Hail to the Thief é o sexto álbum de estúdio da banda Radiohead, lançado no dia 9 de junho de 2003 pela Parlophone internacionalmente, e pela Capitol Records nos Estados Unidos no dia 10 de junho. Foi o último álbum lançado sob o contrato de seis álbuns de Radiohead com a EMI, empresa parente da Parlophone e Capitol.Odell, Michael (Julho 2003). Silence! Genius at work. Q (204): 82–93.

Após a transição para um estilo mais eletrônico nos álbuns Kid A (2000) e Amnesiac (2001), gravados através de experimentos prolongados no estúdio, Radiohead procurou criar um álbum mais espontâneo, combinando elementos da música rock e eletrônica. Gravaram a maioria de Hail to the Thief em duas semanas em Los Angeles com o produtor de longa data da banda, Nigel Godrich, focando em tomadas ao vivo ao invés de overdubs. O cantor, Thom Yorke, escreveu letras sobre a eleição de 2000 do presidente George W. Bush e a Guerra ao Terror. Yorke pegou frases de discursos políticos e combinou elas com elementos de contos de fadas e literatura infantil. O título é um trocadilho com o hino americano presidencial: "Hail to the Chief".

Após um vazamento de grande repercussão na internet de material inacabado dez semanas antes do lançamento, Hail to the Thief estreou em primeiro lugar no UK Albums Chart e em terceiro no US Billboard 200. Foi certificado platina no Reino Unido e Canadá e ouro em diversos países. O álbum foi promovido com os singles "There There", "Go to Sleep" e "2 + 2 = 5" e também através de filmes curtos, videoclipes e webcasts feitos diretamente pelo site oficial da banda. Hail to the Thief foi o quinto álbum consecutivo de Radiohead nomeado para um Grammy Award para Melhor Álbum de Música Alternativa, e ganhou o prêmio Grammy Award for Best Engineered Non-Classical Album.

Os membros da banda eventualmente expressaram certos arrependimentos com o álbum, sentindo que era longo demais e inacabado. Foi seguido por uma coleção de B-sides em 2004 intitulada Com Lag (2plus2isfive) e o álbum ao vivo de 2025 Hail to the Thief (Live Recordings 2003-2009). Yorke reescreveu as faixas para Hamlet Hail to the Thief, uma produção de Hamlet que abriu em Manchester em 2025.

Antecedentes Com os álbuns anteriores Kid A (2000) e Amnesiac (2001), sendo gravados simultaneamente, Radiohead trocaram o seu som de música rock liderado por guitarras por um estilo mais eletrônico. Para a turnê, eles aprenderam como tocar as músicas ao vivo, combinando sons sintéticos com instrumentação de rock. O cantor, Thom Yorke, disse: "Mesmo com eletrônicos, existe um elemento de uma performance espontânea neles. Era a tensão entre o que é humano e o que está saindo de máquinas. Era disso que estávamos nos aprofundando." Radiohead não queriam fazer um "grande salto ou declaração criativo" com seu próximo álbum.

No início de 2002, após o final da turnê de Amnesiac, Yorke mandou CDs de demos para os membros de sua banda.Radiohead Hail to the Thief interview CD (Entrevista). Parlophone. Abril 2003. Os CDs, intitulados The Gloaming, Episcoval e Hold Your Prize, continham músicas eletrônicas juntos de esboços com pianos e guitarra. Radiohead haviam tentado gravar algumas das músicas, como "I Will", para os álbuns Kid A e Amnesiac, mas não estavam satisfeitos com os resultados. Eles passaram maio e junho de 2002 compondo e ensaiando as músicas antes de tocarem elas na turnê da Espanha e Portugal em julho e agosto.

Gravação alt=|miniaturadaimagem|A maioria de Hail to the Thief foi gravado em duas semanas em Hollywood, Los Angeles. A cultura de Hollywood influenciou as letras e ilustrações. Em setembro de 2002, a banda se mudou para a Ocean Way Recording em Hollywood, Los Angeles, com o produtor de longa data da banda, Nigel Godrich. O estúdio foi sugerido for Godrich, que havia usado o local para gravar álbuns dos artistas Travis e Beck e sentiu que era "uma boa mudança de cenário" para a banda. Yorke disse: "Estávamos tipo, 'A gente realmente quer voar ao outro lado do mundo para fazer isso?' Mas foi maravilhoso, porque trabalhamos muito duro. Gravávamos uma faixa por dia. Foi tipo um acampamento de férias." Godrich depois disse que sua memória mais clara das sessões foi Yorke repetidamente falando o quanto ele odiava Los Angeles.

Kid A e Amnesiac foram criados por um processo de gravação e edição que durou anos, o baterista, Philip Selway, descreveu o processo como "fabricar músicas no estúdio".Radiohead Warm Up. Rolling Stone. Maio 2002. Para o próximo álbum, Radiohead queria captar um som mais imediato e "ao vivo".Exclusive: Thom on new Radiohead album. NME. Outubro 2002. A maioria dos elementos eletrônicos não tiveram overdubbing, mas foram gravados ao vivo no estúdio.

A banda integrou computadores nas suas performances com outros instrumentos. Yorke disse: "tudo era sobre performance, como encenar uma peça". Radiohead tentou trabalhar rapidamente e espontaneamente, evitando a procrastinação e a análise excessiva. Yorke foi forçado a escrever letras de um jeito diferente, vendo que ele não tinha tempo para reescreve-las no estúdio.Lyndsey Parker (Julho 2003). "Putting The Music Biz in Its Right Place". Yahoo!. Em algumas faixas, ele retornou ao método de cortar palavras e organizar elas aleatoriamente que havia usado nos álbuns Kid A e Amnesiac.

O guitarrista principal, Jonny Greenwood, usou a linguagem de programação Max para manipular a banda tocando. Por exemplo, ele usou o programa para processar sua guitarra na faixa "Go to Sleep" criando um efeito de repetição aleatório. Ele também continuou usando outros sintetizadores modulares e o ondas Martenot, um instrumento eletrônico antigo semelhante ao teremim.Hail to the Thief (livreto). Radiohead. 2003. p. 15. Após usar pedais de efeito fortemente em álbuns anteriores, ele se desafiou a criar partes interessantes de guitarra sem usar efeitos.Bonner, Michael (Dezembro 2012), An Audience With ... Jonny Greenwood. Uncut

Inspirados pelos Beatles, Radiohead tentaram manter as faixas concisas. A faixa de abertura, "2 + 2 = 5", foi gravada como um teste de estúdio e finalizada em duas horas. Radiohead lutaram para gravar a faixa "There There"; após gravarem no seu estúdio em Oxfordshire, Yorke ficou tão aliviado por conseguir capturar a faixa que chorou, sentindo que era o melhor trabalho deles. Radiohead havia gravado uma versão eletrônica antiga da faixa "I Will" nas sessões de Kid A e Amnesiac, mas abandonaram ela sentindo que soava como um "Kraftwerk duvidoso".<ref name=":11">Robinson, John (Maio 2003). 'Bagpuss, Ex-Lax, and the angriest thing we've ever written'''. NME: 34–35.</ref> Utilizaram componentes dessa versão para criar a faixa "Like Spinning Plates" em Amnesiac. Para Hail to the Thief, eles procuraram "chegar na essência do que há de bom na música" e não se distrair com detalhes de produção ou sons novos, criando um arranjo minimalista.

Radiohead gravou a maioria de Hail to the Thief em duas semanas, com gravações adicionais e mixagem em seu estúdio em Oxfordshire, Inglaterra, no fim de 2002 e início de 2003. O guitarrista Ed O'Brien disse para a Rolling Stone que Hail to the Thief foi o primeiro álbum de Radiohead "onde, no final do processo, não queriamos matar uns aos outros". Porém, mixar e escolher a lista de faixas gerou conflito. De acordo com Yorke, "Houve um longo período em que convivemos com ele mas não estava completamente finalizado, então acabamos nos apegando às versões e tivemos grandes discussões sobre isso." Ele disse depois que terminar o álbum foi "particularmente bagunçado e tenso, estavamos muito orgulhosos mas havia um gosto que se manteve em nossas bocas, foram tempos sombrios em tantas maneiras". De acordo com Selway, "Começamos rapidamente, Então... passou a ter mais requisitos." Godrich estimou que um terço do álbum consiste em mixagens brutas das sessões em Los Angeles.

Letras e temas Pitchfork descreveu a letra como "quase implacavelmente sombrio, um relato violento repleto de zumbis Orwellianos, autômatos incapazes de enxergar sinais de alerta, 'acidentes prestes a acontecer'". A letra foi influenciada pelo o que Thom Yorke chamava da "sensação geral de ignorância e intolerância e pânico e estupidez" após as eleições de 2000 do presidente George W. Bush. Ele pegou palavras e frases em relação a Guerra ao Terror, que ele descreveu como eufemismos Orwellianos, e usou elas na letra e arte. Yorke disse que o "contexto emocional dessas palavras havia sido perdido" e que ele estava "roubando elas de volta". Apesar de Yorke negar qualquer intenção de fazer uma declaração política, ele disse: "eu desesperadamente tentei não escrever nada político, qualquer coisa que expressava o pavor intenso e profundo que estou vivendo um dia de cada vez. Mas ele está lá, e eventualmente você tem que desistir e deixar acontecer."Toronto Star, 8 de junho de 2003

Yorke, um pai de primeira viagem, adotou uma estratégia de "destilação" os temas políticos em uma "simplicidade infantil". Ele pegou frases de contos de fadas e folclore como a história de "Chicken Little", e de literatura e programas infantis que ele compartilhava com seu filho, como o seriado dos anos 1970 Bagpuss. A paternidade deixou Yorke preocupado sobre a condição do mundo e como isso poderia afetar as gerações futuras. Greenwood disse que as letras de Yorke abraçavam sarcasmo, inteligência e ambiguidade, e expressou "confusão e fuga, como 'eu vou ficar em casa e cuidar das pessoas que eu gosto, comprar comida para um mês'."

Yorke também pegou frases do Inferno de Dante, o tema da tese de doutorado de sua esposa Rachel Owen.Lynskey, Dorian (2011). 33 Revolutions per Minute: A History of Protest Songs, from Billie Holiday to Green Day. HarperCollins. p. 519. ISBN 978-0-06-167015-2. Várias faixas, como "2 + 2 = 5", "Sit Down. Stand Up", e "Sail to the Moon" fazem referências a ideias cristãs do céu e o inferno, algo nunca feito antes pela banda.Tate, p. 182. Outras músicas referenciam ficção científica, terror e fantasia, como os lobos e vampiros de "A Wolf at the Door" e "We Suck Young Blood", a referência do slogan "dois mais dois é igual a cinco" do livro distópico 1984 em "2 + 2 = 5", e a alusão ao gigante das viagens de Gulliver em "Go to Sleep".Forbes, p. 237. Ele às vezes usava palavras pelo jeito que soavam ao invés do sentido, como o título "Myxomatosis" ou a frase repetida "the rain drops" (as gotas de chuva) em "Sit Down. Stand Up". alt=|miniaturadaimagem|A frase "saúdam o ladrão" foi usada por protestantes durante a controvérsia das eleições presidenciais de 2000 nos Estados Unidos. Radiohead teve dificuldades em escolher um título. Consideraram usar The Gloaming (significando "crepúsculo" ou "amanhecer"), mas foi considerado poético e "sombrio" demais e então virou o subtítulo do álbum.Hail to the Thief (livrete). Radiohead. 2003. p. 8. Também consideraram os títulos Little Man Being Erased, The Boney King of Nowhere e Snakes and Ladders, que viraram títulos alternativos para as faixas "Go to Sleep", "There, There" e "Sit Down. Stand Up" respectivamente. Os títulos alternativos foram inspirados por programas de teatro Vitorianos apresentando canções moralistas executadas em casas de espetáculos.