Segunda-dama do Brasil é o título que recebe a esposa do vice-presidente do Brasil, sendo a anfitriã do Palácio do Jaburu. Esta designação, marcada por sua ascensão recente, confere à titular uma posição destacada na esfera protocolar e social, refletindo as dinâmicas em evolução na história política brasileira.
O termo segunda-dama, concebido como um contraponto ao mais comum primeira-dama, surgiu inicialmente a partir da expressão de Josina Peixoto. Esta designação, que ganhou destaque durante o período em que seu esposo, Floriano Peixoto, ocupava a vice-presidência em 1891, foi adotada para referenciar a esposa do vice-presidente. Assim, ao introduzir essa terminologia, estabeleceu uma distinção protocolar que perdura, tornando-se uma parte integrante da linguagem política brasileira para descrever a figura matrimonial vinculada à segunda mais alta posição no executivo nacional.
A notoriedade da segunda-dama na esfera pública representa um desenvolvimento relativamente recente, contrastando com a longa tradição do papel da primeira-dama como anfitriã em residências presidenciais ― inicialmente no Palácio do Itamaraty, mais tarde, no Palácio do Catete, no Palácio Guanabara e atualmente no Palácio da Alvorada. A ascensão da esposa do vice-presidente sinaliza uma mudança nas dinâmicas sociais e políticas do Brasil, proporcionando uma perspectiva contemporânea sobre a representação feminina e suas responsabilidades protocolares na esfera pública.
Dez mulheres, ao longo da história, transcenderam o título de segunda-dama para tornarem-se primeiras-damas durante os mandatos de seus esposos na presidência. A pioneira nesse percurso foi Josina Peixoto, esposa de Floriano Peixoto, o primeiro vice-presidente do Brasil em 1891, que mais tarde ascendeu à presidência de 1891 a 1894. Desde então, essa tendência persistiu, destacando mulheres que não apenas desempenharam papéis protocolares, mas que também se tornaram símbolos de influência e engajamento social. Um capítulo notável dessa história é representado por Marcela Temer, esposa de Michel Temer, o 24.º vice-presidente que posteriormente assumiu a presidência de 2016 a 2019.
É interessante notar que, em alguns casos, como o de Mariquita Aleixo, os desafios políticos impediram que o título de primeira-dama fosse oficialmente conferido, devido ao impedimento na posse de seu marido. Já Francisca Ribeiro destaca-se como uma exceção única, sendo primeiro primeira-dama para, posteriormente, assumir o papel de segunda-dama.
A atual segunda-dama brasileira é Lu Alckmin, esposa do 26.º vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin.
História miniaturadaimagem|O vice-presidente Aureliano Chaves com a rainha Beatrix dos Países Baixos (centro) e a segunda-dama Vivi Chaves (direita).|220x220px|alt= O título de segunda-dama emergiu como uma plataforma de mudanças significativas nas últimas décadas. Longe de ser uma mera consorte protocolar, a esposa do vice-presidente desempenha funções que, embora desprovidas de poder legal, adquirem relevância simbólica e social. Essas funções abrangem desde a hospedagem durante recepções na residência vice-presidencial até a presença ao lado do vice-presidente em viagens oficiais, além de diversas responsabilidades cerimoniais.
O desenvolvimento recente desse título é marcado por uma transformação notável. Nos últimos anos, as esposas dos vice-presidentes têm adotado papéis públicos que transcendem as obrigações tradicionais, emergindo como figuras que desafiam expectativas e atraem considerável atenção da mídia.
Um exemplo desse engajamento é observado no ano de 2011, quando Marcela Temer, esposa do 24.º vice-presidente Michel Temer, uniu forças com a ex-presidente Dilma Rousseff para lançar um programa inovador de Prevenção e Tratamento do Câncer de Colo de Útero e de Mama, no Teatro Amazonas.
No contexto da pandemia de COVID-19, Paula Mourão, esposa do 25.º vice-presidente Hamilton Mourão, lançou em abril de 2020, a campanha "Mãos Limpas, Vida Saudável". Em parceria com o Instituto de Cultura Brasileira, a iniciativa buscou arrecadar doações de itens essenciais, como sabonetes e álcool em gel, destinados às pessoas carentes em isolamento social em Brasília.
Lu Alckmin, esposa do 26.º vice-presidente Geraldo Alckmin, destaca-se por seu projeto inovador, a "Padaria Artesanal". Essa iniciativa não apenas ensina técnicas de panificação, mas também estabelece um modelo de capacitação comunitária, utilizando agentes multiplicadores para disseminar conhecimento em suas próprias comunidades. O projeto, marcado por uma colaboração eficaz com a Arquidiocese de Brasília e a iniciativa privada, destaca a independência financeira como uma meta alcançável sem depender de verbas públicas.
Houve 14 períodos de vacância na função, o mais longo atingiu a marca de 16 anos entre Clotilde de Mello Vianna e Beatriz Ramos. Essa vacância teve sua origem na inexistência do cargo de vice-presidente durante a chamada Era Vargas, uma época de transformações políticas e estruturais significativas na história brasileira. O período mais recente sem uma segunda-dama foi entre Marcela Temer e Paula Mourão.
A segunda-dama mais jovem da história foi Maria Thereza Goulart, com 19 anos à época da posse. A mais velha é Lu Alckmin, com 71 anos no dia da posse.
Galeria de casais vice-presidenciais
Segundas-damas que também foram primeiras-damas
Josina Peixoto, esposa de Floriano Peixoto, entre 1891 a 1894. Guilhermina Pena, esposa de Afonso Pena, entre 1906 e 1909. Anita Peçanha, esposa de Nilo Peçanha, entre 1909 e 1910. Maria Pereira Gomes, esposa de Venceslau Brás, entre 1914 e 1918. Francisca Ribeiro, esposa Delfim Moreira, entre 1918 e 1919. Beatriz Ramos, esposa de Nereu Ramos, entre 1955 e 1956. Jandira Café, esposa de Café Filho, entre 1954 e 1955. Maria Thereza Goulart, esposa de João Goulart, entre 1961 e 1964. Marly Sarney, esposa de José Sarney, entre 1985 e 1990. Marcela Temer, esposa de Michel Temer, entre 2016 e 2019.
Esposas que foram segundas-damas de estados brasileiros São Paulo: 1 — Lu Alckmin.
Esposas que foram primeiras-damas de estados brasileiros
Minas Gerais: 5 — Guilhermina Pena, Maria Pereira Gomes, Francisca Ribeiro, Alfida Viana e Vivi Chaves. Maranhão: 2 — Filomena Araújo e Marly Sarney. Pernambuco: 2 — Joana Coimbra e Anna Maria Maciel. Bahia: 1 — Amélia Pereira. Rio de Janeiro: 1 — Anita Peçanha. Santa Catarina: 1 — Beatriz Ramos. São Paulo: 1 — Lu Alckmin.
Esposas que não foram segundas-damas
Ester Brandão, esposa de Silviano Brandão, foi a única que não se tornou oficialmente segunda-dama, visto que seu marido morreu antes de tomar posse.
Outros cônjuges de vice-presidentes do Brasil Dois vice-presidentes ficaram viúvos antes de suas vice-presidências:
Francisco Rosa e Silva foi casado com Maria das Dores Rosa e Silva de 1883 até a morte desta em 1892. Adalberto Pereira dos Santos foi casado com Julieta Pereira dos Santos de 1941 até a morte desta em 1968.
Dois vice-presidentes ficaram viúvos e se casaram novamente antes de suas vice-presidências:
Fernando de Mello Vianna foi casado com Maria José de Melo Viana. Ele posteriormente foi casado com Alfida Viana de 1906 até a morte desta em 1928.
Hamilton Mourão foi casado com Elisabeth Mourão de 1976 até a morte desta em 2016. Ele posteriormente se casou com Paula Mourão em 2018.
Dois vice-presidentes foram divorciados antes de suas vice-presidências:
Itamar Franco foi casado com Ana Elisa Surerus de 1968 a 1978.
Michel Temer foi casado com Maria Célia de Toledo de 1969 a 1987.
Um vice-presidente se casou depois de sua vice-presidência:
Francisco Rosa e Silva foi casado com Heloísa Rosa e Silva de 1911 até 1929.
Lista de segundas-damas do Brasil