thumb|Desenho de uma cena antropofágica datada de 1557.
O ritual antropofágico é um dos costumes indígenas que mais causaram espanto e perturbação entre os colonizadores portugueses. Ele era praticado amplamente pelos tupinambás e outros grupos tupis-guaranis."BRAICK, Patrícia Ramos". História: das cavernas ao terceiro milênio. 2ª edição. Local de publicação: Moderna, 2006.
Descrição do ritual Nas guerras rotineiras entre as tribos, a vitória de uma delas lhe garantia o direito de devorar um dos guerreiros da tribo inimiga. O prisioneiro era levado para a aldeia e obrigado a desfilar diante das pessoas enquanto todos o ameaçavam, anunciando-lhe a morte.
A execução poderia demorar quase um ano para acontecer. Enquanto isso, o prisioneiro era muito bem tratado, alimentado e podia até receber uma esposa e gerar filhos. Quando se aproximava o dia de sua morte, as tribos vizinhas eram convidadas para o grande ritual.
Chegado o dia, o prisioneiro e o escolhido para ser o executor eram enfeitados com cores fortes e brilhantes. Depois de imobilizado, o prisioneiro tinha a cabeça arrebentada com uma borduna. O corpo era limpo, cozido em grandes panelas e saboreado pelos presentes.
Todo esse ritual destinava-se a vingar os parentes e amigos mortos durante a guerra e, ao mesmo tempo, incorporar as virtudes guerreiras do morto. Comer a carne de um guerreiro da tribo inimiga, após uma guerra, tinha um significado místico arraigado na cultura dos povos ameríndios.
O antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro cita em seu livro O Povo Brasileiro que a antropofagia era feita para que um cativo de guerra não desse prejuízos, já que se fosse escravizado sua produção seria pouco maior que o seu consumo. Contudo, os covardes eram salvos, sendo Hans Staden poupado por três vezes, porque no momento de seu sacrifício, chorava e pedia clemência.
O ritual antropofágico era visto como a maior e mais completa forma de vingança para com os inimigos, como é descrito em um trecho escrito por Staden, no século XVI:
O ritual, que tanto chocou os europeus, não mais existe em nenhum grupo indígena da atualidade.
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