Lívia Maria Natália de Souza (Salvador, 25 de dezembro de 1979), é uma poeta, professora universitária, pesquisadora e Iyalorixá brasileira.Água negra e outras águas. Poesia.netEm debate na Flica, Livia Natália diz: 'Eu digo como quero ser representada’. G1, 17 de outubro de 2015 É ganhadora dos prêmios literários Banco Capital (2010) e APCA - Associação Paulista de Críticos de Artes (2017).

Trajetória Acadêmica Em 2002 a escritora se formou em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Em 2005 se tornou mestre e em 2008 doutora em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura pela UFBA. Posteriormente realizou pós-doutorado em Literatura Brasileira pela UNB. Atualmente, Lívia Natália é professora adjunta de Teoria da Literatura na UFBA e se dedica a pesquisas acadêmicas em torno da literatura escrita por mulheres negras no Brasil e nos PALOP, com foco nos temas de gênero, raça e sexualidade. É coordenadora dos grupos de pesquisa Derivas da Subjetividade na Escrita Contemporânea e Derivas da Subjetividade na Escrita Contemporânea.

Religiosidade Lívia Natália é Iyalorixá consagrada a Osun e Odé no Terreiro Ilê Asé Obanan. A vivência no Candomblé de fundamento Ketu é um dos temas que mais resoam em sua obra, utilizando a poesia como meio de reforçar a memória e a cultura ancestral do povo africano escravizado no Brasil. Pesquisadores em literatura já perceberam a influência da mitologia yorubá na obra de Natália, principalmente em relação a uma "voz poética devota a deusa das águas doces", ou seja, Oxum.

Obra Estreou como autora em 2011 com o livro de poesia Água Negra e, desde então, já publicou seis obras, inclusive uma voltada ao público infantojuvenil. Em seus escritos são recorrentes temáticas relacionadas à vivência da mulher negra com seu corpo, cabelos e todos os signos étnicorraciais que as atravessam, buscando subverter conceitos e reinventar modos de ser, contribuindo para construção de uma voz feminina e afro-brasileira. Em relação a pensadores e autores que a inspiram como escritora, Lívia Natália revelou:

Seu trabalho ganhou mais olhares em 2016, quando o seu poema Quadrilha, releitura de um clássico poema modernista de Carlos Drummond de Andrade publicado em 1930, foi censurado. A composição da releitura de Natália foi motivada por um acontecimento em que 12 pessoas morreram em uma ação da polícia militar em Salvador, no bairro de Cabula, em fevereiro de 2015. O caso ficou conhecido por "Chacina do Cabula" e foi acionado pelo Ministério Público, que denunciou nove policiais à Justiça, que aceitou a denúncia mas absolveu esses policiais. O poema de Lívia Natália foi vencedor do projeto Poesia nas Ruas, aprovado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia e deveria ter ficado exposto em outdoors na cidade de Ilhéus por dois meses, contudo, com apenas quatro dias de exibição, foi retirado por conta do teor crítico da violência policial contra populações negras. A escritora revelou ter sofrido ameaças de morte em decorrência da repercursão e da censura do poema. O noticiamento da censura gerou manifestações de apoio à professora Lívia Natália nas redes sociais, sites e blogues.

Quadrilha

"Maria não amava João.

Apenas idolatrava seus pés escuros.

Quando João morreu,

assassinado pela PM,

Maria guardou todos os sapatos.”

(“Correntezas e Outros estudos Marinhos” (Editora Ogum's Toques Negros, Salvador-BA, 2015).

O poeta Jorge Augusto, conterrâneo de Lívia Natália, analisou o poema:

Ficção 2010 - Água Negra - EPP Publicações 2015 - Correntezas e outros estudos marinhos - Ogum's Toques Negros 2016 - Água Negra e Outras Águas - EPP Publicações 2017 - Dia Bonito pra Chover - Editora Malê 2017 - Sobejos do Mar - EPP Publicações 2018 - As férias fantásticas de Lili. São Paulo: Ciclo Contínuo, 2018. (infantojuvenil). 2022 - Em face dos últimos Acontecimentos

Antologias Coletânea de Literatura Feminina Negra Louva Deusas. Organização de Louva Deusas. São Paulo: [s.n.], 2012. Ogum’s toques negros: coletânea poética. Organização de Guellwaar Adún, Mel Adún e Alex Ratts. Salvador: Ogum’s Toques Negros, 2014. Revista Palmares. Brasília, Ano x, v. 8, n.1, p. 85-86, Novembro de 2014.

Não ficção e trabalhos acadêmicos A pedagogia franqueada; Judith Grossmann e a cena Teórico-crítica do PPGLL do Instituto de Letras. 2008. Tese (Doutorado em Letras e Linguística) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008. A pedagogia da ausência e outras ensinanças: Judith Grossmann e a cena da escritura. 2005. Dissertação (Mestrado em Letras e Linguística) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2005. Dona flor a fiandeira nos silêncios: a dialética do amor e da moral como estratégia de sub-versão da castração. In: Praxis, Salvador, v. 4, 2006. As filigranas da dor em "Contos cruéis de guerra", de Ibéa Atondi. In: Independência (FDJ), v. 1, p. 67-74, 2007. "Dona Flor e seus dois maridos": a dialética do amor como estratégia para a subversão da castração. In: Quinto Império, Salvador, v. 2, p. 105-120, 2007. A lírica menor: por uma Teoria da Literatura das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. In Crítica Cultural, v. 5, p. 219-231, 2010. A violência como devir-sujeito em Albert Camus, José Padilha e Clarice Lispector. In: A Cor das Letras, Feira de Santana, UEFS, v. 11, p. 31-47, 2010. Onde faltar a tolerância, que sobreviva o respeito. In: A tarde, Salvador/Bahia, 21 jan. 2011. Os blogues como cena bioficcional na formação da literatura baiana contemporânea. In: Texto Digital, Rio de Janeiro, UERJ, v. 7, p. 113-130, 2011. Poéticas da Diferença: A representação de si na Lírica Afro-feminina. In: A Cor das Letras, Feira de Santana, UEFS, v. 12, p. 105, 2011. O estrangeiro e o estranho na cena da diferença em Camus e Clarice Lispector. In: OLIVEIRA, Humberto de; ABOMO-MAURIN, Marie-Rose. (Org.). Poéticas da alteridade. Feira de Santana: EduEFS, 2011. v. 1, p. 175-186. A lírica menor: por uma Teoria da Literatura das Literaturas africanas de Língua portuguesa. In: SANTOS, José Henrique de Freitas; Ricardo RISO. (Org.). Afro-rizomas na diáspora negra. Rio de Janeiro: Kitabu, 2013, v. 1, p. 89-102. Múltiplas Paragens do corpo intelectual: Poéticas da diferença em Mel Adún, Ana Paula Tavares e Esmeralda Ribeiro. In: SANTOS, José Henrique de Freitas; RISO, Ricardo. (Org.). Afro-rizomas na diáspora negra. Rio de Janeiro: Kitabu, 2013. v. 1, p. 143-162. Meu pai não montava a cavalo, nem ia para o campo: algumas questões sobre a formação da escritora e do leitor negro no Brasil contemporâneo. In: SILVA, Cidinha da (Org.). Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil. Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2014, p. 70-80

Prémios 2010 - Prêmio Banco Nacional de Poesia 2017 - Prêmio ACPA

Ligações externas

Quatro poemas de Lívia Natália

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