O comunismo no Brasil está presente, desde o século XX, como uma vertente de pensamento e ação política, consubstanciada em movimentos sociais, na atuação de partidos políticos e na produção intelectual de diversos autores marxistas. Atualmente, há, no Brasil, cinco partidos que se assumem comunistas: o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e sua ala juvenil União da Juventude Comunista (UJC), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), o Partido da Causa Operária (PCO) e a Unidade Popular pelo Socialismo (UP), partidos que tem o punho erguido, a foice e o martelo, e heráldicas comunistas, como seus símbolos.
Princípio thumb|esquerda|Fundadores do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em março de 1922, em Niterói.|300x300px O movimento foi influenciado desde o fim do século XIX pela chegada de ideias anarquistas no Brasil chegando ao auge com a greve geral de 1917,DULLES, J. W F. Anarquistas e Comunistas no Brasil – 1900-1930. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1977; KOVAL, B. História do Proletariado Brasileiro.São Paulo: Alfa Omega, 1982. BATALHA, C. O Movimento Operário na Primeira República. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 200.; LOPES; C. L. E.; TRIGUEIROS, N. N. História do Movimento Sindical no Brasil. São Paulo: Centro da Memória Sindical. Mimeo s/d; ZAIDAN, M. Comunistas em Céu Aberto –1922-1930. Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1989. depois cresceu com a fundação do Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PCB) em 1922.A influência de outros movimentos de esquerda anteriores e contemporâneos ao PCB era residual, vide: DULLES, J. W F. Anarquistas e Comunistas no Brasil – 1900-1930. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1977; KOVAL, B. História do Proletariado Brasileiro.São Paulo: Alfa Omega, 1982. até a sua consolidação na luta contra o fascismo no período entreguerras, a repressão durante do governo de Getúlio VargasReivindicações trabalhistas eram requeridas por anarquistas antes de 1922, mas só foram alcançadas depois da luta organizada do PCB durante o governo Vargas que teve de responder a estas demandas, vide: FONSECA, P. C. D. Vargas, o Capitalismo em Construção. São Paulo: Nova Fronteira, 1987. Outras conquistas trabalhistas serão efetuadas no governo João Goulart por reivindicação também do PCB como o direito ao 13º salário, vide: TELLES, J. O Movimento Sindical no Brasil. São Paulo: Ciências Humanas, 1981 e LCP (entrevistas concedidas por Luiz Carlos Prestes a Anita Leocadia Prestes e Marly de Almeida Gomes Vianna, gravadas em fita magnética e transcritas; RJ, 1981-83). LCP, fita nº XV. depois da Intentona Comunista de 1935, o seu apoio clandestino ao envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial(Prestes, 2010: 51-52) e a sua reconstrução progressiva e gradualTribuna Popular, RJ, 27/6/1946, p. 1.(Prestes, 2001: cap.IX) na Bahia em torno de intelectuais em sua maioria baianos e nordestinos em geral como Jorge Amado, Carlos Marighella, Aristeu Nogueira, Diógenes Arruda Câmara, Leôncio Basbaum, Alberto Passos Guimarães, Maurício Grabois, Graciliano Ramos, Osvaldo Peralva e Armênio GuedesO Partido retomará a legalidade ao seguir a diretriz soviética de 1945 de não enfrentar governos progressistas, vide: (Carone, 1982: 3-4) (Prestes, 2001: cap.IX) até uma nova proibição durante do governo Eurico Gaspar Dutra durante o auge da sua influência no sindicalismo seja ele ruralCONTRIBUIÇÃO AO DEBATE SOBRE A PARTICIPAÇÃO DO PCB NAS LUTAS NO CAMPO: UM BREVE BALANÇO DA ATUAÇÃO DO PCB JUNTO AOS CAMPONESESRonilson Barboza de Sousa ou urbano e também no funcionalismo público havendo o racha do Partido em 1962 por conta de uma fração maoista.Mais tarde esta facção passará a defender a luta armada durante o regime militar, vide: (Marighella, 1979: 49, 58, 63, 104) Discordando das diretrizes do partido de buscar a revolução urbana-burguesaDuas táticas e uma mesma estratégia – Do ‘Manifesto de Agosto de 1950’ à ‘Declaração de Março de 1958 Anita Leocádia Prestes.Ambos os partidos comunistas herdeiros desta época reconheceram que esta atitude foi um erro por conta da traição efetuada pelo capitalismo nacional monopolista, vide: Descaminhos da Revolução Brasileira: o PCB e a construção da estratégia nacional-libertadora (1958-1964), (Prestes, L.C., 1980: 12), (Prestes, 2010: 162), (Prestes, 2010: 55-59) e Caio Prado Jr. A Revolução Brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1966. como prioridade em detrimento da oposição inegociável ao governo questionada a princípio por pessoas como Jacob Gorender e voltando a legalidade durante o governo de Jânio Quadros quando o Partido se recusa a se valer da violência para alcançar seus objetivos políticos.Cabo Dias, o revolucionário de 1935
Golpe de 64 e abertura política
thumb|170px|esquerda|Luis Carlos Prestes (1898-1990) Durante a ditadura militar e o AI-5, o PCB da linha soviética de maneira tardia e despreparada(Moraes, 1989: 198) organizou um congresso e decidiu em 1967 que apoiaria a articulação das manifestações contra a lei marcial enquanto o PCdoB estava articulando a guerrilha, sendo que durante o governo militar de 1974 a 1976, prenderam quase 700 militantes infiltrados e mataram mais de 20 dirigentes comunistas de alto escalão, obrigando o Partido a solução da clandestinidade e do exílio, sendo que Luís Carlos Prestes se afasta da direção do partido,ALMEIDA, Antônio (pseudônimo de Prestes), documento original datilografado, sem título, 23 pgs, 08/04/1969, (Arquivo particular da autora); cópia em Coleção Luiz Carlos Prestes, Arquivo Edgard Leuenroth/UNICAMP, pasta 009. passando o comando para o Giocondo Dias. Mesmo com a abertura política de João Figueiredo, houve detenções de comunistas que estavam viajando para a União Soviética quando voltavam. A dramaturgia, o roteiro de novelas e o cinema brasileiros foram fortemente influenciados por autores comunistas militantes, apesar da falta de experiência de seus militantes,PRESTES, Luiz Carlos. “Carta à Aloyzio Neiva”, Rio, 16/01/1983, 3 pgs.;documento original, datilografado. (Arquivo particular da autora) a vigilância dos membros soltos pela polícia durante os tempos de perseguição e a desconexão dos exilados com relação à realidade do terreno.Para a participação de comunistas na cultura brasileira, ver: CARONE, Edgar. O PCB – 1922-1943; O PCB-1943-1964; O PCB-1964-1982. São Paulo: Difel, 1982.Para saber mais sobre a fraqueza do movimento comunista durante o regime militar, ver: GASPARI, E. A Ditadura Derrotada. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. Apesar da repressão durante a ditadura militar, havia uma forte penetração de comunistas no sindicalismo como no caso da VW que era a maior empresa do país na época.COSTA, E. A Política Salarial no Brasil. São Paulo: Boitempo, 1998. Durante a campanha das diretas já,Prestes sai do partido por conta do apoio moderado ao movimento, mas é rejeitado pelo PT, vide:Ecos à Carta de Prestes, n. 2, maio/1980 e Arquivos do Dops dizem que Lula barrou a entrada de Luís Carlos Prestes no PT o PCB apoiou firmemente o movimento social em pautaMAZZEO, A. C. As tarefas históricas da esquerda brasileira e o Partido dos Trabalhadores. São Paulo: mimeo., 2004. e quando começaram as greves de 1978-1980 no ABC Paulista, o Partido dos Trabalhadores (PT) cresceu as custas de uma fraca reflexão histórica, política e metodológica do Brasil,PRESTES, Luiz Carlos, “Declarações” (transcrição não revista) em “Resoluções Políticas do 3º Encontro Estadual dos comunistas gaúchos que se orientam pela Carta aos comunistas do camarada Luiz Carlos Prestes” (janeiro/1984), documento datilografado (cópia xerox), 28 pgs. “Coleção Luiz Carlos Prestes” no Arquivo Edgard Leuenroth/UNICAMP, Manuscritos, PCB-CC, pasta 242; “Documento do PCML – Partido Comunista Marxista Leninista”, 28 folhas, janeiro/1984, “Informes dos Órgãos de Segurança sobre Luiz Carlos Prestes” (Confidencial). lideranças inexperientes sejam elas marxistas ou não e de um PCB fraco que não se adaptou as mudanças.ANTUNES, R. A Rebelião no Trabalho. São Paulo: Editora Unicamp, 1992; BOITO JR. et alli. O Sindicalismo Brasileiro nos anos 80. São Paulo, Paz e Terra, 1991. A medida que nos anos 90 o PT vai galgando cargos em governos estaduais e municipais, ele se cede as ferramentas da política tradicional e desilude seus antigos membros comunistas restantes que desligam-se delePara entendermos a processo de transição do PT, consultar: Resoluções de Encontro e Congressos: 1979-1998. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000. Ver também Carta aos Brasileiros, 2002. criando assim uma nova tradição social-democrata voltada para países dependentes do Primeiro Mundo.MARINI, R. M. Dialética de la Mercancia e Teoria del Valor. México: Editorial Universitária Centroamericana, 1982; DOS SANTOS, T. Imperialismo e Dependência. México: Edições Era, 1978; SANTOS, T. Teoria da Dependência, Balanço e Perspectiva. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. BANBIRRA, V. El Capitalismo Dependiente Latinoamericano. México: Siglo Veinte e Uno Editora1, 976. Para uma abordagem com outra vertente ideológica, ver: CARDOSO, F. H.; FALETTO, E. Dependência e Desenvolvimento na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979. Nos anos 90, parte da direção tentou eliminá-lo por votação de não filiados, mas não conseguiu.
Controvérsias
Segundo o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, doutor em história pela USP e professor do Departamento de História da UFMG, o Brasil nunca esteve perto do comunismo, nem mesmo em 1964, ano de início da ditadura militar no Brasil. Numa entrevista, afirmou:
O historiador afirma ainda que a ideia de dizer que houve tais ameaças seria para intensificar uma campanha de grupos de direita em defesa daquele período e de dar legitimidade a um governo comandado por militares. Em outro trecho, afirma:
Uma reportagem do jornal The Intercept Brasil afirma que as supostas guerrilhas de Jango, o armamento em posse das Ligas Camponesas (o MST da época) e as infiltrações comunistas nas forças armadas não passavam de fantasia, e que o golpe de 64 ocorreu sem resistência, pois "resistência não havia". Além disso, as lutas armadas comunistas só apareceram após a implementação da ditadura, e não antes dela, e, na verdade, nunca colocaram em risco a democracia brasileira.
Ver também Anarquismo no Brasil Anticomunismo no Brasil História do comunismo Trotskismo no Brasil
Bibliografia
Luiz Werneck Vianna. Estudos sobre sindicalismo e movimento operário: resenha de algumas tendências. Boletim Informativo e Bibliográfico das Ciências Sociais, Rio de Janeiro, nº 3, 1978. ANTUNES, R. A rebelião no Trabalho. São Paulo: Editora da Unicamp, 1992. Júnior, Caio Prado. Evolução política do Brasil e outros estudos. Vol. 4. Editôra Brasiliense, 1953. BANBIRRA , V. El Capitalismo Dependiente Latinoamericano. México: Siglo Veinte e Uno, 1976. BATALHA, C. O movimento Operário na Primeira República. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2000. BOITO JR. A. et alli. O Sindicalismo Brasileiro nos Anos 80. São Paulo: Paz e Terra, 1991. CARDOSO , F. H.; FALETTO , E. Dependência e Desenvolvimento na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979. CARONE , E. O PCB – 1922-1943; O PCB – 1943-1964; O PCB – 1964-982. São Paulo: Difel, 1982. COSTA, E. A Política Salarial no Brasil. São Paulo: Boitempo, 1998. DOS SANTOS, T. Imperialismo e Dependência. México: Edições Era, 1978. ______________. Teoria da Dependência, Balanço e Perspectiva. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. DULLES, J. W. F. Anarquistas e Comunistas no Brasil 1900-1930. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1977. FONSECA , P. C. D. Vargas, o Capitalismo em Construção. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. GASPARI , E. A Ditadura Derrotada. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. KOVAL , B. História do Proletariado Brasileiro. São Paulo: Alfa Omega, 1982. LOPES , C. L. E.; TRIGUEIROS, N. N. História do Movimento Sindical no Brasil. Mimeo, s/d.