A Batalha de Quio foi uma batalha naval travada fora da costa da ilha egeia oriental de Quio entre uma frota latina cristão — principalmente hospitalar — e uma frota turca do Beilhique de Aidim.
Antecedentes
O colapso do poder bizantino na Anatólia ocidental e mar Egeu no final do , bem como a debandada da marinha bizantina em 1284, criou um vaco do poder na região, que foi rapidamente explorado pelos beilhiques turcos e os atacantes gazis. Utilizando marinheiros gregos, os turcos começaram a realizar ataques piratas no Egeu, alvejando especialmente as numerosas possessões insulares latinas. Atividades corsárias turcas foram auxiliadas pelas contendas entre os dois principais estados latinos marítimos, Veneza e Gênova.
Em 1304, os turcos de Mentexe (e mais tarde de Aidim) capturaram a cidade portuária de Éfeso e as ilhas do Egeu oriental pareciam estar próximas de cair para os atacantes turcos. Para evitar tal evento calamitoso, no mesmo ano os genoveses ocuparam Quio, onde estabeleceu um pequeno principado, enquanto em ca. 1308 os Cavaleiros Hospitalários ocuparam Rodes. Estes dois poderes carregariam o fardo de conter os raides turcos até 1329.
Batalha fora de Quio e rescaldo
Em julho de 1319, a frota aidinida, sob o comando pessoal do emir , partiu do porto do Éfeso. Ela compreendia 18 galés e 18 outros navios. Ela foi confrontada fora de Quio por uma frota hospitalar de 24 navios e 80 cavaleiros, sob Alberto de Schuarzburgo, ao qual um esquadrão de uma galé e seis outros navios foi adicionado por Martinho Zaccaria de Quio. A batalha terminou numa vitória cristã esmagadora: apenas seis navios turcos conseguiram escapar a captura ou destruição.
Esta vitória foi seguida pela recuperação de Leros, cuja população grega nativa rebelou-se em nome do imperador bizantino, e por outra vitória no ano seguinte sobre uma frota turca preparada para invadir Rodes. Papa João XXII recompensou Schurzburgo ao restaurá-lo à posição de grão-preceptor do Chipre, de onde havia sido demitido dois anos antes, e prometeu o comando de Cós, se ele pudesse capturá-la.
Impacto
Segundo o historiador Mike Carr, a vitória em Quio foi muito significativa, pois foi alcançada sob iniciativa dos hospitalares e os Zaccarias, sem qualquer apoio ou fundos de outros poderes ocidentais, notadamente o papado, que ainda estava enredado em planos para lançar uma cruzada à Terra Santa. Isso, no entanto, influenciou os poderes ocidentais, e esforços começaram para formar uma liga naval cristã para conter a pirataria turca.
Apesar disso, no futuro imediato, a derrota fora de Quio não poderia parar a ascensão do poder aidinida. Os Zaccarias foram logo forçados a render seu principal entreposto continental de Esmirna para o filho de Maomé, Umur Begue, sob cuja liderança as frotas aidinidas cruzaram o Egeu pelas duas décadas subsequentes, até as Cruzadas Esmirniotas quebrarem o poder do Beilhique de Aidim.
Bibliografia
Categoria:Batalhas navais envolvendo os Cavaleiros Hospitalários Categoria:Senhorio de Quio Categoria:Conflitos em 1319 Categoria:Beilhique de Aidim Categoria:Batalhas navais envolvendo a República de Gênova Categoria:Batalhas do século XIV