Febre de oropouche é uma doença tropical, causada pelo arbovirose Oropouche orthobunyavirus (OROV), é endêmica da América Central e da América do Sul. O Oropouche foi encontrado em quatro estados da região Norte em 2023 e pode se tornar, a qualquer momento, um problema mais sério de Saúde Pública https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-vira-referencia-em-protocolo-de-deteccao-do-virus-oropouche. No início de 2 de fevereiro de 2024 a OPAS emitiu um alerta epidemiológico relacionado ao aumento na detecção de casos de febre de Oropouche em algumas áreas da Região das Américashttps://www.paho.org/pt/file/139192/download?token=8STg_iun.
Sintomas Seus sintomas são febre — temperatura entre 38 e 39.5°C —, presente em quase todos os casos e de início brusco. É comum apresentar dor de cabeça, calafrios, dor no corpo ou muscular, além de dores nas articulações, quadro semelhante ao da dengue. Embora a maioria dos casos seja benigna, podem ocorrer complicações como meningite e inflamação do encéfalo e das meninges (meningoencefalite).
Complicações e Transmissão Vertical Historicamente considerada uma doença branda, o cenário epidemiológico mudou em 2024. Em julho desse ano, o Ministério da Saúde do Brasil confirmou os dois primeiros óbitos mundiais pela doença (em mulheres jovens, sem comorbidades), ocorridos na Bahia.
Além disso, foi confirmada a transmissão vertical (da gestante para o feto), associada a casos de morte fetal, aborto espontâneo e anomalias congênitas como a microcefalia, mimetizando o comportamento do vírus Zika. O Instituto Evandro Chagas identificou o genoma do vírus em tecidos fetais, confirmando a capacidade do Oropouche de atravessar a barreira placentária.
Diagnóstico Laboratorial Devido à semelhança clínica com outras arboviroses (como Dengue, Zika e Chikungunya), o diagnóstico clínico isolado é impreciso. A confirmação laboratorial é essencial e segue duas janelas de detecção:
Biologia Molecular (RT-PCR): É o método de escolha na fase aguda (até o 5º dia do início dos sintomas), detectando o material genético viral no sangue (soro). Sorologia (IgM): Indicada para a fase de convalescença (a partir do 6º dia), detectando anticorpos específicos. Diagnóstico Diferencial: É crucial descartar dengue e malária em áreas endêmicas, pois o manejo clínico dessas doenças difere significativamente do Oropouche.
Transmissão Ocorre em dois ciclos, o silvestre e o urbano. No ciclo silvestre, costuma infectar macacos e bichos preguiça, além de aves silvestres, Seus transmissores são os mosquitos como Aedes serratus (Pará) e Coquillettidia venezuelensis (Trinidad). No ciclo urbano, o único hospedeiro é o ser humano, normalmente é transmitida pelo Culicoides paraensis, também conhecido como borrachudo ou maruim.
Prevenção e Tratamento Atualmente, ainda não existe vacina específica para prevenir a Febre Oropouche, porém estudos estão sendo realizados utilizando análises de imunoinformática, quimeras VSV e sistemas de genética reversa, com o intuito de desenvolver uma proteção contra esse vírus.
O tratamento consiste principalmente no uso de medicamentos para aliviar os sintomas, com repouso e hidratação. Em casos graves da febre de Oropouche, pode ser necessária uma terapia antiviral que utiliza um fármaco chamado ribavirina.
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