Salman bin Ibrahim Al Khalifa (em árabe: صورة الشيخ سلمان Ar Rifa', Bahrein - 2 de novembro de 1965) é um dirigente de futebol bahreinita. Atualmente, atua como vice-presidente sênior do Conselho da FIFA. Ele é o presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC) desde 2 de maio de 2013. Antes de assumir a presidência da AFC, presidiu a Associação de Futebol do Bahrein (2002–2013) e também foi presidente do Comitê Disciplinar da AFC e vice-presidente do Comitê Disciplinar da FIFA.

Biografia Primeiros anos e família Salman bin Ibrahim Al Khalifa nasceu em 2 de novembro de 1965 no Bahrein. Ele é membro da Casa de Khalifa, a família real do Bahrein.

É o segundo filho de Ibrahim bin Hamad al-Khalifa e Aisha bint Salman al-Khalifa. Por linha materna, é neto de Salman bin Hamad Al Khalifa I, que foi o governante soberano do Bahrein de 1942 até sua morte em 1961.

Educação e formação Iniciou seus estudos de nível superior no próprio país, vindo a graduar-se na Universidade do Bahrein em 1992, onde obteve o título de bacharel em literatura inglesa e história.

Futebol Riffa SC Salman está envolvido no futebol há muitos anos, desde o início da década de 1980, quando jogou por alguns anos nas categorias de base do Riffa SC, equipe da primeira divisão do Bahrein.

BFA Depois de deixar o Riffa Club para focar em seus estudos acadêmicos, Salman ocupou cargos executivos na Associação de Futebol do Bahrein (BFA). Em 1996, tornou-se presidente do comitê da seleção nacional. Em 1998, foi eleito vice-presidente da BFA e, em 2002, assumiu a presidência, cargo que manteve até 2013, quando assumiu suas novas funções na AFC.

Salman era o presidente da Associação de Futebol do Bahrein durante a chamada "era de ouro" do futebol no Bahrein. A Seleção Bahreinita de Futebol ficou a apenas uma partida de se classificar para a Copa do Mundo FIFA de 2006 e para a Copa do Mundo FIFA de 2010. A equipe também conseguiu chegar à semifinal da Copa da Ásia de 2004, o estágio mais avançado que a seleção nacional já alcançou no campeonato continental. O ranking da FIFA da seleção também atingiu a posição mais alta de sua história, subindo para a 44.ª colocação.

AFC Em maio de 2013, Salman foi eleito presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), o que também o tornou membro do Comitê Executivo da FIFA. Logo após sua eleição, ele alterou o estatuto da AFC, o que fez com que o Príncipe Ali bin Hussein da Jordânia perdesse seu assento como representante asiático no Comitê Executivo da FIFA, gerando um racha político entre os dois dirigentes.

Em 6 de abril de 2019, Salman foi eleito para um segundo mandato completo como presidente da AFC para o período de 2019–2023, contando com o apoio da Federação de Futebol da Austrália, apesar das preocupações sobre seu histórico de direitos humanos levantadas pelo ex-jogador Craig Foster, pela associação Federação de Futebol da Austrália e outros ativistas.

Ele foi reeleito novamente para mais um mandato como presidente da AFC em fevereiro de 2023, estendendo sua permanência até 2027.

FIFA Salman ocupou o cargo de copresidente do Comitê Disciplinar das Copas do Mundo da FIFA, dos Torneios de Futebol de Areia da FIFA e dos Mundiais de Clubes da FIFA. Ele foi vice-presidente do comitê disciplinar da FIFA em Pequim em 2008. Tornou-se membro do Comitê Executivo da FIFA em 2013, na condição de presidente da AFC.

Em 15 de outubro de 2015, anunciou sua candidatura à presidência da FIFA para a eleição no Congresso Extraordinário da FIFA de 2016. Apesar de ser apontado como um dos favoritos, acabou derrotado pelo secretário-geral da UEFA, Gianni Infantino. A derrota foi atribuída, em parte, ao seu suposto envolvimento na repressão violenta contra manifestantes pró-democracia no Bahrein a partir de 2011.

Desde 6 de abril de 2018, Salman integra o Conselho da FIFA, atuando como vice-presidente sênior e presidente do Comitê de Desenvolvimento da FIFA.

Impacto no futebol feminino Embora os problemas estruturais do futebol feminino no Irã no Afeganistão tenham desacelerado o desenvolvimento do esporte no Oriente Médio e na Ásia Central, Salman dedicou atenção à modalidade nesses territórios. Como exemplo de suas ações, ele realizou uma visita oficial a uma das academias de futebol feminino no Irã. No entanto, entraves crônicos no desenvolvimento do esporte feminino na região continuaram a ser reportados por órgãos de imprensa locais.

Alegações de violação dos direitos humanos Grupos de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, a Human Rights in Bahrain e o Instituto de Bahrain para Direitos e Democracia, afirmaram que Salman chefiou um comitê encarregado de identificar atletas e futebolistas internacionais bareinitas que se envolveram nos protestos de 2011 durante a Primavera Árabe. Muitos desses esportistas foram posteriormente presos e torturados.

Naquela ocasião, o Rei Hamad bin Isa Al-Khalifa emitiu um decreto real permitindo que o exército estabelecesse tribunais militares para julgar manifestantes. Salman atuava como secretário-geral do conselho supremo de esportes e juventude e liderou a comissão criada para investigar "infrações cometidas por indivíduos associados ao movimento esportivo durante os lamentáveis eventos no Reino do Bahrein". A BFA (então presidida por ele) ameaçou impor punições severas a quem participasse das manifestações ou de qualquer ato que visasse "derrubar o regime ou insultar figuras nacionais". Cerca de 150 atletas e dirigentes foram detidos sob o decreto, e alguns relataram ter sofrido tortura durante o período de reclusão. Após manter silêncio inicial e evitar questionamentos públicos, Salman negou veementemente as acusações de cumplicidade em abusos de direitos humanos, classificando-as como "mentiras desagradáveis e falsas".

Alguns atletas de destaque, como Hakeem al-Araibi, que jogava pela seleção nacional, fugiram do país durante os expurgos que se seguiram nos anos posteriores. Al-Araibi sempre sustentou a versão de que Salman tinha pleno conhecimento das práticas de tortura. O jogador tornou-se o foco de uma campanha internacional de direitos humanos (#savehakeem) e, posteriormente, de um documentário, após ser retido na Tailândia enquanto viajava de férias, devido a um alerta vermelho emitido pela Interpol a pedido do Bahrein.

Referências