Ana Matos Fernandes (Porto, 1982), mais conhecida pelo monónimo Capicua é uma rapper e escritora portuguesa. Vincou o seu nome no panorama musical português, e como MC, com temas como "Vayorken" e "Maria Capaz". Pelo seu terceiro álbum, Madrepérola, venceu o Prémio José Afonso em 2021.
Biografia Ana Matos Fernandes nasceu no Porto nos anos 80. Em pequena ouvia cantautores de Abril, tais como Fausto Bordalo Dias, José Mário Branco, Sérgio Godinho e Zeca Afonso. Descobriu a cultura Hip hop em 2015, quando começou a fazer graffiti (com o tag Odd) e a participar em festas de rap. Fez a licenciatura em Sociologia no ISCTE e o doutoramento em Geografia Humana em Barcelona, mas o que sempre quis fazer foi música.
Carreira musical Syzygy é o seu primeiro EP, no qual colaborou com Marta Bateira (sob o nome M7), Maria e D-One. O segundo EP, Mau Feitio, doi lançado no ano seguinte, com D-One e Auge.
Em 2012 editou o seu primeiro LP, Capicua que foi considerado um dos melhores do ano. Com o sucesso do disco, sua música alcançou um público mais alargado, sendo falada em todos os meios de comunicação portugueses e conseguindo assim profissionalizar-se na música. Faz, também, desde aí, diversas participações com outros artistas, incluindo Sérgio Godinho, Sam the Kid e DJ Ride. Uma da músicas neste álbum vai inspirar o nome da plataforma feminista criada por Rita Ferro Rodrigues e Iva Domingues em 2014. Com o nome Capazes, pretende "promover a informação e a sensibilização da sociedade civil para a igualdade de género, defesa dos direitos das mulheres e empoderamento das mesmas".
Em 2014 editou Sereia Louca, o segundo álbum, no qual colabora novamente com M7, entre outros. Este álbum foi um dos seus maiores êxitos, e a música Vayorken uma das mais populares.
Em 2015 lançou Medusa, um álbum de remisturas com dois temas originais, e que contou com a participação de Valete, M7 e DJ Ride. O seu trabalho é grandemente influenciado pelos poetas portugueses, em especial a poesia de Sophia de Mello Breyner, que incluiu neste álbum.
No ano seguinte publicou Mão Verde, um álbum e livro para crianças com música de Pedro Geraldes, dos Linda Martini.
Em 2017 colaborou com os rappers brasileiros Emicida, Rael e Valete no álbum Língua Franca. No mesmo ano, recebeu o Prémio José da Ponte, atribuído pela SPA a jovens autores e, a convite da Antena 3, apresentou o programa Duas de Letra, onde semanalmente conversava com letristas convidados.
Em 2021 lançou Madrepérola, o seu terceiro LP, que incluiu vários convidados, e onde abordou temas de machismo e gentrificação. O título do álbum alude à maternidade, e foi escrito e gravado enquanto Capicua estava grávida. O álbum foi vencedor do Prémio José Afonso.
A 8 de março de 2024, no dia internacional da mulher, Capicua estreou a canção Que Força é Essa Amiga, adaptação da composição de Sérgio Godinho, com que se debruça sobre "o trabalho doméstico e reprodutivo, habitualmente garantido pelas mulheres".
A 20 de março de 2025 lança o seu quarto LP, Um Gelado Antes do Fim do Mundo num concerto no Teatro Tivoli, com a edição do álbum no dia seguinte, com o single de estreia Making teenage Ana proud lançado a 30 de janeiro do mesmo ano.
Letrista de fado Em 2013 participou como letrista no álbum de estreia de Gisela João, com a letra para (A casa da) Mariquinhas, adaptação de um clássico do fado cuja interpretação mais famosa é a de Alfredo Marceneiro, onde fazia alusão à crise económica. Capicua iria escrever de novo outra letra para esta melodia em 2021, lançada em 2023, de novo para a mesma intérprete. A nova letra chama-se O Hostel da Mariquinhas, e aborda o tema da crise da habitação em Portugal. Colaborou ainda com Gisela João no seu segundo álbum, Nua, de 2016, com a letra do fado Noite de São João.
No inverno de 2022-2023 começou a trabalhar com a fadista Aldina Duarte, acabando por escrever as onze letras para o seu álbum Metade-Metade, lançado em 2024.
Carreira literária Em 2021 e 2022 publicou os discos-livros Mão Verde e Mão Verde II, para crianças; o último recebeu uma menção especial no Festival de Literatura Infantojuvenil de Valongo - Onomatopeia, e na primeira edição do Prémio Ibérico Álvaro Magalhães de Literatura Infantojuvenil.
Capicua foi cronista da Revista Visão desde 2015. Em 2022 reuniu as crónicas publicadas nessa revista, poemas, letras de canções e pequenos textos no livro Aquário. Desde 2023 escreve para o Jornal de Notícias.
Em 2023 lançou o livro Cor-de-Margarida, para crianças, inspirado pelas histórias para adormecer o seu filho, que toca em temas como a aceitação das diferenças e o amor-próprio.
Ativismo Capicua identifica-se como feminista, ecologista e de esquerda, tendo participado em movimentos como o SOS Racismo e o Partido Socialista Revolucionário.
Participou durante quatro anos no projeto de intervenção social, cultural e artístico "OUPA!", criado em 2014 pela Câmara Municipal do Porto, e integrado no programa "Cultura em Expansão". Esta iniciativa promove a capacitação de jovens através da palavra e da música. O projeto teve início no Bairro do Cerco, no Porto, e depois estendeu-se a Ramalde e Lordelo do Ouro, e contou também com André Tentugal, Gisela Borges e Vasco Mendes.
Capicua participou na Festa do Avante! em 2024
Vida pessoal É prima do ator Pêpê Rapazote. Em 2019 teve um filho.
Discografia Álbuns de estúdio 2012 - Capicua 2014 - Sereia Louca 2015 - Medusa 2016 - Mão Verde com Pedro Geraldes 2020 - Madrepérola 2025 - Um Gelado Antes Do Fim Do Mundo 2025 - Esencia 2026 - Mão Verde III
Álbuns ao vivo 2021 - Encore (Ao Vivo)
Singles 2012 - "Medo Do Medo" 2012 - "Maria Capaz" 2014 - "Sereia Louca" 2014 - "Mão Pesada" com M7 2014 - "Vayorken" 2014 - "Casa No Campo" com Mistah Isaac 2015 - "Medusa" com Valete 2015 - "Barulho" 2019 - "Madrepérola" com Karol Conká 2019 - "Último Mergulho" com Lena d'Água 2019 - "Planetário" com Mallu Magalhães 2020 - "Passiflora" com Camané 2020 - "Gaudí" 2020 - "Circunvalação" 2024 - "Que Força É Essa Amiga" 2025 - "Making Teenage Ana Prod" 2025 - "Chiaroscuro" 2025 - "Danúbio" com Gisela João 2025 - "Meia Romã" 2025 - "Ao Acaso" com Toty Sa'med 2025 - "Souvenir" com Sopa De Pedra
Como Convidada 2008 - "Tabu" com M7 2009 - "Verdades" com Skunk 2009 - "Mulher Galega Tripeira" com Seilaesencia 2015 - "Sem Salário Fixo" com Bob Da Rege Sense e Sir Scratch 2015 - "Fumo Denso" com DJ Ride 2017 - "Ela (Língua Franca)" com Emicida, Rael e Valete 2017 - "Pais Colmeia" com OMIRI 2019 - "Tourada" com Fernando Tordo 2019 - "Imprevistos" com Xutos & Pontapés e Jorge Palma 2019 - "Duas Casas" com Stereossauro 2019 - "Magnólia" com Expeão 2021 - "Conforto" com Afonso Pais 2023 - "Porque" com Pedro Branco 2023 - "Mystique" com AMAURA 2024 - "Fim" com PZ e vários intérpretes
Livros
2016 - Mão Verde (com ilustrações de Matilde Horta) 2022 - Mão Verde II (com ilustrações de Mantraste) 2022 - Aquário 2023 - Cor-de-Margarida
Reconhecimento
Em 2022 foi homenageada com um mural na Rua de Recarei, 883 em Matosinhos, da autoria de Daniel Eime.
Ligações externas Website oficial
Capicua no Facebook Mulheres Que Contam na RTP Duas de Letra na RTP
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