Antônio Manoel de Barros Filho (Acará, 13 de fevereiro de 1899 – Belém, 1 de julho de 1922), mais conhecido como Suíço (Suisso, na ortografia da época LEAL, Expedito (2013). Leão x Papão. Re-Pa - Rivalidade Gloriosa. Belém: Meta Editorial & Propaganda, pp 52-57), foi um futebolista brasileiro que se notabilizou como primeiro e único que, atuando em um clube paraense (Paysandu Sport Club), foi convocado pela Seleção Brasileira de Futebol principal. A convocação foi para a Copa América de 1921, para a qual não pôde, porém, embarcar.DA COSTA, Ferreira (2013). Suíço - Craque foi lembrado para a Seleção Brasileira. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 284-288

Ele é considerado um dos maiores ídolos do Paysandu, que tem como um dos apelidos justamente a alcunha "clube (ou time) de Suíço". Com ele, o Paysandu venceu pela primeira vez o clássico Re-Pa, na terceira edição do duelo. Suíço também participou dos três primeiros títulos estaduais do clube, em um tricampeonato invicto entre 1920-22 – com 100% de aproveitamento no primeiro, invencibilidade no segundo e a maior goleada da história da competição no terceiro, no que foi justamente a última partida do jogador.DA COSTA, Ferreira (2013). 1922 - Paysandu aplica goleada recorde e festeja o Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 33-34 Também era o capitão no Paysandu, o que em sua época equivalia ao papel de treinador, e na Seleção Paraense.

Com movimentos descritos como ligeiros e imprevisíveis, Suíço era elogiado também pela habilidade em diferentes posições. Embora atuasse preponderantemente como lateral-esquerdo (na época denominado half esquerdo, halfback left ou "médio esquerdo", dentre outras variações), não raramente se desempenhava de volante (na época, "centromédio" ou centerhalf) ou como ponta-direita (outside right) e até mesmo de zagueiro (fullback).

A convocação de Suíço à Seleção Brasileira, bem como o imprevisto contra seu embarque, foram recordados em reportagem sobre o antigo Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais já no ano de 1944 publicada pelo italiano Tommaso Mazzoni para o jornal carioca Sport Ilustrado, em nota na qual o jogador paraense foi descrito como "magnífico".

Carreira em clubes "Ajudando" a criar o Paysandu Filho do imigrante português Antônio Manoel de Barros Junior e de Margarida Fonseca de Barros, recebeu o apelido em função de seus estudos na Suíça, onde começou a praticar futebol. Ao voltar ao Pará em 1913, teve como primeiro clube o Guarany, equipe que representava a Avenida José Bonifácio.

Naquele ano de 1913, o campeonato paraense (o quarto torneio estadual mais antigo do Brasil) voltaria a ser disputado pela primeira vez desde a edição de 1910.DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233 Na rodada final, o Guarany empatou em 1-1 com o Norte Club, que disputava o título com o Remo. O resultado favoreceu os azulinos, que terminaram campeões,DA COSTA, Ferreira (2002). Em 1914, surgiu o clube que se tornaria a grande paixão dos paraenses. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 9-13 pela primeira vez. Insatisfeitos com supostas irregularidades nessa partida, os membros do Norte Club buscaram anula-la, mas sem sucesso. Em resposta, o clube foi extinto, com seus dissidentes fundando no ano seguinte o Paysandu.

Suíço, inicialmente, continuou no Guarany no estadual de 1914, inclusive enfrentando o Paysandu e saindo derrotado por 4-1. Apesar desse resultado, no início de 1915 ele foi então convidado a juntar-se ao adversário. O convite veio pessoalmente de Hugo Leão, precisamente quem havia liderado o movimento que extinguira o Norte Club e fundara a nova equipe.

Primeiros Re-Pas thumb|right|300px|Terceiro em pé no Paysandu vencedor do Torneio Início de 1919: Aristides, João Moraes e Suíço; Guimarães, Stromp e Xavier; Leite, o francês Petit, Leôncio, Enéas e Arthur Moraes.

A estreia de Suíço no Paysandu deu-se em 31 de janeiro de 1915 e marcou precisamente a primeira vitória do clube no clássico Re-Pa. Foi na terceira vez em que o clássico se realizou, após o Remo ter vencido o primeiro duelo e haver empate no segundo, ambos em 1914. O jogo amistoso ocorreu no estádio da Curuzu (na época ainda pertencente à firma Ferreira & Comandita) e, encerrou-se em 2-0 com gols de Abel Barros, irmão de Suíço, também estreante no Paysandu naquela ocasião.DA COSTA, Ferreira (2015). 1915. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 14-15 Inicialmente, a dupla era apelidada de "Os Irmãos Suíços".DA COSTA, Ferreira (2018). 1915 - Irmãos Suíços reforçam o Bicolor. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 196

Uma revanche foi imediatamente marcada, para 21 de fevereiro de 2015. E Suíço inspirou os colegas a buscarem uma vitória de virada por 2-1, com Abel Barros anotando outro gol sobre o Remo, em nova partida amistosa. Suíço ainda tinha quinze anos de idade no duelo ocorrido no mês anterior e havia acabado de completar dezesseis na ocasião da revanche, uma vez que nascera em 13 de fevereiro de 1899. Outro resultado destacado do clube foi vitória de 17-1 sobre o clube Brazil, pelo campeonato paraense daquele ano.

Em 1915, também foi formada pela primeira vez uma Seleção Paraense, que naquele mesmo ano recebeu excursão do Flamengo pela Amazônia. O inglês Henry Welfare, reforço da equipe carioca na ocasião, colocou Suíço antes de todos em sua lista de adversários mais destacados naqueles duelos, em opinião publicada na edição de 22 de janeiro de 1916 do jornal Correio da Manhã: "o Pará ressente-se da falta de visita de teams de valor esportivo. Creio que o do Flamengo é o primeiro que entrou em seus campos nestas condições. Por isto, em conjunto, à prática do football paraense falta coesão e recursos mútuos de atividade que só se podem adquirir em lutas contra équipes estranhas constituídas de bons jogadores. Mas, mesmo assim, julgo os footballers do Pará como possuindo real mérito. Individualmente são resistentes e dotados de nítida noção do sport. Observei jogadores excelentes e que me fizeram impressão. Nestas condições, citarei Suíço, outside right; Guimarães, inside left; Joãozinho, goalkeeper; e Bordalo, o half back right do Clube do Remo. Ao goalkeeper Joãozinho deve o Pará o empate do importante encontro da taça Tricentenário. Não há dúvida de que é um grande jogador, capaz de fazer figura em qualquer campo da Inglaterra.""o Pará resente-se da falta de visita de teams de valor sportivo. Creio que o do Flamengo é o primeiro que entrou em seus campos nestas condições. Por isto, em conjunto, á pratica do football paraense falta cohesão e recursos mutuos de actividade que só se pódem adquirir em lutas contra équipes estranhas constituidas de bons jogadores. Mas, mesmo assim, julgo os footballers do Pará como possuindo real merito. Individualmente são resistentes e dotados de nítida noção do sport. Observei jogadores excellentes e que mo fizeram impressão. Nestas condições, citarei Suisso, outside right; Guimarães, inside left; Joãozinho, goalkeeper; e Bordallo, o half back right do Club do Remo. Ao goalkeeper Joãozinho deve o Pará o empate do importante encontro da taça Tricentenário. Não ha duvida de que é um grande jogador, capaz de fazer figura em qualquer campo da Inglaterra", na ortografia da época.

O mesmo jornal, na edição de 18 de janeiro, havia listado precisamente os citados Suíço, Guimarães e Joãozinho – também referido pelo nome real, João Moraes – como três dos quatro jogadores do Paysandu convocados (Arthur Moares era o outro), em uma análise de todos os membros da seleção. Nela, Suíço fora descrito como "um dos nossos mais adestrados footballers. Veloz e resistente. Iniciou sua vida esportiva na Suíça. Chegando ao Pará, começou a jogar no team do Guarany Football Club, onde seu jogo sobressaía brilhantemente. Em 1914, passou a jogar no Paysandu Sport Club, de cuja équipe principal é hoje esforçado captain. Ocupa todas as posições num team, seja nas linhas de defesa ou ataque. Combina admiravelmente com Guimarães"."um dos nossos mais adestrados footballers. Veloz e resistente. Iniciou sua vida sportiva na Suissa. Chegando ao Pará, começou a jogar no team do Guarany Football Club, onde seu jogo sobresaia brilhantemente. Em 1914, passou a jogar no Paysandu Sport Club, de cuja équipe principal é hoje esforçado captain. Occupa todas as posições num team, seja nas linhas de defeza ou ataque. Combina admiravelmente com Guimarães", na ortografia da época.

O Paysandu chegou a vencer a própria Seleção Paraense em 28 de fevereiro de 1915, em goleada de 7-1 na qual Suíço inclusive marcou dois gols; foi dele precisamente o primeiro e o último gol, sendo este, a cinco minutos do final, descrito pelo jornal O Estado do Pará em lance que fechou "brilhantemente com um goal magistralmente feito", arrancando "prolongada ovação" da plateia. Hugo Leão, precisamente fundador do Paysandu, fora o árbitro e teria tido desenvoltura imparcial, sendo criticado justamente por ter assinalado um duvidoso impedimento contra um ataque do próprio Paysandu.

Porém, o Remo venceria o Estadual seguidamente até 1919. A rivalidade com o Paysandu já nascera forte; o Remo foi campeão paraense de 1916 sem disputar o clássico, pois antes os alvicelestes retiraram-se do campeonato, em protesto por não serem autorizados a inscrever o jogador Jacques, da União Esportiva, com o torneio em andamento, embora a liga houvesse previamente autorizado ações semelhantes de outras equipes.DA COSTA, Ferreira (2013). 1916 - Leão Azul perde um jogo, mas conquista o Tetracampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 23-24 O único clássico naquele ano foi um amistoso combinado exatamente para apaziguar as relações entre os dois clubes, com o Remo ganhando por 3-1.DA COSTA, Ferreira (2015). 1916. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, p. 15

Início do reconhecimento fora do Pará thumb|right|300px|Perfis de jogadores do Paysandu publicados em 1917. As fotografias de João Moraes e de Suíço são respectivamente a primeira e a segunda da fileira esquerda. João Moraes, o "Joãozinho", é o goleiro que teria ouvido a voz do espírito de Suíço em 1923.

Em maio de 1917, realizou-se pela primeira vez o Torneio Início, vencido pelo Paysandu,DA COSTA, Ferreira (2013). 1917 - Ninguém conseguiu segurar o Remo, que chegou ao pentacampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 25-26 com Suíço entre os titulares.DA COSTA, Ferreira (2002). 1917 - 1º Campeão do Torneio Início. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 17-18 Aquele foi também o primeiro título do time principal do Paysandu no futebol: o primeiro título do clube havia sido no campeonato paraense de equipes B ("segundos quadros" ou "de segunda divisão", nas denominações da época) de 1914 e o segundo fora o campeonato paraense infantil de 1915, ambos sem Suíço.DA COSTA, Ferreira (2002). 1914 - Primeiro Título de Campeão. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 15-16DA COSTA, Ferreira (2002). 1915 - Campeão Paraense de Futebol Infantil. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 15-16 Na decisão do Torneio Início de 1917, por sua vez, o único gol nasceu de jogada iniciada por Suíço: interceptou logo aos 2 minutos um ataque do Brasil Sport e lançou ao ataque para Astrogildo, cujo cruzamento se desdobrou um pênalti cometido pelo adversário (e convertido por Arthur Moraes).