O Sukhoi Su-27 (em russo: Сухой Су-27; OTAN: Flanker) é um caça russo de motores duplos de supermanobrabilidade desenvolvido pela Sukhoi. Foi desenvolvido como competidor direto dos caças de quarta geração dos Estados Unidos como o Grumman F-14 Tomcat e F-15 Eagle, possuindo alcance de ação de km, sofisticada aviônica e supermanobrabilidade. Foi desenhado para superioridade aérea, mas suas variantes mais modernas têm capacidade e eficiência para quase todos os tipos de operações aéreas bélicas. Complementando o menor MiG-29, o Su-27 é a aeronave rival mais direta ao F-15 Eagle norte-americano.
O Su-27 entrou em serviço na Força Aérea Soviética em 1985. Seu principal objetivo era a defesa aérea contra bombardeios americanos como o SAC B-1B e B-52G/H, na proteção da costa soviética de porta-aviões e escolta de bombardeios estratégicos como o Tu-95 "Bear", Tu-22M "Backfire" e Tu-160 "Blackjack".
Várias aeronaves foram desenvolvidas com base no design do Su-27, caso do Su-30, Su-33, Su-34, Su-35 e Su-37. Foi exportado para vários países, sendo o Shenyang J-11 uma versão chinesa construída sobre licença do Su-27.
Desenvolvimento Protótipo O desenvolvimento inicial do Su-27 começou por iniciativa sobre supervisão de O.S. Samoilovich no final de 1969, com o objetivo de construir uma aeronave com capacidade de engajamento efetivo e superioridade aérea sobre o caça F-15 desenvolvido sobre o programa FX norte-americano de 1966. Esse programa foi chamado Perspektivnyy Frontovoy Istrebitel (PFI).Spick, Mike, ed. "MiG-29 'Fulcrum'". "The Flanker". Great Book of Modern Warplanes. Osceola, WI: MBI Publishing, 2000. ISBN 0-7603-0893-4. Diferentemente de várias aeronaves anteriores feitas pela URSS, que eram esforços para acompanhar o avanço tecnológico dos EUA, o Su-27 foi desenvolvido para ser em nada inferior e até superior em aspectos ao rival F-15. thumb|upright=1.25|Protótipo T-10 No estágio inicial foram feitas várias configurações alternativas, já que o processo para desenvolver a aeronave decorreu com vários desafios desde o princípio, incluindo uma baseada com um corpo similar ao F-15, mas no final decorreu em uma própria baseando nas configurações subsequentes apresentadas. Entre uma das características implementadas estão a concepção de estabilidade estática longitudinal, sendo balanceado por sistemas de controle de distância (EDCS).
Entre os anos de 1971 e 1972 o conceito de design foi desenvolvido para base própria para os Departamentos de Design A.I. Mikoyan, P.O. Sukhoi e A.S. Yakovlev. O desenho do Su-27 (T-10) foi completado em setembro de 1971 e submetido a revisão da Força Aérea Soviética em 1972. No mesmo ano foi decidido por parecer das forças armadas que teriam duas versões do caça: uma leve que seria produzida pelo departamento de Design Mikoyan, que se tornaria o MiG-29, e uma pesada designada para o departamento de Design Sukhoi. Baseando-se no que foi solicitado, houve um redesenho entre 1972-1973 para ser compatível com todos os requisitos, como aérea alar, design das entradas de ar, e fuselagem integral do tanque de combustível. Novos motores turbofans AL-31F foram desenvolvidos especialmente para o Su-27, que provou-se ser excelente nos quesitos de aceleração, manobrabilidade e taxa de subida. Contudo, vários problemas decorreram com o projeto, sobretudo componentes de aviônica antiquados, e necessidade de novos componentes e tecnologias. thumb|upright=1.25|Su-27 decolando No ano de 1975 a configuração padrão de aerodinâmica foi consolidada, sendo otimizada com o reforço do trem de pouso e construção em larga escala em ligas de titânio. Em janeiro de 1976 foi aprovado pelo governo como caça de superioridade aérea para a força aérea, sendo três protótipos construídos (dois para testes de voo e um para estrutural). Todos os sistemas do Su-27 foram altamente testados, aerodinâmica, motores, sistemas de controle, ataque, navegação e armamentos, isso em vários laboratórios de voos conduzindo estudos em uma escala nunca vista anteriormente sobre qualquer avião de matriz soviética para formatação de sistemas de sistemas para o mesmo. Em 1977 a fábrica de Komsomolsk-on-Amur começou a fazer as primeiras unidades do Su-27, sendo aprovado na crítica e visão do comitê da Força Aérea Soviética. Os primeiros dois protótipos tinham motores AL-21FZAI. (T10-1 e T10-2) Em 20 de Maio de 1977 foi realizado o primeiro voo pelo piloto de testes V.S. Ilyushin, sendo aprovados pelo teste militar do governo, continuação testes intensos sobre a plataforma.
O desenvolvimento do projeto demonstrou diversos problemas nos protótipos, resultando em uma queda fatal do T-10-2 em 7 de julho de 1978. Com intensivos testes sobre a plataforma, uma versão revisada com duas aeronaves, T-10-7 e T10-12, os quais também tiveram problemas com quedas, em especial deste que matou o piloto Aleksandr Komarov em 23 de dezembro de 1983, foram desenvolvidas e seriam a base do T-10-S. Tal alcunha identifica diversas aeronaves construídas e testadas entre 1982 e 1985, desde versões com um tripulante quanto dois, até a versão final aprovada fosse oficialmente introduzida no arsenal soviético.
Introdução thumb|upright=1.25|Su-27 Russo A introdução do Su-27 ao inventário Soviético ocorreu em junho de 1985, entregues ao 60º Esquadrão em Dzemghi. Mesmo sendo produzidas e entregues, tais aeronaves só se tornaram ativas e postas em serviço em 23 de agosto de 1990, depois que falhas maiores foram identificadas e consertadas durante testes. Em 1989 existiam 16 unidades de combate de Su-27 na Força Aérea Soviética. De acordo com informações de comandos e pilotos de unidades de transição, mesmo com o fato de sistemas muito mais complexos de aviônica e armamentos em detrimento de aeronaves de gerações anteriores, o treinamento de transição eram bem objetivos e sem complicações, sendo um avião razoavelmente fácil de ser dominado e usado com total eficiência.
A partir do ano de 1991, as fabricas de Komsomolsk-on-Amur e Irkutsk começaram a produção de variantes de exportação do Su-27, caso do Su-27SK e Su-27UBK. Vários tipos foram exportados para China, Vietnã, Etiópia e Indonésia, sendo uma versão produzida sobre acordo de licença para a China, sobre o nome de Shenyang J-11.
Evolução
Devido aos pontos de vantagem existentes no Su-27 observados ao longo dos anos, sua base foi reutilizada para formatação de novos aviões, fenômeno similar ao que ocorreu com o F-15 Eagle e F-18 Hornet. Essas evoluções condizem com várias aeronaves que utilizaram como base inicial do Su-27, caso do Su-30, Su-33, Su-34, Su-35 e Su-37; além das versões de exportação e concessão.
O Su-27 provou-se ser uma aeronave multiuso, o que possibilitou utilização e atualização de aviônica, motores e armamentos variados ao longo dos anos. Tal perspectiva já estava presente no projeto inicial, além dos protótipos dentro do programa T-10, no qual uma versão de dois tripulantes já era testada, sobretudo para treinamento, além da UB para bombardeios. A evolução não foi condizente apenas com o avanço tecnológico em equipamentos, aviônica e afins, mas também pelo tipo de necessidade nas Força Aérea e Marinha Russas, formatando desde caças para interceptação quanto bombardeios táticos.
Entre tais versões, o Su-30 apresenta-se como uma evolução nítida para a característica multiuso da plataforma do Su-27. Atualização da aviônica, uso de armamentos, introdução de novos radares e motores AL-31FP. Enquanto o Su-33 é uma versão para uso em porta-aviões, possibilitando dobrar as asas para condição de entrada e armazenamento. Mesmo sendo pouco produzida, já que a Marinha Russa possui um porta-aviões somente, demonstrou uma das possibilidades de uso da plataforma lançada pelo Su-27.
No caso do Su-34, ele tornou-se o substituto do Su-24, o que denota a perspectiva de conceito de aeronave universal, combinando características conflitantes sobre caça interceptador e bombardeio presentes ao longo dos anos. Mesmo sendo um bombardeio tático, ele tem capacidade e características de interceptador, possibilitando uso de misseis ar-ar e manobras evasivas. O Su-35S apresenta-se como a versão mais moderna da plataforma em ação, com motores AL-41F1S, aviônica e armas de última geração do inventário russo.
Características
O design do Su-27 possui similaridades com aviões de sua categoria por ser uma resposta direta ao F-15 Eagle e F-16 Fighting Falcon, já que nos anos 1970 os aviões soviéticos ficam em desvantagem sobre a superioridade aérea. Foi desenvolvido para alta performance, uso de sistema fly-by-wire, e possibilidade de carregar até 10 mísseis.
O Su-27 possui asas em cropped delta devido a presença de ECM nos extremos das asas, além de varredura em 42 graus que levam vantagem com extensão dos slats e flaperons. Em combinação com os flaperons para uso convencionais, os ailerons movem-se com os flaps para proporcionar sustentação e arrasto. O corpo é construído em titânio e liga de alumínio de alta resistência, fazendo ser leve para o tamanho da aeronave. Na fuselagem central consiste no compartimento de combustível, paraquedas de freio; e frente a cápsula com o cockpit, compartimento de radares e aviônica.
Possui motores duplos AL31F turbofans do departamento geral MMZ Saturn, desenhados pela A.M. Lyil'la. São econômicos, possuindo potência em pós-combustão de cada e empuxo seco de cada um; além de confiáveis, robustos e de fácil manutenção. Outra característica foram seus testes em condições severas, demonstrando serem efetivos; possibilitando a aeronave a fazer a acrobacia aérea Pugachev's Cobra. thumb|upright=1.25|Visão interna do Cockpit do Su-27 O sistema de rádio proporciona voz e informações, usando tanto frequências VHF quanto UHF entre aeronaves e estações controle no chão. O raio de alcance entre aeronave e controle em solo é de km, sendo a informação encriptada com link para informações de combate, e comando de guia para o controle terrestre sobre modo automático de interceptação. As contramedidas eletrônicas funcionam tanto para aeronave individuais quanto para proteção de grupos, estando presentes na frente e traseira. Os sistemas incluem pilot de iluminação de aviso no receptor do radar, chaff e dispersores infravermelhos, além de jammer ativo localizados nos extremos das asas.
Armamentos
O sistema de armamentos é o RLPK27, bastante sofisticado com controle de pulso Doopler para ser a prova de jam enquanto escaneia e trava no alvo para ser abatido. O raio de detecção do radar Phazotron N001 Zhuk é de 240 km, podendo visualizar até 10 alvos ao mesmo tempo em 185 km de distância, podendo disparar em dois alvos consecutivos ao mesmo tempo. O sistema de indicação é o SEI-31, tendo uma tela de indicação ILS-31 (HUD). Em caso de falta do radar, um sistema elétrico-optico de mira a laser desenvolvido pela Geophysica NPO pode ser usado, possuindo um raio de alcance de 8 km para abate e 50 km de buscas. Esse sistema pode ser acoplado no capacete do piloto, possibilitando encontrar o alvo movendo a cabeça.
No que tange os armamentos, o Su-27 pode carregar vários tipos de mísseis e bombas, tanto para ataque ar-ar quanto ar-solo. Possui 10 pilones aeronáuticos. Para superioridade aérea inclui: R-27R1 (Nato AA-10A Alamo-A) para médio alcance e radar semiativo; R-27T1 (Nato AA-10B Alamo-B) com infravermelho de alcance entre 500 m e 60 km; R-73E (AA-11 Archer) com todos os aspectos, para combate aproximado de alcance entre 300 m e 20 km; além de K-73. O Su-27 é operacional com os armamentos mais modernos ar-ar presentes no arsenal russo.
Em ar-solo inclui possibilidade de uso de bombas FAB-500M62/RBK-500/ZB-500, FAB-250M54, FAB-250M62, OFAB-100-120, B-8MI, B-13L, S-25 não guiadas; Kh-29T, Kh-31P(A), Kh-59M, KAB-500Kr, KAB-1500Kr guiadas. Nessa lista inclui e mísseis C-8, C-13 e C-25. Possui metralhadora 30 mm GSh-30-1 com 150 disparos em diferentes cadências.
Comparação com o MiG-29