Kazmer Féjer (Pécs, 1923 — Sesimbra, 1989) foi um pintor e escultor húngaro-brasileiro. Frequentou a Academia de Belas Artes de Budapeste, onde cria, em 1945, o Artclub de Budapeste. Lá, conhece Waldemar Cordeiro. Vem ao Brasil e radica-se em São Paulo em 1949, participando da primeira edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo em 1951. No ano segundo, participa da criação do Grupo Ruptura. Foi um dos sete signatários do manifesto do grupo, lançado em São Paulo em dezembro de 1952.
Formação e atuação em Budapeste Fejér ingressou na Academia Nacional Húngara de Belas Artes, em Budapeste, em 1940, enquanto cursava a faculdade de Química Industrial. Teve aulas com o escultor Zsigmond Kisfaludi Strobl.
Entre 1946 e 1948 atuou junto ao Grupo de Artistas Abstratos reunido em Budapeste. Organizou, ao lado do crítico húngaro Ernő Kállai, a exposição Új Világkép (Nova visão de mundo), para cujo catálogo escreveu o texto de introdução, e a mostra Mohácsi busók, dedicada às máscaras do carnaval de Mohács. Em 1947 pintou Moszat (Alga), composição abstrata em tons de verde e azul que remete a formas de algas submersas, e distribuiu um panfleto propondo uma associação artística internacional, com renda mínima para artistas e exposições itinerantes.
O Grupo de Artistas Abstratos foi desfeito no fim de 1947, sob pressão política e dívidas de aluguel. A partir de 1948 a arte abstrata foi proibida na Hungria.
Montevidéu Fejér deixou a Hungria no início de 1948 e passou por Viena e Roma antes de fixar-se em Montevidéu, onde viveu cerca de um ano. Frequentou o Art Club local, do qual Joaquín Torres García era membro, e participou de uma coletiva na galeria Arte Bella em 1949. A recepção crítica foi hostil: no periódico Marcha, Florio Parpagnoli estranhou a linguagem do artista, e a crítica Giselda Zani escreveu que a tela apresentada podia ser chamada de qualquer coisa, menos de pintura.
São Paulo e o Grupo Ruptura Em 1951 participou da I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo com uma pintura hoje extraviada, próxima das abstrações biomórficas que vinha praticando desde Budapeste. No ano seguinte assinou o manifesto Ruptura e participou da exposição inaugural do grupo, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Em paralelo à atividade artística, trabalhou como químico industrial nas áreas de cerâmica e plásticos, dedicando-se sobretudo à pesquisa de pigmentação de polímeros. A pesquisadora Pia Gottschaller identificou que artistas do Ruptura, entre eles Geraldo de Barros e Waldemar Cordeiro, empregaram misturas de tinta pouco comuns, provavelmente derivadas dessas invenções. Fejér dividiu ateliê com Cordeiro e com Hermelindo Fiaminghi, e acompanhou o grupo concreto paulista ao longo da década de 1950.
Em 1957 foi tema de um perfil no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, escrito por Ferreira Gullar. Em depoimentos da época defendeu uma noção restrita de arte concreta, apartada das formas da natureza, posição oposta à que sustentara dez anos antes em Budapeste.
Obra Dos anos 1950 aos 1970, as obras tridimensionais de Fejér foram feitas quase todas pela justaposição de placas geométricas de acrílico ou de vidro transparente, cuja sobreposição cria níveis distintos de transparência. É o caso de Cristal, de 1956, formada por lâminas de vidro que descrevem a transformação gradativa de dois retângulos em triângulos isósceles, hoje na Coleção Patricia Phelps de Cisneros. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo possui uma escultura em plexiglass de 1956, incorporada ao acervo em 1966.
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