Operação Hashtag é uma investigação em andamento pela Polícia Federal do Brasil, deflagrada oficialmente em julho de 2016, às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio contra uma suposta célula do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Brasil. Ela foi resultado de uma integração entre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal (PF), as Forças Armadas e agências de informação internacionais. Essa foi a primeira ação antiterror ocorrida no Brasil depois da aprovação da lei 13.260, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 16 de março de 2016, e que tipificou os crimes dessa natureza, e as primeiras detenções, no Brasil, por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.osul.com.br/ Preso na Operação Hashtag volta a ser detido após esfaquear vizinho
Antecedentes O temor por atentados terroristas durante os Jogos Olímpicos de 2016 mobilizou o governo brasileiro e os de vários países que iriam participar dos Jogos. Especialistas chegaram a afirmar que, apesar de o Brasil não ter um histórico de ações terroristas internacionais, nem estar envolvido em conflitos geopolíticos, um evento da magnitude dos Jogos Olímpicos – com delegações de mais de 200 países e grande audiência mundial – eleva o nível de alerta, pois se trata de uma vitrine para chamar a atenção internacional. Não a toa, alguns turistas chegaram a vender seus ingressos por medo de que isso de fato ocorresse.
Heni Ozi Cuckier, cientista político que já trabalhou no Conselho de Segurança da ONU e é professor de relações internacionais da ESPM, chegou a afirmar que existia sim uma "ameaça real" de atentado durante os Jogos.
Em novembro de 2015, o terrorista Maxime Hauchard, integrante do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, postou a seguinte mensagem no Twitter: “Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Podemos atacar esse país de merda”. A mensagem do terrorista foi postada logo depois dos atentados que deixaram 129 mortos e dezenas de feridos, na França. Mais tarde, a autenticidade da declaração foi confirmada pela Agência Brasileira de Inteligência.esporteinterativo.com.br/ Preocupação com ataque terrorista aumenta durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro O diretor de contraterrorismo da Abin, Luiz Alberto Sallaberry, afirmou que esta mensagem elevava a probabilidade de o Brasil sofrer ataques terroristas, e também estimulava as adesões de brasileiros ao grupo jihadista.esportes.terra.com.br/ Qual é o risco de ataque terrorista nos Jogos Rio 2016?
Em abril de 2016, integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) receberam informações de que brasileiros radicados no país estavam mantendo contato com integrantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Isso acendeu o sinal de alerta, e dias depois a Abin divulgou um relatório que apontava ameaças terroristas no Brasil durante a realização dos Jogos Olímpicos.noticias.uol.com.br/ Abin confirma ameaça terrorista contra o Brasil; "lobos solitários" preocupam Na busca por informações, os agentes do Sisbin procuraram a polícia federal alemã (BKA). Queriam informações sobre os 22 mil nomes de integrantes do ISIS entregues aos alemães por um informante. Na lista, porém, não havia brasileiros.em.com.br/ Às vésperas do Rio-2016, Inteligência detecta contatos de brasileiros com EI
Segundo a agência de monitoramento de terrorismo "SITE Intelligence Group", em 29 de maio de 2016, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante havia criado no Telegram o primeiro canal para disseminação de propaganda jihadista em português, voltado para o público brasileiro. Desde então, seguidores do grupo passaram a disseminar a incitação de atos terroristas por um grupo que se autointitula “Ansar al-Khilafah Brazil”, que se apresenta como baseado no País. O Telegram foi a alternativa encontrada pelo grupo para distribuir sua propaganda, após ter várias de suas contas em redes sociais fechadas. O aplicativo possui uma função que permite criar um canal de informações e distribuí-las para um número ilimitado de seguidores, recurso que se provou bastante útil para os membros do ISIStecnologia.uol.com.br/ O novo aplicativo preferido do Estado Islâmico do Iraque e do Levante Os extremistas publicaram no aplicativo recomendações de 17 técnicas para atentados terroristas durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.dn.pt/ Terroristas publicam manual de instruções para atentados nos Jogos Olímpicos Conforme noticiado pelo UOL, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) passou, então, a monitorar o grupo no aplicativo.noticias.uol.com.br/ Abin monitora grupo em português criado peloEstado Islâmico do Iraque e do Levante no Telegram
Em 3 de junho, uma investigação da Polícia Federal em Santa Catarina fez com que a justiça exigisse o monitoramento de um homem da cidade de Chapecó (SC) por suspeitas de planejar um ato terrorista.folha.uol.com.br/ Justiça monitora com tornozeleira suspeito de planejar ato terrorista
No dia 8 de julho, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que nenhuma agência de inteligência no mundo havia rastreado qualquer ameaça de ataque terrorista durante os Jogos do Rio. Jungmann disse ainda que o Brasil é um país pacífico, mas bem armado e que sabe contra-atacar.
No dia 9 de julho, o jornal O Globo divulgou que a Abin estava monitorando 24 horas por dia cem pessoas com perfil de “lobo solitário” (aquele que não pertence a uma organização terrorista, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas age em favor de uma determinada ideologia), com potencial para cometer atos de violência, inclusive terrorismo.oglobo.globo.com/ Governo vigia suspeitos de serem ‘lobos solitários’
No dia 13 de julho, foi divulgado um relatório de oficiais de inteligência do governo francês afirmando que um membro brasileiro do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante estaria preparando um atentado contra a delegação francesa durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. A informação foi passada pelo chefe da Direção de Inteligência Militar (DRM), general Christophe Gomart, durante uma audiência realizada em 26 de maio na Comissão Parlamentar de Luta contra o Terrorismo que investiga os atentados de 2015 na França. Durante a audiência, o parlamentar pergunta sobre o suposto plano terrorista a um chefe da inteligência francesa, que confirmou ter recebido a informação de parceiros. Esta informação foi publicada no site da Assembleia Nacional francesa no dia 13 de julho, tendo sido divulgada pelo jornal “Libération” neste mesmo dia. Em entrevista, o diretor da Abin, Wilson Trezza, disse que iria “discutir” a situação internamente. “Ainda não recebemos [comunicado oficial do governo francês]. Certamente vamos saber porque estamos em conversação permanente.”
No dia 15 de julho, o professor franco-argelino Adlène Hicheur, que trabalhava como pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi deportado para a França, uma vez que ele foi condenado em Paris a cinco anos de prisão, em 2009, por ligações com terroristas. Em janeiro, a revista “Época” já havia revelado que ele estava sendo monitorado no Rio pela Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).oglobo.globo.com/ Professor franco-argelino da UFRJ é deportado Mais tarde, após a Operação Hashtag ser revelada, a Polícia Federal garantiu que esta prisão “não possuia relação com a Operação Hashtag".oglobo.globo.com/ Ministro da Justiça diz que brasileiro preso em Nova Iguaçu tinha envolvimento com grupos terroristas
No dia 18 de julho, os aeroportos brasileiros começaram a utilizar as novas regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para inspeção de passageiros e bagagens de mão em voos domésticos.
No dia 19 de julho de 2016, o governo francês desmentiu que houvesse o planejamento de um ataque terrorista à delegação olímpica do seu país, que teria a participação de um brasileiro supostamente ligado à Daesh. Segundo o governo da França, a informação era falsa.
No dia 20 de julho, o governo da França solicitou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil que reforçasse a segurança de escolas e consulados franceses. O pedido foi enviado pelo Itamaraty a 19 secretarias estaduais de Segurança, que deveriam determinar como se daria o reforço.
No dia 21 de julho, somente poucas pessoas já sabiam da existência desta operação, mas foi a publicação da foto do mandado de prisão pela esposa de um dos integrantes do grupo que vazou a ação da Polícia Federal e apressou a decisão do governo de anunciá-la.zh.clicrbs.com.br/ Vazamento de ação da PF levou ao anúncio das prisões de suspeitos de planejar atentado terrorista
No dia 28 de julho, o ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, afirmou que o brasileiro Chaer Kalaoun, que era investigado pela Polícia Federal desde 2014, foi preso por envolvimento com grupos terroristas. Segundo o ministro, Chaer saiu do Brasil, viajou para a Síria e fez juramento ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Daesh). Mais tarde, após a Operação Hashtag ser revelada, a Polícia Federal garantiu que esta prisão não estava relacionada com a Operação Hashtag.esportes.estadao.com.br/ PF diz que prisão de suspeito de terrorismo não tem relação com Operação Hashtag
O Grupo Os envolvidos participavam de um grupo virtual denominado “Defensores da Sharia” (a série de princípios religiosos, comportamentais e de costumes expressos nos textos sagrados muçulmanos), e planejavam adquirir armamentos para cometer crimes no Brasil e no exterior.
De acordo com a Justiça Federal, quebras de sigilo de dados e telefônicos revelaram indícios de que os investigados preconizam a intolerância racial, de gênero e religiosa, além do uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos. As mensagens interceptadas também revelaram que o grupo chegou a comemorar o atentado realizado dias antes em uma boate LGBT em Orlando, EUA.jconline.ne10.uol.com.br/ Polícia Federal prende grupo que planejava ataques terroristas durante a Rio-2016
Segundo o jornal "O Globo", os acusados usam falsos nomes árabes, possuem idades entre 20 e 40 anos e alguns têm antecedentes criminais.oglobo.globo.com/ Suspeitos usavam falsos nomes árabes para se comunicar nas redes sociais
Conforme noticiado pelo jornal "Folha de S.Paulo", em 2002, Leonid El Kadre de Melo - acusado pela polícia como líder do grupo - e Valdir Pereira da Rocha já haviam sido condenados a seis anos de prisão por roubo qualificado e homicídio. Juntos, cumpriram pena na cidade de Araguaína-TO.
A Operação Primeira Fase Ramificado em sete estados brasileiros, o grupo passou a ser monitorado em março de 2016 com a infiltração de um informante no grupo de discussão, após a Polícia Federal do Brasil receber um alerta do FBI.folha.uol.com.br/ Grupo simpatizante ao terrorismo cogitou usar arma química nos Jogos do Rio
Em abril de 2016, iniciaram as investigações com o acompanhamento de redes sociais pela Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal (DAT). Com autorização judicial, a Divisão Antiterrorismo da PF monitorou diálogos do grupo em redes sociais, sobretudo via Facebook e Twitter, e por aplicativos de troca de mensagens.
Em 21 de julho, doze pessoas foram presas suspeitas de planejar um atentado terrorista durante os Jogos Olímpicos.
Além das prisões, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em dez estados. Houve ainda duas conduções coercitivas, em São Paulo e Minas Gerais. A Justiça determinou que os doze presos cumprissem prisão temporária por 30 dias.
No dia 14 de agosto, o programa Fantástico, da Rede Globo, mostrou o e-mail que foi uma das principais provas das prisões. O e-mail foi enviado por Leonid El Kadre de Melo, e fala de treinamento para combate, assalto a bancos e contrabando de armas.g1.globo.com/ Fantástico mostra e-mail de brasileiro preso por ligação com terrorismo