Melodrama é o segundo álbum de estúdio gravado pela cantora e compositora neozelandesa Lorde. O seu lançamento ocorreu em 16 de junho de 2017, através da gravadora Universal Music e suas afiliadas. Um distanciamento do estilo minimalista de seu projeto de estreia, Pure Heroine (2013), Melodrama é um álbum de pop e electropop que incorpora instrumentação de piano e batidas eletrônicas maximalistas. Foi primariamente composto e produzido por Lorde e Jack Antonoff, com assistência de produção por diversos produtores de renome, incluindo Frank Dukes, Flume, Malay, S1 e Joel Little.
Lorde começou a escrever as canções de seu subsequente disco em dezembro de 2013, apenas três meses após a edição de seu aclamado disco de estreia, Pure Heroine. Porém, a exaustiva excursão que empreendera para promovê-lo impossibilitou-a de retornar aos estúdios de gravações àquele momento. A intérprete apenas regressou aos estúdios em março de 2015, após o término do relacionamento com seu namorado de longa-data James Lowe, para iniciar as sessões de composição com Joel Little, o responsável pela produção musical de seu álbum de estreia.
O álbum foi descrito como vagamente conceitual, explorando o tema de solidão. Ele segue a estrutura de uma única festa em casa, e os eventos e sensações que decorrem. Durante suas sessões de composição, Lorde viajou entre os Estados Unidos e a Nova Zelândia diversas vezes, examinando o mundo a sua volta, e continuou a trabalhar através de inícios errôneos, desvios mal-sucedidos e períodos de inatividade enquanto retraía do holofote público. O processo de escrita durou cerca de dezoito meses. Melodrama foi majoritariamente bem recebido pelos críticos, muitos que elogiaram a sua composição, produção e os vocais de Lorde. Ademais apareceu em diversas listas de fim de ano, com o Metacritic nomeando-o o segundo álbum melhor recebido de 2017 e o 29.º melhor avaliado de todos os tempos.
A obra recebeu uma indicação a um Grammy Award na categoria de Álbum do Ano em 2018. Para promover Melodrama, "Green Light" foi lançada como seu primeiro single para sucesso comercial, seguida por "Perfect Places" e um remix de "Homemade Dynamite". O álbum estreou em primeiro lugar na tabela estadunidense Billboard 200, tendo vendido 109 mil unidades equivalentes, e liderou as tabelas musicais em três outros países. Recebeu eventualmente certificações de ouro no Reino Unido e nos Estados Unidos, platina na Austrália e Canadá e platina dupla na Nova Zelândia.
Antecedentes e gravação miniaturadaimagem|Jack Antonoff co-escreveu e coproduziu a maior parte do álbum com Lorde Em dezembro de 2013, Lorde anunciou que ela havia começado a escrever material para um futuro segundo álbum de estúdio. No ano seguinte, a cantora disse que estava nos estágios iniciais e que ele era "completamente diferente" de seu disco de estreia; ela também disse que a mudança na sonoridade era decorrente de uma mudança nas circunstâncias e cenários de sua vida. Mais tarde em 2014, a Lionsgate anunciou que Lorde curaria a trilha sonora para o terceiro filme da franquia The Hunger Games, que seria seguido pelo lançamento do primeiro single do filme, "Yellow Flicker Beat", que recebeu aclamação crítica. Em uma entrevista à estação de rádio australiana Triple J em fevereiro de 2015, Joel Little, que produziu Pure Heroine, disse que ele havia marcado para se encontrar com Lorde para uma sessão de composição em um estúdio no mês seguinte, apesar de que um plano definido não estava estabelecido. Little tornou a falar com a imprensa em abril de 2016, tendo revelado desta vez que os dois estavam a experimentar instrumentações e a certificar-se de que as canções escritas eram realmente boas,Quinn Moreland (8/11/2016). "Tracing Lorde's Little Clues About Her Sophomore Album" . Pitchfork Media. Consultado em 2 de março de 2017. mas afirmou em outubro que, apesar de compor algumas canções para o álbum, ele não seria um produtor executivo, atribuindo isto a Lorde "tentando fazer algo diferente". Lorde eventualmente participou da faixa do duo britânico Disclosure, incluída no álbum de 2015 Caracal.
Em janeiro de 2016, o The New Zealand Herald reportou que Lorde e James Lowe, seu namorado, haviam terminado seu relacionamento de três anos. A cantora confirmou o término durante entrevistas seguindo o lançamento de "Green Light" em 2017, levando a que ela cedesse a "beber muito" e perceber que havia um "elemento de escapismo e exploração" em fazê-lo. Lorde eventualmente respondeu a um comentário em sua conta no Instagram no final de agosto de 2016, confirmando que ela havia completado o processo de composição de Melodrama — ainda sem título no período — e que ela estava nos estágios de produção. A cantora anunciou o título do álbum no dia 2 de março de 2017. Ela também começou a publicar fotos dela no Electric Lady Studios em Nova Iorque com Jack Antonoff nas mídias sociais, tiradas a partir de dezembro de 2015. Sessões extras de gravação foram realizadas no estúdio privado de Antonoff em Brooklyn Heights, chamado de Rough Customer Studio, e no Jungle City Studios em Nova Iorque, bem como no Westlake Recording Studios e no Conway Recording Studios em Los Angeles.Melodrama (notas de mídia). Lorde. Republic Records. 2017. O processo de gravação da dupla durou 18 meses. Melodrama foi lançado através da Universal Music Group, Lava Records e Republic Records em 16 de junho de 2017.
Composição e produção miniaturadaimagem|esquerda|A tendência de Lorde de criar paralelos com tragédias gregas (na imagem, Medeia) foi uma inspiração para o título do álbum Lorde disse que, durante os primeiros estágios de composição das canções de Melodrama, ela imaginou escrever o álbum da perspectiva de alienígenas saindo do um ambiente hermeticamente selado pela primeira vez, citando a conto de ficção científica "There Will Come Soft Rains" (1950) de Ray Bradbury como inspiração. Ela descartou a ideia e escolheu, ao invés disso, escreveu sobre seus próprios problemas com o início de sua fase adulta. Ela comparou a história do conto supracitado com sua própria realidade, dizendo que ela usualmente se esconderia em sua casa com amigos, "bebendo e fazendo um esforço consciente para bloquear o resto do mundo, como se houvesse ocorrido um apocalipse nuclear". Lorde também buscou inspiração em conversas com seus amigos e viajou múltiplas vezes entre os Estados Unidos e a Nova Zelândia para examinar o mundo a sua volta. Ela continuava a trabalhar através de "falsos inícios, desvios sem resultado e períodos de inatividade" enquanto retraía do holofote público.
Melodrama é sobre "lidar com a solidão" após o término de um relacionamento, de acordo com o The New York Times. Entrevistada pela publicação, Lorde disse que Melodrama não é simplesmente um "álbum de término", mas sim um "sobre estar sozinho"; ele inclui tanto os aspectos favoráveis quanto os desfavoráveis associados com "um coração partido e solidão". Apesar disso, ela considerou "Green Light" uma música de término de relacionamento tradicional. Em uma entrevista à Vanity Fair, Lorde disse que o título do álbum é uma "referência aos tipos de emoções que você experimenta quando você tem 19 ou 20 anos," elaborando ao dizer que os últimos anos haviam sido intensos para ela, e que ela havia experimentado uma vasta gama de emoções. Ela citou seu "amor pelo teatro" e desenhou paralelos às tragédias gregas como inspiração para o título do álbum. Segundo ela, foi bastante "irônico" intitulá-lo Melodrama. A cantora comparou-o com Pure Heroine, dizendo que este álbum parecia mais estilizado por seu uma "coleção de momentos, pensamentos e vinhetas". De acordo com Lorde, ela teve que lidar com "sensações muito sérias e vívidas" que ela tinha que expressar após ter seu coração partido pela primeira vez e se mudar da casa de seus pais, e ela passou muito tempo isolada em sua própria casa. Trabalhar com Antonoff ajudou-a a se abrir sobre sua situação interna.
Enquanto escrevia canções para o álbum, Lorde buscou inspiração em diversos cenários e testou novos materiais escutando demos através de fones de ouvido em um restaurante perto do Columbus Circle, algo que fez por cerca de quatro meses para entender como a música soaria no dia a dia. Ela se inspirou em conversas de desconhecidos, frequentemente ouvindo frases que a fariam pensar por horas. Estas frases também ilustraram um "quadro" em seus pensamentos. O restaurante frequentemente tocava rádios com as músicas mais populares, o que ocasionalmente a distraía de sua composição, apesar de que ela às vezes tirava os fones para deixar as canções "lavarem-na". Em sua casa na Nova Zelândia, Lorde tinha uma parede de anotações para suas canções, que ela usava para "esquematizar" todo o álbum; isso permitia que ela encontrasse conexões a casa faixa e "preencher os vazios". Cada canções era colorizada em decorrência de sua sinestesia; Lorde arranjou as cores de acordo com seu tema e emoção. Ela também viajou para uma casa alugada na Ilha Waiheke, onde ela podia compor sem distrações.
Arte de capa A arte de capa de Melodrama foi pintada pelo pintor abstrato estadunidense Sam McKinniss, com quem Lorde havia conversado por e-mail. A dupla concordou em se encontrar e começar a discutir a colaboração. Mais tarde, Lorde visitou o estúdio de McKinniss em Williamsburg, Brooklyn, onde ela gostou do retrato da fotografia de capa do álbum Purple Rain (1984), de Prince, e de uma pintura de Lil' Kim. Lorde pediu que McKinniss criasse uma pintura com um "tipo de inquietação colorida adolescente e animação e energia e potencial".
McKinniss e Lorde se encontraram no final de 2016 no estúdio de seu amigo, que consistia em lâmpadas coloridas em um equipamento de iluminação e um espaço com várias janelas. Para a sessão de fotos de Melodrama, Lorde vestiu um deshabillé vintage e posou por duas horas. De acordo com McKinniss, a arte do álbum é a "convergência e duas mentes parecidas" e "espíritos simpáticos". Ele contou que Lorde o disse; "Eu quero ser uma adolescente em meu quarto após uma longa noite, durante a alvorada". A dupla considerou tornar a sessão de fotos "operática" e inspirada na Irmandade Pré-Rafaelita, mas descartou a ideia por estarem satisfeitos com as expressões faciais de Lorde nas imagens resultantes. McKinniss criou duas pinturas de suas fotografias; uma incluia um brilho azul com um rubor quente sobre a bochecha de Lorde e o outro tinha uma iluminação diferente, com cores "mais pálidas e doces". A pintura não utilizada foi revelada mais tarde em uma entrevista à Dazed.
A NME considerou a obra uma das melhores capas de álbuns do século XXI até então. A Paste a posicionou na 11ª posição em sua lista de melhores capas de álbuns de 2017, e ela também apareceu na lista sem ranking da Billboard. Tatiano Cirisano, escritor da publicação, disse que McKinniss "perfeitamente comunida a história de intimidade e crescimento" do álbum com suas "cores nebulosas do crepúsculo e cenário de cabeceira". A Fuse também incluiu a capa em sua lista de fim de ano.
Música e letra miniaturadaimagem|Lorde cita Don Henley, Tom Petty, Phil Collins e Joni Mitchell, bem como as mortes de David Bowie (na imagem) e Prince como inspirações.