Tubarão é um município brasileiro localizado no sul do estado de Santa Catarina. Situa-se na latitude 28º28'00" sul e longitude 49º00'25" oeste e está a uma altitude média de 9 metros acima do nível do mar, com área de 301,755 km². De acordo com o IBGE, a população total registrada no último recenseamento, de 2010, era de 97.235 habitantes. Conforme estimativa do mesmo IBGE, em 2019 o município teria 105 687 moradores.

O nome da cidade deve-se ao rio Tubarão, que em tupi-guarani era chamado Tubá-Nharô, "pai feroz". Outra versão corrente relaciona ainda este nome com o de um cacique muito influente que habitava a região. Não se relaciona, porém, ao animal homônimo.

História

thumb|esquerda|A antiga e a nova catedral de Tubarão. A catedral antiga, na esquerda da foto, foi demolida em 1971. Com a abertura do caminho entre Lages e Tubarão, por volta de 1773, iniciou-se o povoamento da cidade. O rio Tubarão era parte da rota Lages/Laguna, tendo como ponto de parada os portos do "Poço Fundo" e do "Poço Grande", ambos na região da atual Tubarão. Em agosto de 1774, duas sesmarias, com área de uma légua quadrada cada uma, situadas no atual perímetro urbano, foram doadas ao capitão João da Costa Moreira e ao sargento-mor Jacinto Jaques Nicós,Jacinto Jaques Nicós, falecido em 27 de maio de 1792, foi personalidade de destaque em Desterro, atual Florianópolis, de acordo com Osvaldo Rodrigues Cabral, As Defesas da Ilha de Santa Catarina no Brasil-Colônia. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1972, página 57.Filho de João Jaques Nicós e de Dorotéia Maria Jaques, nasceu na freguesia de São Nicolau da cidade do Porto, indo para a Ilha de Santa Catarina junto com os que, em 1737, acompanharam o capitão Antônio de Oliveira Bastos, seu tio e comandante da primeira guarnição paga. Casou com Ana Joaquina da Silva, e tiveram os filhos padre Joaquim José Jaques Nicós, capitão José Joaquim Jaques Nicós, Francisco Jaques Nicós e Caetana Joaquina da Encarnação. Irmão instituidor da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos em Florianópolis, pertenceu à Ordem Terceira, sendo sepultado na sua capela. Henrique Fontes, A Irmandade do Senhor dos Passos e o seu Hospital, e Aquêles que os Fundaram. Edição do Autor : Florianópolis, 1965. Página 308. marcando o início efetivo do povoamento.

Em 1833 já existia o distrito de Poço Grande do Rio Tubarão e em 7 de maio de 1836 foi criada a paróquia de Nossa Senhora da Piedade de Tubarão, Lei nº 32. Tubarão desmembrou-se de Laguna pela Lei Provincial nº 635, de 27 de maio de 1870. A imigração europeia, a implantação da EFDTC - Estrada de Ferro Donna Thereza Christina e a criação da comarca de Tubarão (Lei 745, de 19 de abril de 1875), foram responsáveis diretos pelo desenvolvimento econômico do município.

Em 1974 o município foi atingido por uma catastrófica enchente. Causou a morte de 199 pessoas e desalojou 60 mil dos 70 mil habitantes da cidade. Historiando essa catástrofe, há o livro "Tubarão 1974 - Fatos e Relatos da Grande Enchente", do escritor catarinense César do Canto Machado.Elias Theodor Mateus, Calamidade pública em uma cidade submersa: a imprensa e a Enchente de 1974 (Tubarão – SC). Revista Hydra, vol. 1, n. 2, agosto de 2016.

Enchente de 1974 300px|miniatura|esquerda|Monumento às vítimas da enchente de 1974

Entre as informações desencontradas, oficialmente são registradas 199 mortes. Não existe uma lista oficial com a identificação dos mortos. No Arquivo Público e Histórico Amadio Vettoretti estão depositados os registros de 58 certidões de óbito decorrentes da enchente.Entrevista com o auxiliar administrativo do Arquivo Público e Histórico Amadio Vettoretti Joel Köenig de Souza, entrevistado em 5 de fevereiro de 2018.

308x308px|miniatura|direita|Monumento em lembrança aos mortos da enchente de 1974 no Cemitério Horto dos Ipês

Economia Tubarão destaca-se por ser o segundo centro comercial do sul do estado, principalmente na área de cerâmica. Destaque também para o turismo, centrado em suas estâncias hidrominerais.

Tubarão é importante polo comercial da região e foi durante muitos anos sede da EFDTC. (Em 1884 foi concluída a Estrada de Ferro Donna Thereza Christina, pioneira na então Província de Santa Catarina, com a extensão de 112 km, originária de uma concessão obtida pelo Visconde de Barbacena, com o objetivo de transportar o carvão de pedra das minas para o Porto de Imbituba). Atualmente a ferrovia não conta mais com a importância do passado, mas apresenta grande valor na cultura local. Em função dos anos em que era a principal forma de transporte da região, foi fundado um museu ferroviário que possui até locomotivas produzidas desde o século XIX.

A alta sociedade de Tubarão é formada pelas família Bittencourt e Meneghel.

Turismo Tubarão tem uma boa infraestrutura urbana e seu potencial turístico concentra-se nas águas termais, canalizadas para confortáveis hotéis e no meio rural, com destaque para a localidade de Rio do Pouso, onde pode-se passar agradáveis horas em contato com a natureza e com a cultura e culinária do local. Pólo de integração da região, oferece passeios turísticos mensais nas locomotivas Maria-Fumaça pela Ferrovia Teresa Cristina, ligando as cidades de Imbituba, Laguna, Criciúma e Urussanga. O percurso liga estas cidades às praias, à subida da Serra do Rio do Rastro, aos monumentos históricos e às tradições das etnias que ajudaram a povoar a região. É mantida pela Rede Ferroviária Federal. A ferrovia, situada entre a serra e o mar, às margens do rio Tubarão, tem como um dos seus atrativos as inúmeras pontes. Conheça a Praça Dona Thereza Christina, inaugurada em 1884, por ocasião do centenário da ferrovia do mesmo nome, a ponte pênsil localizada em frente à Universidade e o Centro Municipal de Cultura, que agrega um museu em homenagem a um dos maiores pintores catarinenses: Willy Zumblick, além de exposições paralelas, aulas de artes plásticas e cênicas e uma galeria dedicada à história do município. Além destes, Tubarão possui um grande centro de comércio da região sul do estado: o Farol Shopping. O shopping tornou-se famoso pela sua estrutura, suas ofertas de comércio, de empregos múltiplos e até 2016 era intitulado de "o maior empreendimento deste porte da região sul de Santa Catarina".

Agricultura Houve na região sul do Estado, um sistema de grandes plantações de monocultura, de produção voltada para o exterior, em grandes propriedades com elevado número de escravos, a exemplo do que aconteceu na Região Nordeste e Região Sudeste do Brasil. Em Tubarão, alguns abastados, residentes em Laguna, geralmente comerciantes, adquiriram as melhores áreas de terra. Estes usufruíram do fruto do trabalho dos arrendários. Acrescenta-se que, além do arrendatário, a outra parte da produção era executada por trabalho escravo, o que não aparece nos documentos oficiais.

Na ordens sucessiva dos colonizadores que se utilizavam da agricultura, o desenvolvimento dos pioneiros vicentistas foi inexpressivo devido ao seu contínuo deslocamento para o Rio Grande do Sul onde se envolveram com a pecuária.

Os açorianos não desenvolveram uma agricultura satisfatória. Isso se deve as suas origens e convivência e familiaridade com o mar eram atraídos a povoar as margens dos rios e das lagoas que formavam as únicas vias de comunicação, além do oceano.

Cita-se que, por volta de 1750, houve uma tentativa de plantio de cânhamo e linho às margens do rio Tubarão, sem especificar o local, mas que foi abandonada a seguir.

Geografia Tubarão se localiza no sul do estado de Santa Catarina, a 66 km de Criciúma e 133 km de Florianópolis. Algumas das cidades próximas são Gravatal, Treze de Maio, Jaguaruna, Pedras Grandes, Laguna, Capivari de Baixo, São Ludgero, Orleans.

A cidade é rica em belezas naturais. Conheça também as termas de Tubarão. Nas Termas do Rio do Pouso, a alguns minutos do centro da cidade, um hotel-fazenda oferece muitas opções de lazer e de práticas esportivas, além de piscinas de água mineral. Nas Termas da Guarda, entre a Serra do Mar e o Litoral, a água termal jorra à temperatura de 36 °C, canalizada em piscinas e banheiras.

Fauna Tubarão é um dos habitat de um animal muito conhecido no sul do Brasil, a capivara. Este animal é tão numeroso e querido pelos tubaronenses, que foi criada a Festa da Capivara, que hoje em dia é realizada na cidade de Capivari de Baixo, pois quando se realizou a primeira Festa da Capivara, Capivari era apenas um bairro pertencente a Tubarão. A capivara é encontrada ao longo de toda a margem do rio Tubarão, sendo que, muitas vezes, devido ao alto volume de água do rio, pode-se encontrar as capivaras à beira das estradas que margeiam o rio. Atualmente vive-se uma situação negativa por conta dos grandes roedores, que pela cidade situar-se principalmente a beira do Rio Tubarão, acabam por cruzar estradas e rodovias fazendo com que aconteçam acidentes.

Altitude A altitude média na sede do município é de 9 metros acima do nível do mar e o ponto culminante é o morro do Martinelli, com 540 metros (Rio do Pouso Alto).

Clima

Subtropical, com temperatura média anual de 19,5 °C, sendo a média das máximas de 23,6 °C e a média mínima de 15,5 °C. Pluviosidade: A precipitação média anual é de 1.493 centímetros cúbicos, sendo abril e maio os meses de menor precipitação. Possuem Verões quentes com temperaturas passando dos 35 °C e Invernos Amenos com temperaturas mínimas abaixo dos 10° e podendo chegar a valores próximos ou igual a 0 °C. A geada ocorre em todos os anos, em média de 7/10 vezes ao ano, sendo 3 de forte intensidade nos bairros mais afastados do centro da cidade. A neve é muito rara na região de Tubarão, nevou bem fraco com garoa em julho de 1955 e no ano de 1984 nos morros da Guarda. No ano de 1990 nevou nos municípios de Braço do Norte (Pinheiral), Santa Rosa de Lima e São Martinho, em 2010 na região mais alta de Grão-Pará, Orleans e Santa Rosa de Lima.

Ventos No verão, quando o quociente barométrico é mais acentuado, os ventos sopram com mais constância e regularidade. Naturalmente, são ventos predominantes dos quadrantes leste-atlântico para o continente.

O outono é a estação menos ventosa e isso se explica pelo equilíbrio entre valores barométricos no atlântico e no continente, com conseqüência a diminuição das massas de ar. No inverno, devido à predominância de outra área de alta pressão no interior do continente, a componente de ventos do oeste adquire importância, podendo ultrapassar a soma de velocidade dos ventos de leste.

A predominância dos ventos na região é a seguinte: 37,5 % ocorrência dos ventos Nordeste 15,6 % ocorrência dos ventos Sul 13,2 % ocorrência dos ventos Sudoeste.

Acidentes geográficos O rio Tubarão é o principal do município. Sua linha de escoamento corta a cidade com uma secção média de 115 metros de largura, uma profundidade que varia de 2 metros a 10 metros e uma vazão de 5,2 metros cúbicos por segundo. Outros rios que cortam o município de Tubarão são o rio Capivari, rio Corrêas, rio do Pouso, rio Alto Pedrinhas, rio Caruru, rio Ilhota e rio Congonhas.

Educação Sendo Tubarão um pólo de convergência de todas as vias de comunicação, motivou a formação de um centro estudantil que atende uma clientela da região, que necessite frequentar cursos mais elevados. Na década de 1930 sobressaiam o Colégio São José (1895) e o Grupo Escolar Hercílio Luz (1920), na década de 1940, o Ginásio Sagrado Coração de Jesus, depois Colégio Dehon. Na década de 1950, a Escola Técnica do Comércio, cuja congregação idealizou e implantou o ensino superior, origem da Unisul. Este quarteto, com modalidades específicas de ensino, atraia estudantes do sul catarinense, formando assim a base ativa e histórica para a criação e desenvolvimento de cursos de nível superior que iniciou pelo IMES em 1964, transformado em FESSC em 1967 e finalizando na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) em 1989.