A Revista Gallega (subtitulada em galego: Semanario de literatura é intereses regionales) foi um semanário bilíngue galego, publicado dominicalmente em CorunhaFoi publicada aos sábados, por meio da chamada Lei do descanso dominical, entre as edições RG 496 (17.09.1904) e a RG 576 (31.03.1906).. Foi fundado em 1895 por Galo Salinas Rodríguez e teve sua última edição em 1907, totalizando 640 números publicados. Autoproclamado "Órgão oficial da Liga Galega em A Corunha", durante seus doze anos de história constituiu-se na publicação emblemática do regionalismo liberal nesta cidadeMáiz (1984: 170-176); Molina (1989: 114-123); Barreiro (1993).

História e características Foi dirigida por Galo Salinas Rodríguez, proprietário e fundador da mesma, como também figurava no cabeçalho do semanário; e faziam parte da equipe de redação Uxío Carré Aldao, Eladio Rodríguez González, Florencio Vaamonde Lores e Francisco Tettamancy Gastón (1975: 426); (1984: 171); (1989: 114); (1990: 328).. Outros jornalistas, como Salvador Golpe Varela, Waldo Álvarez Insua e Manuel Lugrís Freire foram colaboradores próximos. miniatura|esquerda|Galo Salinas, fundador, proprietário e diretor.

Redação A sede da redação e administração da Revista Gallega foi habitualmente a Livraria Regional de Carré AldaoRua Real 30; RG 1 (17.03.1895: 1) e ss. Em outubro de 1900 esta livraria trasladou-se ao número 31 da rua Real; RG 292 (21.10.1900: 6) e ss. E em julho de 1903 à rua Rego de Auga 16; RG 432 (28.06.1903: 1) e RG 433 (05.07.1903: 1) e ss. A Librería Regional de Carré permaneceria neste local do Rego de Auga até o seu fechamento definitivo em 1908. Só nas últimas semanas de vida (dez números) se levou a redação e impressão às oficinas de Fortunato García Ybarra (rua Real 66), quem além disso se encargou da administração da publicação e introduziu no mesmo importantes novidades gráficas; RG 630 (21.04.1907: 1 e 6) a RG 640 (30.06.1907: 1 e 6)., nos mesmos locais em que se desenvolviam as célebres tertúlias da Cova Céltica, centrados desde o seu traslado à Corunha ao redor da figura de Manuel Murguía, e onde muitas iniciativas em prol do Ressurgimento político e cultural da Galiza foram idealizadas, entre elas a própria Revista Gallega<ref>: Víctor Said Armesto (1917: 12-14); ver também: “Carré Aldao”, GEG (VIII: 55); “Cova Céltica”, GEG (XII: 183); “Cova Céltica”, DLG IV (2004: 375-376).</ref>. miniatura|"Aos académicos lusitás", RG 360, 9/2/1902.

Colaboradores Contou com uma ampla lista de colaboradores, do mais alto nívelDLG II (1997: 421-422).Nela colaboraron cáseque todos os escritores galegos do seu tempo (Nela colaboraram praticamente todos os escritores galegos de seu tempo)(…); (1975: 426). La flor y nata de la intelectualidad gallega (…); (1993)., como Eladio Fernández Diéguez, Evaristo Martelo Paumán, Lisardo Rodríguez Barreiro, Heraclio Pérez Placer, Alfredo Brañas, Manuel Amor Meilán e Aurelio Ribalta, bem como uma notável presença feminina, como Valentina Lago-Valladares, Filomena Dato Muruais, Sofía Casanova, Emilia Pardo Bazán, Elvira Novo García, María Barbeito, Fanny Garrido, Dolores de Gortázar Serantes, Rosalía Castro, Narcisa Pérez Reoyo, dentre outros.

Conteúdo Além de narrativa e poesia, o semanário publicou artigos sobre economia, política e sociedade, língua e literatura, teatro galego, emigração, história do jornalismo na Galiza, como também interessantes fotografias. A partir de 7 de março de 1897 (RG 105) começou a publicar uma Seção Bibliográfica que vinha suprir ao desaparecido Boletín Bibliográfico de la Librería Gallega. A Revista Gallega continha um extenso e múltiplo fundo documental, devido às muitas matérias as quais se ocupou (1989: 133)., bem como tinha destacada a sua modernidade editorial, senso crítico e inusitada estabilidade (1975: 426). (1981: 158). Supo conciliar la defensa de un ideario regionalista con la modernidad editorial, ya que estamos ante una publicación urbana, moderna, crítica y de gran contenido cultural; (1993). Segundo (1989: 114), a publicidade foi o principal sustento econômico do jornal; ver também, com relação à publicidade na RG, (1981: 155).. Coincidindo com o oitavo aniversário da Revista, na edição de 15 de março de 1903 (RG 417), começou a publicar o folhetim Luisa - Páginas de un sacrificio, que não estava assinado.

Orientação Ideológica Durante sua existência, a Revista Gallega reuniu um considerável prestígio jornalístico, e constituiu-se na publicação emblemática do regionalismo liberal e progressista que confluía na capital corunhesaEstas razones (…), permiten destacar a la REVISTA GALLEGA muy por encima de cualquier otra publicación, pues de las 12 restantes que había en La Coruña en 1896, la REVISTA era la de mayor prestigio, pues no sólo las revistas de La Coruña reproducían sus artículos, sino las de otras provincias [gallegas] (…), continentes (…), y de otras regiones españolas (…); (1981: 158). Esta revista é unha das publicacións culturais e políticas más importantes do século XIX en Galicia; (1989: 114). Una de las más importantes publicaciones literarias salidas de Galicia; (1995: 133). e constituiu-se na publicação emblemática do regionalismo liberal e progressista que confluía na capital corunhesa (1984: 170-176); (1989: 114-123); (1993); entre o 14 de novembro de 1897 (RG 140) e o 10 de julho de 1898 (RG 174) proclamou-se Órgano oficial de la Liga Gallega en la Coruña (como assim figurou no cabeçalho, em vez da propriedade do jornal, entre os citados números), acentuando as suas posições a respeito da normatização da língua galega e de seu ensino, assim como a publicação de textos neste idioma (1981: 155); GEG (XXXVIII: 113); DLG II (1997: 421-422).. Entre as edições do dia 14 de novembro de 1897 (RG 140) e 10 de julho de 1898 (RG 174) proclamou-se "Órgão oficial da Liga Galega em A Corunha", publicando estas palavras também em seu cabeçalho durante os citados números, acentuando suas posições a respeito da normalização da língua galega e o seu ensino, assim como a publicação de textos neste idioma. Contudo, e apesar de sua manifesta vocação bilíngue, o predomínio do espanhol em suas páginas é absoluto, e o espaço ocupado pela língua galega na revista oscilou conforme o ritmo das vicissitudes políticas do regionalismo, observando-se uma progressiva diminuição dos textos em galego, durante o avanço do século XX. Porém, em todos e cada um dos números da Revista Gallega se publicou conteúdo em galego, principalmente o "Palique", normalmente assinado por Janiño ou Xaniño (Galo Salinas)“O púbrico”, RG 640 (30.06.1907: 5), nota assinada por G. Salinas.. Na revista também apareceram um grande número de textos, de diversos gêneros, em catalão e outras línguas europeias. miniatura|N.º 521 (10º aniversário) com seu conselho de redação.

Fim da publicação Depois de 12 anos de inquebrável adesão regionalista“Nuestra bandera”: Es la de Galicia. (…); RG 1 (17.03.1895: 1). “El primer aniversario”: (…) Todo, pero todo por Galicia. Todo, pero todo para Galicia. Ante la amada Región nada. En pos de la Región amada todo. (…); RG 53 (15.03.1896: 1). “El segundo aniversario”: (…) trabajamos en pro de Galicia, y no hay obstáculo por accidentado que fuere que haga decaer nuestro ánimo, porque siempre y á toda hora hemos de hallar alientos para compendiar nuestras aspiraciones en esta frase: ¡VIVA GALICIA!; RG 106 (14.03.1897: 1). “El tercer aniversario”: (…) ¿Qué vino á hacer la REVISTA GALLEGA al iniciar sus pasos en la prensa periódica? Pues vino á hacer patria, á unir voluntades, á tratar de quebrantar antagonismos existentes entre pueblos hermanos, á poner muy en alto el pendón de Galicia… y lo hemos conseguido. Mas nuestras aspiraciones no se contrajeron á que la región gallega fuera una é indivisible: (…). El regionalismo, pues, se abre camino y es ya idea que no espanta, estando todos conformes en que, desnuda del ropaje del platonismo en el que se envolvía, es hoy partido político y como tal dispuesto á la lucha. (…); RG 157 (13.03.1898: 1). “El cuarto aniversario”: (…) El regionalismo ha sido, es y será nuestra divisa y á él hemos confiado la salvación del país. (…); RG 209 (12.03.1899: 1). “El quinto aniversario”: (…) En nuestro corazón hay un solo sentimiento y en nuestro cerebro un solo pensamiento: el amor á la región gallega; el triunfo del regionalismo… (…); RG 261 (11.03.1900: 1). “El sexto aniversario”: La REVISTA GALLEGA ha realizado un milagro: cumplió el sexto año de su vida pública: (…) una senda de sacrificios (…) que enardece á los que tienen fe en sus ideales, si son tan patrióticos como el Regionalismo. (…); RG 312 (10.03.1901: 1). “El séptimo aniversario”: (…) Nuestro credo es hoy el mismo que preconizamos en el primer número de nuestro periódico; todo por la región gallega y todo para la región gallega. (…) á esta región sueño de nuestras ansias todo nuestro amor, toda nuestra adhesión y todos nuestros sentimientos compendiados en esta frase: ¡DIOS Y LA PATRIA GALLEGA!; RG 365 (16.03.1902: 1). “El octavo aniversario”: La REVISTA GALLEGA cumple hoy su octavo año de existencia periodística, consagrada á levantar el buen nombre de esta idolatrada región á la que hemos dedicado todos nuestros esfuerzos y los medios de que pudimos disponer. Solos en la lucha, ni nos arredró [sic] el abandono ni nos importaron los obstáculos (…); RG 417 (15.03.1903: 1). “El noveno aniversario”: (…) recibimos elogios que por entero rendimos ante el altar de la patria de nuestra alma, repitiendo una vez más con la efusión y vehemencia del fanático patriota: ¡VIVA GALICIA!; RG 469 (13.03.1904: 1). “El décimo aniversario”: (…) Aferrados á nuestros ideales nos cupo la suerte de contar con lectores cultos, sensatos y patriotas, y nuestras armas templadas al fuego del entusiasmo avivado por el amor á la región gallega, no se han embotado, y brillantes y pulidas consérvanse tan punzantes y afiladas como cuando la primera vez entraron en lid, y continuarán del mismo modo para defender lo bueno y herir la maldad que solapadamente quiera salirnos al paso, ó con intentos de rebajar á nuestra idolatrada región. (…); RG 521 (11.03.1905: 2). “El undécimo aniversario”: (…) nunca pudiéramos imaginar que aquí, en esta tierra donde tantas revistas apenas vivieron la vida de una flor, pudiese la nuestra sostenerse tantos años y continuar con los mismos arrestos juveniles que cuando comenzamos á luchar en defensa de Galicia. Y es que en cuantos trabajos hemos publicado, pusimos al lado de la honradez de nuestros principios, las palpitaciones de nuestro corazón que late por amor á Galicia (…); RG 574 (17.03.1906: 1). “El duodécimo aniversario”: REVISTA GALLEGA (…) hállase hoy con el mismo vigor, con iguales entusiasmos, con idéntica lozanía que cuando publicó su primer número, cuyo programa ha venido cumpliendo a conciencia, con aquella constancia que caracteriza á los que tienen la persuasión de que llenan un sagrado deber: (…) luchamos por Galicia y no tenemos para que repetir lo que en cientos de veces hemos dicho respecto á los sentimientos que nos mueven hacia la bien amada región, núcleo de nuestras ansias. (…); RG 626 (17.03.1907: 1)., e de superar diversas dificuldades, a Revista Gallega cessou a sua publicação em 30 de junho de 1907 (RG 640), logo após seu diretor aceitar ser cônsul geral da República Oriental do Uruguai em Madrid“Nuestro director”, RG 637 (09.06.1907: 3).. O cargo fora oferecido pelo novo presidente deste país, o conservador reformista Claudio Williman (1907-1911), do Partido Colorado, velho amigo de Salinas desde a sua passagem por Montevidéu“El presidente del Uruguay”, RG 625 (10.03.1907: 1); Salinas emigrou ao Uruguai em 1864, de onde retornaria à Espanha em 1876., e a quem dedicou amplo espaço no último número do jornal.