Paulo Benedito dos Santos Braga (Belém, 18 de novembro de 1934DA COSTA, Ferreira (2013). Quarentinha - O craque do século XX. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 247-250) mais conhecido como Quarentinha ou, ocasionalmente, como Quarenta, como foi chamado predominantemente durante sua carreira,LEAL, Expedito (2013). O Clássico Rei. Re-Pa - Rivalidade Gloriosa. Belém: Meta Editorial & Propaganda, pp. 8-12LEAL, Expedito (2013). Dois Ídolos / Dois Destinos. Re-Pa - Rivalidade Gloriosa. Belém: Meta Editorial & Propaganda, pp. 96-151 é um ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista. Detém o recorde de títulos estaduais no Brasil como jogador, com doze conquistas, todos pelo Paysandu, no campeonato paraense,DA COSTA, Ferreira (2015). Fatos e Personagens do Re-Pa. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 216-220DA COSTA, Ferreira (2002). 1973 - Quarentinha abandona futebol após 18 anos de glórias. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 89 do qual foi eleito em 2010 o maior jogador da história entre cem votantes.DA COSTA, Ferreira (2024). Quarentinha eleito o maior craque do Paysandu de todos os tempos. QUARENTINHA, craque eterno!. Belém: Valmik Câmara, p. 84 Também foi eleito o maior jogador do futebol paraense no século XX, em 2001,DA COSTA, Ferreira (2024). Em 2021, Quarentinha foi eleito o craque do Século XX do futebol paraense pela crônica. QUARENTINHA, craque eterno!. Belém: Valmik Câmara, pp. 82-83 em votação entre vinte e dois cronistas esportivos. Seus doze títulos ainda fazem dele o jogador mais vezes campeão no Paysandu. Givanildo Oliveira (1982), Durval (2017) e Jorge Henrique (2021) também lograram doze taças estaduais como futebolistas, mas por times e Estados diferentes. É Quarentinha, portanto, o recordista isolado de estaduais em um mesmo time e em um mesmo campeonato. Seus doze títulos, conquistados em dezessete anos (1956 a 1972), incluem dois bicampeonatos (1956/57; 1971/72) e dois tricampeonatos (1961 a 1963; 1965 a 1967).
Os doze títulos vieram em meio a uma carreira que durou dezoito anos, integralmente no Paysandu, ainda que fosse ocasionalmente sondado por clubes de fora do Pará, recebendo propostas ignoradas pelos dirigentes alviazuis em tempos de leis de passe mais fortes contra saídas de jogadores. Isto e o paralelo emprego fixo de funcionário público também dificultaram que saísse. Na chamada "Era Quarentinha", o Paysandu ultrapassou o grande rival Remo em número de títulos estaduais; no ano da estreia do craque, em 1955, os alvicelestes somavam 16 títulos, três a menos que o arquirrival. Na ocasião do jogo da despedida em 1973, o clube da Curuzu já tinha 28, e o Remo, 22. Nem este clube e nem o outro rival, a Tuna Luso, conseguiram sequer dois títulos seguidos entre 1955 e 1973. Dona de mais de um terço dos títulos paraenses nos vinte anos entre 1938 e 1958, a Tuna chegou a passar doze anos de jejum enquanto Quarentinha jogou.DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233 Em grande sinal de respeito ao craque, os rivais se uniram no jogo de despedida dele em 1973: o adversário foi a Tuna e o estádio usado, o do Remo.
Pelo Paysandu, Quarentinha jogou em torno de 750 partidas e marcou 86 gols, sendo o 12º maior artilheiro bicolor, se notabilizando mais por armação de jogadas do que propriamente por conclui-las; chegou a ser o 8º maior goleador alviazul, sendo superado por jogadores de passagem posterior pelo clube. Sobressaía-se em relação aos demais meias-armadores paraenses de sua época pelos passes longos, por esticar a bola com precisão de uma ponta a outra, sem deixar de deslocar-se por todo o gramado, com a bravura de sua figura diminuta rendendo comparações à luta de Davi e Golias; já o árbitro Armando Marques o compararia a Didi.PAES LOUREIRO, João de Jesus (2024). AS MANCHETES. QUARENTINHA, craque eterno!. Belém: Valmik Câmara, p. 101 A outra camisa que Quarentinha vestiu foi a da seleção paraense, entre 1958 e 1971, sobretudo no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais e em alguns amistosos.DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331
Quarentinha também é o jogador que mais vezes disputou o clássico Re-Pa. Foram 135 partidas, entre 1956 e 1971, e doze gols marcados, sendo o 16º na artilhariaDA COSTA, Ferreira (2015). Eis os maiores artilheiros do Remo x Paysandu, em 101 anos de história. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 221-223 do clássico futebolístico mais vezes realizado a nível mundial.DA COSTA, Ferreira (2009). Apresentação. Remo x Paysandu 700 Jogos - O Clássico mais disputado do futebol mundial. Belém: Valmik Câmara, pp. 7-8 Outra fonte para sua idolatria para a torcida do Paysandu está no fato de que durante os "anos Quarentinha" o clube, além de mais títulos, também passou a ter, provisoriamente, mais vitórias do que derrotas na rivalidade (essa vantagem está revertida desde meados da década de 1970),DA COSTA, Ferreira (2015). 1979. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 139-140 incluindo o maior tabu a favor do "Papão", os treze clássicos seguidamente invictos ao longo do ano de 1970.O maior do país (maio 2015). Placar n. 1294-B. São Paulo: Editora Abril, pp. 126-129 Considera-se que a "Era Quarentinha" foi a responsável por fazer a torcida do Paysandu, que seria significantemente inferior anteriormente, crescer de modo a se equiparar à do Remo. Segue no clube atualmente, como um dos "beneméritos atletas" do Conselho Deliberativo do Paysandu.
Trajetória Inícios, em meio a outros Quarenta(inhas) thumb|right|283x283px|Quarenta e o primeiro Quarentinha, seu filho, no início da década de 1950. Enquanto o segundo Quarentinha jogava, costumava ser referido ainda como Quarenta também.
O apelido surgiu espontaneamente em jogos de rua e seria uma referência a Quarenta, cujo apelido por sua vez provinha de seu número de identificação como aluno interno do Instituto Lauro Sodré. Quarenta jogou curiosamente também por dezoito anos (de 1927 a 1945) e ainda é o terceiro maior artilheiro do PaysanduDA COSTA, Ferreira (2013). Quarenta - El Tigre, o terror dos goleiros. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 238-242 e terceiro maior artilheiro também do clássico Re-Pa. Durante a carreira, Paulo Benedito dos Santos Braga foi predominantemente chamado de Quarenta, com o diminutivo só prevalecendo posteriormente. E era justamente o Quarenta que jogou da década de 1920 à década de 1940 o futebolista com mais títulos no Paysandu e com mais títulos estaduais no Brasil antes de Quarentinha, tendo sido campeão paraense onze vezes.
"Foi um craque daqueles que enche a vista de qualquer um com o futebol que praticava", declarou Quarentinha sobre Quarenta, que passou rapidamente por Vasco da Gama e São Paulo e que também foi pai de outro Quarentinha,ARAÚJO, Maria Helena (15 jul. 1983). O goleador de coração frio. Placar n. 686. São Paulo: Editora Abril, pp. 61-63 o mais famoso nacionalmente, por ter jogado na seleção brasileira e por ainda ser o maior artilheiro do Botafogo.DA COSTA, Ferreira (2013). Quarentinha Lebrego - O artilheiro que não vibrava. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 243-246 Curiosamente, o velho Quarenta teve também um filho que jogou justamente nos rivais Remo e Tuna Luso: Walmir, inicialmente também apelidado com o número. À medida em que o homônimo do Paysandu se sobressaía mais, o remista, campeão estadual em 1964, passou a ser referido pela crônica esportiva como Walmir.LEAL, Expedito (2013). Quarentas e Quarentinhas. Re-Pa - Rivalidade Gloriosa. Belém: Meta Editorial & Propaganda, pp. 46-51LEAL, Expedito (2024). Quarenta: Meu herói, meu "bandido". QUARENTINHA, craque eterno!. Belém: Valmik Câmara, pp. 15-18 Na Tuna, Walmir foi ainda artilheiro do campeonato em 1961 e em 1962.DA COSTA, Ferreira (2013). 1961 - "Montinho artilheiro" colaborou e Papão ficou com o Campeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 129-131DA COSTA, Ferreira (2013). 1962 - Paysandu mantém Gentil Cardoso e chega fácil ao bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 132-135 Eles chegaram a atuar juntos nas categorias de base do Paysandu, com Walmir sendo referido como "Quarentinha" e Paulo, como "Quarentinha II", em 1955.NEGRÃO, Luiz (2024). Gol - a história de um campeonato. QUARENTINHA, craque eterno!. Belém: Valmik Câmara, pp. 26-27
Os Quarentinhas de Paysandu e Botafogo (de nome Waldir), por sua vez, também tiveram carreiras contemporâneas e o botafoguense, nascido um ano antes, também foi revelado no Paysandu (em 1951), mas deixou o Pará em 1953. Já o Quarentinha que permaneceria no Estado participava de uma equipe de rua chamada exatamente de Paysanduzinho, onde recebeu o apelido.NEGRÃO, Luiz (2024). COMEÇOU EM PELADAS. QUARENTINHA, craque eterno!. Belém: Valmik Câmara, pp. 22-23 Lá era centroavante e atuava com outro futuro ídolo bicolor, o atacante Carlos Alberto Urubu. Posteriormente, os jogadores do Paysanduzinho formaram o Águia Juvenil Clube; dentre os colegas de Quarentinha encontravam-se seu irmão Renato, também considerado habilidoso, mas pouco interessado em se comprometer profissionalmente com o futebol.DA COSTA, Ferreira (2024). 41 anos após encerrar a carreira, Quarentinha esclarece dúvidas. QUARENTINHA, craque eterno!. Belém: Valmik Câmara, pp. 87-92 A prática amadora não era bem recebida por forças policiais e de bombeiros, que não raramente encerravam à força as partidas na Praça Brasil até um dos jogadores vir a ser filho do então governador do Pará, Moura Carvalho.
Outras equipes menores que defendera foram o Olaria e o Dramático, todos das redondezas da Praça Brasil, próxima ao bairro onde sempre residiu, o Telégrafo; na época, o Dramático, com sede nas esquina das avenidas Dom Pedro I e Senador Lemos, jogava na segunda divisão estadual. Em 2024, aos 90 anos, Quarentinha detalhou sobre aquele princípio: "o Dramático treinava nas instalações do antigo Diário Oficial do Estado, onde hoje existe o Colégio Magalhães Barata, e íamos assistir aos treinos e éramos chamados para completar o quadro de aspirantes. Na semana de um jogo do Dramático, o jogador titular da meia-esquerda, o Coruja, sofreu uma distensão e ficou impossibilitado de jogar. Então, pediram, através do jogador Moura, que eu fosse inscrito para jogar no sábado, contra o Canudense, na Curuzu. Nesse jogo, saímos vencedores pelo placar de 4–2, onde fui o autor de dois gols. Os clubes que disputavam a Segunda Divisão eram o Dramático, Canudense, União, Guarani, da Cidade Velha, e outros que no momento não me recordo. Os jogos da Segunda Divisão eram disputados nos estádios do Remo e do Paysandu. Eram disputados às 16 horas aos sábados.
Contudo, jogar no antigo Paysanduzinho e torcer pelo Paysandu não impediram que Quarentinha inicialmente tentasse jogar justamente no Remo, para onde levado pelo irmão Renato - detalhando, também em 2024, que este irmão atuava como juvenil do Paulista, então um clube da primeira divisão paraense; Armando Moura, presidente do Paulista e também empregador de Renato em um escritório, era igualmente sócio remista, propiciando assim o convite, pelo qual Quarentinha foi inscrito no Remo como profissional. Porém, após um mês de testes, Quarentinha foi ignorado em função da figura muito diminuta: tinha 1 metro e 58 centímetros, pesava 50 quilogramas e calçava chuteiras de número 35. Em 8 de abril de 1955, deixou o Remo e, após encontro ocasional com um vizinho apelidado de Carnaval (José Jesuíno Delgado) e que trabalhava como massagista no Paysandu, mencionando-se a negativa remista, recebeu imediato e insistente convite para testes entre os bicolores.