O Marea (Fiat Type 185) é um automóvel que foi produzido e comercializado em nível mundial (Itália, França, Inglaterra, Portugal, Alemanha, Turquia, Polônia, Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, entre outros) pela Fiat, entre 1996 e 2007. Seu nome significa "maré" em italiano.
O Marea é um automóvel construído sobre a plataforma Fiat C1, sendo considerado veículo de porte médio no mercado brasileiro e pequeno na Europa. Ao todo, quatro modelos de veículos compõem esta mesma família e diferem basicamente pela seção traseira (parte posterior) da carroceria e também compartilhando powertrains (motores/transmissões) de acordo com as versões e ano de fabricação:
Marea (Fiat Type 185) (Sedan); Marea Weekend (Fiat Type 185) (Station Wagon); Brava (Fiat Type 182) (Notchback); Bravo 1ª geração (Fiat Type 182) (Hatchback, não comercializado oficialmente no Brasil, algumas unidades vieram via importação independente).
História Em um processo de renovação de sua linha de veículos pequenos e médios, a FIAT substituiu o hatch Fiat Tipo pelos Fiat Brava e Bravo em 1995, na Europa, com objetivo de reforçar sua posição no segmento, trazendo tecnologias atualizadas. Na esteira destes lançamentos, houve a necessidade de substituir o Tempra (derivado do Tipo). Assim surgiu o Marea, como uma derivação natural dos Fiats Brava e Bravo, porém com perfil mais familiar e maior amplitude de espaço para bagagens. A premissa do Marea era assumir o posto de maior carro mundial da marca, deixado pelo Tempra. Assim, em 1996 o Fiat Marea foi apresentado, nas versões de carroceria sedan e perua (station wagon, intitulada Marea Weekend).
250px|miniaturadaimagem|esquerda|Fiat Marea Weekend Era oferecido com diversas opções de motores ciclo Diesel e Otto (gasolina), desde o 1.2L I4 8V até o 2.0L I5 20V Turbo. O nome veio da expressão italiana Marea, que, em português, significa maré.
250px|miniaturadaimagem|esquerda|Fiat Marea sedan
Seus principais concorrentes, Opel Astra e Volkswagen Jetta, receberam naquele ano novas gerações. O Marea trouxe ao mercado soluções herdadas dos seus hatchs originais, oferecendo faróis elipsoidais, cintos com pré-tensionador (tanto nas versões com e sem air-bags), comandos de som no volante, lavadores de faróis e suspensões dianteira e traseira dotadas de subchassi, para melhor amortecimento dos impactos e maior preservação da cabine em caso de acidentes.
250px|miniaturadaimagem|esquerda|Fiat Brava, notchback que originou o Marea
A versão mais esportiva contava com um 2.0L 5 cilindros em linha 20V Turbo, capaz de desenvolver 182 cv, de motor emprestado ao Fiat Coupé (nele porém, a potência originalmente desenvolvida era maior, 220 cv). O Marea e os Hatchs Bravo e Brava foram aposentados em 2002 na Europa para dar lugar à família Fiat Stilo, constituídos de hatch e perua, porém no Brasil a produção do Brava seguiu até 2003 e a do Marea seguiu até o ano de 2007.
No Brasil Lançado no Brasil em 1998 para substituir o Tempra (dois anos após seu lançamento na Europa), o Fiat Marea brasileiro era basicamente igual ao modelo europeu, salvo pela ausência das versões a diesel, devido à proibição do uso deste combustível em automóveis de passeio e da diminuição das opções à gasolina (OTTO) existentes comparadas à Europa. As primeiras unidades da Marea Weekend (SW / perua) vendidas no Brasil em 1998 vieram importadas e eram fabricadas na Itália, enquanto o sedã já era fabricado na fábrica da Fiat em Betim, MG. No entanto, toda a gama de propulsores do modelo e boa parte dos componentes ainda era importada da Itália e apenas montada no Brasil.
Estreando no Brasil como um concorrente altamente inovador e marcante num mercado relativamente estagnado em desenvolvimento automobilístico, trazendo tecnologia de vanguarda de padrão mundial em quase todos os aspectos da categoria, por quase uma década (e a nível global por 11 anos), o Marea representou o segmento de médios pela Fiat, tanto os segmentos premium quanto o de entrada da categoria. Ao final de 2006 as versões ELX, HLX e Turbo deixaram a linha de produção, extinguindo os propulsores 1.8L, 2.4L e 2.0L Turbo; restando apenas a opção pela versão SX 1.6L. Com vendas em queda relacionadas a questões de manutenção devido às limitações técnicas de enorme parte dos reparadores do mercado brasileiro logo em sua chegada e ao final de sua geração já se manifestando tecnologicamente defasado diante dos concorrentes, o Marea foi aposentado em 2007, dando lugar ao Fiat Linea, um sedan derivado do hatch Fiat Punto. Encerrou sua produção deixando um forte legado e é considerado hoje um expoente e divisor de águas na indústria automobilística nacional, sendo cultuado por algumas de suas características únicas e se formando já como objeto de coleção por uma legião de admiradores e fãs segmentados em diversos clubes nacionais e também nos demais países onde foi comercializado.
Versões e acessórios O Marea era oferecido em quatro versões principais de acabamento: SX (básica), ELX (intermediária), HLX (topo de linha dos aspirados) e a Turbo, a versão mais completa. Além disso existiram raras versões exclusivas para frotistas como a City, voltada a taxistas. Todas as versões de acabamento eram aplicadas tanto à carroceria sedan quanto à perua.
Tanto a HLX quanto a Turbo ofereciam airbags e ABS como opcionais, além de sidebags como opcionais (um item inovador em um carro nacional na época). Teto solar de acionamento elétrico era um item opcional para os HLX e Turbo.
A maioria das versões contava com banco do motorista e direção hidráulica com regulagem de altura de série, bancos traseiros bipartidos, cintos com pré-tensionadores (inflam uma carga explosiva que pressionam o passageiro com mais força ao banco em caso de impacto), portas com barras de proteção laterais de 4cm de espessura, vidros elétricos nas 4 portas, retrovisores com regulagem interna elétrica e aquecimento térmico antiembaçante (outro diferencial), ar condicionado e calefação com climatizador automático (mantém a temperatura desejada) ainda que de controle analógico (mas também um diferencial na época), sistema de desembaçamento rápido, faróis com regulagem de altura do facho em função da carga e projetores independentes para o farol alto e baixo. Também eram oferecidos faróis de neblina posicionados nos extremos do para-choques dianteiro. No conjunto de luzes traseiras, o carro atende uma norma criada na Europa e aceita no Brasil, onde no conjunto de iluminação principal é usada uma luz de ré do lado direito e luz de neblina do lado esquerdo.
Ficha técnica Motorização Motores 5 Cilindros 20 válvulas (2.0 ou 2.4 naturalmente aspirados e 2.0 turbo) O Marea chegou trazendo na época um Motor de cinco cilindros em linha (Pratola Serra) 20 válvulas 2.0L naturalmente aspirado de 142 cv e 18,1kgf/m (na Europa este mesmo propulsor desenvolvia 155 cv e 19,2kgf/m nas versões HGT / Selespeed do Bravo, Brava e do próprio Marea, porém contava com a adição do coletor de admissão variável "VIS" e programação eletrônica diferenciada). Este motor fazia parte da subfamília Free integrante da família de motores modulares Pratola Serra desenvolvida em parceria pelas marcas italianas do conglomerado Fiat, incluindo a Alfa Romeo e Lancia, o qual incorporava diferenciais relevantes em motorização sobre os veículos vendidos no Brasil à época. Formado por um bloco de ferro fundido de cinco cilindros (sua maior caracteristica), cabeçote e cárter de alumínio, comando duplo (DOHC) com quatro válvulas por cilindro, comando de admissão com tempo de abertura das válvulas variável e um dissipador de calor do óleo refrigerado à água (trocador de calor).
O controle de funcionamento era realizado por uma unidade de controle eletrônico computadorizado (UCE) de injeção/ignição multiponto sequencial alemã Bosch Motronic M2-10.4. A este motor foi dado o nome comercial de "Fivetech" e simbolizava à época uma inovação oferecida em termos de motorização num carro vendido por uma fabricante instalada no Brasil.
Apostando em um nicho específico do segmento de alta performance do mercado nacional, a Fiat passou a oferecer também a versão Turbo para o Marea de consideráveis 182 cv e 27kgf/m para a época. Este propulsor Fivetech Turbo que originalmente equipava o Fiat Coupé na Europa, gerando já em 1996, uma potência 220cv e 31kgf/m de torque - valores fortemente expressivos para época, em motores de 2 litros sobrealimentados de fábrica (linha de produção). O Coupé era um veículo desenvolvido focando a esportividade. O Marea, porém, foi um carro de pretensão mais familiar e mesmo com sistemas de suspensão e freios redimensionados para oferecer maior esportividade nas versões equipadas com este 5 cilindros turbo, o conjunto ainda não possuía o mesmo arrojo dinâmico de chassis do Fiat Coupé. Desta forma a engenharia FIAT restringiu a potência deste motor no Marea e de outra parte também visou a preservar também a durabilidade do conjunto em vista das condições de utilização e manutenção ainda precárias oferecidas no mercado brasileiro.). A base do 5 cilindros 2.0 20v turbo trata em essência do mesmo propulsor 5 cilindros 2.0 20v aspirado, porém extensamente revisto e com componentes como bielas reforçados (no entanto o virabrequim se mantém idêntico tanto na versão aspirada quanto na turbo), válvulas maiores sendo as de escape refrigeradas à sódio, emprego de comandos de válvulas de maior permanência e acrescido de turbocompressor Garret TB2810 .42/.49, radiador de óleo, intercooler (resfriador de ar) além dos novos parâmetros de gerenciamento eletrônico na programação da UCE por uma variante mais avançada da UCE Bosch Motronic M2. Com esta motorização se tornaram os sedãs e station-wagons (peruas) "nacionais" mais velozes do mercado, posto mantido por alguns anos.
Ainda em 1998, devido às regras tributárias brasileiras para automóveis, cujo imposto era baseado na potência e não na cilindrada do motor, as versões SX e ELX de 2.0 litros tiveram sua potência reduzida a 127 cv, a fim de enquadrarem-se na tarifa de IPI menor para veículos que geravam potencia até este limite estabelecido. No entanto, estas versões podem operar normalmente com 142 cv, bastando para isso efetuar a troca do chip da UCE pelo utilizado na versão mais potente, ou chips independentes produzidos por programadores especializados.
Além do desempenho acima da média e da tecnologia mais avançada na época, estes propulsores 5 cilindros da FIAT são semelhantes a soluções de motores 5 cilindros empregados em outras marcas, como modelos Audi, Volvo, modelos Ford vendidos nos EUA e Europa à exceção da geração atual da Ranger vendida no Brasil que também é equipada com um motor 5 cilindros 20 válvulas Turbodiesel, dentre outros veículos) possuem ainda outra uma característica única no que se refere ao seu som (ronco) de funcionamento, que é bastante característico e diferenciado em relação aos demais motores de 4 cilindros, sendo inclusive considerado pela imprensa automotiva especializada por ter semelhança até mesmo ao som de alguns motores V10.
Devido a reclamações de falta de força em baixas rotações nos motores 5 cilindros 2.0 20v naturalmente aspirados, o que exigia maior recorrência às reduções de marchas nas retomadas em situação de trânsito intenso, a Fiat reviu o propulsor 5 cilindros 2.0 20v e aumentou sua cilindrada para 2.4L , além de adotar também um coletor de admissão variável (VIS) de material termo-plástico, eficiente porém menos resistente a detonação por falha na injeção ou pressão positiva de sobrealimentação que o metálico da versão 2.0, acrescendo o também com tecnologia Drive By Wire (acelerador eletrônico), itens não disponíveis para versões do motor 2.0L. Isso elevou a potencia final de 142 cv para 160 cv e o torque máximo de 18,121kgf/m para 21kgf/m (este mesmo propulsor foi empregado no Fiat Stilo Abarth (versão esportiva topo de linha do Stilo) produzindo no entanto aproximadamente 170 cv e 21,5kgf/m).