Ian Dougald McLachlan CB CBE DFC (Melbourne, 23 de Julho de 1911 – Sydney, 14 de Julho de 1991) foi um militar e piloto da Real Força Aérea Australiana (RAAF). Nascido em Melbourne, foi um cadete do Real Colégio Militar em Duntroon, antes de se juntar à força aérea em Dezembro de 1930. Depois de prestar serviço como instrutor e como piloto, assumiu o comando do Esquadrão N.º 3 em Dezembro de 1939, liderando-o em combate no Médio Oriente menos de um ano depois. Condecorado com a Cruz de Voo Distinto, regressou à Austrália em 1942 para comandar bases aéreas em Camberra e Melbourne. No ano seguinte foi transferido para o Sudoeste do Pacífico, onde comandou a Asa N.º 71 e a Asa N.º 73. Depois de ser promovido a Group Captain (Coronel), assumiu a chefia do Comando da Área do Sul da RAAF em 1944, e no ano seguinte o da Asa N.º 81 nas Índias Orientais Holandesas.

Promovido a Comodoro do Ar em 1946, McLachlan serviu como comandante do Grupo Aéreo da Comunidade Britânica, no Japão, até 1948. Após liderar o Comando da Área Nordeste entre 1951 e 1953, foi nomeado Comandante da Ordem do Império Britânico e colocado na Inglaterra, onde frequentou o Colégio Imperial de Defesa. Promovido a Vice-Marechal do Ar, regressou à Austrália em 1957 e tornou-se comandante do Comando de Treino; neste papel, ele levou a cabo duas grande revisões do sistema educacional e de comando da RAAF. Entre 1959 e 1961 foi Vice-chefe do Estado-Maior, e depois líder do Serviços Conjuntos Australianos, em Washington, D.C., até 1963. Nomeado Companheiro da Ordem do Banho em 1966, McLachlan foi nomeado Membro Aéreo do Abastecimento e Equipamento, tendo se retirado da RAAF em 1968. Depois da força aérea, foi consultor da Northrop e viveu em Darling Point, Sydney, até à sua morte em 1991.

Início de carreira Filho de Dugald e Bertha McLachlan, Ian McLachlan nasceu no subúrbio de South Yarra em Melbourne, Vitória, no dia 23 de Julho de 1911.Howie, Who's Who in Australia 1992, p. 793Gillison, Royal Australian Air Force, p. 110 Depois de estudar na Escola Secundária de Melbourne, entrou no Real Colégio Militar em Duntroon, em 1928. Foi um de quatro cadetes patrocinados pela RAAF naquele ano, que na altura não tinha a sua própria instituição de ensino. Cortes e medidas de austeridade provocadas pela Grande Depressão fizeram com que os quatro cadetes fossem transferidos a meio de curso para a RAAF, ficando a meio do curso de quatro anos.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 196–197Moore, Duntroon, pp. 64–65 Embora tenham lhes oferecido posições nos Serviços Públicos Australianos e contratos com a Real Força Aérea, todos os quatro alunos decidiram ficar na RAAF.

Juntando-se oficialmente à força aérea no dia 10 de Dezembro de 1930, McLachlan completou o seu treino de pilotagem no ano seguinte. Foi incorporado como piloto em 1932, e durante os cinco anos seguintes desempenhou várias funções de instrução e pilotagem. Em 1937, foi um dos membros de um contingente da RAAF colocado na Inglaterra para celebrar a coroação do rei Jorge VI. Promovido a Tenente de Voo, foi-lhe dado o comando do Esquadrão N.º 3, que operava aviões Hawker Demon a partir da Estação de Richmond, em Nova Gales do Sul, no dia 4 de Dezembro de 1939.Roylance, Air Base Richmond, p.123 No dia 1 de Fevereiro de 1940, foi promovido a Líder de Esquadrão, e liderou a sua unidade até ao Médio Oriente no dia 15 de Julho.

Segunda Guerra Mundial

Médio Oriente alt=|esquerda|miniaturadaimagem|McLachlan (segundo à direita) numa reunião com pilotos do Esquadrão N.º 3, ao pé de um Gloster Gladiator no Egipto, em Janeiro de 1941 Depois de embarcar em direcção da Bombaim, na Índia, o Esquadrão N.º 3 chegou ao Suez, no Egipto, no final de Agosto de 1940.Stephens, The Royal Australian Air Force, p. 80Herington, Air War Against Germany and Italy, p. 57 No seu papel original de apoio ao exército, mais propriamente à 6ª Divisão australiana na Campanha do Norte de África, o esquadrão estava equipado com os obsoletos Gloster Gladiator, caças biplanos, e aviões de observação Westland Lysander. Como parte da preparação para as operações bélicas, McLachlan organizou exercícios de treino juntamente com a 6ª Divisão, além de exames escritos para testar os conhecimentos de cada um dos seus homens e treinos de comunicação ar-terra.Herington, Air War Against Germany and Italy, p. 100

Descrito pelo historiador Alan Stephens como um militar "capaz", McLachlan liderou o Esquadrão N.º 3 na Batalha de Sidi Barrani em Dezembro de 1940, e mais tarde na Batalha de Bardia e na captura de Tobruk em Janeiro de 1941. Antes de ser equipada com aviões Hawker Hurricane, a unidade foi creditada por destruir doze aeronaves italianas com a perda de apenas cinco aviões Gladiator e dois pilotos; McLachlan abateu um Fiat CR.42 no dia 10 de Dezembro de 1940, na mesma batalha em que o seu camarada de esquadrão e futuro ás da aviação Gordon Steege obteria a sua primeira vitória.Thomas, Gloster Gladiator Aces, pp.44–46 O Marechal do Ar Sir Arthur Longmore louvou McLachlan e o seu esquadrão pela "grande moral e adaptabilidade às condições do deserto".

McLachlan foi condecorado com a Cruz de Voo Distinto pela sua "qualidade como piloto de caças e capacidade de liderança mesmo quando se deparando com o inimigo em número superior"; a citação foi publicada no London Gazette de 11 de Fevereiro de 1941 sob o nome "Ian Duncan MacLachlan". Foi o primeiro piloto da RAAF a ser condecorado na Segunda Guerra Mundial. Promovido a Comandante de Asa, tomou o comando do recém-estabelecido Aeródromo de Benina, em Benghazi, no dia 13 de Fevereiro, entregando o comando do Esquadrão N.º 3 ao Líder de Esquadrão Peter Jeffrey.Herington, Air War Against Germany and Italy, p. 70 Por volta de Maio de 1941, McLachlan desempenhava funções como oficial para o novo comandante das forças aéreas britânicas no médio oriente, o Marechal do Ar Arthur Tedder. O Quadro Aéreo em Melbourne, liderado pelo Chefe do Estado-Maior, o Marechal Sir Charles Burnett, não foi informado sobre esta mudança de funções, e com alguma dificuldade abriu uma excepção à "decisão unilateral" da RAF em nomear McLachlan, apesar de mais tarde ter consentido que McLachlan desempenhasse aquela função para coordenar qualquer assunto relativamente ao pessoal da RAAF na região; em Julho, voltou para a Austrália.Herington, Air War Against Germany and Italy, p. 98Herington, Air War Against Germany and Italy, pp. 112–113, 120

Sudoeste do Pacífico Em 1942 McLachlan tomou o comando da Estação de Camberra e, mais tarde, na Estação de Laverton, em Vitória. Colocado na Nova Guiné, tornou-se no comandante inaugural da Asa N.º 71 em Milne Bay, em Fevereiro de 1943.No. 71 Wing, "Operations Record Book", p. 1Odgers, Air War Against Japan, pp. 23–24, 35 A asa era composta pelo Esquadrão N.º 6 (que pilotava aviões Lockheed Hudson), pelo Esquadrão N.º 75 (que operava aviões P-40 Kittyhawk) e pelo Esquadrão N.º 100 (que operava aviões Bristol Beaufort). A asa ficou sob o controle do Grupo Operacional N.º 9, a unidade de combate por excelência da RAAF no Sudoeste do Pacífico, cujo propósito era o de agir como uma força móvel de ataque em apoio ao avanço das tropas aliadas.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 122–123 Em Março os Beaufort participaram na Batalha do Mar de Bismarck, um "combate aéreo decisivo" na Área do Sudoeste do Pacífico de acordo com o General Douglas MacArthur, embora não tenham conseguido atacar nenhuma embarcação japonesa.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 160–165Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 690–692 alt=|miniaturadaimagem|McLachlan (à esquerda) com Bill Garing em Port Moresby, New Guinea, Nova Guiné, por volta de 1943 Em Junho de 1943, McLachlan foi promovido a Capitão de Grupo e foi-lhe dado o comando da Asa N.º 73. Ele estabeleceu o seu quartel-general na ilha Goodenough, onde ficou responsável por organizar a asa em uma formação de combate que consistia no Esquadrão N.º 76 e no Esquadrão N.º 77 (ambos pilotavam aviões Kittyhawk) e no Esquadrão N.º 79 (que pilotava caças Spitfire). Além de providenciar defesa aérea a nível local, e escolta a bombardeiros australianos, os Kittyhawk estavam armados com bombas incendiárias e de outras finalidades para que pudessem realizar missões de ataque ar-solo, uma prática que já havia sido posta em prática pelos militares da Commonwealth no teatro do Médio Oriente.Odgers, Air War Against Japan, pp. 33–36 Em Agosto, a asa foi transferida para Kiriwina, enquanto a outra formação do Grupo N.º 9, a Asa N.º 71, adquiriu a responsabilidade pela ilha Goodenough.Odgers, Air War Against Japan, p. 69Odgers, Air War Against Japan, p. 124 Nomeado oficial superior do pessoal aéreo no Grupo N.º 9, McLachlan entregou o comando da Asa N.º 73 ao Comandante de Asa Gordon Steege em Outubro de 1943. Na recta final do mandato nesta posição, McLachlan disse ao seu antigo comandante, o Comodoro do Ar Joe Hewitt, que as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos estavam "um passo à frente" da RAAF, que estava a ficar para trás para "limpar os restos" da resistência japonesa. Ele receava especialmente que os pilotos da RAAF ficassem inquietos ou desmoralizados por os norte-americanos tomarem conta de toda a acção. Menos de um ano depois, a moral entre os pilotos da RAAF desceu a um nível tão baixo que oito dos melhores pilotos da RAAF ameaçaram "despedir-se" se a situação não fosse alterada. Esta situação ficou conhecida como o Motim de Morotai.Stephens, Power Plus Attitude, p. 71

Em Março de 1944, McLachlan tomou o comando do Comando da Área do Sul, em Melbourne, com a responsabilidade de realizar operações de patrulha marítima, escolta de comboios e guerra antissubmarinos nas águas do sul da Austrália; em Janeiro de 1945, foi rendido pelo Group Captain Charles Eaton.Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. 301–304Odgers, Air War Against Japan, pp. 140–141 Mencionado em despachos no dia 9 de Março de 1945 pelo seu serviço distinto, McLachlan regressou à acção no Sudoeste do Pacífico como comandante da Asa N.º 81, que era composta pelo Esquadrão N.º 76, Esquadrão N.º 77 e Esquadrão N.º 82; os três esquadrões operavam aviões Kittyhawk.Odgers, Air War Against Japan, p. 249 Parte da Primeira Força Aérea Táctica Australiana nas Índias Orientais Holandesas, a asa participou em várias operações como a batalha de Tarakan e na invasão de Labuan, ficando estacionada nesta base até ao momento em que a guerra do Pacífico terminou em Agosto de 1945.Odgers, Air War Against Japan, p. 299Odgers, Air War Against Japan, pp. 466–473

Carreira no pós-guerra alt=|esquerda|miniaturadaimagem|McLachlan (segundo à esquerda) com pilotos da Asa N.º 81 em Labuan, em Setembro de 1945