A Escola de Treino de Voo N.º 1 ((No. 1 FTS)) foi uma escola da Força Aérea Real Australiana (RAAF). Foi uma das unidades originais da força aérea, cuja data remonta a 1921, quando foi criada a Base aérea de Point Cook, em Victoria. Durante os anos 30, a escola ministrava instrução de pilotagem em aviões de caça e hidroaviões. Foi reformada várias vezes nos anos seguintes, sendo inicialmente rebaptizada Escola de Treino de Voo de Serviço N.º 1 (No. 1 SFTS) em 1940, sob o Plano de Treino Aéreo da Comunidade Britânica. Depois de formar mais de 3 000 pilotos, a No. 1 SFTS foi extinta em 1944, altura em que deixou de ser necessário treinar jovens australianos para prestarem serviço no teatro europeu como pilotos.
A instituição foi restabelecida em 1946 como No. 1 FTS na Base aérea de Uranquinty, em Nova Gales do Sul, e transferida para Point Cook no ano seguinte. Sob a reestruturação da instrução e treino de pilotagem, para ir de encontro com as necessidades provocadas pela Guerra da Coreia e pela Emergência Malaia, a escola foi restituída em 1952 como Escola de Treino de Voo Aplicado N.º 1 (No. 1 AFTS), sendo transferida para a Base aérea de Pearce em 1958. Durante a maior parte deste período, a escola também foi responsável pelo treino dos controladores de tráfego aéreo da RAAF. A massa de pilotos instruídos incluía pilotos do Exército Australiano, da Marinha Australiana, da RAAF e vários pilotos de outros países. A reorganização da instrução e treino de pilotagem da RAAF durante os anos 50 levou à criação, na Base aérea de Uranquinty, da Escola de Treino de Voo Básico N.º 1 (No. 1 BFTS), que posteriormente foi transferida para Point Cook em 1958. Em 1969 a No. 1 AFTS foi restituída como Escola de Treino de Voo N.º 2 da RAAF e a No. 1 BFTS foi recriada como No. 1 FTS. Em 1993, a racionalização do treino de voo da RAAF levou ao encerramento desta escola.
História Primeiros anos esquerda|miniaturadaimagem|Um Avro 504K da No. 1 FTS em Julho de 1926 A Escola de Treino de Voo N.º 1 foi a primeira unidade a ser formalmente criada como parte da nova Força Aérea Australiana, em 31 de Março de 1921 (o termo “Real” foi adicionado em Agosto do mesmo ano). A No. 1 FTS foi formada a partir da força aérea original criada na Austrália, a Escola de Voo Central, na Base aérea de Point Cook, Victoria.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 41Stephens, The Royal Australian Air Force, p. 29 William Anderson, que à época estava responsável pela base de Point Cook, tornou-se no primeiro comandante da escola. O efectivo inicial da escola era composto por 12 oficiais e 67 militares.
Em Dezembro de 1921, o Australian Air Board preparou-se para formar os primeiros cinco esquadrões e distribuir as aeronaves entre eles, assim como para a nova escola. Planeava-se munir a No. 1 FTS com doze aviões Avro 504 e quatro aviões Sopwith Pup, enquanto os esquadrões receberiam oito aviões Royal Aircraft Factory S.E.5, oito Airco DH.9 e três Fairey III.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 42 Problemas de financiamento forçaram a força aérea a acabar com os esquadrões, tendo os mesmos sido reformulados como esquadrilhas dentro de um único esquadrão na No. 1 FTS.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 43 No mesmo mês, o Tenente Frank McNamara assumiu o comando da escola.
O curso inaugural iniciou-se em Janeiro de 1923. A instrução básica fez uso do Avro 504, enquanto treinos mais especializados fizeram uso de outras aeronaves da escola. 14 estudantes começaram o curso, dos quais 12 foram graduados.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 34–35 Além de voar, os estudantes realizaram acrobacias aéreas, estudaram comunicações, navegação, armamento e ordem unida.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 199 Em 1925, o Squadron Leader Anderson assumiu o comando da No. 1 FTS; no ano seguinte foi rendido pelo Wing Commander Adrian Cole, comandante até 1929. No curso que decorreu entre Dezembro de 1925 e Março de 1926, 26 dos 30 estudantes completaram o curso. Embora 24 acidentes tenham ocorrido durante o curso, não houve nenhum acidente mortal, levando Cole a proferir as seguintes palavras na cerimónia de conclusão do curso: “ou os alunos são feitos de borracha ou aprenderam como sair vivos de um acidente aéreo".Stephens, The Royal Australian Air Force, p. 37Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 234–238 Contudo, durante o curso de cadetes em 1926 ocorreram acidentes que levaram à morte de três militares.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 207 No ano seguinte, 29 estudantes graduaram-se, dos quais 13 cadetes, nove reservas, e sete destinados a uma troca com a Força Aérea Real (RAF).Gillison, Royal Australian Air Force, p. 28, Em Junho de 1928, os aviões Avro 504 foram substituídos por aviões de Havilland DH.60 Moth.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 173 direita|miniaturadaimagem|Um cadete preparando-se para um voo sozinho, num avião Westland Wapiti, em Point Cook, 1938 O Squadron Leader McNamara retomou ao comando da escola em 1930; por esta altura, duas sub-unidades haviam sido criadas: o Esquadrão de Caças da RAAF, operando aviões Bristol Bulldog, e o Esquadrão de Hidroaviões da RAAF, operando aeronaves Supermarine Southampton e outras aeronaves.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 186–187 Em Fevereiro de 1934, a No. 1 FTS foi organizada em três esquadrões: Esquadrão de Treino, operando aviões de Havilland DH.60 Moth e Westland Wapiti, Esquadrão de Caças e Esquadrão de Hidroaviões. Neste mesmo mês, ambos os esquadrões de caças e hidroaviões foram formalmente estabelecidos como unidades,RAAF Historical Section, Fighter Units, pp. 146–147RAAF Historical Section, Maritime and Transport Units, pp. 187–190 contudo permaneceram sob o controlo da escola.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 127–128 Além de participar em exercícios de treino, o Esquadrão de Caças era frequentemente designado para efectuar exibições acrobáticas e outras missões de cerimonial.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 104, 405 Um dos maiores instrutores da No. 1 FTS durante os anos 30, o Flight Lieutenant Frederick Scherger, também foi comandante do Esquadrão de Caças.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 188–189, 202–203 O Esquadrão de Hidroaviões realizou várias operações com as forças navais, assim como participada na instrução de pilotagem de hidroaviões.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 186–187, 380–381 O Esquadrão de Caças foi dissolvido em Dezembro de 1935, quando os aviões Bristol Bulldog foram transferidos para o Esquadrão N.º 1 da RAAF, na Base aérea de Williams, enquanto o Esquadrão de Hidroaviões continuou no seu normal funcionamento até Junho de 1939, altura em que foi transferido para formar o núcleo do Esquadrão N.º 10 da RAAF.
Em 1932, a escola começou a efectuar dois cursos por ano, o primeiro iniciando-se em Janeiro e o segundo em Julho; foi também neste ano que começou a formar apenas militares da categoria de oficiais, assumindo a linha de formação do Royal Australian Naval College e do Royal Military College (Duntroon).Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 200–201 Havia cerca de 1 200 aplicações por cada curso para apenas 12 vagas.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 205 Em 1933, Hippolyte De La Rue tornou-se comandante.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 271 No ano seguinte, a escola começou a lecionar cursos regulares em sinalização, aerofotografia, observação aérea e manutenção de aeronaves.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 198 Em Abril de 1936, a escola recebeu os seus primeiros Avro 643 Cadet, que serviriam para preencher a falha no treino que existia entre o Gipsy Moth e o Wapati.Wilson, Military Aircraft of Australia, p. 22 De La Rue, entretanto, é sucedido por Frank Lukis em 1938. Por esta altura a escola formava 96 novos pilotos por ano, sendo que uma pequena percentagem deles eram destacados posteriormente para a RAF.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 44, Em Março de 1939 os primeiros simuladores Link Trainer são introduzidos na escola.
Segunda Guerra Mundial alt=|esquerda|miniaturadaimagem|200x200px|Militar com a sua família e amigos depois de se graduar na escola, em Dezembro de 1943 O treino de pilotagem da RAAF sofreu uma forte reorganização com o despoletar da Segunda Guerra Mundial, dada a participação australiana no Plano de Treino Aéreo do Império Britânico (EATS). Várias escolas elementares de instrução de pilotagem foram formadas para dar instrução básica de voo aos novos cadetes, enquanto o treino avançado ficou da responsabilidade das escolas de treino como a N.º 1.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 72–73, Gillison, Royal Australian Air Force, p. 97, No dia 1 de Maio de 1940, a escola foi reformulada em Point Cook como No. 1 Service Flying Training School (No. 1 SFTS). O seu comandante inaugural, John Summers, havia sido comandante do Esquadrão de caças durante os anos 30, e havia tomado posse da escola em Dezembro de 1939.RAAF Historical Section, Training Units, pp. 100–101Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 104 Os instrutores do esquadrão de treino foram destacados para formarem o núcleo da re-formada Escola de Voo Central, que foi transferida para Camden, Nova Gales do Sul, em Junho. Os cursos na escola passaram a ter dois módulos: um intermédio e um avançado; a duração total variou durante a guerra, consoante as necessidades de guerra. Inicialmente durando 16 semanas, o curso foi comprimido para 10 semanas (incluindo 75 horas de voo) em Outubro de 1940. Um ano depois, foi novamente alterado para 12 semanas (incluindo 100 horas de voo) e, mais tarde, voltou a ter uma duração de 16 semanas; a partir desta mudança, o tempo foi aumentando com o passar do tempo, atingindo o pico de 28 semanas em Junho de 1944.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 109,
Na altura em que foi formada, a No. 1 SFTS ficou sob o controle do Comando da Área do Sul da RAAF, com quartel-general em Melbourne.Ashworth, How Not to Run an Air Force!, p. 34 A frota de aeronaves da escola contava já com 52 aviões, incluindo Wapati, Avro Anson, Hawker Demon, e de Havilland Tiger Moth. John McCauley serviu como comandante da escola de Outubro de 1940 até Julho de 1941, quando foi rendido por Roy King. Em Julho, o efectivo de aeronaves da escola já havia sido expandido para mais de 100 aeronaves, incluindo Gipsy Moth, de Havilland DH.89 Dragon Rapide, Douglas C-47, CAC Wirraway e Airspeed Oxford. Em Agosto de 1941, o controle exercido pelo Comando da Área do Sul passou para o recém-formado Grupo de Treino N.º 1.Ashworth, How Not to Run an Air Force!, p. 46 Em Setembro, a escola era composta por 100 oficiais e mais de 2 000 militares, incluindo 300 cadetes, e estava organizada em esquadrão de treino, esquadrão de treino avançado, asa de manutenção, escola de armamento e escola de sinalização. Charles Read tomou o comando da escola em Outubro de 1943 até ao encerramento da escola, no dia 15 de Setembro de 1944, data pela qual já se havia formado cerca de 3 000 pilotos, entre eles Nicky Barr, que se tornou um dos maiores ases da aviação da Austrália na campanha norte-africana, e Bill Newton, condecorado com a Cruz Victória pela sua prestação de serviço em missões de bombardeamento.Weate, Bill Newton VC, pp. 19–22 A RAAF ordenou o encerramento da escola em Agosto de 1944, como parte de uma redução no treino de pilotos e tripulações, depois de uma informação do Ministério do Ar britânico dizendo que já não precisava dos graduados do Plano de Treino Aéreo no teatro europeu.
Pós-guerra alt=|miniaturadaimagem|Um avião de treino Wirraway durante os anos 50