Inchon (também chamado de Inchon!) é um filme de 1982 sobre a Batalha de Inchon, considerada um ponto crucial na Guerra da Coreia. O filme é dirigido por Terence Young e financiado pelo fundador da Igreja da Unificação, Sun Myung Moon. É estrelado por Laurence Olivier como o General Douglas MacArthur, que liderou o ataque surpresa dos Estados Unidos à Incheon, Coreia do Sul, em maio de 1950. Também no elenco estão Jacqueline Bisset, Ben Gazzara, Toshiro Mifune e Richard Roundtree. O filme foi filmado na Califórnia, Itália, Irlanda, Japão e Coreia do Sul.
O enredo de Inchon inclui tanto ação militar quanto dramas humanos. Os personagens enfrentam perigos e se envolvem em várias situações pessoais e dramáticas. O filme se encerra com a vitória das forças norte-americanas sobre as norte-coreanas na Batalha de Inchon, que considera-se ter sido a salvação da Coreia do Sul. O filme teve um orçamento de US$ 46 milhões e enfrentou vários problemas durante sua produção, incluindo um tufão e a morte de um membro do elenco. Tanto a Igreja da Unificação quando o exército dos EUA enviaram pessoas para atuarem como figurantes durante as filmagens.
Inchon foi lançado nos EUA e Canadá em setembro de 1982, sendo retirado de cartaz pouco depois por sua péssima bilheteria. Ele nunca foi lançado em vídeo ou DVD, apesar de já ter sido exibido na televisão algumas vezes. Foi a maior perda financeira do cinema no ano de 1982, arrecadando pouco mais de US$ 5 milhões. As críticas na época foram ruins e críticas posteriores classificaram Inchon como um dos piores filmes da história, includindo muitos prêmios no Framboesa de Ouro.
Sinopse
O filme retrata a Batalha de Inchon durante a Guerra da Coreia, que aconteceu entre 15 e 19 de setembro de 1950 e é considerada o ponto de virada da guerra. O protagonista do filme é o general Douglas MacArthur, que liderou os Estados Unidos com o desembarque anfíbio surpresa em Incheon, em 1950. Uma subtrama do filme envolve um casal americano que encontra dificuldades em seu relacionamento por causa da guerra em curso.
Inchon começa com os soldados norte-coreanos passando pelo paralelo 38 na Coréia do Sul em junho de 1950. As pessoas fogem para a capital do país, Seul. Uma das pessoas deslocadas é Barbara Hallsworth, esposa do major do Exército dos Estados Unidos que mora em uma aldeia no paralelo 38. Ela é conduzida para Seul em uma limusine, pegando cinco crianças sul-coreanas pelo caminho. Depois que seu motorista é morto, ela os leva para um local seguro chamado Pousada da Sexta Felicidade. Ao longo do caminho, ela atira em um soldado norte-coreano.
Enquanto isso, seu marido, Frank Hallsworth, está tentando romper um caso com uma jovem sul-coreana, Lim. Seu pai está ciente do caso de sua filha com Frank e não desaprova. Frank recebe a notícia da invasão dos norte-coreanos e viaja para o norte na tentativa de localizar Bárbara com a ajuda do sargento do exército August Henderson. August encontra Barbara e conserta a bateria do seu veículo, e depois a reúne com Frank.
Os jornalistas David Feld Park e Longfellow estão participando de uma coletiva de imprensa realizada por MacArthur em Tóquio. MacArthur, no entanto, não aparece. Ele concorda com sua esposa Jean, que ele é a única pessoa que pode salvar a Coréia do Sul da invasão dos norte-coreanos.
Hallsworth e seu ex-amante conseguem ligar um farol para sinalizar 261 navios estadunidenses, e o pai da mulher sul-coreana ativa minas terrestres no canal. Ela morre durante a batalha que se seguiu. As tropas estadunidenses expulsam as forças norte-coreanas e muitos agitam bandeiras sul-coreanas e americanas. O filme termina com MacArthur orando o Pai Nosso; depois dessa cena, um cinejornal de MacArthur é mostrado.
Elenco Laurence Olivier como o General Douglas MacArthur Jacqueline Bisset como Barbara Hallsworth Ben Gazzara como o Major Frank Hallsworth Toshiro Mifune como Saito Richard Roundtree como o Sgto. Augustus Henderson David Janssen como David Feld Namkoong Won como Park Karen Kahn como Lim
Produção Financiamento Inchon foi financiado pelo fundador da Igreja da Unificação, Sun Myung Moon e o editor de jornal japonês Mitsuharu Ishii.Vermilye, Jerry (1992). The Complete Films Of Laurence Olivier. Citadel Press. pp. 214–216. ISBN 0-8065-1302-0. Moon esteve envolvido com a produção do filme desde o começo. Ishii, membro da Igreja da Unificação no Japão e amigo de Moon, atuou como produtor do filme; e Moon, embora creditado como "Conselheiro Especial em Assuntos Coreanos", contribuiu com US$ 30 milhões para a produtora One Way Productions, de Ishii. Moon inicialmente não queria que o público soubesse que ele estava por trás do financiamento do filme e de sua produção. Ishii disse que teria sido instruído por Deus a fazer o filme.Kelleher, Terry (September 20, 1982). "'Inchon reflects only the cult of bad moviemaking". The Miami Herald. p. 5C. O financiamento adicional foi fornecido por Robert Standard, o produtor associado e um membro da Igreja da Unificação dos Estados Unidos.
Ishii disse que ele era um membro do movimento da Igreja da Unificação "assim como um católico é um membro da Igreja Católica e eu acredito que o Reverendo Moon é muito sincero sobre fazer o trabalho do Senhor". Ishii foi presidente do World Daily News, um jornal que é publicado pelo conglomerado de mídia News World Communications, que também publicou outros jornais, incluindo o The Washington Times, nos Estados Unidos.
Antes de decidir fazer um filme épico de guerra, Moon e Ishii consideraram fazer dramas biográficos sobre Jesus ou Elvis Presley. Em 1978, a médium Jeanne Dixon foi consultada para se comunicar com o espírito do General MacArthur, e Dixon disse que o espírito de MacArthur endossou a produção do filme.Suid, Lawrence H. (2002). Guts & Glory: The Making of the American Military Image in Film. University Press of Kentucky. pp. 395–401, 720. ISBN 0-8131-9018-5. Dixon também ajudou a escolher Terence Young, conhecido pelos filmes de James Bond, Dr. No, Thunderball, e From Russia with Love, para dirigir o filme.Niemi, Robert (2006). History in the Media: Film and Television. ABC-CLIO. p. 151. ISBN 978-1-57607-952-2.https://www.tvguide.com/movies/inchon/review/102041/
Inchon custou US$ 46 milhões para ser produzido. Tentativas de solicitar financiamento de bancos japoneses fracassaram e, assim, todo o projeto foi financiado por Moon e pela Igreja da Unificação.
Em seu livro Encyclopedic Handbook of Cults in America, autor e estudioso de religiões J. Gordon Melton cita Inchon como um exemplo ao notar como "Moon tentou projetar suas idéias em todas as áreas da sociedade americana".Melton, J. Gordon (1992). Encyclopedic Handbook of Cults in America. Routledge. p. 298. ISBN 0-8153-1140-0. Moon disse mais tarde em uma palestra para os membros da sua igreja: "Por que nós colocamos tanto esforço no filme Inchon? Não importa qual o resultado da motivação para as pessoas entenderem sobre MacArthur. Eu queria mostrar como MacArthur amava a Deus e amava as pessoas. MacArthur chegou ao Japão depois da Segunda Guerra Mundial e reuniu a nação. Ele realmente respeitava e amava o povo. Ele também amava muito a Deus e lutava com grande força contra a tirania e o comunismo. É isso que eu quero que as pessoas entendam."https://www.unification.net/gwo/820828.html
Roteiro Ishii foi inspirado a escrever um filme com um elenco internacional depois de assistir a uma dramatização sul-coreana da guerra. Ele queria que o filme fosse um "filme de ação de entretenimento", mas também disse que estava "muito interessado em retratar MacArthur como um ser humano e quero que o mundo saiba como a guerra foi miserável para o povo coreano".
Robin Moore comentou sobre o processo de escrita: "O tema que eu tive que lidar em Inchon era grande demais para um filme que era menos de duas horas. Quando a Toho estava originalmente envolvida, eles queriam uma história de amor entre um garoto americano e uma garota coreana. Minha técnica é pesquisar e depois ficcionalizar, uma técnica que usei com sucesso no livro The French Connection, mas tive que ficcionalizar o pouso real em Inchon, fazendo parecer que um farol era um fator essencial quando na verdade não era. Eu não poderia fazer isso, e é por isso que outros escritores foram trazidos."McCabe, Bruce (September 17, 1982). "Movies Bruce McCabe - Moon and Inchon". Boston Globe. Globe Newspaper Company.
Ishii orientou Moore a incluir uma ênfase no espiritualismo do General MacArthur e em sua fé em Deus. Ele disse a Moore para incluir três histórias de amor separadas no filme, "uma entre dois americanos, um entre dois coreanos e um entre um americano e uma coreana". Moore explicou que "as histórias de amor deveriam contar a história da tragédia da Guerra da Coreia". Ishii afirmou a Moore que não desejava que o filme se transformasse em um "folheto de propaganda anticomunista". Antes da conclusão do roteiro do filme, os produtores do filme tiveram dificuldades em conseguir um estúdio de cinema. Ishii disse que a Coreia do Norte pressionou a Toho por meio de sindicatos no Japão, solicitando que o estúdio abandonasse seu envolvimento com o filme. Os sindicatos criticaram a produção do filme, dizendo que ele foi influenciado por Moon e sua Igreja de Unificação e seria parte de um esforço para apoiar o presidente da Coreia do Sul. Por causa dessa crítica, a Toho cancelou sua participação no projeto.
Escolha do elenco Laurence Olivier recebeu US$ 1 milhão para interpretar o general Douglas MacArthur no filme. Ele foi contratado para seis semanas de filmagens e recebeu um pagamento de US$ 250.000 ao assinar o contrato e o restante foi dado em quatro parcelas subsequentes. Seu salário foi de US$ 50.000 por dia. Além desse salário, Olivier também recebeu US$ 2.500 por semana para suas despesas.Coleman, Terry (2005). Olivier. Macmillan. p. 423. ISBN 0-8050-8136-4. Olivier foi entrevistado durante a produção do filme e explicou que ele apenas concordou em fazer parte do elenco apenas para ganhar dinheiro para o legado de sua família e filhos: "As pessoas me perguntam por que eu estou atuando nesse filme. A resposta é simples. Dinheiro, meu querido. Eu sou como um vinho vintage. Você tem que me beber rapidamente antes de eu ficar azedo. Eu estou quase acabado agora e posso sentir o fim chegando. É por isso que estou recebendo dinheiro agora. Não tenho nada para deixar para minha família, a não ser o dinheiro que posso ganhar fazendo filmes. Nada está abaixo de mim se me pagarem bem. Eu ganhei o direito de pegar o que puder no tempo que me resta."
Olivier pesquisou o papel viajando para Norfolk, na Virgínia, para visitar o Museu MacArthur e falando com Alexander Haig, que havia sido o ajudante de campo de MacArthur. Haig disse a Olivier que a voz de MacArthur soava como W. C. Fields, e Olivier tentou imitar.TV Guide staff. "Inchon - Movie Reviews and Movie Ratings". TV Guide. Retrieved April 20, 2019. Ele gostava de trabalhar com sotaque e obteve gravações da voz de MacArthur. Ele estava interessado em várias inconsistências nessas gravações, e especialmente na diferença de sons de vogais feita por MacArthur. Durante as filmagens, o processo de maquiagem de Olivier demorou duas horas e meia, mas depois de concluído, ele achou que não se parecia nem com o general MacArthur.
Olivier, com 72 anos, que estava com problemas de saúde há muito tempo (ele morreria em 1989), sofreu durante as filmagens em Seul por causa do calor do verão. O diretor Terence Young lembrou que entre cada tomada, Olivier ficava deitado em uma maca, praticamente imóvel com dor e exaustão, mas que quando necessário "ele perdia cinquenta anos e ia em frente sem reclamar".Laurence Olivier: A Biography, Donald Spoto, Cooper Square Press, 2001, p.393.