimento idealizado para favorecer a participação popular na construção de “Outro Mundo Possível”. Em princípio, constituiu-se uma Ação Católica Geral (1932 – 1950). A posteriori, percebendo-se que a formação levada a cabo deveria estar em sintonia com as especificidades do meio na qual estava inserida, a ação teve seus contornos alterados. Um mesmo modelo que era adotado para o trabalho pastoral na fábrica dificilmente teria pertinácia para ser utilizado na escola, no campo e assim por diante.

Nesse sentido surge a Ação Católica Especializada (1950 – 1966), para melhor encarar os desafios propostos por diferentes realidades. Os jovens tiveram um papel de destaque na concretização da ACE e formaram-se grupos específicos - JAC (Juventude Agrária Católica), JEC (Juventude Estudantil Católica), JIC (Juventude Independente Católica), JOC (Juventude Operária Católica) e JUC (Juventude Universitária Católica) – abrindo caminho para a efervescência das CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base).

Contudo, o Golpe de 1964 promoveu a caçada às diversas lideranças contrárias ao Regime Militar, matando, inclusive, uma série de organizações juvenis, dentre as quais aquelas que integravam a ACE. A partir deste cenário, o que restaram foram grupos isolados e vigiados pelo terror dos “anos de chumbo”, não bastasse os “desaparecimentos” e as prisões de seus quadros.

No início da década de 1980 as lutas pela redemocratização vivem seu momento mais intenso. Nesse contexto, um grupo de estudantes de Goiânia ligado à JEC toma a iniciativa de retomar a articulação nacional. Assim, realizou-se o a 1ª Reunião Nacional, de 08 a 11 de julho de 1982, com 14 pessoas vindas do Pará, de Goiás e São Paulo, ocorrida no Colégio Marista de Goiânia. Trocaram experiências sobre a organização dos estudantes secundaristas, analisando o acúmulo da JEC e traçando linhas comuns para a formação de uma “Pastoral Secundarista”.

A 2ª Reunião Nacional ocorre no ano seguinte, no mesmo local e, desta vez, aprofundaram-se estudos sobre a identidade, a pedagogia e a espiritualidade da Pastoral Secundarista, com ênfase no método VER – JULGAR – AGIR. Para o fortalecimento da base e a formação de novos grupos definiu-se uma equipe de Articulação e uma Secretaria Nacional, sediada em Goiânia, na casa do estudante Adriano Neves de Brito.

Surge a Pastoral da Juventude Estudantil

De 9 a 11 de Julho de 1984, ocorreu a 3ª Reunião Nacional com a participação de representantes de 10 unidades federativas – RS, PR, SC, SP, GO, AM, PI, RJ, MG e MT - e do DF, além de dois assessores, Ir. Leônidas Fávero e Pe. Jorge Boran. A partir daí já começa a ganhar força a ideia de “pastoral orgânica”, o que foi decisivo para que o movimento passasse a se chamar "Pastoral da Juventude Estudantil" e integrar, em conjunto com as demais Pastorais da Juventude do Brasil – Pastoral da Juventude (PJ), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR) - a Coordenação Nacional da PJ Orgânica, sendo representada nesse espaço pelo jovem Ricardo Caixeta.

O 4º Encontro Nacional (julho de 1985, Brumadinho/MG), com 71 delegados, foi palco de discussões sobre identidade, pedagogia, assessoria, espiritualidade, nucleação – iniciação – militância, relação com o Movimento Estudantil e conjuntura educacional. Foi definido um mutirão para que se elaborassem os Cadernos da PJE, aprovados no ano seguinte, com o objetivo de sistematizarem-se as experiências.

Enquanto o final da década de 1980 marcou a convicção de que a PJE isolada do Movimento Estudantil e sem um trabalho de base não tinha sentido, o advento dos anos 1990 parecem denotar o impacto da onda neoliberal na mobilização estudantil. A PJE, como não poderia deixar de ser, dá sinais de estar sendo afetada pela nova conjuntura. Nesse intervalo já tinham se realizado o 5º Encontro Nacional (1987), dois Seminários Nacionais (janeiro e julho de 1988) – atividade de caráter formativo - e o 6º Encontro Nacional (1989).

Sabe-se que a expansão do projeto pelo território nacional começava a esbarrar em questões como falta de assessoria e de apoio, inclusive financeiro. Mesmo assim, os jovens da PJE tiveram importante participação na fileira dos “caras pintadas” em 1992. No ano seguinte ocorre a 7ª Assembleia Nacional, adiada desde 1991 devido às fragilidades de uma estrutura nacional desprovida de recursos mínimos.

Em 1995 a PJE realizava sua 8ª Assembleia Nacional (AN) em Barbacena/MG, cujo tema foi “Estudante, semeando a vida para celebrar o novo” e o lema “Na esperança do novo, ousamos ser diferentes”. Nesta instância foi aprovado o 1º Marco Referencial, intitulado “Quem Somos? A que Viemos?”, publicando-se 3 mil exemplares. A PJE estava mais madura e sua articulação com as demais PJ’s se mostrou fundamental.

Em 1996 realizou-se o 4º Seminário Nacional de Militantes da PJE em Itaipava/RJ. Seu tema era “O Jovem Político na Escola” e o lema “Pra acontecer depende de você”, participando 58 pessoas. A partir deste evento houve a nucleação de novos grupos e a retomada da articulação de outros em alguns setores regionais, chegando-se a 250 núcleos. Nesse momento a PJE também contava com uma publicação informativa no Brasil, chamada “Um Novo Sol”.

Completando 15 anos em 1998, a PJE definiu seu plano de ação, formação e espiritualidade na 9ª AN, além de apoiar e participar da Marcha Pelo Brasil e elaborar uma Carta Aberta manifestando sua indignação perante o sistema educacional vigente, enviada ao Jornal Juventude e demais meios a que se tinha acesso.

A PJE no novo milênio

A história da PJE, ainda que também machucada por muitos percalços, carrega a alegria de se ter lançado em 2000 a Semana do Estudante, realizada na semana do dia 11 de agosto, quando foi assassinado o estudante Edson Luís, com o tema “Educação Libertadora, início da cidadania”, estimulando o envolvimento nos Grêmios Estudantis. Nesse período a PJE também participou da resistência ao neoliberalismo através do Plebiscito Nacional sobre a dívida E(x)terna e em 2001 marcou presença no 1°Fórum Mundial de Educação em Porto Alegre – RS.

Nesse momento já estava clara a dificuldade de os regionais promoverem atividades formativas em suas escalas, sobretudo devido às dificuldades financeiras e, consequentemente, à não formação contínua de lideranças.

Celebrando seu Júbilo de 20 anos, em 2002, a PJE teve militantes presentes no Plebiscito Nacional sobre a ALCA promovendo debates sobre a ALCA e a educação. A participação se repetiu em 2003 no II Fórum Mundial da Educação, no III Fórum Social Mundial e no Acampamento Intercontinental da Juventude, todos em Porto Alegre – RS, com a presença de jovens de SP, MA, RJ e, é claro, dos gaúchos.

A 12ª ANPJE aprovou seu Marco Referencial mais recente e o publicou em 2004. Desde então foi realizado o 8º Seminário Nacional de Militantes da PJE em 2005, com o objetivo de oferecer formação sobre a temática das Políticas Públicas para a Juventude, e a Reunião Ampliada, em janeiro deste ano, feita em SP na impossibilidade de realização da 13ª ANPJE. A mesma realizou-se em Janeiro de 2008 em Vargem Grande – SP, com a participação de 36 delegados que deliberaram sobre a estrutura e organização da PJE iluminados pela passagem “Menina, levanta-te” (Mc 5,41).

Em novembro de 2009, as PJE e as demais Pastorais de Juventude lançam oficialmente a "Campanha Nacional contra a violência e o extermínio de jovens", com duração prevista de três anos, com o lema "O meu desejo é a vida do meu povo” (Ester 5,7).

Já em 2010, a Pastoral da Juventude Estudantil lançou o convite para o 1° Encontro Nacional das Referências Estaduais, o ENARES, que ocorreu em Recife/PE. Com o tema "Com os pés na missão, sonharemos a PJE" e a iluminação bíblica “Para que todos sejam um” (Jo 17, 21), as referências estaduais (secretários, articuladores, animadores ou mesmo lideranças ativas nos estados) se reuniram para aprofundar sua formação sobre nossa Pastoral, e, também, fortalecer a articulação nacional e estadual.

A XIV Assembleia Nacional da PJE ocorreu em janeiro de 2011, em Belo Horizonte/MG. Com o tema "Organização e luta", lema "Juventude em marcha por uma Educação Libertadora" e inspiração bíblica “Vi muito bem a miséria do meu povo. Por isso, vê, eu envio você para libertá-lo” (Ex 3,7-10). Durante a assembleia, foram eleitas três bandeiras de luta para o triênio 2011-2013, quais sejam: "compromisso prioritário com a educação pública"; "em luta por uma educação libertadora" e "PJE contra a prática de violência dentro da escola".

Os 30 anos de PJE