miniaturadaimagem|Exportação restrita:a criptografia RSA, de código-fonte impressa em uma camiseta fez dela um produto exportação restrita e uma munição pela liberdade de expressão um protesto contra as restrições dos EUA à exportação de criptografia. (As costas da camisa mostra cláusulas relevantes da Bill of Rights sob um carimbo escrito 'VAZIO') Alterações na lei de exportação significa que não é mais ilegal exportar esta camiseta dos EUA, ou para os seus cidadãos mostrarem para estrangeiros. O nome não oficial "Guerras Criptográficas" se refere às tentativas do governos dos EUA e aliados de limitar ao público e às nações estrangeiras o acesso à criptografia forte o suficiente para resistir a descriptografia pelas agências nacionais de inteligência, especialmente a NSA.

No início dos anos 2000, e novamente em 2005, defensores da privacidade chegaram a celebrar que as Guerras Criptográficas teriam sido vencidas pelo acesso público legal à criptografia. Mas depois descobriu-se que uma segunda batalha continuou a ser disputada secretamente. Edward Snowden revelou que o programa Bullrun da NSA tinha por objetivo enfraquecer secretamente os algoritmos da criptografia e suas implementações.

Exportação de criptografia dos Estados Unidos

Guerra Fria No início da Guerra Fria, os EUA e seus aliados desenvolveram uma série de elaborados controles de regulação da exportação, para prevenir que a tecnologia ocidental caísse nas mãos de outros países, particularmente do Bloco do Leste. Toda a exportação de tecnologia classificada como "crítica" requeria uma licença. Organizou-se em 1950 um Comitê de Coordenação para Controle Multilateral de Exportações ("Coordinating Committee for Multilateral Export Controls") - CoCom.

Dois tipos de tecnologia eram protegidas: a tecnologia associada apenas às armas de guerra ("munições") e tecnologia de uso duplo, que também tinha aplicações comerciais. Nos EUA, a exportação de tecnologia de uso duplo era controlada pelo Departamento de Comércio, enquanto as munições eram controladas pelo Departamento de Estado. Como no período imediato pós Segunda Guerra Mundial o mercado de criptografia era quase inteiramente militar, a tecnologia correspondente (técnicas, equipamento e, depois que os computadores se tornaram importantes, programas de criptografia) foi incluída como um item da Categoria XIII na Lista de Munições dos Estados Unidos. O controle multinacional da exportação de criptografia no lado Ocidental da divisão da Guerra Fria era feito através de mecanismos da CoCom.

Na década de 1960, organizações financeiras estavam começando a exigir criptografia comercial forte no crescente campo de transferência bancária. A introdução do Padrão de Criptografia de Dados em 1975, pelo governo dos Estados Unidos, tornou comuns os usos comerciais da criptografia de alta qualidade, e sérios problemas de controle de exportação começaram a surgir. Geralmente esses problemas eram enfrentados caso a caso com licença de exportação requeridas por fabricantes de computadores, como a IBM e suas grandes corporações clientes.

Computador pessoal Os controles de exportação de criptografia se tornaram uma questão de preocupação pública com a introdução do computador pessoal. O Sistema criptográfico PGP de Phil Zimmermann e sua distribuição na Internet, em 1991, foi o primeiro grande desafio em nível individual para o controle de exportação de criptografia. O crescimento do comércio eletrônico na década de 1990 criou uma pressão adicional para a redução de restrições. Pouco depois, a tecnologia SSL da Netscape foi amplamente adotada como um método para a proteção de transações de cartão de crédito que usavam criptografia de chave pública.

As mensagens criptografadas com SSL utilizavam a cifra RC4 com chaves de 128 bits. Mas os regulamentos de exportação do governo dos EUA não permitiam a exportação de sistemas de criptografia com chaves de 128 bits. À época os governos ocidentais tinham, na prática, uma dupla personalidade em relação à criptografia: a política era elaborada ppor criptoanalistas militares, que estavam apenas preocupados com a prevenção da aquisição de segredos por seus inimigos, mas essa política era comunicada ao comércio por oficiais cujo trabalho era apoiar a indústria.

O maior tamanho de chave permitido para exportar, sem processos de licença individual era de 40 bits, então a Netscape desenvolveu duas versões do seu navegador web. A "edição" dos EUA tinham a força total de 128 bits e a "edição Internacional" teve o seu comprimento de chave efetivamente reduzido para 40 bits, por meio da revelação de 88 bits da chave no protocolo da SSL. Adquirir a versão "doméstica dos EUA" acabou por ser tão incômodo que a maioria dos usuários de computador, mesmo nos EUA, acabou utilizando a versão "internacional", cuja criptografia fraca de 40 bits poderia ser quebrada em questão de dias, através de um único computador pessoal. Uma situação semelhante ocorreu com o Lotus Notes, pelas mesmas razões.Crypto: How the Code Rebels Beat the Government—Saving Privacy in the Digital Age, Steven Levy, Penguin, 2001

As ações judicias conhecidas como Bernstein contra os EUA (propostas por Peter Junger e outros defensores das liberdades civis e da privacidade), a disponibilidade generalizada de software de criptografia fora dos EUA, e a percepção por parte de muitas empresas de que a publicidade adversa sobre criptografia fraca estava limitando suas vendas e o crescimento do e-commerce levaram a uma série de dispensas nos controles de exportação dos EUA. Em 1996 o Presidente Bill Clinton assinou a ordem executiva 13026 transferindo a criptografia comercial da Lista de Munições para a Lista de Controle do Comércio e determinando que "software não deve ser considerado ou tratado como 'tecnologia", para fins de aplicação dos Regulamentos de Administração de Exportação. Esta ordem permitiu que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos implementasse regras para simplificar enormemente a exportação de programas proprietários e de código aberto contendo criptografia, o que foi feito em 2000.

Situação atual Desde 2009, as exportações não-militares de criptografia dos EUA são controladas pelo Departamento de Comércio de Bureau da Indústria e Segurança (BIS). Ainda existem algumas restrições, até nas comercializações em massa, particularmente no que se refere a exportações para "Estados vilões" e organizações terroristas. Equipamentos de criptografia militarizada, eletrônicos aprovados pela TEMPEST, software criptográfico personalizado e até mesmo serviços de consultoria criptográfica ainda exigem licença de exportação. No entanto, o registro de criptografia no BIS é necessário para a exportação de "comercializações em massa de mercadorias criptografadas, softwares e componentes com criptografia superior a 64 bits" (75 FR 36494). Além disso, outros itens necessitam de uma única revisão ou uma notificação ao BIS antes da exportação para a maioria dos países. Por exemplo, o BIS deve ser notificado antes que o software criptográfico de código aberto seja disponibilizado publicamente na Internet, embora nenhuma revisão seja necessária. As regulamentações de exportação foram flexibilizadas desde as normas anteriores a 1996, mas continuam a ser complexas. Outros países, notadamente os que participam no Acordo de Wassenaar, têm restrições semelhantes.

Sinais de Celular Chip Clipper

O Chip Clipper é um conjunto de chips para telefones móveis feito pela NSA nos anos 1990, o qual implementava a criptografia com uma backdoor para o governo estadunidense. O governo dos EUA tentou fazer com que as manufaturas de telefones adotassem o conjunto de chips, mas sem sucesso, e o programa foi extinto em 1996.

A5/1 (Criptografia GSM) A5/1 é um fluxo de cifras utilizado para promover a privacidade da comunicação pelo ar em padrões de GSM de telefone celular.

O pesquisador em segurança, Ross Anderson relatou, em 1994, que "há uma linha fantástica entre as agências de inteligência NATO em meados dos anos 1980 se além da criptografia GSM deveria ser mais forte ou não. Os alemães acreditam que deveria ser, a medida que eles compartilham uma longa fronteira com o Warshaw Pact; mas outros países não se sentem da mesma maneira, e o algoritmo como agora é encaminhado é um design francês".

De acordo com o professor Jan Arild Audestad, no processo de padronização o qual começou em 1982, A5/1 foi proposto originalmente para ter uma chave de 128 bits de comprimento. Naquele momento, 128 bits foram projetados para serem seguros por pelo menos 15 anos. Agora é estimado que 128 bits possa de fato também ser seguro em 2014. Audestad, Peter Van der Arend, e Thomas Haug dizem que os britânicos insistem em enfraquecer a criptografia, com Haug dizendo que um delegado britânico afirmou queriam uma criptografia mais forte para proteger contra a espionagem da Alemanha Oriental, então o compromisso se tornou um comprimento chave de 56 bits.

Os Desafios DES O algorítimo de criptografia DES, é amplamente utilizado e foi planejado originalmente pela IBM para ter um tamanho de chave com 64 bits; a NSA pressionou para uma chave com tamanho de 48 bits. No fim estabeleceu-se uma chave de 56 bits. Por volta de 1997 porém, o DES foi considerado por muitos inseguro e após a fuga de Snowden e o vazamento de documentos em 2013 mostrou-se que ele era, de fato, facilmente craqueável pela NSA, porém ainda recomendado pelo NIST. Os Desafios do DES foram uma série de competições de ataques criada pela RSA Security, para destacar a falta de segurança do Padrão de Criptografia de Dados. Como parte do sucesso da quebra das mensagens codificadas do DES,a EFF construíu um computador especializado nas fissuras em DES apelidado de Deep Crack.

O sucesso da quebra do DES provavelmente ajudou a reunir tanto apoio político e técnico para que criptografias mais avançadas estivessem ao alcançe de cidadãos comuns. Em 1997, o NIST começou uma competição para escolher um substituto para o DES, resultando na publicação, em 2000, do Advanced Encryption Standard (AES). NSA considera o AES forte o suficiente para proteger as informações classificadas secretas do mais alto nível.

Programa Bullrun de Snowden e da NSA

Temendo a adoção generalizada da criptografia, a NSA decidiu furtivamente influenciar e enfraquecer os padrões de criptografia e obter chaves mestre - seja por acordo, pela força da lei ou pela exploração da rede de computadores (hacking).

De acordo com o New York Times: "Em 2006, por uma nota do documento da NSA, a agência entrou em comunicação com três companhias aéreas estrangeiras, um sistema de reserva de viagens, um departamento nuclear de um governo estrangeiro e outro serviço da Internet, rompendo as redes privadas virtuais que os protegiam. Em 2010, o programa Edgehill''', o esforço de contra-criptografia britânico, era decifrar o tráfego VPN por 30 alvos e definiu um objetivo de um adicional de 300."