Leda e o Cisne é uma pintura a óleo sobre tela de 1530-1531 do pintor italiano Antonio Allegri de Correggio (1489-1534), pintura que se encontra atualmente na Gemäldegalerie de Berlim.

Fez parte de um conjunto de pinturas realizadas por Correggio para o duque Frederico II Gonzaga de Mântua tendo por tema os amores de Júpiter.

Descrição e estilo A pintura ilustra o mito de Leda, mulher de Tíndaro, rei de Esparta, e de Júpiter que se junta a ela sob a forma de um cisne.Leda dá depois à luz dois ovos gigantes, dos quais nascem gémeos - Castor e Pólux de um, Clitemnestra e Helena do outro. Júpiter era tentado frequentemente pela beleza doutras mulheres e assumia vários disfarces a fim de esconder os seus encontros amorosos da sua esposa, a deusa Juno, uma vez tomando a forma de uma águia, noutra escondendo-se numa nuvem escura mesmo estando um dia claro e neste caso transformando-se num cisne.

Trata-se de uma pintura sensual, representando um dos muitos amores do deus mitológico. No centro do quadro, Correggio representa Leda seduzida frontalmente, com o cisne entre as coxas, e a mão dela a ajudar o cisne/Júpiter a unir-se a ela; à esquerda, Cupido com a harpa e dois amores com flautas acompanham o casal. No lado direito da pintura estão retratadas duas fases da história: as primeiras aproximações entre Júpiter/cisne e a mulher relutante e depois a ave a afastar-se voando enquanto Leda se veste enamorada e deliciada. O artista devia conhecer a tradição iconográfica do mito, tendo mesmo realizado o estudo da obra Leda e o cisne de Michelangelo.Arthur E. Popham, Correggio's Drawings, Londres, 1957, cat. n. 84.

Para se ter uma ideia de como seria antes da mutilação e dos restauros pode apreciar-se a cópia que Eugenio Cajés fez da pintura antes desta sair Espanha. As diferenças mais significativas referem-se à expressão e postura da rainha. O rosto tinha uma expressão clara, mas suave, de prazer, reforçada pelo ligeira tombar da cabeça e de se inclinar para a direita. Uma pose semelhante à escolhida por Correggio para Io no momento de unir-se a Júpiter.

Nota-se como quem restaurou a pintura quiz corrigir esta pose demasiado lasciva pintando uma expressão casta e pudica e eliminando a torção sedutora da cabeça que Correggio tinha imaginado.

Nunca antes um artista pintara com tanta frescura e alegria narrativa o mito de Leda e se, como parece, Correggio se inspirou em alguns modelos antigos para a poses da figura feminina, pode afirmar-se que a tradição anterior só serviu como inspiração genérica que foi de imediato transfigurada, uma vez que também se sentia nele a necessidade de capturar os aspectos mais íntimos e humanos da história de amor intenso entre a jovem rainha e o cisne.

Tem sido sugerido que Leda e Danae foram concebidas para estarem expostas juntamente: o vôo do cisne para a direita poderia direcionar-se para a janela da torre onde Danae está reclusa.

História A série dos Amores de Júpiter foi concebida após o sucesso da pintura de Vénus e Cupido espiados por um Sátiro. O artista teve tempo para executar quatro telas, ajustáveis aos pares pelas dimensões, e talvez outras estivessem planeadas. A cronologia das quatro pinturas é um tema algo controverso. Mas o que importa é especialmente a contribuição fundamental que elas deram ao desenvolvimento da pintura mitológica e profana, graças ao novo e extraordinário equilíbrio entre a prestação naturalista e a transfiguração poética.Pierluigi De Vecchi e Elda Cerchiari, I tempi dell'arte, volume 2, Bompiani, Milão, 1999, p. 236. ISBN 88-451-7212-0

Para Giorgio Vasari,Giorgio Vasari, Le vite de' più eccellenti pittori, scultori e architettori, Florença, 1550, edit. por Luciano Bellosi e Aldo Rossi, Einaudi, Turim, 1991, II, p. 563. a Leda foi encomendada (juntamente a uma Vénus, isto é, a Danae) por Frederico II, que tencionava dá-la ao imperador Carlos V; num estudo mais recente, VerheyenEgon Verheyen, Correggio's Amori di Giove, em Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, XXIX, 1966, pp. 160-192., avança a hipótese da pintura, juntamente com outros quadros do mesmo Correggio evocando os amores de Júpiter, tenham sido realizados para a Sala de Ovidio do Palácio Te em Mântua (reservada à amante do duque, Isabella Boschetti), e tenha transitado para a corte de Espanha só após a morte de Frederico II (1540), talvez por ocasião do casamento do filho de Carlos, o infante Filipe com Maria Manuela (princesa de Portugal) em 1543.

Em 1598 a pintura pertencia ainda à coleção real espanhola; juntamente com o Rapto de Ganimedes foi adquirida por Rodolfo II de Habsburgo e levada a Praga. O acontecido depois é análogo ao de Danae: passou pela Suécia no tempo da Guerra dos Trinta anos e depois a rainha Cristina deu-a ao cardeal Decio Azzolini; pertenceu depois à coleção do duque Filipe d'Orleães.

Apesar de todas estas mudanças, nada prejudicou tanto a pintura como o que aconteceu nos anos vinte do século XVIII, quando estava na França. O filho do Duque de Orleans, o devoto Luís, considerando a pintura demasiado obscena e lasciva rasgou-a com uma faca tendo arruinado irreparavelmente o rosto da figura de Leda.

O que restou da pintura foi dado a Charles-Antoine Coypel, premier peintre do rei, que lhe pintou uma outra cabeça. A pintura, ainda em pedaços, em 1753 foi vendido ao colecionador Pasquier, que tenta recuperá-la encarregando o pintor Jacques-François Delyen para refazer a cabeça. Em 1755, o Conde de Epinaille comprou-a em nome do rei da Prússia, Frederico, o Grande, que a expôs no seu palácio de verão de Sanssouci. Roubada para França como espólio napoleónico, foi novamente restaurada por Pierre-Paul Prud'hon. Foi devolvida à Alemanha em 1814 e desde 1830 que é mantida nos museus em Berlim, onde a cabeça de Leda foi pintada de novo por Jakob von Schlesinger.Cecil Gould, The paintings of Correggio, Londres 1976, pp. 194-196.

Galeria

Notas e referências

Bibliografia Giuseppe Adani, Correggio pittore universale, Silvana Editoriale, Correggio 2007. ISBN 9788836609772

Ligação externa Nota em Correggio Art Home, donde provem uma parte do texto, Página oficial da Gemäldegalerie, onde se vê a pintura Leda e o Cisne junto à porta da Sala Rosa,

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