Francisco Ramos da Costa (Alfarelos, Soure, 10 de setembro de 1913 — Lisboa, 4 de setembro de 1982) foi um economista e ativista político português. Biografia
Família, Educação e Carreira Oriundo de uma família camponesa de Alfarelos, era filho de João Aires Ramos e Maria Emília Ramos da Costa.
Estabeleceu-se em Lisboa aos 11 anos, trabalhando como moço de recados. Frequentou o Instituto Comercial de Lisboa e licenciou-se em Finanças, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, atual ISEG.
Entre outros empregos, foi diretor do Hotel Avis, em Lisboa.
Ativismo
Período no PCP Militante do Partido Comunista Português (PCP), chega à comissão de organização do partido em 1935, ano em que é preso pela PIDE pela primeira vez. No final da década, chegará ao Comité Central. Paralelamente, integra também o Grupo de Amigos da Liberdade, em 1935, juntamente com Álvaro Cunhal, Vasco de Magalhães Vilhena, Mário Dionísio e Álvaro Salema; no final dos anos 1930 participa no lançamento da Frente Popular, a cuja comissão nacional também pertence; no final da década de 1940 integra a Comissão Executiva do MUNAF e a comissão consultiva e de economistas do MUD. Militaria ainda na direção da organização militar do PCP com o pseudónimo Campos. Por causa das suas atividades política voltaria sucessivas vezes à cadeia, em 1947, em 1948, e novamente em 1949, na última vez na sequência das suas intervenções durante a campanha de José Norton de Matos para Presidente da República.
A 2 de Novembro de 1945, realizou a conferência O Desamparo do Trabalho e a Democracia Económica, na Voz do Operário, em Lisboa, a qual foi editada e publicada no mesmo ano nos Cadernos da editora Seara Nova.
Resistência Republicana e Socialista A partir de 1950 Ramos da Costa começa a assumir posições críticas face ao sectarismo do PCP. Acabará por sair do partido e, juntamente com Mário Soares, Fernando Piteira Santos e outros, enceta uma tentativa de reagrupamento de opositores ao regime saídos do PCP, que toma forma em 1953, com a Resistência Republicana, mais tarde Resistência Republicana e Socialista. No entanto, nas eleições presidenciais de 1958 começa por apoiar o candidato suportado pelo PCP Arlindo Vicente, acabando, depois da desistência de Vicente com o Pacto de Cacilhas, por ser ativo apoiante de Humberto Delgado.
Envolvido na Revolta da Sé, que estava a ser preparada para 11 de março de 1959 e, a seguir, no Golpe de Beja, Ramos da Costa resolveria fugir para Paris, para escapar a uma nova prisão.
Exílio e retorno Representou a Resistência Republicana e Socialista nas conferências da Frente Patriótica de Libertação Nacional em Roma (1962), Praga (1963) e Argel (1964).Martins, Susana Maria Santos (setembro de 2013). «Exilados portugueses em Argel. A FPLN das origens à rutura com Humberto Delgado (1960-1965)». http://hdl.handle.net/10362/10810
No exílio, em articulação com Mário Soares e Tito de Morais, esteve envolvido na fundação da Ação Socialista Portuguesa (1964) e na fundação do Partido Socialista (1973). Foi responsável pela projeção internacional do PS junto de Willy Brandt e Olof Palme e pela integração do partido na Internacional Socialista.
Viveu na capital francesa até ao 25 de Abril de 1974, tendo regressado a Portugal, acompanhando Mário Soares e Tito de Morais no chamado Comboio da Liberdade. Entre 1977 e 1978, foi Embaixador de Portugal na Dinamarca.
Morte e homenagens Morreu em Lisboa, a 4 de setembro de 1982.
A 5 de abril de 1984 foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, pelo Presidente da República Ramalho Eanes. Referências
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