Os protestos contra o governo Michel Temer foram manifestações populares, com início em 2016, após o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Aconteceram em todas as regiões do Brasil e foram marcados pelo bordão "Fora, Temer".

Contexto Após o impeachment de Dilma Rousseff uma parcela da população viu-se insatisfeita com o governo Michel Temer, dentre as principais razões:

Suspeitas de corrupção de vários membros indicados para a equipe do governo Temer, inclusive suspeitas de corrupção do próprio Temer. No Brasil, o presidente e os ministros de Estado têm foro por prerrogativa de função, e as investigações judiciais podem se tornar mais lentas por serem conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal.Beatriz Bulla e Fábio Serapião, Janot diz que Lava Jato tem ritmo mais lento no STF e critica foro privilegiado, O Estado de S. Paulo, 6 de setembro de 2016 Alguns destes ministros vieram do Governo Dilma Rousseff, como o então ministro do turismo, Henrique Eduardo Alves. Alegações de que não houve justificativa suficiente para a configuração de "crime de responsabilidade" no processo de impeachment ocorrido. O aspecto jurídico das pedaladas fiscais do Governo Dilma era controverso, e a prática foi apontada como comum em governos estaduais.Flávia Furlan, Como Dilma, governadores também praticaram pedaladas A gestão Temer consistiu, segundo muitos de seus críticos, em um programa de governo conservador, muito diferente daquele proposto pela chapa eleita Dilma-Temer.Chico Marés, Plano de governo do PMDB propõe medidas amargas para a população, Gazeta do Povo, 29 de março de 2016 Desmonte, segundo críticos, da Comissão de Anistia, responsável pelas políticas de reparação e memória para as vítimas do ditadura militar.

Objetivos Entre os que pediram a saída de Michel Temer houve favoráveis e contrários ao impeachment de Dilma Rousseff. Caso ocorresse um impeachment de Temer, a Constituição previa ao Congresso eleger um novo presidente por meio de eleições indiretas, para finalizar o mandato até 31 de dezembro de 2018.Ângela Bastos, Diferentes vozes pedem a saída de Temer e novas eleições diretas , Diário Catarinense, 6 de setembro de 2016

Manifestações notáveis Protestos contra a extinção do Ministério da Cultura - 2016 Após o afastamento provisório de Dilma Rousseff em 12 de maio de 2016, Michel Temer assumiu a presidência e em uma das suas primeiras medidas acabou com vários ministérios, dentre eles o Ministério da Cultura.

Como resposta a isto, as sedes do recém-extinto ministério foram ocupadas por manifestantes e artistas, e o bordão Fora Temer foi entoado ao som da cantata Carmina Burana.Rio: Carmina Burana vira 'Fora Temer' em 'Concerto pela Democracia', Sputnik News Brasil, 18 de maio de 2016 Este concerto-protesto, no dia 17 de maio de 2016, chamado de OcupA MincRJ, foi documentado pela Mídia Ninja e por outros meios de comunicação, e contou com centenas de músicos profissionais, instrumentistas e cantores das principais orquestras e coros do Rio de Janeiro (e de outros estado), sob a regência do maestro Rafael Barros Castro.

Em maio de 2016, Temer volta atrás e recria o Ministério da Cultura.

Reações contrárias nos Jogos Olímpicos Em agosto de 2016, Temer foi vaiado aos gritos de "Fora, Temer" no início e fim dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, bem como na abertura dos Jogos Paralímpicos, em 7 de setembro de 2016.Temer é vaiado no início, meio e fim da abertura dos Jogos , Revista VEJA Online, 7 de setembro de 2016 Neste mesmo dia, Temer já havia sido vaiado de modo semelhante no desfile cívico de comemoração da independência do Brasil em Brasília.Temer e primeira-dama deixam desfile de 7 Setembro aos gritos de 'golpista', O Dia, 7 de setembro de 2016

Protestos no dia da independência brasileira No dia 7 de setembro de 2016, ocorreram protestos contra o governo Temer em 25 estados e no Distrito Federal. A maior manifestação ocorreu na cidade de Salvador.25 estados e DF têm protestos contra Michel Temer no 7 de Setembro, acesso em 08 de setembro de 2016.

Protestos contra a PEC do Teto dos Gastos Públicos

Ocorreram protestos contra a PEC do Teto dos Gastos em diversos estados e no Distrito Federal nos dias 24 de outubro,Grupos protestam contra a PEC 241 em ao menos 15 estados e no DF, acesso em 24 de outubro, de 2016. 11 de novembroGrupos protestam em 18 estados e no DF contra a PEC que limita gastos, acesso em 24 de outubro, de 2016. e 25 de novembro de 2016,Manifestantes fazem protestos contra a PEC dos gastos pelo país, acesso em 25 de novembro de 2016. na Avenida Paulista no dia 27 de novembro de 2016Ato protesta contra PEC do teto e anistia ao caixa 2 na Av. Paulista, acesso em 27 de novembro de 2016 e na Esplanada dos Ministérios no dia 29 de novembro, quando estava prevista a votação em primeiro turno no Senado.Ato contra a PEC do teto de gastos reúne 10 mil em frente ao Congresso, acesso em 29 de novembro de 2016. Inicialmente Temer e sua equipe minimizaram os protestos, tratando-os como algo inexpressivo realizado por grupos pequenos. Posteriormente mudaram a postura, visando evitar maior agitação de seus críticos, e começaram a referir-se aos protestos como algo natural da democracia, adotando o discurso de que deve-se respeitar o direito de manifestação.Junia Gama/Eduardo Barrreto (09/09/2016). O Globo. «Após minimizar manifestações, governo muda reação a protestos».oglobo.globo.com. Consultado em 24/01/2017.

Protestos contra a reforma da previdência

Em 15 de março de 2017, houve uma paralisação geral contra a reforma da previdência, anunciada pelo então presidente da República, Michel Temer em 2016. Nela teve um grande envolvimento de funcionários públicos, bancários e estudantes, sendo a paralisação organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O motivo da paralisação, iniciou-se após ser assinado uma Emenda Constitucional, número 287/2016. Essa emenda tem como funcionalidade exigir, que os trabalhadores tenham no mínimo 25 anos de contribuição dentro da Previdência Social, tanto no setor público quanto no privado, além de exigir idade mínima da 65 anos para a aposentadoria. Tais mudanças, entre outras, seriam válidas tanto para homens quanto pra mulheres.

A reforma em questão foi assinada pelo então ministro da fazenda, Henrique Meirelles, por causa de um rombo bilionário na previdência social. Este rombo, segundo o INSS, chegou a 316,5 bilhões de reais em 2016, tendo um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores.

Devido à reforma da previdência e também à reforma trabalhista, sindicatos e movimentos sociais organizaram uma greve geral em 28 de abril de 2017.

Cronologia O governo Temer foi alvo de protestos e manifestações populares desde os primeiros dias. A primeira entrevista para o programa Fantástico foi recebida por parte da população com "panelaços" e "apitaços", além de gritos de ordem como "golpista", em diversos locais do país. Em 17 de maio de 2016, entidades como a União Nacional dos Estudantes, o Levante Popular da Juventude, a União da Juventude Socialista e a União Brasileira de Mulheres levaram cerca de oito mil pessoas à Avenida Paulista, em São Paulo, para pedir o afastamento do presidente interino.

Em reação ao fechamento do Ministério da Cultura, militantes do setor ocuparam, em maio de 2016, as sedes do órgão em diversos estados. Foram ocupados, entre outros, o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, e os prédios da Funarte em Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. A ocupação recebeu apoio de artistas como Otto e Arnaldo Antunes, que fizeram shows no Palácio Capanema.

No dia 17 de maio, durante o Festival de Cannes, na França, integrantes da equipe do filme Aquarius, incluindo o diretor Kleber Mendonça Filho e a atriz Sônia Braga, mostraram cartazes em protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff. Em sua conta oficial no Twitter, Dilma Rousseff agradeceu o apoio.

Em 21 de maio, um grupo de cerca de sessenta manifestantes ocupou a área em frente à residência de Michel Temer em São Paulo. No dia seguinte, a Polícia Militar de São Paulo proibiu o acesso ao local, com a justificativa de que se tratava de "área de segurança presidencial". Também no dia 22, houve um protesto no Rio de Janeiro, onde o presidente interino previa comparecer à inauguração do Veículo leve sobre trilhos (VLT) no centro da cidade. A cerimônia, porém, foi cancelada. A Virada Cultural do mesmo dia foi igualmente marcada por manifestações contra o governo.

Em 10 de junho, houve novas manifestações em todo o país; milhares de pessoas se reuniram na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), em um protesto contra o presidente interino Michel Temer. O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo sem Medo e reuniu movimentos e centrais sindicais como: Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Intersindical, CTB, Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros. Um caminhão de som foi colocado para que políticos e líderes sociais se pronunciassem, incluindo o ex-presidente Lula, que participou do ato. Os objetivos foram protestar contra o impeachment de Dilma Rousseff, contra os chamados retrocessos sociais do governo Temer, pelos direitos dos trabalhadores, pela democracia e contra a reforma na Previdência Social. Não havia consenso a respeito do plebiscito das novas eleições.

No dia 7 de setembro, ocorreram protestos contra o governo Temer em 25 estados e no Distrito Federal. A maior manifestação ocorreu na cidade de Salvador. No dia 22 de setembro, centrais sindicais promoveram o "Dia Nacional de Paralisação e Mobilização das Categorias" contra as propostas de reformas na legislação trabalhista e previdenciária, em pelo menos 23 estados e no Distrito Federal. Pelo menos 32 cidades registraram manifestações, a maior delas em Salvador. Os atos contaram com o apoio dos movimentos Frente Brasil Popular e Povo sem Medo.Centrais sindicais fazem protestos contra reformas propostas por Temer, acesso em 23 de setembro de 2016.

Ocorreram protestos contra a PEC do Teto dos Gastos em diversos estados e no Distrito Federal nos dias 24 de outubro, 11 de novembro e 25 de novembro de 2016, na Avenida Paulista no dia 27 de novembro de 2016 e na Esplanada dos Ministérios no dia 29 de novembro, quando estava prevista a votação em primeiro turno no Senado. Inicialmente Temer e sua equipe minimizaram os protestos, tratando-os como algo inexpressivo realizado por grupos pequenos. Posteriormente mudaram a postura, visando evitar maior agitação de seus críticos, e começaram a referir-se aos protestos como algo natural da democracia, adotando o discurso de que deve-se respeitar o direito de manifestação.

No dia 15 de março de 2017, ocorreram manifestações em dezenove estados e no Distrito Federal, contra a proposta de reforma da Previdência encaminhada pelo Governo Temer ao Congresso. Os protestos, sob o título de O Dia Nacional de Paralisações e Greves contra as reformas da Previdência e Trabalhista, foram organizados por centrais sindicais e movimentos como CUT (Central Única dos Trabalhadores), CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. A paralisação dos transportes públicos e a ocupação das vias públicas causou transtornos sobretudo em São Paulo, Curitiba e Salvador. Em discurso, o presidente defendeu a reforma como a única maneira de garantir os benefícios dos aposentados no futuro.Protestos contra reformas do governo Temer ocorrem em 19 Estados e no DF, acesso em 15 de março de 2017.Protestos contra a reforma da Previdência pelo país; FOTOS, acesso em 15 de março de 2017.