O SMS Kaiser Friedrich III foi um navio couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Kaiser Friedrich III, seguido pelo , , e . Sua construção começou em março de 1895 no Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven, foi lançado ao mar em julho de 1896 e comissionado na frota alemã em outubro de 1898. Tinha um deslocamento de mais de onze mil toneladas e era armado com uma bateria principal de quatro canhões de 238 milímetrosem duas torres duplas, apoiadas por uma bateria secundária de dezoito canhões de 150 milímetros.
Seus testes marítimos e modificações duraram por mais de um ano e ele só entrou no serviço ativo no início de outubro de 1899, tornando-se a capitânia do príncipe Henrique da Prússia na I Esquadra da Frota Doméstica. A força se ocupava de exercícios de treinamento, também fazendo várias viagens para outros países, particularmente Reino Unido e Suécia e Noruega. O Kaiser Friedrich III foi seriamente danificado em 1901 depois de bater em rochas submersas no Mar Báltico; este incidente contribuiu para mudanças de projeto em posteriores couraçados da Alemanha a fim de ficaram mais resistentes contra danos submarinos. O navio passou por uma modernização em 1908, com suas armas secundárias sendo reorganizadas e sua superestrutura cortada com o objetivo de reduzir peso.
O Kaiser Friedrich III voltou para o serviço em 1910 e foi colocado na reserva; ele passou os dois anos seguintes atracado, sendo ativado apenas para participar das manobras anuais da frota. Os anos de 1913 e 1914 se passaram sem nenhum serviço ativo até o começo da Primeira Guerra Mundial. Apesar de obsoletos, pelos primeiros meses do confronto o Kaiser Friedrich III e seus irmãos serviram em capacidade limitada como navios de defesa costeira dentro da V Esquadra de Batalha. Eles realizaram duas operações no Báltico, porém não encontraram embarcações inimigas. A embarcação foi tirada do serviço pela última vez em fevereiro de 1915 e acabou descomissionada em novembro, sendo em seguida utilizada como navio prisão e depois navio alojamento. Ele foi desmontado em 1920.
Catecterísticas
esquerda|thumb|250px|Diagrama da Classe Kaiser Friedrich III. Depois da Marinha Imperial Alemã ter encomendado em 1889 quatro couraçados da Classe Brandenburg, uma combinação de restrições orçamentárias, oposição da Dieta Imperial e falta de um planejamento coerente para a frota atrasou a construção de mais couraçados. O vice-almirante Leo von Caprivi, ex-Secretário de Estado do Escritório Imperial da Marinha, tornou-se o Chanceler da Alemanha em 1890 e foi sucedido no comando da marinha pelo vice-almirante Friedrich von Hollmann. Este pediu em 1892 um novo couraçado a fim de substituir o antigo ironclad SMS Preussen, construído vinte anos antes, porém a Aliança Franco-Russa assinada no ano anterior colocou a atenção do governo na expansão do orçamento do exército. Oposição parlamentar fez Hollmann adiar o projeto para o ano seguinte, quando Caprivi o defendeu, salientando que a recente expansão naval da Rússia ameaçava a costa alemã no Mar Báltico. Hollmann apresentou em 1893 as estimativas da marinha para o orçamento dos dois ano seguidos, novamente pedindo por um substituto do Preussen, sendo aprovado desta vez. Os novos navios abandonaram o arranjo de seis canhões da Classe Brandenburg em favor de quatro peças de alto calibre, o arranjo padrão de outras marinhas na época.
O Kaiser Friedrich III tinha 125,3 metros de comprimento, uma boca de 20,4 metros e um calado de 7,89 metros. Eles deslocava 11 097 toneladas normalmente e 11 785 toneladas totalmente carregado. O navio era impulsionado por três motores a vapor de tripla expansão vertical com três cilindros que giravam três hélices. O vapor provinha de quatro caldeiras marítimas e oito caldeiras cilíndricas, todas as quais queimavam carvão. A energia gerada pelo Kaiser Friedrich III era de 12 820 cavalos-vapor (9 560 kW), que fazia a embarcação alcançar uma velocidade máxima de 17,5 nós (32,4 km/h). O navio tinha uma tripulação que ia de 658 a 687 homens.
O armamento do Kaiser Friedrich III consistia de uma bateria principal de quatro canhões de 238 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, uma na proa e uma na popa. Suas armas secundárias consistiam de dezoito canhões de 149 milímetros e doze canhões de tiro rápido com 88 milímetros. O navio também carregava doze canhões automáticos, porém estes depois foram removidos. O armamento era finalizado com seis tubos de torpedos com 450 milímetros, todos em suportes giratórios acima da linha d'água. O cinturão de blindagem tinha entre 150 e 300 milímetros de espessura, enquanto o convés era protegido por 65 milímetros. A torre de comando e as principais torres de artilharia eram protegidas por 250 milímetros, já as casamatas da bateria secundária receberam uma proteção de 150 milímetros.
História Início de carreira A quilha do Kaiser Friedrich III foi batida em 4 de março de 1895 no Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven sob o número de construção 22. O imperador Guilherme II da Alemanha, filho do homônimo Frederico III, colocou o primeiro rebite da estrutura. A embarcação foi encomendada sob o nome de Ersatz Preussen para substituir a fragata blindada SMS Preussen. O Kaiser Friedrich III foi lançado no dia 1 de julho de 1896, com Guilherme II novamente presente, desta vez para realizar um discurso. O navio foi comissionado em 7 de outubro de 1898 e começou seus testes marítimos no Mar Báltico. Uma das maiores preocupações era como o arranjo de três hélices se sairia em uma embarcação deste tamanho; a predecessora Classe Brandenburg tinha duas hélices. O navio voltou para Wilhelmshaven em fevereiro de 1899 após finalizar seus testes, sendo descomissionado para que os defeitos identificados pudessem ser concertados. Os trabalhos duraram mais do que o esperado e ele ficou fora do serviço durante boa parte do ano.
thumb|300px|O Kaiser Friedrich III em 1900. O navio foi recomissionado em 21 de outubro e designado para a II Divisão da I Esquadra da Frota Doméstica, então era comandada pelo vice-almirante Paul Hoffmann. Ele substituiu o ironclad SMS Baden, que fora descomissionado um dia antes. O Kaiser Friedrich III tornou-se a capitânia da II Divisão, comandada pelo contra-almirante Wilhelm Büchsel. O navio, antes mesmo de juntar-se à divisão, escoltou o iate SMY Hohenzollern do imperador e o aviso SMS Hela em uma viagem para o Reino Unido a fim de visitar sua avó, a rainha Vitória. As embarcações deixaram a Alemanha em 17 de novembro, ficando em Dover do dia 18 ao 20, seguindo para Portsmouth, onde ficaram por três dias. Eles pararam em Vlissingen nos Países Baixos na volta entre 24 e 29 de novembro, continuando até Kiel, onde chegaram em 1 de dezembro.
O Kaiser Friedrich III assumiu o papel de capitânia da II Divisão em 24 de janeiro de 1900, quando Büschsel transferiu seu bandeira para o navio. A I Esquadra foi em 2 de abril para a Baía de Danzig. Eles começaram uma viagem pelo Mar do Norte em 7 de maio; as embarcações fizeram paradas em Lerwick nas Ilhas Shetland entre os dias 12 e 15 de maio e em Bergen na Noruega de 18 a 22. A divisão retornou para Kiel quatro dias depois de deixar Bergen. Os quatro couraçados da Classe Brandenburg foram para a China em julho a fim de suprimirem o Levante dos Boxers, algo que forçou uma reorganização da Frota Doméstica. O Kaiser Friedrich III e seu irmão ficaram como os únicos couraçados disponíveis para as manobras anuais da frota, que foram realizadas entre 15 de agosto e 15 de setembro de 1900. Juntaram-se a eles as fragatas blindadas SMS Sachsen e SMS Württemberg, além de seis navios de defesa costeira das classes Siegfried e Odin. O Kaiser Friedrich III foi designado para a força "Alemã" durante as manobras, que deveria combater a esquadra "Amarelo" inimigo. Büchsel depois disso tornou-se o vice-comandante da I Esquadra, transferindo sua bandeira para o Württemberg. Ele foi substituído em 30 de setembro pelo contra-almirante Max von Fischel, porém pouco depois o Kaiser Friedrich III foi para a doca seca a fim de passar por sua revisão anual.
O vice-almirante príncipe Henrique da Prússia, filho de Frederico III e irmão mais novo de Guilherme II, substituiu Hoffman em 1 de novembro como o comandante da I Esquadra, hasteando sua bandeira a bordo do Kaiser Friedrich III; o navio manteve o papel de capitânia da esquadra pelos três anos seguintes, período interrompido apenas durante os exercícios anuais da frota conduzidos entre agosto e setembro. Nessa ocasiões o almirante Hans von Koester, o Inspetor-Geral da Marinha, comandava a frota a partir do Kaiser Wilhelm II. As embarcações da esquadra foram ocupadas com treinamentos individuais ao longo do mês de novembro. Em 17 de novembro de 1900, o Kaiser Friedrich III estava navegando para Kiel depois de realizar seus exercícios de treinamento. O Kaiser Wilhelm II tentou ultrapassar seu irmão, então foi dada a ordem do segundo parar a fim que o primeiro pudesse passar à bombordo e assumir a dianteira. Entretanto, a ordem de voltar a navegar foi dada muito rapidamente e os dois navios colidiram acidentalmente. O Kaiser Friedrich III sofreu pequenos danos em sua proa, enquanto o Kaiser Wilhelm II foi levemente danificado no compartimento que abrigava os motores do leme. Os reparos foram completados em três dias sem a necessidade que nenhum dos dois fosse para a doca seca. Os couraçados começaram seu cruzeiro de treinamento em 4 de dezembro, parando em Larvik na Noruega entre os dias 10 e 12 do mesmo mês. A esquadra retornou para a Alemanha três dias depois.
Encalhe de 1901 O navio passou por sua manutenção periódica no início do ano de 1901. Os reparos foram completados em meados do mês de março de 1901, período em que os membros da esquadra reuniram-se em Kiel. Em seguida eles começaram uma viagem de treinamento pelo Mal Báltico, parando em Danzig no dia 1º de abril. Lá, Koester informou o príncipe Henrique sobre as iminentes manobras conjuntas entre a marinha e o exército. O Kaiser Friedrich III acabou batendo em uma rocha não mapeada perto do Cabo Arkona, ao norte de Adlergrund, às 1h27min já do dia 2 de abril. A rocha abriu um buraco no lado estibordo do casco e danificou quatro dos compartimentos à prova d'água do couraçado, que então inundaram-se e fizeram o navio adernar para bombordo. Aproximadamente 1200 toneladas de água entraram na embarcação. O choque da colisão também danificou as caldeiras e iniciou um incêndio nos depósitos de carvão que espalhou-se para a sala da caldeira estibordo da popa, forçando a tripulação a desligar os motores. Todos os compartimentos de munição, sala de máquinas e depósitos precisaram ser inundados com o objetivo de impedir que o fogo se espalhasse para esses locais. Dois homens ficaram seriamente feridos enquanto combatiam o incêndio, com um terceiro morrendo de seus ferimentos.