é um filme melodrama americano de 1956, adaptação da peça teatral homônima de Robert Anderson lançada em 1953. Dirigido por Vincente Minnelli e produzido por Pandro S. Berman para a MGM em Metrocolor, o longa-metragem conta com trilha sonora de Adolph Deutsch e fotografia de John Alton. Deborah Kerr, John Kerr e Leif Erickson reprisaram seus papéis originais da Broadway. Edward Andrews, Darryl Hickman, Norma Crane, Tom Laughlin e Dean Jones também participaram do elenco em papéis coadjuvantes.

Inicialmente todos pensavam que a peça jamais seria transferida para o cinema já que Joseph Breen, chefe do Código Hays, proibiu a produção. Entretanto, após a sua aposentadoria, Geoffrey Shurlock assumiu o código de produção e permitiu que o longa-metragem fosse finalizado desde que as menções a homossexualidade fossem suavizadas e a personagem da Deborah Kerr tenha final triste pois ela comete adultério. Tea and Sympathy recebeu análises críticas positivas com elogios sendo direcionados a direção, roteiro e atuações sensíveis, e a cinematografia, Porém foi ignorado pelo Óscar.

Enredo Tom Robinson Lee (John Kerr) de dezessete anos, um aluno do último ano em um colégio preparatório para meninos, se vê em conflito com a cultura machista de sua turma, na qual os outros garotos adoram esportes, brincadeiras brutas, fantasiam com garotas e idolatram seu treinador, Bill Reynolds (Leif Erickson). Tom prefere música clássica, lê Candida, vai ao teatro e, em geral, parece se sentir mais à vontade na companhia de mulheres.

Os outros garotos atormentam Tom por suas qualidades "pouco masculinas" e o chamam de "sister boy", e ele é tratado com insensibilidade por seu pai, Herb Lee (Edward Andrews), que acredita que um homem deve ser másculo e que seu filho deve se encaixar com os outros garotos. Apenas Al (Darryl Hickman), seu colega de quarto, trata Tom com alguma decência, percebendo que ser diferente não é o mesmo que ser pouco masculino. Essa tensão crescente é observada por Laura Reynolds (Deborah Kerr), esposa do treinador. Laura tenta criar um vínculo com Tom, frequentemente o convidando para tomar chá a sós, e acaba se apaixonando por ele, em parte por suas muitas semelhanças com seu primeiro marido, John, que morreu na Segunda Guerra Mundial.

A situação se agrava quando Tom é instigado a visitar a prostituta local, Ellie (Norma Crane), para dissipar as suspeitas sobre sua sexualidade, mas as coisas dão errado. O escárnio e o desprezo dela por sua ingenuidade o levam a tentar suicídio na cozinha da mulher. Seu pai chega da cidade para se encontrar com o reitor sobre a iminente expulsão de Tom, tendo sido alertado sobre as intenções do filho por um colega de classe. Presumindo o sucesso do filho, ele se vangloria do triunfo sexual do rapaz e do salto consagrado pelo tempo para a masculinidade, até que os Reynolds o informam do contrário. Laura sai em busca de Tom e o encontra onde ele costuma ir para refletir, perto do campo de golfe. Ela tenta confortá-lo, aconselhando-o de que um dia ele terá uma esposa e uma família, mas o protagonista está inconsolável. Ela começa a ir embora, mas retorna, pega sua mão, eles se beijam e ela diz: "Daqui a alguns anos, quando você falar sobre isso, e você falará, seja gentil".

Dez anos no futuro, Tom, agora adulto, um escritor bem-sucedido, retorna ao seu antigo colégio preparatório. A cena final mostra Tom visitando seu antigo treinador e diretor para perguntar por Laura. Bill lhe diz que a última vez que ouviu falar dela foi em algum lugar no oeste, mas que tem um bilhete de Laura para Tom, que ela incluiu em sua última carta para Bill. Tom abre o bilhete do lado de fora e descobre que ela o escreveu depois de ler seu romance publicado, baseado em sua época no colégio e no relacionamento deles. Após o momento de paixão, ela conta a Tom que não teve escolha a não ser deixar Bill e, como Tom escreveu em seu livro, "a esposa sempre guardou seu afeto pelo rapaz".

Elenco Deborah Kerr como Laura Reynolds John Kerr como Tom Robinson Lee Leif Erickson como Bill Reynolds Edward Andrews como Herb Lee Darryl Hickman como Al Norma Crane como Ellie Martin Dean Jones como Ollie Jacqueline deWit como Lilly Sears Tom Laughlin como Ralph Ralph Votrian como Steve Steven Terrell como Phil Kip King como Ted Jimmy Hayes como Henry Dick Tyler como Roger Don Burnett como Vic

Produção Robert Anderson, o autor da peça, também foi o roteirista do filme. Devido ao Código Hays, a homossexualidade não é mencionada explicitamente na versão cinematográfica. Em 1956, Bob Thomas da Associated Press, escreveu que "muitos disseram que [a peça] nunca poderia ser transformada em filme". Deborah Kerr afirma que o roteiro "contém todos os melhores elementos da peça. Afinal, a peça era sobre a perseguição de uma minoria, não era? Esse ainda continua sendo o tema do filme". No longa-metragem, o clímax da história é descrito como ocorrendo em uma "clareira arborizada", enquanto na peça original a cena se passa no quarto do dormitório do estudante.

Análise de temas Tea and Sympathy é um filme sobre a construção social da masculinidade e as pressões para se enquadrar em um ideal rígido de “homem de verdade”. Tom é ridicularizado por seus pares por preferir música clássica, literatura e atividades culturais em vez de esportes ou entretenimentos tidos como “masculinos”, o que o leva a sofrer bullying homofóbico. Esse conflito reflete como a sociedade da década de 1950 vigorosamente delimitava comportamentos aceitáveis para homens e associava sensibilidade e gentileza a fraqueza ou desvio. Apesar das censuras do Código Hays, o roteiro de Chá e Simpatia não vilaniza Tom, o que impede do personagem de cair nos esteriótipos de queer coding. De acordo com Eva O'Dea do Filme InSesion: "O público, tanto moderno quanto contemporâneo, entenderá que a história condena abertamente os colegas de classe de Tom, ao mesmo tempo que demonstra empatia por sua personalidade peculiar".

O website Plano Crítico compara o longa-metragem as obras de Douglas Sirk com Vicente Minnelli usando o melodrama, gênero caluniado como "filme de mulherzinha" para tecer críticas sociais a sociedade americana. O historiador Emanuel Levy compara Chá e Simpatia aos primeiros filmes do diretor Elia Kazan.

Recepção Bosley Crowther do The New York Times, deu ao filme uma crítica positiva e considerou que era fiel à peça, apesar das óbvias alterações do Código Hays. No entanto, Crowther considerou que a adição de um pós-escrito com "uma carta de desculpas da 'mulher caída'" era "moralista... puritana e desnecessária", e recomendou que os espectadores saíssem após a frase "Daqui a alguns anos, quando você falar sobre isso — e vocês falará —, seja gentil". No website agregador de críticas Rotten Tomatoes o longa-metragem tem 82% de aprovação da crítica especializada com base em 11 análises.

Tea and Sympathy é reconhecido pelo American Film Institute nas seguintes listas:

2002: AFI's 100 Years... 100 Passions – Nomeado 2005: 100 Anos de Filmes da AFI... 100 Frases Marcantes: Laura Reynolds (Deborah Kerr): Years from now, when you talk about this -- and you will -- be kind (tradução literal: Daqui a alguns anos, quando você falar sobre isso -- e você falará -- seja gentil") – Indicada

Bibliografia Gerstner, David. "The Production and Display of the Closet: Making Minnelli's Tea and Sympathy." Film Quarterly 50.3 (1997): 13–26.

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