Tanzim Qaidat al-Jihad fi Bilad al-Rafidayn, (), também conhecido como Al-Qaeda no Iraque (AQI) ou al-Qaeda na Mesopotâmia, foi uma organização jihadista sunita, sediada no Iraque e afiliada à al-Qaeda. Foram bastante ativos durante a insurgência iraquiana e desempenhou um papel central na criação do Conselho da Shura dos Mujahidins e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Origens O grupo foi fundado pelo militante jordaniano Abu Musab al-Zarqawi em 1999, sob o nome Jama'at al-Tawhid wal-Jihad ( ).

Acredita-se que o grupo começou a praticar ataques a bomba no Iraque a partir de agosto de 2003 (cinco meses após a coalizão invadir e ocupar o Iraque), visando representantes da ONU, instituições xiitas, embaixada jordaniana, instituições do governo provisório iraquiano.

Depois de jurar lealdade a Osama bin Laden e a al-Qaeda em outubro de 2004, seu nome oficial mudou para Tanzim Qaidat al-Jihad fi Bilad al-Rafidayn.Middle East and North Africa Overview , Country Reports on Terrorism, U.S. State Department, 28 April 2006

Líderes Em 7 de Junho de 2006, o líder da AQI, al-Zarqawi e seu conselheiro espiritual o Sheik Abd-Al-Rahman, foram mortos por um ataque aéreo norte-americano com bombas em uma casa segura perto de Baquba. A liderança do grupo foi então assumida pelo egípcio militante Abu Ayyub al-Masri, também conhecido como Abu Hamza al-Muhajir.

Finalidade Em uma carta a al-Zarqawi em julho de 2005, Ayman al-Zawahiri delineou um plano de quatro estágios começando com a tomada de controle do Iraque. Passo 1Expulsão das forças americanas no Iraque. Passo 2Estabelecer no Iraque um Califado islâmico. Passo 3Estender a "jihad" para "os países seculares vizinho do Iraque". Passo 4 Confrontar o Estado de Israel.

Atividades violentas thumb|Os Seabee da Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Batalha de Faluja (Novembro de 2004)

2004 No final de Outubro de 2004, a Al-Qaeda no Iraque sequestrou Shosei Koda, um cidadão japonês. Em um vídeo online, a AQI deu ao Japão 48 horas para retirar suas tropas do Iraque, caso contrário, o destino de Koda seria "o mesmo que o de seus antecessores, Berg e Bigley e outros infiéis". O governo japonês se recusou a cumprir essa demanda, Koda foi decapitado e seu corpo desmembrado foi encontrado em 30 de outubro.

O grupo reivindicou a autoria pelos ataques com carros-bomba em 19 de dezembro de 2004 nas cidades xiitas de Najafe e Carbala, matando 60 pessoas.

2005 De acordo com documentos apreendidos em 2008, o grupo começou em 2005 a assassinar sistematicamente homens de tribos iraquianas e insurgentes nacionalistas.

Ataques em 2005 reivindicados pelo grupo incluem:

30 de janeiro: A AQI lançou ataques contra eleitores durante uma eleição legislativa no Iraque. Foram 100 ataques armados, onde 44 pessoas morreram, embora alguns ataques podem ter sido realizados por outros grupos. 28 de fevereiro: No sul da cidade de Al-Hillah, um carro-bomba atingiu uma multidão de policiais e recrutas da Guarda Nacional iraquiana, matando 125 pessoas. 02 de abril: O grupo lançou um combinado de ataque suicida e ataque convencional na prisão de Abu Ghraib. 7 de maio: Em Bagdá, dois carros carregado de explosivos foram usados ​​contra um comboio de uma empresa de segurança norte-americana. 22 pessoas foram mortas, incluindo dois americanos. 06 de julho: O grupo assumiu a responsabilidade pelo sequestro e execução do embaixador do Egito no Iraque, Ihab el-Sherif. 15 a 17 julho: Uma série de ataques suicidas, incluindo um bombardeio no mercado Musayyib, matando 150 pessoas e deixando 260 feridos. O grupo afirmou que os atentados eram parte de uma campanha para assumir o controle de Bagdá.. 19 de agosto: Na cidade jordaniana de Aqaba, um ataque com foguete mata um soldado jordaniano. 14 de setembro: O grupo assumiu a responsabilidade por uma série de mais de uma dezena de atentados em Bagdá. Matando cerca de 160 pessoas, sendo a maioria das vitimas eram trabalhadores xiitas desempregados. Em um comunicado, Al-Zarqawi declarou "guerra total" aos xiitas, tropas iraquianas e ao governo iraquiano. Sexta-feira 16 de Setembro: Uma ataque suicida diante de uma mesquita xiita a 200 km ao norte de Bagdá matou 13 fiéis. 24 de outubro: O grupo fez ataques suicidas coordenados na parte externa dos hotéis Ishtar Sheraton e Palestine Hotel em Bagdá. 09 de novembro: Na capital jordaniana, Amã, três ataques a bomba contra hotéis mataram 60 pessoas. 18 de novembro: O grupo assumiu a responsabilidade por uma série de atentados a mesquitas xiitas na cidade de Khanaqin, matando pelo menos 74 pessoas.

2006 Janeiro de 2006: Uma série de ataques a civis xiitas em Carbala e Ramadi, nas proximidades de um santuário religioso e de um centro policial de recrutamento, matando 60 pessoas.Insurgents Kill 140 as Iraq Clashes Escalate. Washington Post, 6 January 2006. Retrieved 10 February 2015.

Fevereiro de 2006: O ataque a mesquita de al-Askari em 22 de fevereiro. O grupo não reivindicou a autoria do atentado mas um oficial de inteligência dos Estados Unidos, atribuiu o ataque ao grupo e posteriormente o atentado também foi atribuído ao grupo pelas "autoridades iraquianas". Junho de 2006: Em 3 de junho, o grupo sequestrou e matau quatro diplomatas russos no Iraque. Junho de 2006: Em 16 de junho, um posto de controle dos EUA perto de Bagdá foi atacado, um soldado norte-americano foi morto e dois sequestrados. Os sequestrados foram Thomas Lowell Tucker e Kristian Menchaca, seus corpos foram encontrados em 19 de Junho, após serem torturados e mortos. No dia seguinte, o "Conselho Shura Mujahidins" e o "Tanzim Qaidat al-Jihad fi Bilad al-Rafidayn", afirmaram ter "abatido" os dois americanos. Três semanas mais tarde, foi divulgado um vídeo mostrando os corpos mutilados de Tucker e Menchada, no vídeo mencionava também que o assassinato era uma vingança pelo estupro e assassinato de uma menina iraquiana em março de 2006, praticado por soldados americanos da mesma brigada.

No outono de 2006, a AQI assumiu o controle da cidade de Baquba, capital da província de Diala, e antes de Março de 2007, a AQI ou sua organização guarda-chuva, "Estado Islâmico do Iraque (ISI)" afirmou Baquba como sua capital.

Guerra sunita contra os xiitas Em setembro de 2005, depois de uma ofensiva conjunta entre as tropas do Estados Unidos e do Iraque na cidade de Tal Afar, al-Zarqawi declarou "guerra total" aos muçulmanos xiitas no Iraque.

Conflitos entre Al-Qaeda no Iraque e outros grupos iraquianos sunitas Em setembro e outubro de 2005, havia sinais de uma divisão entre insurgentes sunitas nativos iraquianos, que queriam uma influência sunita na política nacional, e portanto, apoiavam o voto "não" no referendo 15 de outubro de 2005 sobre a nova Constituição, sendo contra al-Zarqawi e a al Qaeda no Iraque, que se esforçavam para criar um estado teocrático e ameaçavam matar aqueles que se engajaram no processo político nacional com xiitas e curdos, incluindo aqueles que participassem deste referendo.

A partir de meados de 2006, AQI começou a ser expulsa de seus redutos na área rural da província de Alambar, das cidades de Faluja e Alcaim, por líderes tribais em uma guerra aberta. Essa campanha foi patrocinada pelo governo iraquiano com doações em dinheiro e salários aos xeques tribais de até US$ 5.000 por mês. Em setembro de 2006, 30 tribos na província de Anbar formaram uma aliança chamada de "Despertar de Anbar" para lutar contra a AQI.

Janeiro de 2006: Tanzim (AQI) cria o Conselho da Shura dos Mujahidins Os esforços da AQI para recrutar grupos nacionalistas e seculares sunitas iraquianos foram minados por suas violentas táticas contra civis e pela sua doutrina fundamentalista. Em janeiro de 2006 a AQI criou uma organização guarda-chuva chamada de Conselho da Shura dos Mujahidins, em uma tentativa de unificar sunitas insurgentes no Iraque.

Forças da AQI (2004-2006) Meios de comunicação ocidentais sugeriram que combatentes estrangeiros continuavam a aderir ao AQI. Um relatório secreto da inteligência dos EUA, mencionou que a minoria sunita do Iraque tinha sido cada vez mais abandonada por seus líderes religiosos e políticos que fugiram ou foram assassinados ou foram "envolvidos em uma luta diária pela sobrevivência", os "pogroms" temidos pela maioria xiita estavam cada vez mais dependente da Al-Qaeda no Iraque. No oeste do Iraque, a AQI estava entrincheirada, autônoma e financeiramente independente, e portanto, a morte do líder da AQI, Al-Zarqawi em junho de 2006, teve pouco impacto sobre a estrutura ou recursos da organização. O comércio de petróleo ilícito forneceu-lhes milhões de dólares e sua popularidade estava subindo no oeste do Iraque."Anbar Picture Grows Clearer, and Bleaker". Washington Post, 28 November 2006. Retrieved 15 January 2015.

Em Anbar, a maioria das instituições do governo se desintegraram e a AQI era a potência dominante, segundo um relatório de inteligência dos EUA. Em 2006, o Departamento de Inteligência e Pesquisa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, estima que o número de membros da Al-Qaeda no núcleo do Iraque era "mais de 1.000".

Outubro de 2006, Tanzim (AQI) cria o Estado Islâmico do Iraque

Em 13 de Outubro de 2006, o Conselho da Shura dos Mujahidins declarou o estabelecimento do Estado Islâmico do Iraque (ISI), que compreende seis províncias árabes, em sua maioria sunitas do Iraque: Bagdade, Alambar, Diala, Quircuque, Saladino, Ninawa e algumas partes província de Babil, com Abu Omar al-Baghdadi sendo anunciado como o chefe de estado e auto-proclamado emir.

Após o anúncio, dezenas de homens armados participaram de desfiles militares em Ramadi e outras cidades da província de Al-Anbar.

Em abril de 2007, foi dado o título de "ministro da guerra" a Abu Ayyub al-Masri. thumb|right|Carros-bomba eram uma forma comum de ataque no Iraque durante a ocupação da Coalizão De acordo com um relatório feito por agências de inteligência dos Estados Unidos em maio de 2007, o ISI planejou tomar o poder nas áreas centrais e ocidentais do país e transformá-lo em um Estado Islâmico sunita.

Em Junho de 2007, a marca intransigente do extremo fundamentalismo islâmico da AQI e do ISI havia alienado partes iraquianas mais nacionalistas da insurgência.

EUA x Tanzim (Al-Qaeda no Iraque) Em novembro de 2004, a rede da al-Zarqawi foi o principal alvo dos EUA na Operação Fúria Fantasma em Faluja, mas a sua liderança conseguiu escapar do cerco americano e a subsequente invasão da cidade.

Em 7 de Junho de 2006, al-Zarqawi e seu conselheiro espiritual Sheik Abd-Al-Rahman, foram mortos por um ataque aéreo norte-americano em uma casa segura perto de Baquba. A liderança do grupo foi então assumida por Abu Ayyub al-Masri, também conhecido como Abu Hamza al-Muhajir.

Críticas de al-Zawahiri Em outubro de 2005, a Inteligência dos EUA publicou uma carta interceptada que seria supostamente de Ayman al-Zawahiri, onde ele questionava a tática da AQI, que de forma indiscriminada atava os xiitas no Iraque.

Em um vídeo que apareceu em dezembro de 2007, al-Zawahiri defendeu a AQI, mas distanciou-se dos crimes contra civis cometidos por "hipócritas e traidores" que segundo ele, existiam entre suas fileiras.

Operações fora do Iraque e outras atividades Em 03 de dezembro de 2004 AQI tentou sem sucesso explodir um cidadão iraquiano-jordaniano em um posto da fronteira. Em 2006, um tribunal jordaniano condenou al-Zarqawi e dois de seus associados à morte à revelia por seu envolvimento na trama. A organização alegou ter realizado três ataques fora do Iraque em 2005. No mais mortal, ataques suicidas mataram 60 pessoas em Amã, em 9 de Novembro de 2005.Eles reivindicaram a responsabilidade pelos ataques com foguetes aos navios de guerra americano USS Kearsarge e USS Ashland estacionados na Jordânia, aos ataques que tinham como alvo a cidade de Eilat, em Israel, feito com vários foguetes disparados a partir do Líbano contra Israel em dezembro de 2005.