A Batalha de Sapriporte foi uma batalha naval travada em 210 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica, a cerca de 20 quilômetros de Taranto, num local conhecido como Sapriporte, entre a frota romana e uma frota tarantina.

Contexto histórico Lívio descreve aquele momento específico da guerra que já vinha sendo travada por oito anos:

Casus belli Neste período, como a fome na cidadela de Taranto estava se tornando intolerável, os defensores romanos e seu comandante, Marco Lívio Macato, haviam posto todas as suas esperanças num missão de suprimentos enviada a eles a partir da Sicília e, com o objetivo de permitir que estes navios de transporte pudessem navegar com segurança pelo litoral italiano, uma frota foi enviada até Régio, composta por cerca de vinte navios. À frente desta frota estava um tal Décimo Quíncio, nascido numa família obscura, mas famoso por outros atos de valor realizados até então. Inicialmente no comando de cinco navios, os maiores dos quais dois trirremes que lhe foram entregues pelo próprio Marco Cláudio Marcelo. Em seguida, como havia conduzida todas as suas ações com grande competência, sua frota foi reforçada por três quinquerremes. No final, o próprio, depois de ter pedido ajuda às cidades aliadas de Régio, Vélia e Pesto, conseguiu mais navios com base num tratado anterior, o que elevou o número de embarcações sob seu comando para vinteLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.1-5..

Ao encontro da frota romana, que estava a 15 milhas de Taranto, perto de Sapriporte, veio um certo Demócrates, à frente de uma frota de vinte navios. O comandante romano estava com as velas abertas, pois não previa uma batalha. Perto de Crotona e, em seguida, de Sibari, Quíncio havia embarcado remadores, dispondo de uma frota bem tripulada e bem armada. A frota inimiga só apareceu quando a força do vento já começava a diminuir, o que permitiu que Quíncio pudesse baixar suas velas e preparar seus remadores e soldados para a batalhaLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.7..

Batalha naval

Os tarantinos, que, depois de cerca de sessenta anos sob ocupação romana, esperavam conquistar também a cidadela, onde os romanos ainda estavam se defendendo, impedindo que provisões chegassem até lá conquistando o controle do mar. Os romanos, por outro lado, tentavam conservar o acesso marítimo à cidadelaLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.9-11..

E, assim, dado o sinal em ambas as partes, os navios passaram a se lançar uns contra os outros com seus rostros. Eles depois lançavam uma espécie de garra de ferro contra o navio vizinho numa tentativa de prendê-lo e abordá-lo. A partir daí, a batalha era corpo-a-corpo e se mostrou bastante sangrenta. As proas permanecia ligadas pelos arpões e garras enquanto as popas se distanciavam e giravam empurradas pelos remos dos navios inimigos. Assim, em um espaço extremamente restrito, lanças e dardos voavam de um navio para o outro. O combate parecia muito mais uma batalha terrestreLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.12-13..

Lívio conta em seguida um episódio no qual dois navios, à frente das duas esquadras, se encontraramLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.14.. No navio romano estava o próprio Quíncio e no tarantino, um tal Nicão, de sobrenome Percão, hostil aos romanos e que pertencia à facção que havia entregado Taranto a Aníbal. Ele conseguiu perfurar com sua lança o comandante romano que estava distraído incitando seus homens ao combate. Quíncio correu em direção à proa do navio. O vencedor tarantino passou para o navio romano, cuja tripulação estava desorientada pela perda de seu próprio capitão, e empurrou o inimigo, ocupando a proa. Os romanos, reunidos na popa, enfrentavam grandes dificuldades para defendê-la quando um outro trirreme inimigo se aproximou. O navio romano, cercado de ambos os lados, capitulou. Quando as outras embarcações romanas viram que o navio do comandante havia sido capturado, o terror se espalhou entre as tropas e todos os navios tentaram fugir e escapar o mais rapidamente possível da batalha. Algumas destas embarcações foram atacadas e afundadas em alto mar. Outras foram empurradas, pela força dos remos, para a terra, acabando aprisionadas pelos habitantes de Túrios e Metaponto. De todos os navios que seguiam a frota com os suprimentos, poucos foram capturados pelo inimigo e alguns fugiram para o alto marLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.15-19..

Consequências

Naquele mesmo dia, os combates em Taranto tiveram um destino completamente diferente. Enquanto cerca de quatro mil tarantinos estavam foram para recolher suprimentos nos campos, o comandante romano da cidadela, Marco Lívio, aproveitou a ocasião enviando soldados sob o comando de Caio Pérsio. Eles pegaram os tarantinos dispersos e desorganizados nos campos e, depois de terem realizado um grande estrago, os poucos sobreviventes se reuniram perto da muralha da cidade. Por muito pouco, neste furioso assalto romano, a cidade não foi capturadaLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.20-22..

Assim, em Taranto, a sorte beneficiou as duas partes. Os romanos venceram a batalha em terra e os tarantinos, no mar. E a possibilidade de provisionamento por mar escapou a ambas as partesLívio, Ab Urbe Condita XXVI, 39.23..

Bibliografia Fontes primárias

Apiano, História de Roma (Ῥωμαϊκά), VII e VIII Cornélio Nepos, De viris illustribus (em latim) Estrabão, Geografia V Eutrópio, Breviarium ab Urbe condita III Lívio, Ab Urbe Condita XXI-XXX Políbio, Histórias VII Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis'' (latim)

Fontes secundárias

Categoria:Batalhas da Segunda Guerra Púnica Categoria:210 a.C. Categoria:Batalhas navais envolvendo a República Romana