Doom metal é um subgênero do heavy metal caracterizado por andamentos lentos e guitarras "sujas", que evocam um clima sombrio e apavorante. As bandas deste gênero tiveram muita influência dos primeiros discos do Black Sabbath, e serviram como base para o desenvolvimento de sua música. No ano de 1980 o doom metal foi estabelecido com os trabalhos das bandas Witchfinder General, Pentagram, Saint Vitus, Trouble e Candlemass, esta considerada o expoente máximo do gênero. Na década seguinte, o doom metal diversificou-se com o surgimento de sub estilos como o death/doom e o sludge metal.

História

1970 Em termos de genealogia, a canção "I Want You (She's So Heavy)" dos Beatles pode ter inadvertidamente ter criado o protótipo do que se tornaria o doom metal, mas são os primeiros trabalhos da banda Black Sabbath que fornecem o modelo básico do gênero. Há, no entanto, quem conteste essa posição central que o Sabbath ocupa na criação das bases do doom metal:

Apesar desta afirmação, o Night Sun só veio a lançar um álbum em 1972, dois anos após os dois primeiros álbuns do Black Sabbath, O Zior só lançou um álbum em 71, o Black Widow, apesar de usar termos ocultistas e satânicos, não faziam um som parecido com doom ou heavy metal, tendo um som mais próximo do Jethro Tull, e o Iron Claw tem pouquíssimo material pra ser analisado, e sendo uma banda alemã, nunca teve influencia para o gênero e assim como o Black Sabbath, tinham influências da banda de rock psicodélico Blue Cheer, a banda credita como os pioneiros do heavy metal.thumb|O estilo de guitarra inicial de Tony Iommi foi uma grande influência para o gênero.

Recentemente, o site PopMatters citou "No Quarter" do Led Zeppelin uma "obra-prima" do "proto-doom metal". Considerado o momento ao vivo definitivo da banda - registrado em discos como The Song Remains the Same e Celebration Day - o seu andamento lento, clima sombrio e temática de natureza mítica foi considerado um marco na transição do rock clássico para o heavy metal.

1980 É nos meados da década de 1980 que o movimento começa a tomar forma devido à atuação de grupos como Witchfinder General, Pentagram, Saint Vitus, Trouble e Candlemass. O álbum de estreia do Saint Vitus já continha muitos elementos que definiram o doom metal, entre eles o andamento arrastado das músicas e a produção suja e barulhenta do disco.

O Trouble, fundado em Chicago no ano de 1979, tinha o objetivo explícito de ser tão pesado quanto o Black Sabbath, além disso, o grupo era fortemente influenciado pelo Judas Priest, uma vez que a banda utilizava duas guitarras. O Trouble foi pioneiro no mundo do metal na utilização de afinações mais graves (em ré, no caso, um tom abaixo da afinação padrão). Depois de lançar três discos pela Metal Blade - selo que lançou as carreiras do Slayer, Cannibal Corpse e Mercyful Fate, entre outros - a banda foi relocada para a Def American e teve dois álbuns produzidos por Rick Rubin: o álbum homônimo de 1990 e Manic Frustration, de 1992.

A mais bem sucedida das bandas de doom metal, Candlemass, lançou seu álbum Epicus Doomicus Metallicus em 1986, considerado por muitos um divisor de águas do estilo. Esse álbum mescla as influências do Black Sabbath com tendências mais modernas do metal, como o uso de bumbo duplo na bateria. Além disso, inovaram por ter um vocalista que cantava com um vocal ao estilo operístico, fato incomum para a época, com letras que abordavam temas como tristeza, condenação, fantasia, religião e morte. Com o lançamento de seus discos posteriores – Nightfall, Ancient Dreams e Tales of Creation –, estabeleceram-se como ícones do gênero e formaram o rótulo "epic doom metal".

1990 Em 1991 o Cathedral, grupo por formado por Lee Dorrian (ex-Napalm Death), lançava o Forest of Equilibrium via a Earache Records. Esse disco, hoje, é considerado um clássico do doom metal. De acordo com o próprio Lee Dorrian, o objetivo-mor do primeiro disco do Cathedral era atualizar o som feito pelo Pentagram, Saint Vitus e The Obsessed, reinterpretando-o de forma a refletir uma estética do metal extremo dos anos 1990, exemplificado por suas afinações mais graves e o som ainda mais pesado e deprimente. Dorrian justifica essa direção musical pelo fato dos integrantes da formação do disco serem oriundos das cenas de death metal e grindcore.

Em 1991 também é o ano que o Solitude Aeternus lança o seu primeiro disco, In the Depths of Sorrow, e consolidam o estilo epic doom do Candlemass.

Paralelamente a esses lançamentos, a cena doom nos anos 1990 se diversifica; grupos britânicos como o Paradise Lost, o My Dying Bride e o Anathema misturaram o doom com o death metal nos seus primeiros álbuns e, em seus lançamentos posteriores, misturaram o som produzido à uma sensibilidade gótica, enquanto nos Estados Unidos o Crowbar e o Eyehategod criaram o sludge metal.

Death/Doom

Em 1987 o grupo americano Dream Death lança Journey Into Mystery, considerado um precursor do que viria a ser o death/doom metal. O Dream Death influenciou diretamente grupos como Winter e Cathedral. Foi o Severed Survival (1989) do Autopsy, no entanto, o verdadeiro divisor de águas do estilo. Não só o Autopsy influenciou uma geração inteira do death metal americano, como também foi citado diretamente como referência por grupos importantes do death/doom a exemplo do Paradise Lost, Asphyx, Disembowelment e Esoteric. Temos, por fim, o power trio nova-iorquino Winter. Inspirados pelo Discharge, Carnivore, Celtic Frost, Amebix e Saint Vitus, o Winter lançou o disco Into Darkness em 1990, hoje considerado um marco no cruzamento entre o doom e o death metal. Os lançamentos do trio apelidado Northern Doom – Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema – levaram o death/doom a outro patamar de aceitação no underground.

Paralelo à ascensão do trio "Northern Doom" a cena death/doom expandiu internacionalmente. A holandesa Asphyx lançou o EP The Rack (1991). Na Finlândia, o Amorphis começava sua carreira, e surgia o Thergothon, considerada uma das bandas precursoras do funeral doom, com riffs extremamente lentos, bateria com poucos toques e vocais quase "atmosféricos".

Na Austrália surgia o Disembowelment, que trazia em seu único disco, intitulado Transcendence into the Peripheral, um dos álbuns mais importantes do death/doom. A banda de white metal Paramecium lançou o seu "Exhumed from the Earth"' em 1993, hoje considerado um clássico do gênero.

A Inglaterra continuou a produzir bandas de death/doom, a exemplo do Decomposed e Esoteric. Formada em julho de 1992 em Birmingham, o Esoteric surge dos experimentos dos integrantes com psicotrópicos e as visões e idéias inspiradas por essas substâncias. Apesar do Esoteric definir o seu estilo como um "doom death sombrio" e "psicodélico", o grupo é às vezes classificado como funeral doom.

Sludge metal

No sul dos Estados Unidos é criado o sludge metal, representado pelo Crowbar e Eyehategod.

Gothic metal

Como o doom metal tinha similaridades com o gótico, sua junção foi só uma questão de tempo. O doom metal foi essencial para vir a unir esses dois estilos, e que mais tarde viriam a dar vida a outro gênero do metal, o gothic metal.

O gothic/doom metal inicialmente, era uma fusão entre o doom e o death metal mesclando elementos e temáticas da música gótica. Assim, usava-se o vocal gutural em conjunto a vocais femininos líricos, instrumentos sinfônicos e acústicos. A primeira banda de doom metal a experimentar vocais femininos foi o Paradise Lost em seu álbum Gothic de 1991, inspirada pelo trabalho Into the Pandemonium do Celtic Frost. Em algumas de suas músicas, outras bandas dentro do cenário doom, também já haviam feito outros experimentos: o Anathema com a música "Everwake" do EP Crestfallen de 1992, e no clássico "Serenades" de 1993 com "J'ai Fait Une Promesse" ambas instrumentadas apenas com violões e vocal feminino, e o My Dying Bride que em sua formação tinha um violino, algo raro até então tanto em bandas de metal. Algumas bandas como o Candlemass e o Trouble já haviam feito isso, mas não em sua formação oficial.

Os americanos do Type O Negative também ajudariam a moldar o gothic doom com seu álbum Bloody Kisses (1993). Sua música "Black Nº1" ganhou vários prêmios e colocou os americanos no topo das paradas de sucesso.

Em 1995, o Theatre of Tragedy lança seu álbum de estreia homônimo, também considerado como clássico do gothic doom, com vocais guturais de Raymond e a voz da soprano Liv Kristine, que recebeu o nome de metal "bela e a fera". O Theatre of Tragedy, pioneiro nesse estilo, era também fortemente influenciado pelas bandas de rock gótico dos anos 80, e atribuíram elementos deste à sua música. Outras bandas fizeram parte do chamado metal "bela e a fera", como o Tristania com os álbuns "Widow's Weed", "Beyond the Veil" e "World of Glass", e o Draconian.

2000

Funeral Doom Às vezes confundido com o death/doom, o funeral doom é considerado o mais radical dos subgêneros do doom metal. Winter e Disembowelment foram apontados como precursores, mas foi de fato três bandas finlandesas que ancoraram as bases do estilo: Thergothon, Unholy e Skepticism. Nelas estavam presentes as marcas básicas do gênero: andamentos absurdamente lentos, vocais guturais e letras com temas sobre niilismo, ódio e animosidade. O trio finlandês foi seguido de perto pelo Esoteric na Grã-Bretanha e Evoken nos EUA. A partir de 2001 o funeral doom teve um boom global grandemente impulsionado pela força da internet.

Drone/atmospheric

Nos anos 90 surgiu a banda Earth, originária dos Estados Unidos, que se caracterizou por fazer uma forma extremamente pesada e minimalista de doom metal, conhecida hoje como "drone metal". No drone metal é muito comum o uso de baixos com distorção e guitarras com frequência muito alta, reverberação e feedback causando um som monolítico e repetitivo. A banda Earth foi a pioneira desse gênero, mas foi a banda Sunn O))) que firmou e concretizou o gênero. O drone metal foi influenciado por diversos outros gêneros musicais como o avant-garde e o noise.

A palavra "drone" vem do inglês e é usado para caracterizar um tipo de som único longo e repetitivo. Das bandas que o Earth influenciou, vale citar o Boris que é considerada uma das primeiras bandas a criar o estilo no Japão.

O final da década de 1990 deu espaço a muitos experimentos no doom metal, criando diversos sub estilos. O atmospheric doom metal, uma destas ramificações, foi um subgênero desenvolvido principalmente por The 3rd and the Mortal, que foi uma das primeiras bandas de doom metal a possuir vocais femininos como parte integral de sua música.

Algumas bandas que iniciaram sua carreira como bandas de doom/death metal (como The Gathering, Tristania, Anathema) foram, com o passar do tempo, fazendo experiências e mudando sua sonoridade até se distanciarem do doom metal.

Características Instrumentos

O doom metal usa, no geral, os mesmos instrumentos dos demais géneros derivados do heavy metal: guitarras, baixo e bateria. As bandas mais tradicionais geralmente usam somente um guitarrista, que faz os solos e as partes rítmicas. Os outros subgêneros usam dois guitarristas para dar mais poder à sua música, ainda que nem sempre seja assim. No entanto, são muitas as bandas (normalmente as mais extremas) que intercalam o uso de teclados, assim como elementos sinfónicos como flautas, violinos e harpas. Também há vários grupos que adicionam sons gerados por sintetizadores, como os grupos de drone/doom. Estas, inclusive, frequentemente dispensam o uso da bateria por seus tempos largos e densos.

Os guitarristas e baixistas afinam seus instrumentos a notas realmente baixas e fazem grande uso de distorção (gerando riffs muito pesados), que junto a ritmos consideravelmente lentos são características predominantes do género.