A intervenção militar ocidental no Iraque teve início em 15 de junho de 2014, quando o presidente Barack Obama ordenou que as forças dos Estados Unidos fossem despachadas para a região, em resposta às ofensivas conduzidas pelo Estado Islâmico (Daesh) em território iraquiano. As tropas estadunidenses foram, a convite do governo iraquiano, para assessorar as forças iraquianas e combater a ameaça representada pelo Estado Islâmico.

No início de agosto de 2014, o Estado Islâmico atacou os territórios mantidos pelos curdos no norte do Iraque e capturou três cidades no norte do país, perto da região autônoma do Curdistão iraquiano. Consequentemente, os Estados Unidos passaram a abastecer com armas as forças curdas Peshmerga em 5 de agosto. Em 7 de agosto, os Estados Unidos também começariam a lançar ajuda humanitária via aérea (como alimentos, água e remédios) para os civis que fugiam do Estado Islâmico nas Montanhas Sinjar. No dia seguinte, em 8 de agosto, os Estados Unidos dariam início aos ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico no Iraque. Desde então, nove países, aliados com os Estados Unidos numa coalizão, também têm executado ataques aéreos ao Estado Islâmico no Iraque, mais ou menos em conjunto com a guerra terrestre das forças do governo iraquiano e/ou curdas contra o Estado Islâmico. Houve também confrontos esporádicos entre combatentes do grupo terrorista e tropas estadunidenses e canadenses, vários milhares das quais estão agindo como conselheiros e em missões de combate com as forças iraquianas e curdas. Em abril de 2015, o Estado Islâmico tinha perdido 25–30% do território máximo que havia ganho no Iraque em dezembro de 2014 para as forças da coalizão liderada pelos iraquianos e estadunidenses, deixando-os na posse de cerca de 15.000 milhas quadradas do Iraque.

Em dezembro de 2021, os Estados Unidos formalmente encerraram sua missão de combate no Iraque, com uma tropa de 2500 soldados ficando para trás para auxiliar e treinar as forças iraquianas.

Antecedentes Envolvimento prévio dos Estados Unidos

Após a invasão do Iraque em 2003 pelos Estados Unidos, que foi baseada em afirmações de que o país possuía armas de destruição em massa e estaria abrigando terroristas, as forças militares estadunidenses no Iraque atingiram um pico de 170.000 soldados em 2007. Os Estados Unidos, entretanto, retirariam a maior parte de suas tropas do Iraque até 2011. Porém mantiveram uma equipe de 20.000 homens em suas embaixadas e consulados no Iraque, incluindo dezenas de Guardas de Embaixada da Marinha e cerca de 4.500 militares de empresas privadas.

Em 2013, os Estados Unidos começariam a sobrevoar novamente aeronaves de reconhecimento e drones desarmados sobre o Iraque para coletar inteligência sobre combatentes insurgentes islâmicos, principalmente sunitas, que visavam o governo iraquiano durante a insurgência iraquiana.

Velhos inimigos

Os Estados Unidos e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante são inimigos desde 2003, quando o Estado Islâmico — em suas encarnações anteriores como Jama'at al-Tawhid wal-Jihad, Conselho Shura Mujahideen (CSM) e Estado Islâmico do Iraque (al-Qaeda no Iraque) — começou a interferir e perturbar os planos dos estadunidenses e das Nações Unidas e outras potências ocidentais para o Iraque.

Desde a revolta contra a invasão do Iraque de março de 2003 e outra "humilhante" interferência ocidental e da ONU no país, Jama'at e CSM iniciariam em agosto de 2003 uma campanha de terrorismo que jamais terminou, tendo como alvo, além de ao longo dos anos, centenas de iraquianos, vários soldados estadunidenses, em 2010 uma igreja repleta de cristãos, e, presumivelmente, incluindo as decapitações em 2004 de três civis estadunidenses, um britânico, um sul-coreano, e um civil japonês.

Estado Islâmico avança no Norte do Iraque

Após a retirada das tropas estadunidenses do Iraque em dezembro de 2011, a violenta insurgência dos combatentes islâmicos sunitas, visando principalmente o governo iraquiano, continuou.

Entre 5 e 11 de junho de 2014, militantes do grupo jihadista sunita 'Estado Islâmico do Iraque e do Levante' (Daexe), já bem sucedido na Guerra Civil Síria, conquistou as cidades iraquianas de Samarra, Mossul e Ticrite, e ameaçou a Represa de Mossul e Quircuque, onde as tropas curdas Peshmerga iraquianas assumiram o controle.

Campanhas de decapitações em vídeos na internet (2014-2015) Em 12 de agosto de 2014, o Estado Islâmico iniciou uma campanha decapitação de reféns civis ocidentais e japoneses, anunciadas em 12 de agosto (James Foley em 19 de agosto, Steven Sotloff em 2 de setembro, David Haines em 13 de setembro, Hervé Gourdel em 24 de setembro, Alan Henning em 3 de outubro, Peter Kassig em 16 de novembro, Haruna Yukawa em algum momento de janeiro de 2015, Kenji Goto em 30 de janeiro de 2015), que não somente através da sua truculência natural, mas talvez ainda mais por serem desafiadoramente coreografadas e roteirizadas, profissionalmente filmadas, e astutamente publicadas, e comercializadas através da internet, chocaram fortemente a opinião pública ocidental.

Embora esta campanha de provocação não daria início a intervenção militar estadunidense — que já tinha começado em 8 de agosto — parece ter contribuído para a decisão dos sete países ocidentais seguintes (começando com a França em 18 de setembro, pelos Países Baixos. em 24 de setembro e pela Grã-Bretanha em 26 de setembro), para se juntarem à Guerra contra o Estado Islâmico.

Cronologia Vigilância e aconselhamento militar dos Estados Unidos no Iraque 280px|thumbnail|Um soldado do Exército dos EUA aconselha e auxilia soldados iraquianos durante um exercício de treinamento, Iraque, 10 de novembro de 2015

A convite do governo iraquiano, em 15 de junho de 2014, o presidente Obama ordenou dezenas de tropas dos Estados Unidos ao Iraque em resposta a ofensivas pelo Estado Islâmico para avaliar as forças iraquianas e a ameaça do Estado Islâmico..

Provavelmente entre 15 e 26 de junho, os Estados Unidos secretamente começaram a sobrevoar também com aeronaves tripuladas sobre o Iraque.

Em 26 de junho de 2014, os Estados Unidos passariam a inspecionar Bagdá também com drones armados "primeiramente" para a proteção de 180 conselheiros militares estadunidenses na área.

Em 29-30 de junho de 2014, os Estados Unidos aumentaram o número de suas tropas no Iraque de 180 a 480 para impedir o Estado Islâmico de tomar o controle do Aeroporto Internacional de Bagdá que, segundo os Estados Unidos, seria fundamental para qualquer evacuação de estadunidenses de Bagdá e proteger os cidadãos e propriedades estadunidenses.

Em julho, Obama anunciou que, devido à contínua violência no Iraque e a crescente influência de atores não-estatais, os Estados Unidos iriam elevar seu compromisso de segurança na região. Aproximadamente 800 soldados dos Estados Unidos protegiam instalações estadunidenses, como a embaixada em Bagdá e o Consulado em Erbil, bem como assumiram o controle de locais estratégicos, como o Aeroporto Internacional de Bagdá.

Por volta de 13 de julho, um relatório militar confidencial concluiu que muitas unidades do exército iraquiano estavam profundamente infiltradas quer por informantes extremistas sunitas quer pelo pessoal xiita apoiado pelo Irã, o que traria perigo aos conselheiros estadunidenses às forças iraquianas..

Por volta de 5 de agosto, as forças militares estadunidenses no Iraque estavam agindo para "avaliar e aconselhar [as forças de segurança iraquianas] visto que enfrentam [o Estado Islâmico] e a situação de segurança complexa em terra."

Conquistas e massacres pelo Estado Islâmico e a dupla reação dos Estados Unidos

Durante os primeiros 15 dias de agosto de 2014, o Estado Islâmico expandiu seus territórios no norte do Iraque. Em 3 de agosto, conquistou Sinjar e a área circundante, incluindo Wana e Zumar, matando possivelmente 2.000 homens yazidis no Massacre de Sinjar, tomando mulheres yazidis à escravidão e provocando a fuga de 50.000 yazidis para as Montanhas Sinjar. Durante toda a sua ofensiva de agosto, o Estado Islâmico massacrou 5.000 yazidis. Em 7 de agosto, o Estado Islâmico conquistou Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque, e cidades vizinhas, levando a fuga de 100.000 civis cristãos.

Em reação, em 5 de agosto, as forças armadas iraquianas começaram a lançar alimentos e água para dezenas de milhares de yazidis nas Montanhas Sinjar, e os Estados Unidos deram início ao fornecimento direto de armas aos curdos iraquianos para combater o Estado Islâmico. Em 7 de agosto os Estados Unidos também começaram a lançar comida e água para os civis curdos yazidis presos nas Montanhas Sinjar.

Decisão de Obama de intervir thumb|O presidente Obama faz uma declaração sobre o Iraque e como lidar com o Estado Islâmico, 7 de agosto de 2014 Na noite de 7 de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama fez um discurso ao vivo para a Nação. Ele descreveu o recente avanço do Estado Islâmico em todo o Iraque e disse que a perseguição e as ameaças a extinção dos yazidis, uma minoria religiosa no norte do Iraque, incluindo especialmente os yazidis que haviam fugido para as Montanhas Sinjar, em particular, lhe haviam convencido de que uma ação militar dos Estados Unidos era necessária. O presidente afirmou que ordenou ataques aéreos:

para proteger diplomatas, civis e militares estadunidenses em Erbil, no consulado estadunidense ou aconselhar as forças iraquianas; para evitar um massacre em potencial (genocídio) pelo Estado Islâmico de milhares de yazidis no Monte Sinjar; e para parar o avanço do Estado Islâmico em Erbil, capital da Região Autônoma Curda, na qual os Estados Unidos tinham um consulado e um centro de operações conjuntas com as forças armadas iraquianas.

Os Estados Unidos também passaram a considerar uma operação com tropas terrestres estadunidenses para resgatar os yazidis nas Montanhas Sinjar.

Primeiros ataques aéreos dos Estados Unidos nas áreas de Erbil e Sinjar

Em 8 de agosto de 2014, caças McDonnell Douglas F/A-18 Hornet da Marinha dos Estados Unidos bombardearam uma unidade de artilharia do Estado Islâmico fora de Erbil, e quatro caças estadunidenses mais tarde bombardearam comboios militares do Estado Islâmico,U.S. jet fighters, drones strike ISIS figtrers, convoys in Iraq. CNN, 9 August 2014. alguns deles avançando para Erbil e sitiando as forças curdas que defendiam a cidade. Outra rodada de ataques aéreos dos Estados Unidos no período da tarde, atingiria oito alvos do grupo islamita perto de Erbil. Além disso, drones armados bem como aeronaves de asa fixa foram utilizados nos ataques estadunidenses.

Em 8 e 9 de agosto, Obama ampliou os efeitos dos ataques aéreos de 8 de agosto visando:. i.) proteger os estadunidenses no Iraque; ii.) ajudar as minorias iraquianas retidas no Monte Sinjar; iii.) "romper o cerco do Monte Sinjar"; iv.) prevenir massacres (genocídios) aos yazidis e outros grupos minoritários como anunciado pelo Estado Islâmico; e v.) ajudar os iraquianos a combater a ameaça do Estado Islâmico.

Em 9 de agosto, as forças dos Estados Unidos lançaram quatro ataques aéreos contra combatentes do Estado Islâmico que ameaçavam civis no Monte Sinjar, desta vez destinados principalmente a veículos blindados de combate. Uma combinação de aviões e drones estadunidenses destruíram quatro veículos blindados de transporte de pessoal. Os ataques aéreos dos Estados Unidos nesse dia mataram 16 combatentes do Estado Islâmico conforme relataram as autoridades iraquianas.