Em sociologia, efeito Mateus (ou vantagem acumulada) é o fenômeno segundo o qual "os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres." É usado metaforicamente para se referir a questões de fama ou estatuto, mas também pode ser usado para literalmente se referir à acumulação de capital. O termo foi cunhado inicialmente pelo sociólogo Robert K. Merton em 1968 e tira o seu nome da parábola dos talentos no Evangelho segundo Mateus. Como resultado do efeito Matilda, Harriet Zuckerman também é creditada por Merton como coautora do efeito Mateus.http://garfield.library.upenn.edu/merton/matthewii.pdf

Sociologia da ciência Na sociologia da ciência, o "efeito Mateus" é um termo cunhado por Robert K. Merton para descrever como, entre outras coisas, cientistas eminentes recebem muito mais crédito do que um pesquisador comparativamente desconhecido, mesmo se o seu trabalho for similar; também significa que o crédito irá usualmente para pesquisadores que já são famosos. Por exemplo, um prêmio sempre irá para o pesquisador mais experiente envolvido em um projeto, mesmo que todo o trabalho seja feito por um estudante de pós-graduação. Isso foi mais tarde formulado por  Stephen Stigler como a lei de Stigler — "Nenhuma descoberta científica tem o nome de seu descobridor" - com Stigler explicitamente nomeando Merton como o verdadeiro descobridor, fazendo da sua "lei" um exemplo de si mesma.

Merton também argumentou que na comunidade científica o efeito Mateus alcança mais do que a simples reputação, influenciando um grande sistema de comunicação, tendo seu papel nos processos de seleção social e resultando na concentrações de recursos e talento. Ele dá como exemplo a visibilidade desproporcional dada a artigos de autores conhecidos, às custas de artigos igualmente válidos ou superiores escritos por autores desconhecidos. Ele também aponta que a concentração de atenção em indivíduos eminentes pode levar ao aumento da sua autoconfiança, os levando a trabalhar em pesquisas de áreas importantes porém arriscadas.Abstract of Merton's 1968 paper "The Matthew Effect in Science".

Exemplos Como crédito é valorizado na ciência, algumas afirmações específicas do efeito Matthew são controversas. Muitos exemplos abaixo exemplificam mais cientistas famosos levando crédito por descobertas devido à sua fama, mesmo quando outros cientistas menos notáveis anteciparam o seu trabalho. Experimentos manipulando contagens de download ou listas de bestsellers para livros e música mostraram que a atividade do consumidor segue uma aparente popularidade.Salganik, Matthew J., Peter S. Dodds, and Duncan J. Watts. (2006). Na teoria algorítimica da informação, a noção da complexidade de Kolmogorov é nomeada em homenagem ao famoso matemático Andrey Kolmogorov apesar de ter sido descoberta de maneira independente e publicada por Ray Solomonoff um ano antes de Kolmogorov. Li e Vitanyi, em "An Introduction to Kolmogorov Complexity and Its Applications" (p. 84), escrevem: Ray Solomonoff [...] introduziu [o que é conhecido como] "complexidade de Kolmogorov" em uma longa publicação em 1964. [...] Isso torna Solomonoff o primeiro inventor e levanta a questão de se deveríamos falar sobre a complexidade de Solomonoff. [...] Há muitos exemplos incontroversos do efeito Matthew na matemática, onde um conceito é criado por um matemático (e bem documentado como tal), mas é atribuído a um posterior (possivelmente muito posterior) matemático mais famoso que trabalhou com isso. Por exemplo, o modelo de disco Poincaré e o modelo meio-plano Poincaré de espaço hiperbólico foram ambos nomeados em homenagem a Henri Poincaré, mas foram introduzidos por Eugenio Beltrami em 1868 (quando Poincaré tinha 14 anos e não tinha ainda contribuído para a geometria hiperbólica). Um modelo para progresso de carreira quantitativamente incorpora o efeito Mateus para prever a distribuição da duração da carreira em profissões competitivas. As predições do modelo são validadas pela análise da distribuição empírica da duração de carreiras na ciência e em esportes profissionais (e.g. Major League Baseball). Como resultado, a disparidade entre o grande número de carreiras curtas e o relativamente pequeno número de carreiras extremamente longas podem ser explicados pelo mecanismo "ricos-ficam-mais-ricos", que nesse cenário, prevê que indivíduos com mais experiência e melhor reputação tenham uma vantagem competitiva em conseguir novas oportunidades profissionais. No seu livro de 2011 The Better Angels of Our Nature: Why Violence Has Declined, o psicólogo cognitivo Steven Pinker se refere ao efeito Mateus em sociedades, enquanto tudo parece correr bem em algumas, e mal em outras. Ele especula, no capítulo 9, que isso pode ser resultado de um loop de feedback positivo em que o comportamento inconsequente de alguns indivíduos cria um ambiente caótico que encoraja comportamentos inconsequentes por parte de outros indivíduos. Ele cita a pesquisa de Martin Daly e Margo Wilson mostrando que quanto mais instável é o ambiente, mais as pessoas descontam abruptamente seu futuro, e pior são suas prospeções de comportamento. Na ciência, diferenças dramáticas na produtividade podem ser explicadas por três diferentes fenômenos: "faísca sagrada", "vantagem cumulativa" e "custos de pesquisa minimizados" por editores de revistas científicas. O paradigma da faísca sagrada sugere que cientistas diferem nas suas habilidades iniciais, talento, persistência, hábitos de trabalho, etc., o que os dota com uma vantagem inicial. Esses fatores têm efeito multiplicativo, o que ajuda esses acadêmicos a ter sucesso mais tarde. O modelo de vantagem cumulativa argumenta que um êxito inicial ajuda um pesquisador a ganhar acesso a recursos (p.ex.,  libertação de ensino, melhores estudantes de pós-graduação, financiamento, instalações, etc.), o que por sua vez resulta em êxitos posteriores. A minimização de custos de pesquisas por parte de editores de revistas e jornais acontece quando editores tentam economizar tempo e esforço consciente ou inconscientemente selecionando artigos de acadêmicos bem conhecidos. Enquanto o mecanismo exato por trás desse fenômeno é ainda desconhecido, é bem documentado que uma minoria de todos acadêmicos produz a maior parte das pesquisas e atrai a maioria das citações.Serenko, A., Cox, R., Bontis, N. and Booker, L. (2011).

Educação Na educação o termo "efeito Matthew" foi adotado pelo psicólogo Keith Stanovich para descrever um fenômeno observados em como novos leitores adquirem as habilidades de leitura: sucesso precoce nas habilidades de leitura geralmente leva a sucessos posteriores na leitura enquanto o leitor cresce, enquanto falhar para aprender a ler antes da terceira ou quarta série pode ser um indicativo de problemas durante a vida para aprender novas habilidades.

Isso acontece porque as crianças que ficam para trás na leitura leem menos, aumentando a diferença entre elas e seus colegas. Mais tarde, quando os estudantes precisam "ler para aprender" (quando antes estavam aprendendo a ler), a dificuldade na leitura cria dificuldade em muitos outros assuntos. Dessa forma, eles ficam cada vez mais para trás na escola, abandonando a escola com frequência muito maior que seus colegas.

Nas palavras de Stanovich:

Ciência das redes Na ciência das redes, o efeito Mateus é usado para descrever o anexo preferencial de nós mais antigos, o que explica porque esses nós tendem a atrair mais links cedo. "Por causa do anexo preferencial, um nó que adquire mais conexões que outro vai aumentar a sua conectividade num ritmo mais acelerado, e assim a diferença inicial entre os dois nós vai aumentar conforme a rede cresce, ao ponto que nós individuais vão aumentar proporcionalmente à raíz quadrada do tempo." O efeito Mateus explica assim o crescimento de alguns nós em redes vastas, como a Internet.

Ver também Acumulação de capital Google Scholar Effect Efeito Matilda Análise de redes sociais Ciclo vicioso

Referências

Categoria:Introduções em 1968 Categoria:Evangelho de Mateus Categoria:Terminologia sociológica