miniaturadaimagem|Cartaz publicitário dos espectáculos de Buffalo Bill, de 1899 thumb|Pintura Smoke of a .45 de Charles M. Russell Faroeste ou western é um gênero de vários tipos de arte que contam histórias ambientadas, primordialmente, no Velho Oeste dos Estados Unidos do século XIX, normalmente centrado na vida dos cowboys ou pistoleiros armados com revólveres e rifles da época, em cima dos seus cavalos. Estes personagens frequentemente usavam o notório chapéu stetson, bandanas, esporas, botas e camurças. Outros personagens incluem índios americanos, bandidos, homens da lei, caçadores de recompensas, foras da lei, cavalaria montada, colonos e moradores da cidade.Nachbar, John G. Focus on the Western (Prentice Hall, 1974) Embora a maioria das histórias se passe durante o período de expansão para o oeste no século XIX, especialmente entre meados desse século (por volta da Corrida do ouro na Califórnia) e o encerramento da fronteira em 1890, contudo, há obras que fogem a essa cronologia.

O gênero retrata a fronteira americana como uma região pouco povoada e marcada pela ausência de lei, explorando temas como justiça, liberdade, individualismo, o conflito entre civilização e natureza selvagem, e a identidade nacional dos Estados Unidos. Em obras mais antigas, os nativos costumavam ser estereotipados como vilões; já produções recentes oferecem visões mais complexas e humanizadas.

Originado na tradição vaqueira, o faroeste popularizou mundialmente o estilo de vida, a música e a moda do Oeste. O termo "western" adaptado do inglês west é usado tanto no cinema quanto na literatura. No Brasil, esse gênero é conhecido como faroeste derivação de far-west, expressão pela qual o Velho Oeste também é designado ou bang-bang, aportuguesado por vezes como bangue-bangue. Esta última denominação tem origem onomatopaica: reproduz o som seco e repetido dos tiros de revólver, tão característicos dos duelos e perseguições armadas que marcaram os filmes do gênero.

A visão mítica do Velho Oeste pode ser rastreada pelo menos até o próprio Wild West and Congress of Rough Riders of the World, o espetáculo que Buffalo Bill levou ao redor do mundo a partir de 1883 .

O gênero inspirou todas as formas de arte: cinema, literatura, quadrinhos, música, televisão, videogames, pintura e até ópera. Embora frequentemente idealizado como símbolo de liberdade e esperança, o Velho Oeste também foi um território violento e sem leis, onde armas de fogo e fora da lei eram comuns.

Características

O faroeste tem como palco as regiões oeste e sul dos Estados Unidos entre o fim da Guerra de Secessão e o final da década de 1880, abordando temas como cowboys e transporte de gado, conflitos entre brancos e índios, a aplicação da lei e o avanço da civilização, além de histórias de caçadores, pioneiros, montanheses, corrida do ouro e mineração. Trata-se de um drama moral que confronta o selvagem e a civilização, seja pela conquista do deserto em nome do progresso ou pela expropriação dos territórios nativos.Newman, Kim (1990). Wild West Movies. Bloomsbury.

As narrativas giram em torno de andarilhos, cowboys ou pistoleiros armados, herdeiros dos cavaleiros andantes medievais e comparáveis aos ronin japoneses, que vagam guiados por um código de honra pessoal. Os homens vestem chapéus Stetson, bandanas, coletes e botas com esporas, enquanto as mulheres aparecem em papéis secundários como interesse amoroso, garota de salão, prostituta ou esposa, esta última podendo gerar conflito entre herói e vilão ou ser alívio cômico. O elenco inclui ainda nativos americanos ou pele-vermelhas, afro-americanos, sino-americanos, espanhóis, mexicanos, xerifes, caçadores de recompensas, fora da lei, barmen, comerciantes, jogadores, soldados e colonos.

Os cowboys usam chapéus Stetson, lenços, esporas e peles de veado, usam revólveres ou rifles como ferramentas cotidianas de sobrevivência e como meio de resolver disputas usando justiça de fronteira. Os protagonistas cavalgam entre cidades empoeiradas e fazendas de gado em seus corcéis fiéis.

Os cenários típicos são ranchos, cidades de fronteira, saloons, ferrovias e fortes militares em meio a uma paisagem árida de desertos e montanhas, que oferece uma "visão mítica do Oeste americano" e reforça o isolamento do selvagem. O saloon é o coração do Velho Oeste, com música de piano, prostitutas, jogos de azar, bebidas, brigas e tiros; onde a civilização chegou, há igreja, loja, banco e escola; onde a fronteira impera, como disse Sergio Leone, a vida não tem valor. Outros locais incluem acampamentos de mineração, cânions para emboscadas, cidades-fantasma, rios perigosos, campos de batalha da Guerra Civil e territórios indígenas. O enredo típico parte de um crime, segue-se a perseguição ao culpado e termina em vingança com um duelo, cena imortalizada em Matar ou Morrer.

A sociedade do faroeste baseia-se em códigos de honra e na "justiça de fronteira" por tiroteios, em oposição à justiça racional e institucional das cidades. Embora geralmente moralistas, obras como as de John Ford e Os Imperdoáveis de Clint Eastwood trazem ambiguidade. Outros temas recorrentes são o choque entre modernidade e tradição, a violência como recurso ou status, o trauma da Guerra Civil, identidades ocultas, redenção, solidão do pioneiro, capitalismo predatório de magnatas, lealdade entre parceiros e a nostalgia pelo fim de uma era. A atmosfera é complementada por trilha sonora de música folclórica americana, country, nativa americana, do Novo México e rancheras.

Frank Gruber determinou que existiam apenas sete tipos em torno de determinados eixos argumentais básicos das tramas, embora tenha esquecido alguns aspectos:

História da Union Pacific: a história do trem e da companhia Union Pacific (construção de ferrovias ou telégrafos, histórias de trens). História de rancho: a vida em um rancho ou fazenda, cowboys, animais de fazenda, guerras de pasto entre agricultores e pecuaristas... Também as ameaças ao rancho por parte de ladrões ou grandes proprietários ansiosos por se apropriarem dele. História de império: narra a construção de um rancho ou de um império do petróleo a partir do zero. História de vingança: histórias de vingança que envolvem a perseguição por parte de um indivíduo agravado, duelos e violência, mas também podem incluir elementos de mistério. História de cavalaria e índios: a história geralmente gira em torno da "domesticação" do deserto para o homem branco. Histórias militares. George Armstrong Custer, a cavalaria, as guerras indígenas, a Guerra de Secessão... História de fora da lei: o foragido ou fora da lei (histórias de bandos criminosos e a mitologia de famosos pistoleiros e bandoleiros: o Tiroteio no O.K. Corral, Jesse James, Billy the Kid, etc.). História do xerife: o homem da lei e seus desafios impulsionam a trama. Ou a história da implantação da justiça no Oeste (xerifes, delegados, cidades dominadas por caciques...).

Poderia ser complementado com histórias de caçadores, pioneiros e montanheses, ou textos que tratam da corrida do ouro e da indústria mineradora.

Na mídia

Cinema

alt=|thumb|right|250px|The Great Train Robbery filme completo (1903); duração 00:11:51. right|thumb|240px|Justus D. Barnes em trajes de faroeste, como "Bronco Billy Anderson", do cinema mudo The Great Train Robbery (1903), o segundo filme faroeste e o primeiro filmado nos Estados Unidos O American Film Institute define filmes faroeste como aqueles "ambientados no oeste americano que [incorporam] o espírito, a luta e o fim da nova fronteira". Originalmente, esses filmes eram chamados de "dramas do Oeste Selvagem", uma referência aos espetáculos do Oeste Selvagem como os de Buffalo Bill Cody. O termo "western", usado para descrever um gênero de filme narrativo, parece ter se originado de um artigo de julho de 1912 na revista Motion Picture World.

A maioria das características dos filmes faroeste faziam parte do faroeste popular do século XIX, e estavam firmemente estabelecidas antes do cinema se tornar uma forma de arte popular. Os primeiros filmes que pertencem ao gênero são uma série de curtas silenciosos de um rolo feitos em 1894 pelos Edison Studios em seu estúdio Edison's Black Maria em West Orange, New Jersey. Esses filmes apresentavam veteranos do espetáculo Wild West de Buffalo Bill exibindo habilidades adquiridas ao viver no Velho Oeste – eles incluíam Annie Oakley (tiro) e membros dos Sioux (dança).miniaturadaimagem|Tom Mix, um dos primeiro astros do gênero em um filme de 1919.|esquerda O primeiro filme narrativo faroeste conhecido é o curta britânico Kidnapping by Indians, feito por Mitchell and Kenyon em Blackburn, Inglaterra, em 1899. The Great Train Robbery (1903, baseado no filme britânico anterior A Daring Daylight Burglary), filme de Edwin S. Porter estrelado por Broncho Billy Anderson, é frequentemente erroneamente citado como o primeiro faroeste, embora George N. Fenin e William K. Everson apontem (como mencionado acima) que a "companhia Edison havia trabalhado com material faroeste por vários anos antes de The Great Train Robbery". Ainda assim, eles concordam que o filme de Porter "estabeleceu o padrão—de crime, perseguição e retribuição—para o filme faroeste como um gênero". A popularidade do filme abriu as portas para Anderson se tornar a primeira estrela faroeste da tela; ele fez várias centenas de curtas faroeste. Tão popular era o gênero que ele logo enfrentou competição de Tom Mix e William S. Hart.

Os filmes faroeste foram enormemente populares na era do cinema mudo (1894–1927). Com o advento do som em 1927–1928, os grandes estúdios de Hollywood rapidamente abandonaram os faroestes,New York Times Magazine (10 de novembro de 2007). deixando o gênero para estúdios menores e produtores. Essas organizações menores produziram incontáveis filmes de baixo orçamento e seriados na década de 1930. Uma exceção foi The Big Trail, um faroeste americano pré-Código Hays de 1930 em tela panorâmica filmado em locação no oeste americano, estrelado por John Wayne de 23 anos em seu primeiro papel principal e dirigido por Raoul Walsh. O filme épico notável por sua autenticidade foi um fracasso financeiro devido aos cinemas da era da Depressão não estarem dispostos a investir na tecnologia de tela panorâmica. Os faroestes B dominaram as décadas de 1930 e 1940, produzidos por estúdios menores com baixo orçamento e voltados principalmente para o público infantojuvenil das matinês. As crianças participavam ativamente das sessões, garantindo a produção de dezenas de seriados com personagens e enredos padronizados.

Os seriados eram uma espécie de filme B com características próprias: herói, heroína, vilão, capangas, prêmio, cliffhanger (gancho no final de cada capítulo) e, muitas vezes, mistério com identidades secretas reveladas apenas no último capítulo. A Republic Pictures foi a maior produtora do gênero, desenvolvendo projetos anuais para suas obras.