miniaturadaimagem|500x500px|Invasões e movimentos populacionais no Mediterrâneo oriental durante o final da Idade do Bronze O colapso da Idade do Bronze é a designação dada pela historiografia a um período de meio século de violento colapso social de civilizações humanas durante o século XII a.C. Este período está associado a mudanças climáticas, migrações em massa, destruições de cidades e interrupções das rotas comerciais que limitaram a produção de bronze utilizado por essas civilizações, as levando ao rápido declínio ou total desaparecimento.
O colapso afetou uma grande área do Mediterrâneo Oriental (Norte da África e Sudeste da Europa) e do Oriente Próximo, e, em menor grau, o Cáucaso. Foi repentino, violento e culturalmente perturbador para muitas civilizações da Idade do Bronze e trouxe um declínio econômico acentuado às potências regionais, inaugurando nomeadamente a Idade das Trevas grega. No período de 50 anos entre c. 1 200 a.C. e 1 150 a.C., observa-se o colapso cultural da civilização micênica no Mar Egeu, do Império Hitita na Anatólia e norte da Síria,For Syria, see M. Liverani, "The collapse of the Near Eastern regional system at the end of the Bronze Age: the case of Syria" in Centre and Periphery in the Ancient World, M. Rowlands, M.T. Larsen, K. Kristiansen, eds. (Cambridge University Press) 1987. do Império Paleobabilónico na Mesopotâmia, do Império Novo do Egito na Síria e Canaã,S. Richard, "Archaeological sources for the history of Palestine: The Early Bronze Age: The rise and collapse of urbanism", The Biblical Archaeologist (1987) e a destruição de Ugarite e dos estados amorreus. A deterioração desses governos interromperam rotas comerciais e reduziram gravemente a alfabetização.
Apenas alguns estados mais poderosos, como a Assíria, o Império Novo do Egito, a Fenícia e o Elão sobreviveram ao colapso da Idade do Bronze. No entanto, ao final do século XII a.C., Elão minguou após ser derrota por Nabucodonosor I. Com a morte de Assurbelcala em 1 056 a.C., a Assíria entrou em relativo declínio, com o império encolhendo consideravelmente nos 100 anos seguintes; por volta de 1 020 a.C., a Assíria aparentemente detinha o controle apenas das áreas mais próximas a sua capital que, melhor defendida, resistiu ao colapso. Na época de Unamón, a Fenícia já havia recuperado sua independência do Egito.
Na primeira fase deste período, quase todas as cidades entre Pilos e Gaza foram violentamente destruídas e muitas vezes deixadas desocupadas depois: exemplos incluem Hatusa, Micenas e Ugarite. De acordo com Robert Drews: "Em um período de 40 a 50 anos no final do e início do , quase todas as cidades significativas do mundo do Mediterrâneo Oriental foram destruídas, sendo que muitas delas nunca mais foram reocupadas".
O fim gradual da Idade das Trevas que se seguiu viu a eventual ascensão dos estados sírio-hititas estabelecidos na Cilícia e na Síria, reinos arameus de meados do no Levante, os filisteus se estabeleceram no sul de Canaã, onde os falantes de cananeu se uniram em uma série de governos definidos, como Israel, Moabe, Edom e Amom. Houve também a eventual ascensão do Império Neoassírio e, depois do período de orientalização do Egeu, a Grécia Arcaica .
A partir de , a Assíria começou a se reorganizar e mais uma vez se expandir, levando ao Império Neoassírio , que passou a controlar uma vasta área do Cáucaso ao Egito e do Chipre grego à Pérsia. frígios, cimérios e lídios chegaram à Anatolia e uma nova comunidade hurrita de Urartu formou-se no leste da Anatólia e na Transcaucásia, onde também surgiram os colquianos (Geórgia Ocidental). A Idade das Trevas grega durou aproximadamente até o início do século 8 a.C., com o surgimento da Período Arcaico e a colonização grega da bacia do Mediterrâneo durante o Período Orientalizante.
Logo depois de , os povos iranianos como os persas, medos, partos e sargatas apareceram pela primeira vez no antigo Irã. Esses grupos deslocaram povos de língua não indo-européia anteriores, como os kassitas, hurritas e gútios, no noroeste da região. No entanto, os elamitas e os maneus continuaram a dominar as regiões do sudoeste e do mar Cáspio, respectivamente.
Uma série de explicações para o colapso foram propostas, não havendo consenso. Vários fatores provavelmente desempenharam um papel, incluindo mudanças climáticas (como aquelas causadas por erupções vulcânicas), invasões por grupos como os Povos do Mar, os efeitos da disseminação da metalurgia baseada em ferro, desenvolvimentos em armas e táticas militares e uma variedade de falhas de sistemas políticos, sociais e econômicos.
Evidências regionais
Evidência de destruição
Anatolia Antes do colapso da Idade do Bronze, a Anatólia (Ásia Menor) era dominada por povos de origens etnolinguísticas variadas, incluindo: assírios e amorreus de língua semítica, hurritas de língua hurro-urartiana, gasgas e hatitas e povos indo-europeus que chegaram depois , como os luvitas, hititas, mitanis e micênicos.
A partir do século ., os mitanis, uma minoria migratória que falava uma língua indo-ariana, formaram uma classe dominante sobre os hurritas. Da mesma forma, os hititas de língua indo-européia absorveram os hatitas,Gurnet, Otto, (1982), The Hittites (Penguin) pp. 119–130. um povo que falava uma língua que pode ter sido das línguas não-indo-européias da Ciscaucásia ou uma língua isolada.
Karaoğlan, perto da atual Ancara, foi queimada e os corpos deixados insepultos. Muitos outros locais que não foram destruídos foram abandonados. A cidade luvita de Troia foi destruída pelo menos duas vezes, antes de ser abandonada até a época romana; é famosa como o local da Guerra de Troia.
Esses locais em Anatolia apresentam evidência do colapso:
Troia Mileto Hatusa Mersin Taruntassa
Chipre A Alásia foi saqueado pelos povos do mar e deixou de existir em Os assentamentos menores de Agios Dimitrios e Kokkinokremmos, bem como vários outros locais, foram abandonados, mas não mostram vestígios de destruição. Kokkinokremmos foi um povoado de curta duração, onde várias provisões escondidas por ferreiros foram encontradas. O fato de ninguém ter voltado para reclamar os tesouros sugere que eles foram mortos ou escravizados. A recuperação da região ocorreu apenas no início da Idade do Ferro com a colonização fenícia e grega.
Os seguintes locais no Chipre apresentam evidência do colapso:
Balıkesir Cítio Sinta Encomi
Síria O último rei de Ugarite da Idade do Bronze, Amurapi, foi contemporâneo do último rei hitita conhecido, Supiluliuma II. Uma carta do rei Amurapi foi preservada em uma das tábuas de argila cozida durante a destruição da cidade. Amurapi enfatiza a gravidade da crise enfrentada por muitos estados levantinos devido aos ataques, em resposta a um pedido de ajuda do rei de Alásia na carta RS 18.147:Meu pai, eis que os navios do inimigo vieram (aqui); minhas cidades foram queimadas e eles fizeram coisas vis em meu país. Meu pai não sabe que todas as minhas tropas e carruagens(?) estão na Terra de Hati, e todos os meus navios estão na Terra de Luca? ... Assim, o país está abandonado a si mesmo. Que meu pai saiba: os sete navios do inimigo que aqui chegaram nos infligiram muitos danos.Essuara, o governador sênior de Alásia, respondeu na carta RS 20.18:Quanto a esses inimigos: (foram) as pessoas de seu país (e) seus próprios navios (que) fizeram isso! E (foram) as pessoas do seu país (que) cometeram essa(s) transgressões... Estou escrevendo para informá-lo e protegê-lo. Fique ciente!O governante de Carquemis enviou tropas para ajudar Ugarite, mas Ugarite foi saqueada. Uma carta enviada após a destruição dizia:
Quando seu mensageiro chegou, o exército já havia sido humilhado e a cidade saqueada. A nossa comida na eira foi queimada e as vinhas também destruídas. Nossa cidade está saqueada. Que saiba disso! Que saiba disso!
Os seguintes locais na Síria apresentam evidência do colapso:
Ugarite Suksi Kadesh Catna Hama Alalaque Alepo Emar
Levante meridional Durante o reinado de Ramessés III a cidade destruída de Laquis foi brevemente reocupada por invasores e uma guarnição egípcia. Todos os centros ao longo de uma rota costeira de Gaza ao norte foram destruídos, e as evidências mostram que Gaza, Asdode, Ascalão, Acre e Jafa foram queimadas e não foram reocupadas por até trinta anos. No interior Hazor, Betel, Bete-Semes, Eglom, Debir e outros locais foram destruídos. Refugiados que escaparam do colapso dos centros costeiros podem ter se fundido com povos da Anatólia e nômades para iniciar a construção de aldeias em terraços nas encostas das terras altas que foram associadas ao desenvolvimento posterior dos hebreus.
Durante o reinado de , os filisteus foram autorizados a reassentar a faixa costeira de Gaza a Jafa, Os Danais (possivelmente a tribo de Dã da Bíblia, ou mais provavelmente o povo de Adana, também conhecido como Danuna, parte do Império Hitita) estabeleceram-se de Jafa no Acre, e Tjeker no Acre. Os locais rapidamente conquistaram independência, como mostra o História de Unamon.
Os seguintes locais no Levante meridional apresentam evidência do colapso:
Hazor Acre Megido Deir Ala (Sucote) Betel Bete-Semes Laquis Asdode Ascalão
Grécia miniaturadaimagem|Vista do mégaro do palácio de Tirinto, um dos muitos palácios gregos destruídos durante o colapso da Idade do Bronze Nenhum dos palácios micênicos da Idade do Bronze Final sobreviveu (com a possível exceção das fortificações ciclópicas na Acrópole de Atenas), com a destruição tendo sido mais intensa em palácios e locais fortificados. Tebas foi um dos primeiros exemplos disso, tendo seu palácio saqueado repetidamente entre 1300 e 1200 a.C. e sendo, finalmente, completamente destruído pelo fogo. A extensão dessa destruição é destacada por Robert Drews, que argumenta que a destruição foi tal que Tebas não retomou uma posição significativa na Grécia até pelo menos o final do .
Áreas sobreviventes
Mesopotâmia O Médio Império Assírio sobreviveu intacto durante grande parte desse período. Dominou muitas e, muitas vezes, governou diretamente a Babilônia, controlando o sudeste e o sudoeste da Anatolia, o noroeste do Irã e grande parte do norte e centro da Síria e Canaã, até o Mediterrâneo e Chipre.
Egito Ao derrotar os líbios, os povos do mar e os núbios, o território ao redor do Egito permaneceu seguro durante o colapso da Idade do Bronze. Com a vitória sobre os sírios documentada, Ramessés declarou: "Minha espada é formidável e poderosa como a de Montu. Nenhuma terra pode resistir aos meus exércitos. Sou um rei que alegra-se com a matança. Meu reinado é acalmado em paz." Com esta afirmação, Ramessés implicou que seu reinado estava seguro frente às ameaças do colapso da Idade do Bronze.
Impacto Robert Drews descreve o colapso como "o pior desastre da história antiga, ainda mais calamitoso do que o colapso do Império Romano Ocidental". As memórias culturais do desastre falam de uma "era dourada perdida": por exemplo, Hesíodo falou de Idades de Ouro, Prata e Bronze, separadas da cruel Idade do Ferro moderna pela Idade dos Heróis. Rodney Castleden sugere que as memórias do colapso da Idade do Bronze influenciaram a história da Atlântida de Platão em Timeu e o Crítias.
Possíveis causas Várias teorias foram apresentadas como possíveis contribuintes para o colapso, muitas delas mutualmente compatíveis.
Ambiental
Vulcões Alguns egiptólogos dataram a erupção vulcânica de Hekla 3 na Islândia em 1159 a.C. e a culparam pela fome sob Ramessés III durante o colapso mais amplo da Idade do Bronze. Outras datas estimadas para a erupção do Hekla 3 variam de 1021 a.C. (± 130) a 1135 a.C. (± 130) e 929 a.C. (± 34). Outros estudiosos evitam essa disputa, preferindo o neutro e vago "3000 A.P".
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