Jaysh al-Islam (árabe: جيش الإسلام; português: Exército do Islão), inicialmente fundado com o nome de Liwa al-Islam ("Brigadas do Islão"), é uma coligação de rebeldes salafistas, islamistas e wahhabistas envolvida na Guerra Civil Síria.
O grupo tinha como principal área de influência Damasco, com especial destaque para a cidade de Douma e a restante área leste de Ghouta, onde Jaysh al-Islam era o maior grupo rebelde, como antes era Liwa al-Islam.
Jaysh al-Islam integrou o Conselho Supremo Militar do Exército Livre Sírio (ELS) até dezembro de 2013, mas em novembro de 2013 o grupo formou a Frente Islâmica e no mês seguinte viria a romper relações com o ELS. Tal como Ahrar al-Sham, era dos principais grupos apoiados e financiados pela Arábia Saudita, com Jaysh al-Islam a defender a criação de um Estado Islâmico na Síria baseado na Sharia para substituir o governo de Bashar al-Assad.
História Liwa al-Islam miniaturadaimagem|esquerda|Combatentes do Jaysh al-Islam durante o Cerco de Ghouta Oriental. Liwa al-Islam foi fundado por Zahran Alloush, que é filho de Abdullah Mohammed Alloush - um clérigo islâmico residente na Arábia Saudita, depois de ter sido solto pelas autoridades governamentais sírias em 2011, após o cumprimento de penas pelas suas ligações a movimentos salafistas. O grupo declarou que era responsável pelo Atentado de 18 de julho de 2012 em Damasco que causou a morte de Dawoud Rajiha (Ministro da Defesa), Assef Shawkat (Secretário do Ministro da Defesa) e Hassan Turkmani (Vice-Presidente Assistente). Liwa al-Islam foi responsável por diversas operações rebeldes na zona de Damasco, efetuando operações conjuntas com Jabhat al-Nusra, braço armado da Al-Qaeda na Síria.
Fusão para formar Jaysh al-Islam Em 29 de setembro de 2013, 50 facções rebeldes operando na zona de Damasco anunciaram a sua fusão para dar origem a um novo grupo: Jaysh al-Islam. Liwa al-Islam era a principal facção no novo grupo, e o seu líder Zahran Alloush tornou-se o líder da nova milícia. Um montante de 38 dos 50 grupos que fundaram Jaysh al-Islam já estavam aliados a Liwa al-Islam. Em setembro, o porta-voz do grupo Islam Alloush (irmão de Zahran) tinha criticado o Conselho Nacional Sírio (CNS), ao afirmar que o CNS deveria ser liderado por pessoas que estejam a combater na Síria em vez de exilados, mas não decidiu (neste momento) romper totalmente o CNS.
Por novembro de 2013, 60 grupos tinham-se fundido no Jaysh al-Islam, e mais 175 grupos rebeldes expressaram o interesse em se juntarem à facção.
A criação do novo agrupamento foi alegadamente negociada e pensada pela Arábia Saudita, que acreditava que a Frente al-Nusra estava a ganhar demasiada influência. Após a fusão, o The Guardian relatou que o governo saudita estava preparado para dar milhões de dólares em financiamento e armamento ao grupo, e usava instrutores do Paquistão para treinar os seus combatentes.
Cisão do ELS e fundação da Frente Islâmica Embora anteriormente tenha estado afiliado ao Exército Livre Sírio (dentro do Conselho Militar Supremo), Zahran Alloush, em dezembro de 2013, anunciou que abandonava o ELS, dizendo: "A nossa afiliação ao Conselho veio quando estava a conduzir operações contra Assad sem estar dependente de terceiros, e quando assinou que nada tinha delineado sobre o futuro do Estado." Quando o ELS se juntou à Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias e se comprometeu com um estado democrático e pluralista, Alloush - que tinha fundado a Frente Islâmica em novembro de 2013 - decidiu que não iria mais fazer parte do Conselho Militar do ELS.
Em março de 2015, Jaysh al-Islam e o Comando Militar Unificado do leste de Ghouta formaram o "Conselho Militar de Damasco e Arredores", sob o comando direto de Zahran Alloush.
Até os finais de 2015, o grupo continuou a cooperar com a Frente Al-Nusra.
Morte de Zahran Alloush A 25 de dezembro de 2015, o fundador e líder do grupo Zahran Alloush foi morto, bem como outros líderes do grupo, num ataque aéreo da Força Aérea Árabe Síria nos subúrbios de Damasco. Abu Hammam Bouwidani foi o sucessor de Alloush para liderar o grupo.
2016-2018 A partir da morte de Alloush no final de 2015, conflitos emergiram entre Jaysh al-Islam e os outros grupos jihadistas que ocupavam o leste de Ghouta, bem como a Frente al-Nusra e sua aliança Jaish Al-Fustat, enquanto Ahrar al-Sham manteve-se neutral no conflito. O conflito entre rebeldes em Ghouta ocorreu em maio de 2016, provocando cerca de 300 mortes, até que em 24 de maio, os líderes do Jaysh al-Islam e da Legião al-Rahman assinaram um acordo de cessar-fogo.
A 25 de janeiro de 2017, a secção de Idlib do grupo fundiu-se no Ahrar al-Sham.
Em abril de 2017, uma coligação entre Legião al-Rahman e Tahrir al-Sham infiltrou-se na zona de Ghouta Oriental controlada por Jaysh, que lançou uma campanha para expulsar do seu território, o que resultou em 95 mortos entre 26 de abril a 1 de maio. Os confrontos entre rebeldes levou que as forças governamentais ganhassem território na zona rebelde, que originou manifestações a pedirem às facções rebeldes se unirem e pararem o conflito. Filmagens destas manifestações em abril mostraram militantes do grupo a abrirem fogo contra os manifestantes.
Em 12 de abril, após a vitória decisiva do Governo Sírio na ofensiva sobre Ghouta, os militantes de Jaysh com as suas famílias concordaram em abandonar a zona, em direção à zona ocupada pela Turquia no norte da Síria.
Filiação às forças pró-turcas Após ter se fixado na zona ocupada turca, Jaysh al-Islam estabeleceu uma nova sede em Jarablus. Segundo relatos, a Arábia Saudita cortou relações com o grupo, levando Jaysh a se tornar mais próximo da Turquia. Alegadamente, o governo turco pretende usar os combatentes do grupo para expulsar as Forças Democráticas Sírias de Manbij.
Em setembro de 2018, o líder do grupo confirmou que Jaysh al-Islam tinha aceitado integrar no Exército Nacional Sírio, o grupo de forças rebeldes controladas e financiadas pela Turquia para combater as forças curdas.
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