PetroBowl é uma competição acadêmica de perguntas e respostas promovida pela Society of Petroleum Engineers (SPE) entre equipes de seus capítulos estudantis. Disputada em formato de quiz de resposta rápida, a competição abrange assuntos técnicos e não técnicos relacionados à indústria de petróleo e gás, como engenharia de reservatórios, perfuração, produção, geologia, história da indústria, economia e conhecimentos gerais do setor.
Criado em 2002 pela SPE Gulf Coast Section, o PetroBowl foi inicialmente realizado como uma competição associada à SPE Annual Technical Conference and Exhibition (ATCE). A partir de 2013, a SPE passou a testar uma estrutura de qualificações regionais e, em 2015, o torneio adotou uma organização internacional baseada em seis regiões classificatórias. Esse sistema permaneceu até 2025: seletivas locais ou nacionais, quando existentes, alimentavam os torneios regionais, cujas equipes classificadas avançavam ao PetroBowl Championship, a etapa internacional disputada durante a ATCE.
Desde 2026, a competição deixou de possuir uma final internacional. Os campeonatos regionais passaram a constituir o nível mais alto do programa, e seus vencedores são reconhecidos pela SPE Internacional. A entidade atribuiu a mudança, entre outros fatores, às dificuldades de participação presencial na antiga etapa mundial, incluindo restrições de visto e aumento dos custos de viagem.
História
Criação e primeiros anos (2002–2012)
O PetroBowl foi criado em 2002 pela SPE Gulf Coast Section e passou a ser realizado anualmente em associação com a ATCE. Durante a primeira década, a competição permaneceu fortemente concentrada em universidades norte-americanas. Entre 2002 e 2012, todos os campeões eram dos Estados Unidos, com destaque para a Universidade de Oklahoma, a Colorado School of Mines e a Universidade do Texas em Austin.
thumb|right|309x309px|A Universidade de Oklahoma é a instituição com mais títulos do antigo PetroBowl Championship, com seis conquistas: 2007, 2008, 2010, 2020, 2021 e 2022.
Apesar dessa concentração inicial, capítulos estudantis de outros países começaram a desenvolver competições e equipes próprias. No Brasil, por exemplo, já existia uma etapa nacional antes da implantação do sistema internacional de qualificatórias regionais. Em 2012, essa competição chegou à sua quinta edição: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) havia vencido as quatro primeiras, enquanto a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo conquistou o torneio de 2012. Essas disputas nacionais ainda não formavam, porém, uma etapa obrigatória e padronizada do programa mundial.
Internacionalização e qualificatórias regionais (2013–2015)
O crescimento da participação fora dos Estados Unidos levou a SPE a reorganizar o PetroBowl. Em 2013 foram iniciados projetos-piloto de competições regionais e, em 2014, a competição atravessou um período de transição no qual África e Ásia-Pacífico já possuíam qualificatórias próprias, enquanto outras equipes ainda podiam chegar à final por processos distintos.
Em 2015, a estrutura regional foi ampliada para seis qualificatórias — América do Norte, América do Sul e Caribe, África, Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacífico. Naquele ano, 103 equipes de 28 países participaram das seletivas, e os melhores colocados avançaram para a etapa internacional em Houston.
thumb|385x385px|A Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) tornou-se, em 2015, a primeira campeã internacional de fora dos Estados Unidos. Com quatro títulos, é a universidade latino-americana mais vitoriosa no antigo campeonato mundial.
A edição de 2015 também marcou uma mudança simbólica na história da competição: a Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) tornou-se a primeira universidade de fora dos Estados Unidos a conquistar o título internacional.
Consolidação do campeonato mundial (2016–2019)
A partir de 2016, a estrutura baseada em classificatórias regionais passou a definir de maneira mais clara o caminho até o campeonato internacional. Naquele ano, 125 equipes participaram das seis qualificatórias e 36 foram selecionadas para a etapa final, realizada em Dubai.
A UFRJ venceu a edição de 2016 e tornou-se a primeira universidade sul-americana campeã do PetroBowl. A campanha brasileira ilustrou a estrutura competitiva então vigente: a equipe disputou primeiro o PetroGames no Brasil, avançou para a qualificatória regional realizada na Argentina e, depois de vencer o torneio regional, seguiu para a final mundial em Dubai.
A UNAM voltou a vencer em 2017 e 2018, enquanto a Louisiana State University conquistou o título em 2019. A expansão regional fez com que a fase internacional passasse a reunir regularmente universidades de diferentes continentes.
Edições virtuais e últimos campeonatos internacionais (2020–2025)
Em 2020 e 2021, durante a pandemia de COVID-19, o campeonato internacional foi realizado virtualmente. A Universidade de Oklahoma venceu as duas edições e voltou a conquistar o torneio em 2022, em Houston.
A UNAM conquistou seu quarto título em 2023. Em 2024, com o retorno do evento totalmente presencial, 32 equipes classificadas nas regionais foram convidadas para a competição em Nova Orleães; 22 conseguiram participar. A UFRJ derrotou a University of Indonesia na final e conquistou seu segundo título, oito anos depois da vitória de 2016.
thumb|left|250px|O Ernest N. Morial Convention Center, em Nova Orleães, recebeu a ATCE de 2024 e o PetroBowl Championship daquele ano, vencido pela UFRJ.
O último PetroBowl Championship internacional ocorreu em 20 de outubro de 2025, em Houston. A Universidad de Buenos Aires (UBA) conquistou o primeiro título da Argentina, a UFRJ foi vice-campeã e a IFP School, da França, terminou em terceiro lugar.
Reorganização a partir de 2026
Em 2025, a SPE decidiu descontinuar o campeonato internacional realizado durante a ATCE. A mudança entrou em vigor na temporada de 2026. Desde então, os campeonatos regionais deixaram de funcionar como classificatórias para uma fase mundial e passaram a ser as competições finais de cada super-região.
A estrutura regional de 2026 compreende África, Ásia-Pacífico, Europa–Rússia–Cáspio, América Latina e Caribe, Oriente Médio e América do Norte. A organização de cada campeonato é feita em colaboração entre a SPE, seus diretores regionais e membros locais, de modo que procedimentos e formatos podem variar entre as regiões.
Estrutura da competição
A estrutura do PetroBowl mudou ao longo de sua história. Em particular, uma etapa nacional nunca foi uma fase universal e obrigatória em todos os países. Seletivas nacionais ou locais são organizadas apenas onde a estrutura dos capítulos estudantis e das seções da SPE torna esse nível de competição necessário ou conveniente.
Período Estrutura predominante Característica 2002–2012 Competição ligada à ATCE O campeonato era concentrado na etapa realizada durante a conferência; competições nacionais podiam existir paralelamente, mas ainda não integravam um sistema global padronizado. 2013–2014 Transição para qualificatórias regionais A SPE iniciou projetos-piloto e ampliou gradualmente as seletivas fora da América do Norte. 2015–2025 Seletiva local/nacional, quando existente → Regional → Campeonato Internacional Seis regiões classificavam equipes para o PetroBowl Championship realizado na ATCE. Desde 2026 Seletiva local/nacional, quando existente → Campeonato Regional Os campeonatos regionais passaram a ser a etapa final do programa; não existe mais uma final internacional.
thumb|right|250px|O George R. Brown Convention Center, em Houston, sediou a ATCE de 2025, durante a qual foi disputada a última edição internacional do PetroBowl Championship.
Formato das partidas
As equipes representam capítulos estudantis da SPE e respondem a perguntas técnicas e não técnicas em um sistema de resposta rápida. O acionamento de campainhas ou dispositivos equivalentes permite que os jogadores respondam antes das equipes adversárias, e respostas incorretas podem acarretar perda de pontos, de acordo com o regulamento da edição.
Os procedimentos de competição, composição das equipes, critérios de desempate, recursos e formato das chaves podem variar entre regiões e temporadas. A própria SPE observa que os campeonatos regionais são organizados de acordo com os recursos e instalações disponíveis em cada região.
PetroBowl no Brasil
Formação da etapa nacional
O Brasil desenvolveu uma competição entre capítulos estudantis antes da criação do sistema mundial de qualificatórias regionais. A fonte mais antiga aqui utilizada registra que, em 2012, o torneio brasileiro chegou à quinta edição. A UFRJ havia vencido as quatro primeiras edições, enquanto a Poli-USP conquistou o título de 2012 ao superar a UFF na final.
thumb|right|250px|A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é a universidade brasileira mais vitoriosa no PetroBowl Championship, com os títulos de 2016 e 2024; em 2025, foi vice-campeã.
Com a internacionalização do PetroBowl, a competição brasileira passou progressivamente a funcionar como parte do caminho para a etapa regional. Em 2015, o Brasil sediou no Rio de Janeiro a qualificatória da América Latina e Caribe, com 19 equipes. A UNAM, do México, venceu a competição e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) terminou em segundo lugar; ambas avançaram para o campeonato internacional daquele ano, em Houston.
Na década de 2010, a seletiva nacional brasileira passou a ser realizada sob o nome PetroGames. Em 2016, a final nacional foi disputada entre UFRJ e UENF; a UFRJ recebeu apoio para disputar o Regional Qualifier na Argentina, venceu também essa etapa e posteriormente conquistou o PetroBowl Championship em Dubai. A sequência — PetroGames, regional e campeonato mundial — tornou-se um exemplo claro da estrutura de três níveis vigente até 2025.
O PetroGames continuou sendo utilizado como seletiva nacional em edições posteriores. Em 2019, a SPE Brasil realizou etapas nacionais do evento no Rio de Janeiro; em 2021, devido às restrições da pandemia, promoveu a primeira edição virtual; e em 2023 voltou a descrevê-lo como evento eliminatório para o PetroBowl Regional Qualifier. Desempenho brasileiro no campeonato internacional
O Brasil conquistou dois títulos na antiga etapa internacional, ambos com a UFRJ. A primeira vitória ocorreu em 2016, em Dubai, e a segunda em 2024, em Nova Orleães. Na última edição mundial, em 2025, a UFRJ chegou novamente à final e terminou como vice-campeã diante da Universidad de Buenos Aires.
Ano Universidade Resultado Local 2016 UFRJ Campeã Dubai, Emirados Árabes Unidos 2024 UFRJ Campeã Nova Orleães, Estados Unidos 2025 UFRJ Vice-campeã Houston, Estados Unidos
Campeões internacionais (2002–2025)
A tabela apresenta os vencedores do PetroBowl Championship, etapa internacional existente de 2002 a 2025.